Maputo, Sábado, 19 de Setembro de 2009Notícias
A DEFICIENTE comunicação entre a Direcção da Companhia de Sena, no distrito de Marromeu, em Sofala, e os trabalhadores daquela indústria açucareira precipitou esta semana a eclosão da nova greve observada pelos cerca de três mil trabalhadores sazonais daquela açucareira. A conclusão é da Ministra do Trabalho, Maria Helena Taípo, que mediou o litígio e que culminou com o regresso dos amotinados aos seus habituais postos de trabalho.
Para evitar futuras situações do género, Helena Taipo orientou as duas partes a privilegiarem o diálogo, através do respectivo comité sindical, no cumprimento da lei laboral vigente em Moçambique.
Em menos de dois meses esta unidade de produção registou duas greves bastante violentas. A 8 de Agosto passado foram queimados
De acordo com o administrador de Marromeu, Tomé José, basicamente o móbil destes levantamentos têm sido cronicamente os alegados baixos salários. Segundo a fonte, a Lei do Trabalho vigente no país fixa, anualmente, o mês de Abril para a revisão da tabela salarial, mas a Companhia de Sena, desta vez, achou por bem rever excepcionalmente os vencimentos, passando o ordenado mínimo de 1500,00 para 1 612,00 meticais. Isto representa um aumento em nove por cento numa tabela que entrou em vigor a 16 de Setembro.
Conforme a nossa fonte, esta medida foi mal entendida pelos operários daquela companhia.
Por seu turno, a ministra do Trabalho declarou a greve de ilegal, pois os amotinados não observaram sequer o estipulado na lei laboral, designadamente a elaboração e a entrega à entidade patronal de um caderno reivindicativo. Reafirmou que se tratou de simples distúrbios, motivados por falta de esclarecimento.
Mesmo assim, o Governo reconhece que de facto há problemas de salários na Companhia de Sena, mas deplora a forma de reivindicação. Por isso mesmo, os grevistas foram instados a regressarem aos seus postos de trabalho, devendo, futuramente, em casos de necessidade, seguir os trâmites legais para as suas reclamações.
A ministra do Trabalho orientou, por outro lado, para a urgente necessidade de revitalização dos órgãos sindicais como forma de facilitar o diálogo entre os trabalhadores e a sua entidade patronal, para evitar greves ilegais. No caso vertente, Maria Taípo notou algum desconhecimento dos procedimentos que regulam a convocação duma greve.
Depois do clima de tensão e medo que se instalaram na passada quarta-feira o administrador de Marromeu reafirmou que a vida voltou à normalidade.
- HORÁCIO JOÃO





