Complementando e com o mesmo título veja:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/7860561.stm
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É este Weblog dedicado a Moçambique, como complemento do MACUA DE MOÇAMBIQUE. Por Moçambique e para Moçambique! Um obrigado a todos! Fernando Gil - NOTA: Para aceder a todos os artigos click em "archives". Também pode aceder por temas. Não perca tempo e click em "Subscribe to this blog's feed" para receber notificação imediata de uma nova entrada, ou subscreva a newsletter diária. O blog que pode ouvir.
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Complementando e com o mesmo título veja:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/7860561.stm
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31/01/2009 | Permalink | Comments (0)
Conheça mais sobre a "Tia preta" em: Download Tia Preta Lizete
31/01/2009 in Magazine | Permalink | Comments (2)
Lena Vilas Boas recorda esta figura tão humana e amiga que Cabo Delgado tão bem conheceu e até "amou":
Como o recordo com tanta saudade!
Foi médico contratado da Companhia Agrícola da Nangororo, na década de 1950/60, onde por lá aparecia para detectar possíveis casos da "doença do sono", doença essa que era transmitida pela picada da mosca tsétsé.
O Dr. Carmo,- nome pelo qual era vulgarmente conhecido entre todas as classes sociais -, possuía o curso de medicina tropical; como tal, era muito solicitado por todos aqueles que habitavam a cidade de Porto Amélia e arredores, que a ele recorriam buscando remédio para os seus males.
Era um homem muito comunicativo, franco e acima de tudo...muito simples!
Com os seus calções brancos e a sua balalaica a condizer, deslocava-se sempre com o seu passo lesto. Era um homem activo que levava uma vida muito regrada.
Pessoa de grande saber, não só adquirido nos livros por onde estudou, mas que soube valorizar os seus já vastos conhecimentos pelo contacto diário que tinha com os seus doentes e que não eram assim tão poucos!
Era frontal e directo!
Leia em: Download DR Pinto Carmo
31/01/2009 | Permalink | Comments (1)
O DIRECTOR provincial das Finanças de Cabo Delgado, Paulo Risco, foi ontem detido, no prosseguimento das investigações em curso sobre um alegado desvio de fundos do Estado protagonizado por um grupo de funcionários daquela instituição, em conluio com reputados empresários locais.
31/01/2009 | Permalink | Comments (1)
Em Maputo, as cerimónias foram orientadas pela governadora Rosa da Silva, que, paralelamente, inaugurou a Escola Primária Completa do Primeiro Grau (EP1) Guebu, no bairro das Mahotas, Distrito Municipal Quatro (DM4). Na ocasião, a governante prometeu construir uma escola em cada cinco quilómetros das comunidades, medida que visa reduzir as longas distâncias que as crianças percorrem para chegar aos estabelecimentos de ensino mais próximo.
Cerimónias idênticas tiveram lugar um pouco por todo o país, onde a grande novidade foi o anúncio da entrada em vigor, este ano, de um novo padrão de uniforme escolar. O mesmo está dividido por ciclos, devendo no primário os alunos envergar calças azuis escuras com uma camisa azul clara, e o secundária passar a identificar-se com calças pretas e camisa branca.
Conforme foi dito, por enquanto o uso do novo uniforme não sofrerá um controlo rígido, isto tendo em vista permitir que os pais e encarregados de educação tenham tempo de se preparar melhor mas, para o caso dos novos ingressos (1ª classe), o esforço deve ser feito no sentido de os encarregados assegurarem que os seus filhos o usem. Aliás, conforme ficou dito, enquanto os alunos das outras classes não conseguirem adquirir o novo uniforme, terão uma tolerância para o uso do antigo uniforme.
Nas cerimónias havidas em Caia, Aires Ali revelou que no presente ano lectivo o Ensino Secundário Geral irá absorver 497.778 alunos, contra os 190.148 de 2004, ano do arranque do quinquénio prestes a findar. Por outro lado, disse que em 2004 o sector contava com apenas 9484 escolas do Ensino Primário e um efectivo de 3.480.843 alunos neste nível. No ano que hoje se inicia, e porque se promove um programa de construção acelerada de escolas a custos controlados e com o envolvimento da comunidade, existem 12651 estabelecimentos, estando 5.350.587 alunos neles matriculados, o que representa um crescimento na ordem dos 75 e 65 por cento, respectivamente. Como resultado, a taxa líquida de escolarização no país passou de 75,5 por cento em 2004, para 94,1 por cento no presente ano de 2009.
“O sucesso alcançado no domínio do acesso ao Ensino Primário ditou um crescimento da rede escolar do Ensino Secundário do primeiro e segundo ciclos, a qual passou de 170 escolas, com um efectivo de 190.148 alunos, no ano de 2004, para 398 escolas, com 497778 alunos, no presente ano lectivo de 2009. Isto significa que durante o quinquénio em referência o número de escolas e de alunos no Ensino Secundário registou um crescimento na ordem dos 234 por cento para o ESG1 e 261 por cento para o ESG2. Este é, sem dúvida, um resultado das políticas adoptadas, graças às quais hoje temos o ESG presente em quase todos os distritos do nosso país”, apontou o ministro.
Em mensagem lida pela presidente do Sindicato Nacional dos Professores, Beatriz Manjama, a sociedade civil exigiu que seja declarada tolerância zero a todos os violadores da rapariga no ensino, tendo reconhecido que há avanços no combate a este mal, que mais se faz sentir nas zonas do interior.31/01/2009 | Permalink | Comments (0)
O GOVERNO proclamou 2009 ano de exaltação e homenagem a Eduardo Chivambo Mondlane, arquitecto da unidade nacional e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), por ocasião da passagem do 40º aniversário do seu desaparecimento físico. Segundo o Executivo, a homenagem a Eduardo Mondlane, falecido a 3 de Fevereiro de 1969, em Dar-Es-Salam, na Tanzânia, é sinal de reconhecimento da simpatia, determinação, admiração e exemplo que granjeou a níveis nacional e internacional. Nwadjahane, distrito de Manjacaze, província de Gaza, será o palco da homenagem na próxima terça-feira, numa cerimónia a ser dirigida pelo Presidente da República e na qual estarão presentes altos dignitários do Estado, dirigentes a vários níveis, familiares do malogrado, representantes de partidos políticos, líderes religiosos, líderes tradicionais, representantes do corpo diplomático e outros convidados.
