JORNALISTAS FILHOS E ENTEADOS
Apontamento
Por: Luís Rodrigues
Ultimamente está a ser uma prática ao nível das nossas instituições públicas quando convidam jornalistas para cobrirem eventos do seu interesse. Sem o mínimo de pena nem vergonha os dirigentes dessas instituições sabem seleccionar os filhos e submeter os enteados a tratamentos desumanos.
Dois jornalistas foram humilhados em Malema aquando da realização do Conselho Coordenador do Ministério da Agricultura, em detrimento dos seus colegas da nossa amada televisão que, para além das ajudas de custo, tiveram direito a tudo, incluindo documentos, cujos temas seriam matéria de debate no encontro.
O facto de não serem produtores de imagem televisiva, aqueles colegas pura e simplesmente foram ignorados, porque o engenheiro Varimelo deu ouvidos de mercador às suas reclamações.
Cenário idêntico aconteceu, também, desta vez, na Praia de Chocas Mar em plena celebração do Dia Mundial do Turismo.
Sete dos dez jornalistas que haviam sido antecipadamente convidados para a cobertura das festividades, quase que juravam não mais voltarem a fazer um trabalho jornalístico mediante uma solicitação.
A pobre e única refeição que nos foi servida durante o dia de festa, incluindo o dia de regresso, resultou de uma forte discussão travada entre nós e a equipa do protocolo.
Recordo-me muito bem, quando o Doutor Cintura apareceu e, de forma evasiva, acusou o meu colega do Magazine de “rebelde”. Até por volta das 20 horas ninguém sabia onde iria pernoitar. Mas os colegas da nossa TVM, esses sim, comeram, beberam, encheram os bolsos de “taco”, e, como não bastasse, foi-lhes
proporcionado um transporte de regresso, no mesmo dia.
É motivo para dizer que já basta. Esta atitude dos nossos dirigentes não tem outra intenção, senão criar um ambiente de divisão na classe jornalística.
Se informação é apenas televisão, deixem, então, as rádios e os jornais em paz. Não nos chamem que nós vamos procurar as noticias.
Quem o avisa amigo é !...
WAMPHULA FAX - 07.10.2008



Irmão, tens toda a razão.
Posted by: mutisse | 23/12/2008 at 07:07
Este é o preço do jornalismo à reboque. Tornem-se verdadeiramente independentes que não terão que se sujeitar a isso. Que independência querem no tratamento das coisas que escrevem investigam se até comida querem que vos seja paga por aquele que pode ser objecto do vosso questionamento.
Tem razão o Josué Bila. O nosso jornalismo é mesmo provinciano. Esta notícia só prova isso. Vem um jornalista que ser digno se queixar que não lhe foi dada comida... convenhamos.
SEJAM VERDAEIRAMENTE INDEPENDENTES. Não se outorguem o título apenas e deixem do jornalismo das conferências de imprensa.
Posted by: Matsinhe | 19/12/2008 at 10:34
Lá como cá sabujos do Poder há!
Mas enquanto lá o Poder só distribui comidinha, dormida e transportes, por cá faz tudo isso e... ainda arranja um apartamento com renda mensal de 50 euros em zona central de Lisboa.
Não é, ó BB?
Posted by: Santa Cruz | 06/10/2008 at 19:57