Radio Moçambique premeia música inconstitucional e que fomenta o HIV-SIDA
Canal de Opinião por José Belmiro
“Quando os maus prosperam, tem se vergonha de se ser honesto”
A «Rádio Moçambique», a estação pública e a de maior audiência de rádio em Moçambique, acaba de premiar na sua última edição do «Ngoma» a música “maboasuda” interpretada pelo cantor Ziqo, como sendo a música mais popular do País.
Essa música, cujo teor da letra para além de atropelar uma série de artigos plasmados na «Constituição da República» no que concerne à igualdade entre homens e mulheres; e a não discriminação de deficientes; entre outros que o Dr Carlos Serra Jr tão sabiamente demonstrou nos seus artigos publicados no jornal Savana, exalta no seu mais alto grau, a imoralidade e atenta contra o pudor, os bons costumes que deveriam vigorar numa sociedade civilizada.
Ora, não irei neste artigo de opinião pessoal me debruçar do ponto de vista jurídico-constitucional, pois muito já se disse. Irei falar, sim, daquilo que deve ser a responsabilidade de todos na luta contra o HIV/SIDA.
Num momento em que o país está a verificar altos índices de seroprevalência que já ronda os 20% para mais, e a principal causa deste aumento está ligada a falta de informação por parte dos cidadãos, Ziqo viu a sua música imoral e inconveniente a ser premiada com o prémio “canção mais popular” da edição Ngoma/2006.
O Ngoma é a maior parada de música moçambicana. Ora, a música “maboasuda”, ao fazer um convite aos homens a se envolverem de uma forma selvagem com as mulheres – “batendo elas independentemente da sua cor” – e que depois de “bater” todas as raças “deve-se bater até as albinas”, está justamente a desinformar as pessoas, sabido que ter muitas parceiras concorre para a propagação do HIV/SIDA. “Bater”, aqui deve-se entender como sendo fazer sexo, despido de qualquer sentimento de amor ou paixão. Na música canta-se: “negra, mulata leva, europeia, chinesa bate,... até Albina dá-lhe”.
Ziqo mostra também falta de instrução básica ao se referir ao albinismo como uma raça humana, o que constitui uma verdadeira aberração científica, pois o albinismo não é uma raça, mas sim uma deficiência, motivada por falta de certas células responsáveis pela pigmentação da pele nos seres humanos.
Ora, a «Rádio Moçambique» depois de transferir o local da realização daquele evento, para a discoteca Coconuts, por sinal a mais cara deste País, impedindo dessa forma que milhares de pessoas que gastaram seu dinheiro em recargas para votar nos seus artistas predilectos fossem assistir o evento (factor que até pode ser discutível), coroou a musica “maboasuda” como a mais popular deste país, facto que envergonha a qualquer mente responsável e lúcida. A mim por exemplo, passe a imodéstia. A «Rádio Moçambique» mostrou aquilo que todos nós já sabíamos, ou seja, ao invés de se estar a lutar contra o SIDA, em Moçambique estamos a promover a sua propagação. Não admira! Campanha de promoção para alargar o “mercado” de quem vive do Sida!?...
A mim perturba-me. Quando a luta contra o Sida não deve ser encarada como sendo uma questão sectorial (do Ministério da Saúde, do CNCS, e de tantos sectores mais…), e antes porém deve ser vista de uma forma global, onde a Comunicação social, músicos, empresas, enfim todas as forças vivas da sociedade devem se empenhar no combate a esta pandemia, premeia-se uma música com letra que exorta a promiscuidade e a irresponsabilização sexual, dois condimentos que o vírus do HIV-SIDA aplaude na sua marcha mortífera.
A rádio, seja ela qual for, e os músicos, em particular como instrumentos e agentes de comunicação de massas devem estar na dianteira, informando as pessoas sobre como se prevenir. Não como se infectar.
Ziqo prestou um mau serviço à luta contra o HIV-SIDA e a rádio do mesmo Estado que gasta milhões de USD a combater a enfermidade, atribui-lhe ainda por cima um prémio. Eleva-o. E a uma música que apela à disseminação da doença do século em vez de educar, coloca-a na galeria dos melhores fazedores de música deste país. Para onde queremos ir afinal. Promover a morte? Em que ficamos, na luta contra ou na promoção do HIV-SIDA. É isto que o governo quer, ver todos infectados e riscados do mapa?
(José Belmiro) - CANAL DE MOÇAMBIQUE - 07.12.2006



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