Maputo, Sábado, 31 de Janeiro de 2009:: Notícias
Em Maputo, a reportagem do “Notícias” ouviu algumas figuras ligadas a vários sectores da vida do país, entre antigos combatentes, deputados da Assembleia da República, dirigentes políticos e desportivos.
Leia em: Download Eduardo Mondlane Homem de grande visão
NOTA:
Colocado na net desde 2001, leia LUTAR POR MOÇAMBIQUE em:
http://www.macua.org/documentos82.html
Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE
30/01/2009 | Permalink | Comments (0)
O catedrático Pedro Dias, conselheiro científico para as "Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo", disse hoje que a UNESCO "é um sorvedouro de dinheiro" e deverá ser extinta se não adoptar outro modo de funcionamento.
"A UNESCO, como está, não serve para nada. Devemos fazer um esforço para que haja uma inversão do seu funcionamento", declarou Pedro Dias à agência Lusa.
Ao admitir que Portugal deveria "repensar a sua presença" na organização, recordou que, devido ao peso alegadamente excessivo das "despesas de funcionamento", em prejuízo dos resultados, países como os Estados Unidos e o Reino Unido estiveram afastados "um longo período".
Na sua opinião, "no limite, a manter-se como está, não se perderia nada com a própria extinção" da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), com sede em Paris, França.
Na última década, Pedro Dias trabalhou durante cinco anos como investigador do projecto ACALAPI, com que a UNESCO pretende estudar e aprofundar as relações do Mundo Árabe com a América.
Confirmou na altura uma ideia que já tinha de anteriores contactos com aquela estrutura das Nações Unidas: "é uma organização autofágica e gastadora de dinheiro, cujos funcionários fazem muitas viagens pelo mundo sem quaisquer resultados".
"O dinheiro que é investido em obras é apenas uma percentagem ínfima das despesas administrativas e de funcionamento, com muitas estadias e viagens de avião em primeira classe", acusou.
Pedro Dias disse que a UNESCO "paga 3000 ou 4000 contos (15.000 ou 20.000 euros) por mês aos funcionários de topo" e não disponibiliza, por exemplo, "200 ou 300 contos (1000 ou 1500 euros) para restaurar um edifício na Ilha de Moçambique".
Situada na província de Nampula, norte de Moçambique, a Ilha de Moçambique dispõe de um importante património arquitectónico, tendo sido classificada pela UNESCO, em 1991, como Património Mundial da Humanidade.
"Há projectos há muitos anos e não se faz lá nada. Não se prega um prego numa parede, nem se caia uma casa", denunciou o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Entre outros cargos, Pedro Dias ocupou o de director-geral do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, de 2004 a 2005, ano em que foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Na quinta-feira, a New 7 Wonders Portugal (N7WP) anunciou ter escolhido Pedro Dias, especialista na área do Património, História de Arte e Cultura Lusófona, para conselheiro científico do concurso "Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo".
CSS.
Lusa - 30.01.2009
30/01/2009 | Permalink | Comments (0)
A proibição do uso de fogo a carvão no Chade está a complicar a vida de muitas pessoas, já afectadas pela actual subida dos preços dos alimentos.
Muitas famílias vêm-se obrigadas a queimar mobílias, estrume, lixo e raízes de plantas para lume.
Desde que a proibição do uso de carvão entrou em vigor é praticamente impossível encontrar carvão à venda no Chade. A justificação oficial avançada pelas autoridades foi a defesa do ambiente.
"Eu tenho estado a usar produtos que eu próprio colhi, como os frutos das palmeiras", disse à BBC Nangali Helene, que vive na capital N'Djamena.
"O problema é que isto está a deixar-nos doentes. Estes produtos não são bons para queimar, provocam um fumo horrível e deixam um mau cheiro. Ontem à noite começámos a queimar vigas do telhado do nosso anexo", acrescentou.
Como consequência da proibição do carvão, um pequeno molho de lenha disparou de apenas algumas centenas de francos CFA para cerca de 5,000, o equivalente a 12 dólares norte-americanos.
Desertificação
"Queremos que todas as manhãs a população batesse com os seus talheres nos tachos vazios, sem comida, para prestar solidariedade uns aos outros", apelou Saleh Kebzabo, da Coligação de Partidos para a Defesa da Constituição.
Manifestações de rua estão, para já, fora de questão. Na semana passada um comício organizado por um grupo de mulheres foi cancelado depois das autoridades terem recusado dar a autorização necessária para a sua realização.
As poucas mulheres que compareceram no protesto alegam terem sido vítimas de intimidação por parte da forte presença policial no local.
O governo justificou a proibição do carvão como uma resposta à "urgente ameaça" de desertificação no Chade, que se estende pelo Sahel, a região semi-árida que faz fronteira com o deserto do Sahara.
Posicionando-se na vanguarda da protecção ambiental, o Ministério do Ambiente chadiano diz que mais de 60 por cento da cobertura vegetal natural do país foi destruída pela população à procura de lenha para carvão.
"O povo chadiano tem de reconhecer este problema", afirmou o ministro do ambiente Ali Souleiman Dabye.
"Se não agirmos rapidamente, um destes dias quando acordarmos não há-de haver uma árvore de pé. E depois o que é que as pessoas vão queimar para lenha?", questionou o ministro.
Falta de realismo
Só que apesar de muitos reconhecerem a necessidade de proteger o ambiente, o descontentamento advém em especial da rapidez com que a proibição entrou em vigor.
No final do ano passado a polícia começou a confiscar camiões com carvão, dizendo que estavam a operar ilegalmente.
Vários veículos e as suas cargas acabaram por ser queimados nos arredores de N'Djamena, mas o governo nega responsabilidade pela sua destruição.
Poucas semanas depois o preço do carvão disparou nos mercados, antes de eventualmente desaparecer por completo.
Entretanto as alternativas oferecidas pelo governo parecem ser pouco realistas para o comum cidadão.
"Foi só na última década que os chadianos se tornaram dependentes do carvão, e como tal rapidamente se irão adaptar a novas técnicas", explicou o ministro do ambiente, em defesa da utilização do gás como substituto do carvão.
Mas no Chade 65% da população não tem acesso a equipamentos a gás, e aqueles que o têm vêm-se obrigados a viajar para os Camarões para comprarem as garrafas daquele combustível.
