A epidemia de cólera que afeta a Guiné-Bissau esgotou a capacidade de atendimento do Hospital Simão Mendes, na capital do país, onde os doentes estão deitados em macas ao longo de varandas cobertas que rodeiam o edifício principal.
"Temos cerca de 400 camas, mas menos de metade estão disponíveis. Temos dois blocos em obras de reabilitação", afirmou Agostinho Semedo, diretor do hospital, em declarações à Lusa.
A situação agravou-se porque as obras, que estão paradas há vários meses, deveriam ter sido concluídas em dezembro de 2007 e não há qualquer previsão para o término.
Apesar das dificuldades, o ambiente é calmo e sossegado no alpendre do hospital, que já recebeu cerca de 1.500 pessoas com cólera desde o final de junho. Doze pessoas morreram nesse período.
A epidemia começou em maio no sul da Guiné-Bissau, mas se alastrou por todo o país, tendo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) doado recentemente mais de 300 milhões de francos CFA (R$ 1,1 bilhão) para apoiar o governo no combate à doença.
"Esta epidemia ultrapassou a capacidade do hospital", admitiu o diretor da unidade de saúde, alertando que o problema tende a ser agravado porque "a epidemia ainda está a crescer" devido às fortes chuvas que continuam a cair diariamente em Bissau.
Para minimizar o problema da falta de espaço no hospital, uma enorme tenda doada pela Unicef está sendo montada. Lá serão abrigados "os doentes que se encontram em fase de recuperação".
A tenda também permitirá proteger os doentes dos mosquitos e do frio da noite. Durante o dia, o alpendre fornece sombra que permite enfrentar melhor o calor úmido e sufocante da capital guineense.
Os doentes com cólera, que chegam a todo momento ao hospital, são examinados por um médico, numa espécie de posto de atendimento instalado na varanda e, de imediato, encaminhados conforme as necessidades de tratamento. O espaço, porém, é pequeno para tanta procura.
Ao longo do alpendre que rodeia o edifício do hospital, em macas mas também sentados em cadeiras, dezenas de doentes, desde crianças muito novas a idosos, aguardam que o tratamento faça efeito para, assim, retornar para casa.
A algumas dezenas de metros de distância do edifício, familiares e amigos das pessoas internadas esperam pacientemente por informações que lhes permitam saber o estado de saúde dos doentes.
Se a falta de espaço é um problema notório, o diretor do hospital assegurou que "não há falta de medicamentos", ou seja, todos os doentes estão sendo devidamente tratados.
Já em relação ao suprimento de alimentos aos internados, a direção do hospital lançou um apelo público para conseguir comida que permita satisfazer as necessidades geradas pelo aumento do número de pessoas que necessitam de tratamento hospitalar.
O Hospital de Bissau, o mais importante do país, que funciona com um gerador oferecido pela Cooperação Portuguesa, não se limita, no entanto, a atender doentes com cólera.
"Também temos muitos casos de doenças respiratórias, especialmente em crianças, e doentes com Aids, que é um problema grave", frisou Agostinho Semedo.
Até o momento, este hospital está fornecendo pessoal médico e de enfermagem, assim como medicamentos. Porém, o espaço para atendimento está reduzido e a falta de alimento para os doentes está se agravando.
LUSA - 14.08.2008
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