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As Forças Armadas da Defesa de Moçambique (FADM) aquarteladas em Maputo e tantos outros centros militares de diferentes pontos do território Nacional clamam por melhoria da dieta alimentar e das condições em que vivem internamente e não andam satisfeitas. Queixam-se ainda da onda de perseguições contra aqueles que ousam fazer valer a liberdade de expressão que em pleno século XXI, em Moçambique ainda é inibida àquele que tente dizer a verdade e discordar de certas políticas. Entre outras várias lamentações, consta ainda do role “a falta de seriedade por parte de alguns dirigentes para atender e/ou resolver tantas preocupações que existem no seio dos militares”. Quem assim fala são os próprios militares que diariamente sentem isso na pele. Em contacto com o «Canal de Moçambique», apelando para o anonimato, uns militares começaram por dizer que “os militares vivem uma vida de miséria”. “As casernas andam em más condições, alimentam-nos mal, se é que se pode dizer que nos estão a alimentar”. “Sem falar de outros alimentos, os frangos que são consumidos nos quartéis têm a grandeza de um soco que parece uma rolha. Vezes sem conta tem se contrariado o que vem prescrito no contrato”. “As refeições servidas nos quartéis são uma lástima. As pessoas não falam porque têm medo. Algumas são perseguidas porque apelidadas de linguarudas. Nos quartéis os militares passam uma vergonha”. E mais, “os logísticos militares quando reclamam na tentativa de resolver a situação são ameaçados e questionados se a maioria dos militares que defendem são filhos deles”. E, como se isso não bastasse “quando os logísticos dizem-nos que nos contratos não vem preconizada uma alimentação de baixa qualidade são chamados para responder a interrogatórios ameaçadores”. Quando questionados sobre o que estaria por detrás destes desabafos, um dos nossos interlocutores respondeu: “nós vimos que em Moçambique, contrariamente ao que acontece nos outros países, o militar é pouco considerado. Para usufruir dos seus direitos deve primeiro mendigar e passar por uma série de humilhações perpetradas pelos seus superiores. Estes usam e abusam do poder e ao mesmo tempo fazem uma série de artimanhas para que as infracções por eles cometidas não cheguem ao presidente da República”. Entretanto, eles instam os deputados moçambicanos a efectuarem visitas de surpresa nos quartéis para verem “in loco” como é que os militares vivem e se alimentam. “Na hora do almoço que façam por exemplo um visita de surpresa ao quartel de Malhazine para ver se não vão ficar decepcionados com realidade”. Alias, a um dado passo dos depoimentos os militares que nos procuraram disseram-nos também que no País há governantes que andam nas bocas dos militares: “aquando da reunião da FAO em 2008 na Itália, a Primeira-ministra afirmou que deve haver um corte nas despesas das Forças Armadas. Com as Forças Armadas não se negoceia é só cortar e o corte deve ser draconiano. E recebeu aplausos. Isso doeu-nos muito, razão pela qual ela não sai da boca dos militares”. “Ela não imaginava que os militares pudessem ouvir isso por a entrevista ter sido dada na Itália”, disse acrescentando que à semelhança do que acontece com os desmobilizados de guerra, “as Forças Armadas andam muito agastadas com esta situação porque também têm os seus direitos que não estão a ser cumpridos como por exemplo a questão de fixação de melhores salários. Estamos a receber uma ninharia senão trocos que sobram dos bons salários que os dirigentes deste País auferem”. Num outro desenvolvimento, um dos interlocutores, manifestamente irritado com a situação, referiu que “no ramo das Forças Armadas sempre se falou que haverá melhorias mas nunca chegam. Prometem-nos mas quando chegam os momentos cruciais tudo fica na mesma”, conclui uma das fontes em que nos baseámos para escrever este apontamento.
(Emildo Sambo) -CANAL DE MOÇAMBIQUE - 20.05.2009
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