Recentemente a imprensa local publicou histórias com rumores de mulheres que acidentalmente pegaram fogo a si próprias por falta de conhecimentos na utilização de equipamentos a gás.
Recentemente o governo chadiano assinou um acordo com um empresário nigeriano para a promoção dos equipamentos a gás no país. Mas Marie Larlem, coordenadora da Associação Chadiana para a Promoção de Liberdades Fundamentais, a medida é insuficiente.
"Nós compreendemos a necessidade de proteger o ambiente, mas achamos muito estranho a tomada de medidas desta forma brutal e abrupta, porque ninguém foi avisado", disse.
"Porque é que não decidiram isto há mais tempo? O nosso povo já sofreu demais", rematou Marie Marlem.
Não obstante, o governo do Chade insiste que não há planos para aliviar a proibição do carvão.
BBC- 29.01.2009
30/01/2009 | Permalink | Comments (0)
A empresa chinesa Ten Wine vai construir um complexo imobiliário na cidade de Manica, na província com o mesmo nome, na zona centro de Moçambique, uma empreitada de 20 milhões de dólares.
A primeira pedra do projecto foi lançada pelo governador de Manica, Maurício Vieira, que destacou as "excelentes relações" entre Moçambique e a China.
Trata-se de um projecto singular na província de Manica, de acordo com o Centro de Promoção de Investimentos (CPI), entidade governamental que autoriza investimentos no país.
Para além de escritórios, vivendas, lojas e um hipermercado, o projecto contempla também a construção de um hotel.
As obras da construção do complexo vão durar quatro anos.
A China é um país que se destaca, entre vários, nas suas relações com Moçambique, sobretudo no sector da construção civil.
(macauhub) - 30.01.2009
30/01/2009 | Permalink | Comments (0)
| Um dos acusados, pelo Ministério Público, de autoria material do assassinato do Dr. António Siba-Siba Macuácua, era guarda da residência de Octávio Muthemba quando este era PCA do banco. No dia do crime, José Passaje trabalhava pela primeira vez na sede do Banco Austral, mas era ele que tinha as chaves do gabinete do PCA assassinado. |
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Maputo (Canal de Moçambique/ZAMBEZE) - O Ministério Público já produziu a acusação no processo de querela do vulgarmente conhecido «Caso Siba-Siba». António Siba-Siba Macuácua foi assassinado a 11 de Agosto de 2001, há oito anos, quando era presidente do Conselho de Administração Provisório do Banco Austral. Estão acusados como co-autores materiais Benigno Parente Júnior, Carlos Vasco Sitoe, segurança, e José Passaje, também um segurança, apurou a reportagem dos jornais Canal de Moçambique e do Semanário ZAMBEZE de suas fontes na 6.ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, onde o mesmo está a correr. Luís Viegas, apesar de ser referido nos autos como co-autor do empurrão de Siba-Siba para o poço das escadas, não está acusado. |
CANAL DE MOÇAMBIQUE - 30.01.2009
30/01/2009 | Permalink | Comments (0)
A Renamo está na agonia. O seu líder está a espalhar-se de dia para dia que passa, de forma irremediável. São disparates atrás de disparates. O seu brilhante passado como líder do movimento que impôs que o Partido Frelimo aceitasse a revisão da Constituição da República, a introdução do multipartidarismo, a economia de mercado e o respeito pelos direitos civis e políticos dos cidadãos, já perdeu importância, pois já ninguém acredita que a Renamo liderada por Afonso Dhlakama possa permitir a alternância de poder em Moçambique. Corre-se o risco, com o maior partido da oposição neste estado de desastre total, de virmos a ter no país de volta uma ditadura disfarçada de democracia. É preciso avançar-se. Já. Para que depois não seja tarde.
Dhlakama hoje já não tem quadros em que os eleitores acreditem. Os que davam da Renamo uma imagem que ainda conseguia cativar o eleitorado a fazer dela o segundo maior partido no País, foram tão mal tratados, publicamente, que a imagem que sobrou é de um Dhlakama isolado e que mete medo aos eleitores com a sua imensa tendência para fazer e desfazer, e maltratar os seus companheiros de partido.
Só Dhlakama se pode queixar do fim triste que está a ter como político. O medo de Daviz Simango foi fatal para a sua queda. Se tivesse tido a inteligência de se aliar sem condicionalismos ao filho de Urias, teria conseguido a sua consagração como homem intransigentemente pró-democracia. No entanto, o seu comportamento e dos seus comparsas que fazem dele o único líder de um partido de oposição tratado por “Excelência”, já não deixa dúvidas e já não convence mais ninguém. Nem mesmo Dhlakama acredita agora nas suas possibilidades. Quer negociar com Guebuza o quê? Não será por se achar totalmente só?
O espectro de eleitores que nunca votaram em qualquer das eleições é maior do que a soma dos que votaram no partido que tem governado sempre o país, e no maior partido da oposição e nos outros. Isso está estudado pelo IESE (Instituto de Estudos Sociais e Económicos). Já aqui publicámos um trabalho do professor doutor António Francisco, desse mesmo instituto moçambicano, a chamar à atenção dos interessados para essa imensa oportunidade que a faixa de eleitores que não acreditam nem na Renamo nem na Frelimo – o chamado “eleitorado incapturável” – abre a quem estiver determinado a dar o passo decisivo pela alternância de poder no País.
Uma coisa parece estar também certa: a Renamo liderada por Afonso Dhlakama vai continuar a ser eternamente um partido da oposição em Moçambique. Se aparecer já, outra força, visionária, organizada, coerente, e acima de tudo responsável, estamos certos que outro galo cantará.
A Frelimo, está também hoje claro, delira em ter na oposição uma Renamo liderada por Afonso Dhlakama. Quando Dhlakama chora muito, Guebuza, com um sorriso cínico nos lábios, diz-lhe logo que está disposto a recebê-lo e Dhlakama fica todo “muito satisfeito” achando que é um “grande líder” porque foi recebido pelo Presidente da República. É confrangedor! Até dá pena a subserviência. Ao que chegou um homem da sua estatura em que tantos depositaram esperança e confiança!...
