Partido reuniu-se no fim-de-semana na Beira para analisar o seu desempenho nas gerais e provinciais de 28 de Outubro último
O líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) afirmou na noite deste domingo na Cidade da Beira que o seu partido lançou bases para os próximos
pleitos eleitorais previstos para 2013 (Autárquicas) e 2014 (Gerais e Provinciais). “O horizonte 2013 e 2014 começou no passado dia 28 de Outubro” – afirmou Simango que é igualmente autarca da Beira, referindo-se a participação nas ultimas eleições gerais e provinciais, nas quais ele e o seu partido concorreram pela primeira vez. O MDM foi oficialmente criado a 15 de Maio deste ano, e o seu líder, Daviz Simango, congratula-se pelo facto de não obstante a sua existência ser ainda recente conseguiu quebrar a bipolarização (Frelimo e Renamo) que vinham dominando o parlamento moçambicano.
Discursando no encerramento da primeira sessão da Comissão Politica do partido alargada aos delegados provinciais e membros do Conselho de Jurisdição e das ligas da Juventude e da Mulher, encontro que vinha decorrendo desde sábado último nesta cidade, Daviz Simango voltou a tecer duras criticas aos órgãos eleitorais do País, para quem o seu funcionamento é teleguiado pelo partido no poder, nomeadamente a Frelimo. Disse que as eleições foram fraudulentas, falou da manipulação da Polícia da República de Moçambique (PRM), sublinhando no fim que esse tipo de situações são inadmissíveis num estado de direito.
A apreciação bastante negativa ao último processo eleitoral feita por Daviz Simango teve muito a ver com a exclusão, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), da candidatura do MDM em nove dos treze círculos eleitorais instituídos. Tratou-se de uma situação que acabou marcando as eleições de 28 de Outubro último, com reacções vindas de quase todo o lado, incluindo da parte da comunidade internacional, sobretudo os representantes no País dos principais países doadores ao Orçamento Geral do Estado Moçambicano.
Todavia, mesmo tendo concorrido em apenas quatro círculos eleitorais, nomeadamente Maputo Cidade, Inhambane, Sofala e Niassa o novo partido criado por Daviz Simango conseguiu conquistar oito assentos na quarta legislatura multipartidária, dos quais cinco em Sofala, a sua principal base politica, e três na Cidade de Maputo. Estimativas sobre quantos assentos conseguiria o Movimento Democrático de Moçambique se tivesse concorrido em todas as províncias, usando o voto presidencial conseguido pelo seu cândidato, sugerem que teria ganho mais nove assentos, à custa da Renamo, o que totalizaria 17. Mas um exercício feito pela AWEPA (Parlamentares Europeus para Africa) em parceria com o CIP (Centro de Integridade Publica), divulgado no Boletim Sobre o Processo Politico em Moçambique, editado por ambas instituições, ilumina que o voto presidencial só pode ser uma aproximação, porquanto só dá uma distribuição
correcta para Sofala mas tem um ligeiro erro para a Cidade de Maputo (1 assento a menos) e Inhambane (1 assento a mais) – pelo que não é estritamente certo que toda a gente que votou em Daviz tivesse igualmente votado no MDM; havendo alguns votos que foram claramente para pequenos partidos.
Assim, aconselha-se que na melhor hipótese, isto dá uma suposição por alto daquilo que o MDM podia ter conseguido se tivesse podido concorrer em todas as províncias. O que também urge referenciar nesta analise é que em função dos dados disponíveis, o MDM não terá nem teria conseguido atingir aquilo que era seu objectivo principal nessa candidatura, nomeadamente evitar que a Frelimo pudesse conseguir uma maioria acima de dois terços, que lhe confere livremente o direito de mexer a Constituição da Republica. Mesmo somando os votos que eventualmente poderia ter conseguido se concorresse em todos os círculos eleitorais com os conseguidos pela Renamo, não seriam suficientes para evitar que a Frelimo conseguisse uma maioria absoluta no próximo parlamento. Evitar que a Frelimo conseguisse esse privilegio foi o discurso que Daviz Simango levou
na sua digressão pré-eleitoral por alguns países europeus, que serviu para lançar o seu partido e garantir apoios.
O AUTARCA – 09.11.2009




Comments