Os Estados Unidos apelaram sábado ao presidente queniano Mwai Kibaki e ao seu opositor Raila Odinga para “reconhecerem as graves irregularidades” nas eleições no Quénia, considerando “imperativo” que os dois líderes se comprometam num diálogo “sem condições prévias”. As pressões internacionais intensificaram-se para levar os lideres quenianos a sair de uma crise que ameaça a estabilidade do país, depois do apelo da oposição a manifestações, proibidas pela polícia, a realizar a 16, 17 e 18 de Janeiro para protestar contra a controversa reeleição do presidente Kibaki.
“Do nosso ponto de vista é imperativo que o presidente Kibaki e Raila Odinga se sentem frente a frente e sem condições prévias para discutir como acabar com a crise pós-eleitoral de uma forma que traduza a vontade do povo queniano”, escreveu a secretária de Estado adjunta norte-americana para os Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, num comunicado publicado pela embaixada dos Estados Unidos. “Ambos devem reconhecer as irregularidades graves na contagem dos votos que tornaram impossível determinar com certeza o resultado final”, acrescenta o texto.
“Pensamos que o povo queniano indicou claramente que o caminho a seguir inclui uma partilha equitativa do poder, o fim da violência, a reconciliação, um acordo sobre uma ordem do dia específica relativa às reformas constitucionais e eleitorais”, sublinha o comunicado.
Para além disso, os Estados Unidos reclamam “o restabelecimento da liberdade de imprensa e da liberdade de se manifestar pacificamente”. Frazer, que esteve no Quénia durante uma semana no âmbito dos esforços internacionais para resolver a crise, abandonou o país sexta-feira à noite. O Quénia mergulhou numa crise profunda depois da oposição ter contestado a reeleição de Kibaki. Odinga acusa o presidente de fraude e de lhe ter roubado a vitória nas eleições presidenciais. Sábado, Kibaki apelou aos dirigentes políticos quenianos para dar prioridade ao “interesse do país” em detrimento das “ambições pessoais”. “Devemos comprometer-nos a servir todos os quenianos sem discriminação”, acrescentou um comunicado do seu gabinete de imprensa, citando palavras de Mwai Kibaki no centro do país. Os confrontos que se seguiram ao escrutínio presidencial queniano provocaram pelo menos 600 mortos e mais de 255.000 deslocados. Cerca de 500.000 quenianos vão necessitar de uma assistência humanitária nas próximas semanas, segundo a ONU.
LUSA - 14.01.2008












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