O movimento que está já em curso não pode parar. As bases da Renamo provaram na Beira que são capazes de mudar o estado de coisas deste país. A adesão que está a haver ao movimento surgido na Beira prova precisamente que a fama que a Renamo teve sempre de ser capaz de fazer mudar as coisas se deve às suas bases e não ao seu líder. Enquanto o seu líder não se deixou levar pelo conforto e pelas benesses dos “quatro biriões e meio de meticais” que recebe do Orçamento Geral do Estado todos os meses, o “probrema” não existia. As bases ainda assim tinham em Dhlakama o seu nome de referência. Agora já não acreditam mais nele. Entendem estar agora claro que o líder não quer levar a Renano à vitória, ao poder.
Ficou provado nas últimas eleições autárquicas que onde os eleitores não encontraram alternativa credível à Frelimo este partido e os seus candidatos venceram. Onde houve trabalho, gente decidida e motivada, venceu quem se opôs à Frelimo. Neste caso o líder chamou-se Daviz Simango.
Daviz Simango quer continuar a resumir a sua contribuição ao País, à presidência do Município da Beira. A sua principal razão para não querer avançar como líder de um partido é precisamente não se coadunar com as suas convicções a ideia de o tal partido pertencer-lhe, ser visto algum dia como o partido de fulano de tal.
Daviz Simango não quis avançar nunca contra a decisão da liderança da Renamo. Foram as bases que o induziram. As bases levaram o projecto à vitória por uma maioria esclarecedora.
As bases da Renamo em todo o país sabem hoje que com Daviz Simango e os seus colaboradores que o levaram à reeleição na Beira, o poder estará mais próximo.
A Frelimo anda assustada. O ambiente na nova oposição está empolgante. Com a perspectiva de um movimento de defesa da democracia em Moçambique, até já se ouve, quem nunca foi votar, dizer que chegou a hora de irmos todos às urnas.
O MDM não pode parar. O movimento já saiu da inércia. O comboio já ninguém o pode fazer parar. Daviz Simango tem razão em não se querer assumir como o líder imprescindível, mas, nesta fase, não pode esperar mais para dizer SIM, ESTAMOS JUNTOS PARA MUDAR MOÇAMBIQUE.
O país precisa de uma oposição forte, tem apregoado sistematicamente a Frelimo numa clara atitude reducionista de quem pensa que será eternamente poder. Edson Macuácua até já diz que Dhlakama é infantil.
Afonso Dhlakama na perspectiva que lhe passou pela cabeça de que Daviz lhe queria tirar o lugar, deixou à vista o seu mau carácter.
Se o MDM avançar ficará mais exposto o carácter de Armando Guebuza e todos ficaremos a saber se o seu compromisso com a democracia é verdadeiro, como tem vindo a apregoar, ou se em vez disso a sua estratégia é levar o País para a ditadura.
O apoio de Guebuza a Robert Mugabe já cria suspeitas dele ser um carácter semelhante. Mas pode ser que o líder da Frelimo esteja apenas a tratar o ditador zimbabweano com pés de lã, com a única e exclusiva motivação de querer levar Mugabe à razão.
Está tudo em aberto…
Com o MDM e com o filho de Urias Simango – um reverendo que a Frelimo decidiu matar – na liderança do MDM, o Senhor Guebuza deixará claro, pela forma como ele e o seu partido se comportarão, se ele e os seus correligionários estão realmente empenhados em deixar a democracia fluir em Moçambique, ou se a sua índole pouco ou nada difere da de Mugabe e seus acólitos.
Dhlakama já provou ser um ditador como Mugabe. O Zimbabwe é de Mugabe e Dhlakama acha que a Renamo é sua. Que fique com ela! Os militantes da Renamo têm agora uma responsabilidade acrescida. O MDM tem de acelerar o passo. Há muita gente à espera disso. Lembrar apenas que dinheiro não é o único factor importante. A vontade de levar o movimento por diante é o principal. Já não podem esperar mais. O grito tem de surgir. Já. Está na hora. A juventude tem responsabilidades acrescidas. Há muitos moçambicanos à espera de dar o seu voto a um projecto útil e consequente.
CANAL DE MOÇAMBIQUE - ZAMBEZE - 30.01.2009
30/01/2009 | Permalink | Comments (0)
PELO menos 91 pessoas morreram em Madagáscar desde segunda-feira durante motins e pilhagens ligados às manifestações convocadas pelo presidente da câmara da capital contra o regime, noticiou ontem o jornal "La Verite", da capital Antananarivo, acrescentando que os feridos são aproximadamente 48.
O jornal informou ainda que a Polícia prendeu 92 pessoas em todo o país por participar nos actos violentos relacionados com os protestos, que começaram na segunda-feira após uma manifestação liderada pelo presidente do Conselho Municipal de Antananarivo, Andry Rajoelina, e que culminou com o incêndio do edifício da emissora estatal de rádio e televisão. Dezenas de lojas e prédios públicos também foram incendiados e saqueados. Trinta e dois corpos carbonizados foram retirados de um armazém, ao qual vândalos atearam fogo, no bairro de Analaqueli.
Ontem a cidade de Antananarivo, a capital malgaxe, amanheceu quase deserta, após uma convocação do edil Rajoelina para uma greve geral "pacífica" contra o Governo. Na quarta-feira, a capital amanhecera sob toque de recolher, decretado pelo Governo.
Os distúrbios começaram na segunda-feira, após uma manifestação liderada por Rajoelina para exigir a libertação de três estudantes, que culminou com o incêndio criminoso do prédio da emissora estatal de rádio e televisão pública.
Em seguida, os protestos generalizaram-se e tiros atribuídos à Polícia causaram as duas primeiras mortes, após as quais os manifestantes quebraram escritórios e lojas no centro da cidade e queimaram as sedes de várias empresas, algumas relacionadas com o Presidente Ravalomanana.
O edil da capital defendeu abertamente um golpe de Estado nesta ilha africana. Ele acusa o Presidente Marc Ravalomanana de "desviar recursos públicos" e de "ameaçar a democracia", e pediu o "apoio militar" para dirigir um "governo de transição".
Por seu turno, o Presidente Ravalomanana acusa o presidente da Câmara (oposição) de ser o instigador dos distúrbios. Os dois homens mantêm relações tensas desde a eleição do presidente da Câmara, em Dezembro de 2007, como candidato independente.
O braço-de-ferro endureceu desde que o Governo encerrou a 13 de Dezembro de 2008 a televisão privada de Andry Rajoelina, "Viva", que divulgara uma entrevista do ex-presidente no exílio, Didier Ratsiraka.
