No Zimbabué, enquanto a violência pré-eleitoral continua a alastrar para as áreas urbanas perto da capital, Harare, chega ao país um alto diplomata das Nações Unidas para avaliar a situação política e humanitária.
A visita de Haile Menkerios, antigo embaixador da Eritreia em Harare, é a primeira de um enviado da ONU ao Zimbabué desde 2005 e ocorre quando o presidente Mugabe ameaça prender mais membros da oposição, que acusa de estarem a incitar à violência.
Foi nos bastidores da cimeira da alimentação das Nações Unidas, no passado dia cinco, em Roma, que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, obteve de Robert Mugabe autorização para o envio de Haile Menkerios ao Zimbabué.
Menkerios, de 61 anos e antigo representante especial da ONU na República Democrática do Congo, é actualmente secretário-geral assistente para Assuntos Políticos da ONU e é como observador que permanecerá durante cinco dias no Zimbabué.
Washington
Na semana passada o embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Zalmay Khalilzad, emitiu um comunicado sobre esta deslocação salientando que se Mugabe não cooperasse com Menkerios, então Washington "iria lidar com isso tão depressa quanto possível".
Enquanto milhares de pessoas continuam a fugir de suas casas e as mortes ascendem, segundo jornalistas locais, às dezenas, o presidente Mugabe ameaça prender mais líderes da oposição, que acusa de serem responsáveis pela violência que assola o país.
"Muito em breve vamos acusar o partido e a liderança do partido de serem responsáveis destes crimes de violência, porque há agora um alastrar da violência em todo o país que tem de parar. Queremos que o exercício eleitoral ocorra pacificamente", acusou, referindo-se ao MDC, cujo líder, Morgan Tsvangirai, tem sido sistematicamente detido sem acusação pela polícia durante a campanha para as presidenciais do próximo dia 27.
Julgamentos
Entretanto o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, recusou-se ontem a comparecer a tribunal para ser julgado de alegados crimes de traição, puníveis com a pena de morte.
Biti foi preso quando regressava na quinta-feira passada da África do Sul e, na altura da detenção, o porta voz da polícia, Wayne Bvudzijena, disse que Biti seria acusado de traição por "ter publicado um documento que explicava uma estratégia de transição de poder para o passado dia 26 de Março.”
Uriri acrescentou que a polícia tencionava ainda acusar Biti de ter feito declarações com o intuito de promover insatisfação no seio das forças de segurança.
BBC - 17.06.2008
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Artigo sintético e simultaneamente bem elucidativo da situação de terror que se vive lá.
Também fiz hoje um postal sobre o Zimbabwe (embora o meu blogue tenha um âmbito diferente) - vou acrescentar uma ligação para aqui!
Posted by: am.ma | 18/06/2008 at 00:44