"TGV", como é conhecido o presidente da Câmara em Madagáscar, critica também a ausência de liberdade de expressão e de democracia na Grande Ilha e a " espoliação " das terras malgaxes num colossal projecto agrícola liderado pelo grupo sul-coreano Daewoo.
29/01/2009 | Permalink | Comments (0)
O BANCO Central iniciou com as demarches que visam a criação de uma Sociedade Interbancária de Serviços no país. A iniciativa tem em vista assegurar a interoperabilidade das diferentes redes electrónicas de pagamento existentes e o processo de transacções a retalho, através do chamado sistema Switch doméstico.
Segundo o Governador do Banco de Moçambique (BM), Ernesto Gove, a acção surge exactamente tendo em conta a obtenção do preçário de serviços financeiros mais transparentes, harmonizados e competitivos juntamente com a Associação Moçambicana dos Bancos. Por isso mesmo, iniciou já um trabalho de profundidade, ainda em curso, assegurando-se que muito brevemente haverá resultados palpáveis neste domínio.
Com efeito, foi concluída a preparação da regulamentação específica para a rápida e confortável implementação da Lei 2/2008 - Lei do Sistema Nacional de Pagamentos, aprovada pela Assembleia da República, estando assim criado o quadro legal para a operacionalidade dos vários sub-sistemas, incluindo a liquidação por grosso em tempo real.
Intervindo no decurso dos trabalhos do Conselho Consultivo da instituição, Gove disse que o Banco de Moçambique, na qualidade de supervisor do sistema financeiro moçambicano, tomou um conjunto de medidas preventivas e de persuasão, tendo em vista o reforço dos indicadores das instituições de crédito, para assim se acautelarem do efeito contagioso da crise financeira internacional.
Recordou que foi aprovada também no ano passado a segunda geração do plano estratégico do BM para o triénio 2008/2010, que incorpora melhorias substanciais face à avaliação crítica que se efectuou ao grau de cumprimento do anterior.
Consequentemente, baixou no ano passado o coeficiente de reserva obrigatória para nove por cento, visando alinhá-lo ainda mais à medida dos países da região no âmbito da integração de esforços na bancarização da economia nacional e na redução dos custos financeiros suportados pelas instituições de crédito.
Em face das previsões de 2008 em relação à inflação esperada, reduziram-se as taxas de intervenção, colocando a Facilidade Permanente de Cedência em 14,50 por cento e de Depósito em 10,25, cujos níveis se mantiveram durante todo aquele período. Isto, por outro lado, facilitou o processo de alinhamento das taxas de juro do mercado com o indicador de inflação.
A flexibilidade e a rentabilidade das aplicações do Banco de Moçambique no exterior, visando minimizar a deterioração das reservas nacionais no mercado internacional, aceleraram e diversificaram a carteira de divisas e intensificaram o controlo sobre os gestores externos.
29/01/2009 in Economia - Transportes - Obras Públicas - Comunicações | Permalink | Comments (0)
Editado pelo partido Frelimo, leia aqui:
29/01/2009 in História | Permalink | Comments (1)
MARCO DO CORREIO
Por Machado da Graça
Meu caro Antunes Há muito que não te escrevo. Como estás, meu amigo, e a tua família? Do meu lado tudo bem, felizmente. Escrevo-te hoje por causa de mais esta cimeira sobre o Zimbabué, onde as notícias que vão saindo são cada vez mais desencontradas. No final do encontro a SADC mostrava-se satisfeita dizendo que o impasse tinha sido quebrado e apresentava um calendário dos próximos acontecimentos. Mas, logo a seguir, o MDC, de Morgan Tsvangirai, apareceu a deitar muita água nessa fervura, dizendo que não era bem assim, que não tinha acordado nada em tomar posse no Governo e criticando a SADC por não ter conseguido fazer melhor do que tinha feito Thabo Mbeki. Até onde eu percebo as coisas, as longuíssimas horas que durou a cimeira serviram, essencialmente, para pressionar o MDC a aceitar que Tsvangirai tome posse como Primeiro-Ministro sem serem, previamente, aceites as suas exigências a respeito do controlo dos ministérios mais importantes e da nomeação de outros cargos governamentais essenciais para uma boa governação. Em contrapartida a ZANU terá cedido no aspecto da alteração da Constituição para passar a definir claramente os poderes do Presidente da República e os do Primeiro-Ministro. Este aspecto é importante na medida em que, sem os votos dos deputados da ZANU no Parlamento, a emenda da Constituição não é possível. Mas tudo isto parece muito frágil, muito colado com cuspo. A SADC parece cheia de pressa de se retirar do problema, deixando uma qualquer solução em vigor, boa ou má. Depois os zimbabueanos que se amanhem lá entre eles. Mas o mesmo aconteceu com Thabo Mbeki, em Setembro passado, e vimos que aquilo não levou a lado nenhum. E, caso seja formado o Governo, mantendo Mugabe o controlo das forças de defesa e segurança, as probabilidades de fracasso são muitas mais do que as de sucesso. A SADC está com enormes dificuldades em aceitar a saída da cena política zimbabueana de Mugabe, antigo companheiro de luta de alguns dos seus dirigentes. E, com os rabos presos no passado, são incapazes de olhar para a realidade do presente e para as verdadeiras atrocidades que o velho ditador está a fazer ao seu povo. Num momento em que as igrejas, os movimentos cívicos e até personalidades de enorme prestígio, como Graça Machel, declaram, alto e bom som, que a melhor solução é a saída de Mugabe, fica também difícil dizer que todas essas entidades estão a soldo do Ocidente, da Grã-Bretanhe e dos Estados Unidos. Fica a teimosia surda, calada mas presente e activa, em apoio ao decrépito comrade. Só que, enquanto esse apoio surdo permanece, mais e mais zimbabueanos vão morrendo de cólera e de outras doenças curáveis, vão mergulhando na miséria, vão sendo presos e torturados pela Polícia do regime. Graça Machel não mastigou as palavras ao atribuir a responsabilidade dessas desgraças todas aos dirigentes da SADC pelo seu compadrio com o regime ilegítimo de Mugabe. E, já agora, gostaria de colocar uma pergunta: Quando se fala da SADC, neste contexto, só se ouve falar de dois ou três países (África do Sul, Moçambique, Botsuana...). Qual é o papel dos outros todos? O que pensam os mauricianos, os malgaches, toda essa dezena de países que formam a organização para além dos citados? Estão lá só para fazer figura de corpo presente? Lamento dizer-te, amigo Antunes, que não creio que esta cimeira tenha sido o fim do inferno em que o povo do Zimbabué está mergulhado. Como dizia alguém aqui há tempos, quando será que alguém o liberta dos seus libertadores? Um abraço para ti do Machado da Graça
29/01/2009 in Opinião | Permalink | Comments (1)
No distrito de Machaze e em pleno século XXI
| Quatro funcionários do Estado estão no olho da rua, por, alegadamente, terem ousado denunciar tais praticas ao governo provincial |
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Chimoio (Canal de Moçambique) - A Administradora do distrito de Machaze, Alice Tamela, esta sendo acusada por membros do governo distrital de estar a usar de métodos ditatoriais e falta de respeito para com os funcionários afectos naquele ponto da província de Manica. Leia em: http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=6&idRec=5113 |
29/01/2009 in Municípios - Administração Local - Governo | Permalink | Comments (0)
| * Maria Moreno e Eduardo Namburete dizem que não sabem como se toma posse como “edil paralelo” * Pode estar iminente a destituição da actual chefe de Bancada como também pode acontecer dentro de dias o anúncio da criação de um Movimento liderado por Daviz Simango |
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A Renamo está em polvorosa. Estão a abrir-se brechas por todos os lados. As estruturas do partido que pareciam finalmente aptas a governar o país, de repente começaram a desmoronar-se. A gota de água que fez transbordar o copo, como se costuma dizer, foram os acontecimentos de 28 de Agosto de 2008, na Munhava, na Beira, a poucos dias de terminar o prazo de inscrição dos candidatos às eleições autárquicas de 19 de Novembro último. O cenário prevalecente agora é de descalabro, mas enquanto isso as bases do partido abrem novos horizontes que podem ser anunciados dentro de dias, o mais tardar em Fevereiro. A purga está em marcha na Renamo, mas também está iminente o anúncio do MDM, movimento para defesa da democracia em Moçambique. (Fernando Veloso e Luís Nhachote) - CANAL DE MOÇAMBIQUE - 29.01.2009 |
29/01/2009 in Política - Partidos | Permalink | Comments (0)
Visão de Governador-Geral com Diagnóstico Americano
Em Lourenço Marques, no dia a seguir à morte de Eduardo Mondlane, o representante diplomático norte-americano em Moçambique pede uma audiência com o governador-geral, Baltazar Rebelo de Sousa. Os dois reúnem-se na Ponta Vermelha a 5 de Fevereiro de 1969, para um encontro de 10 minutos, conforme havia sido solicitado por John G. Gosset, cônsul dos Estados Unidos na província ultramarina. A audiência prolongar-se-ia por cerca de ¾ de hora. De regresso ao seu gabinete, o cônsul redige um “Memorando da Conversa” que acabara de travar com Rebelo de Sousa, expedindo-o de seguida para o Departamento de Estado em Washington, D.C. com o timbre de “confidencial”. Ressalta do memorando de 4 páginas que John Gosset começou por recorrer a artifícios diplomáticos, tentando iludir Rebelo de Sousa de que “o pedido de audiência não se devera a nenhumas instruções do Departamento [de Estado], nem este lhe fizera quaisquer perguntas” sobre a morte de Mondlane, acrescentando que “solicitara a audiência por iniciativa própria”. O governador-geral retribui, e ironiza na resposta que dá ao cônsul americano, dizendo-lhe que os seus “comentários seriam necessariamente pessoais e em estrita confidência, pois o objectivo dos consulados é fundamentalmente comercial”... O cônsul cita Rebelo de Sousa como lhe tendo dito que as autoridades portuguesas “consideravam os terroristas como uma força viável apenas devido às bases e ao apoio tanzanianos, e à assistência que recebiam de outras potências”. Por conseguinte, “parecia ao governador-geral que a morte de Mondlane teria pouco ou nenhum impacto no desenrolar do terrorismo no norte.” O cônsul acrescenta que Rebelo de Sousa “discorreu longamente sobre o curso cada vez mais favorável da luta no norte nos últimos meses, tendo dito que de momento as operações estavam na verdade a decorrer bastante bem para os portugueses nos distritos de Cabo Delgado e do Niassa, e ‘até mesmo em Tete onde Mondlane havia ameaçado interferir com Cabora Bassa’”. No seu informe, John Gosset diz que o governador-geral “acreditava que a eventual derrota da Frelimo já devia ter sido prevista há algum tempo pela maior parte dos dirigentes da Frelimo, incluindo Mondlane; que tanto para a FRELIMO como para os portugueses, a circunstância mais importante que assegurava a eventual derrota do movimento não era a sua cada vez maior debilidade em combate, mas antes a sua incapacidade em alargar ou até mesmo manter níveis anteriores de subversão do povo.” Na opinião de Rebelo de Sousa, “este fracasso era em parte devido à sensatez e ao sucesso do programa português de ‘aldeamentos’, e em parte também à contenção das forças militares portuguesas quanto ao tipo e natureza de actividades contra-subversivas.” FACTOR MACONDE Na conversa tida com o cônsul norte-americano, Baltazar Rebelo de Sousa deixa transparecer a ideia de que houve a conivência de sectores da etnia maconde no assassinato de Mondlane. O governador-geral estabelece uma ligação “pertinente” entre a situação militar atrás descrita e a morte de Mondlane, argumentando que “a ajuda concedida à FRELIMO pelos Estados Unidos e outros círculos do Ocidente havia recentemente começado a escassear, e que por altura do 2° Congresso em meados de 1968, Mondlane sentira-se forçado não apenas a atacar os Estados Unidos e o Ocidente de forma ainda mais violenta, mas também a lidar de forma equilibrada e consistente com a China comunista e os russos.” Acrescenta o informe que na maneira de Rebelo de Sousa ver as coisas, “esta situação, a par dos revezes sofridos pela FRELIMO no terreno, havia reduzido de forma acentuada o valor de Mondlane em relação ao movimento, e poderá mesmo ter reduzido a sua influência junto de Nyerere. Por conseguinte”, acrescenta Rebelo de Sousa numa referência a Lázaro Kavandame, “quando um líder maconde foi recentemente demitido por Mondlane, os macondes provavelmente sentiram que este poderia ser dispensado e que havia chegada a altura de o eliminar.” No decurso da audiência, Baltazar Rebelo de Sousa volta a insistir no factor maconde como acessório da morte de Eduardo Mondlane, deixando escapar, porventura inadvertidamente, pormenores que apontavam para a hipótese de um conluio entre portugueses e macondes, e comprovavam o envolvimento do regime colonial no assassinato. O governador-geral manifesta-se “intrigado pelo facto dos primeiros despachos da Reuters dizerem que Mondlane havia sido morto por tiro de espingarda”. Salienta o cônsul, voltando a citar Rebelo de Sousa: “Ele disse que ‘os portugueses’ (provavelmente querendo dizer os seus próprios homens da polícia secreta local) achavam que o uso de uma bomba armadilhada seria muito mais típico dos macondes do que um assassinato por tiro de espingarda.” São hoje bem conhecidas as dissidências que abalaram a FRELIMO pouco antes da morte de Eduardo Mondlane. Outros documentos do Departamento de Estado recentemente divulgados revelam que à semelhança de Rebelo de Sousa, a Polícia de Investigação Criminal (CID) da Tanzânia, nas investigações sobre o assassinato do líder da Frelimo, passaria a centrar as suas atenções no elemento maconde. No momento em que a CID tanzaniana se preparava para interrogar Lázaro Kavandame em Mtwara, no sul da Tanzânia, este atravessava a fronteira, entregando-se aos portugueses cerca de um mês após a morte de Eduardo Mondlane. No entanto, de acordo com esses documentos, a CID tanzaniana consegue apurar que os elementos macondes dissidentes da FRELIMO, que já em Maio de 1968 haviam assaltado a sede do movimento em Dar-es -Salam no intuito de assassinar Eduardo Mondlane, contavam com fortes apoios no seio da TANU, partido no poder na Tanzânia. A CID tanzaniana sentiu-se impotente para actuar em Mtwara, pois o comandante da polícia local, por sinal maconde, ausentara-se para Lindi quando soube da iminente chegada do inspector da Polícia de Investigação Criminal, proveniente de Dar-es-Salam. Os mesmos documentos referem que os dissidentes da FRELIMO gozavam ainda do apoio do chairman regional da TANU em Mtwara, M. Kalimaga, do comissário tanzaniano para a Região Costeira, Mustafa Songambele, ambos da etnia maconde. A nível central, os apoios dos dissidentes da FRELIMO chegavam até ao gabinete do segundo vice-presidente tanzaniano, Lawi Sijaona. Num despacho “confidencial” expedido a 24 de Fevereiro de 1969 pela Embaixada Americana em Adis Abeba para o Departamento de Estado, Sijaona é citado como tendo dito a Mondlane que “o governo tanzaniano não mais poderia garantir a sua segurança”. A velha ambição de um “Grande Tanganyika” nutrida pelos macondes a norte do Rovuma e abrangendo os irmãos a sul, não havia ainda sido abandonada. Este envolvimento de elementos tanzanianos num assassinato planeado pelo regime colonial e que contou com o apoio de círculos dissidentes da FRELIMO constitui, sem dúvida, um embaraço para a Tanzânia. Terá sido certamente por isso que até hoje nunca foram divulgados todos os dados sobre a morte do primeiro presidente da FRELIMO, constantes de relatórios elaborados pela Missão de Formação Militar Canadiana na Tanzânia, a Interpol, a Scotland Yard e a própria CID tanzaniana. O comprometimento tanzaniano na morte de Eduardo Mondlane, e o silêncio daí resultante, tem permitido que sucessivas direcções da Frelimo, por tradição avessas ao rigor da História, contem as coisas à sua maneira, para assim justificar campanhas de descrédito ou legitimar medidas radicais posteriormente postas em prática. DIAGNÓSTICO DO CÔNSUL No seu informe enviado ao Departamento de Estado, o Cônsul John Gosset inclui comentários quanto à forma como decorreu a audiência com o governador-geral, os maneirismos de Rebelo de Sousa, a forma como se comportara e os sinais que deixou transparecer. Diz Gosset que “não houve nada particularmente novo ou surpreendente em tudo quanto o governador-geral disse, excepto talvez o tempo que levou a discutir as coisas e a falta, ou de franqueza ou de percepção. Havia-lhe pedido uma audiência de dez minutos e ele falou durante quase 40 minutos.” Acrescenta o cônsul americano: “Muito mais interessante do que o governador-geral tinha a dizer foi a maneira como ele o disse. Como político experiente, em todas as ocasiões anteriores em que o vi em público ou em privado ele havia mantido a compostura, era fluente, persuasivo e eficaz.” De acordo com o cônsul, Rebelo de Sousa “adoptara sempre uma posição completamente salazarista relativamente à política de Portugal, e eu esperava que independentemente do que ele havia dito, houvesse pelo menos um ligeiro ar de complacência e de satisfação pela morte de um velho inimigo. Pelo contrário, ele estava nervoso e não se sentia à vontade, e por vezes tinha dificuldades em se expressar. Pela primeira vez, notei uma contracção muscular ocasional na parte superior do olho esquerdo do governador, os lábios secos e com uma expressão um pouco cansada. Ao despedir-se foi, como sempre, cordial.” (Redação) OPINIÃO DE SAMORA MACHEL: “O BALTAZAR NÃO ERA FASCISTA” Na recente estada privada de cinco dias em Maputo, o ex-governador não passou despercebido. Foi o reencontro com velhas amizades. Quer cidadãos anónimos que o interpelavam na rua ou no hotel para o cumprimentar, quer dirigentes que lhe prestaram uma simbólica e discreta homenagem na Assembleia da República de Moçambique. Rebelo de Sousa nota que muita coisa mudou com os acordos de paz assinados em Outubro de 1992 em Roma. Na memória do ex-governador fica o registo de gratidão para com o primeiro Presidente da República de Moçambique, Samora Machel: «Era um grande homem. Tratou-me sempre bem.» Embora nunca tenha tido a oportunidade de conhecer pessoalmente Samora Machel, o ex-governador lembra que o seu nome, dado a uma rua da Matola, arredores de Maputo, foi retirado após a independência. «Eu era classificado como um grande fascista e colonialista e outras coisas mais. Mas Samora fez questão de que fosse novamente reposta na rua a placa com o meu nome.» Outra atitude de Samora Machel, que o marcou profundamente, ocorreu num comício em Maputo, após a independência. Nesse comício, os responsáveis pela administração colonial estavam a ser severamente criticados, mas o então Presidente da República de Moçambique interrompeu um dos oradores: «Alto. O Baltazar não era fascista.» O ex-governador teve conhecimento da posição de Machel através do seu amigo Alçada Baptista quando este o visitou no Brasil para onde fora após o 25 de Abril (e onde viveu 18 anos). Na Assembleia da República, o ex-governador viveu um dos momentos políticos mais importantes da sua visita. O presidente da AR apresentou-o como «um velho amigo» aos dirigentes parlamentares, e o primeiro-ministro, Pascoal Mocumbi, fez igualmente questão de cumprimentar o casal. (in Expresso)
ZAMBEZE - 29.01.2009
Memorando da entrevista de Baltazar Rebelo de Sousa ao Consul dos EUA em Lourenço Marques:
Veja em: Download StateDepartmentmemorandomondlane
ZAMBEZE - 29.01.2009
29/01/2009 | Permalink | Comments (0)
AS notícias veiculadas segunda-feira pelos media sul-africanos sobre a vida privada do Presidente Kgalema Motlanthe, da África do Sul, constituem uma violação ao seu direito de privacidade e dignidade, referiu o Congresso Nacional Africano (ANC), num comunicado de imprensa divulgado na terça feira.
“Essas notícias são infundadas e injustificáveis”, destacou o comunicado.
O jornal “Sunday Independent” reportou no fim-de-semana que Motlanthe, actualmente separado da sua esposa, Mapula Motlanthe, estaria a manter uma relação muito íntima com outras duas mulheres, uma das quais uma jovem de 24 anos de idade, que se encontra já em estado de gravidez.
O porta-voz do ANC, Carl Niehaus, desvalorizou as alegações, afirmando que as mesmas fazem parte de uma campanha anónima de difamação.
Segundo Niehaus, no passado, Motlanthe disse repetidamente que a sua vida privada é de sua inteira responsabilidade.
“O ANC defende a posição do seu vice-presidente, e vai continuar a providenciar o seu apoio inabalável pelo facto de ele estar a desempenhar uma responsabilidade importante que lhe foi incumbido pelo partido, como Presidente da República”, refere o comunicado.
“O ANC não se vai deixar confundir no seu vital trabalho, que precisa de ser feito, para melhorar a vida do povo sul-africano”, acrescenta o texto.
Estas declarações surgem na sequência de uma notícia veiculada pelo “Sunday Times”, segundo a qual Motlanthe “estaria em rota de colisão” com o ANC por “recusar seguir as orientações do partido”. O referido jornal escreveu que existe uma “guerra acesa por detrás dos bastidores” entre o ANC e Motlanthe.
Segundo o “Sunday Times”, Motlanthe cometeu o erro de não retirar o seu apoio junto ao Supremo Tribunal de Apelação contra uma acção movida pelo antigo Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, para anular um decisão do tribunal que resultou no arquivamento das acusações contra o actual presidente do ANC, Jacob Zuma.
A demissão do antigo director da Procuradoria-Geral, Vusi Pikoli, sem informar previamente o ANC, também é outro ponto que, alegadamente, estaria a criar um mau estar entre Motlanthe e o ANC.
Contudo, Niehaus refuta a existência de tensões entre o seu partido e o vice-presidente.
Na segunda-feira o jornal “The STAR” citou Mapula Motlanthe a afirmar não ter conhecimento de que o seu marido estaria a manter uma relação extra-conjugal.
De acordo com a Agência de Informação de Moçambique (AIM) estas informações surgem numa altura em que o jornal “Sowetan” denuncia insistentes rumores sobre a eventualidade da efectiva separação de Motlanthe com a sua esposa, o que conduziu a Liga Juvenil do ANC (ANCYL) a acusar os “media” do país de estarem a orquestrar um “esforço concertado” para criar uma crise em torno da vida privada do Presidente da República Sul-Africana.
28/01/2009 in África | Permalink | Comments (0)
A COMISSÃO Eleitoral Independente (CEI) informou terça-feira que até meados de Abril estará em condições de realizar as quartas eleições gerais na África do Sul.
Nestas eleições, o Congresso Nacional Africano (ANC), terá como um dos seus maiores adversários, o Congresso do Povo (COPE), um partido recém-criado, essencialmente a partir de indivíduos dissidentes do partido governamental.
“Segundo a nossa constituição, devemos ter tudo preparado, absolutamente preparado até ao dia 15 de Abril. Esse é o calendário que estamos a observar”, disse a presidente da CEI, Brigalia Bam. Falando no Parlamento, Bam disse prever que o presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, venha a anunciar a data das eleições gerais ainda este mês, após consultas com o órgão eleitoral.
Existem actualmente 150 partidos registados na África do Sul. Contudo, muitos não deverão participar n as eleições por não reunirem condições financeiras para o pagamento das suas inscrições, conforme noticiou ontem a AIM.
O ANC, que se encontra no poder desde a queda do apartheid em 1994, sofreu uma cisão nos finais do ano passado. A facção dissidente, o Congresso do Povo apresentou no último fim-de-semana o seu manifesto eleitoral, que tem algumas semelhanças ao do partido governamental, destacando-se, entre elas, o combate à pobreza e a melhoria dos serviços de saúde e de educação, numa tentativa de puxar para si maior número de votos.
Segundo Brigalia Bam, a CEI começou já os preparativos para a segunda fase do censo eleitoral, agendado para 7 e 8 de Fevereiro, uma medida que visa atingir a meta de 22 milhões de eleitores. Na primeira fase do recenseamento eleitoral foi registados 1,6 milhão de novos eleitores, havendo notícias de muitos cidadãos ainda por registar, sobretudo jovens, nas regiões rurais.
De acordo com a Agência de Informação de Moçambique (AIM) para as eleições municipais de 2006 a África do Sul registou pouco mais de 21 milhões de eleitores, mas este número poderá ter sofrido algumas alterações devido ao elevado índice de mortalidade associado ao HIV/SIDA.
A CEI referiu que o número de mortos na África do Sul varia de 25.000 a 44.000 por mês, defendendo, por isso mesmo, uma campanha massiva, porque se isso não acontecer as metas eleitorais poderão ser comprometidas devido ao elevado número de mortes.
28/01/2009 in África | Permalink | Comments (0)
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