
“Vimo-nos obrigados a dispensar os dois guardas, pois não temos capacidade financeira para retribuir o seu sacrifício. Não sabemos quando é que voltaremos a contratá-los”, disse.
Por outro lado, a directora queixou-se da atitude dos moradores uma vez que jogam resíduos sólidos para o interior do recinto escolar. Tal contribui para aumentar a poluição do meio ambiente e propiciar o surgimento de doenças no seio das crianças.
“Já reunimo-nos várias vezes com a comunidade, mas ela não muda. Continuam a depositar o lixo no recinto escolar, a danificar a vedação e a usar o recinto escolar como caminho”, lamentou Deolinda Langa.
Porém, mesmo perante tamanhos problemas ela não pára. “Tenho feito pedidos a empresas para nos ajudarem no que for possível. Penso que vamos ter a solução”, conforta-se.
Durante a conversa revelou que há contactos com uma organização que tem um espaço considerado adequado para erguer uma nova escola. “Não posso dizer de quem é o sítio, mas acreditamos que vamos conseguir ter esse espaço”, assegura.

PARCEIRO DA EDUCAÇÃO PROMETE REABILITAR
“Nós não estamos satisfeitos com a situação em que se encontra a nossa escola”, eis as primeiras palavras do director de Educação e Cultura da Cidade de Maputo, Gideão João Jamo, quando abordado pela nossa Reportagem sobre a situação da EP-1 Unidade 30.
De acordo com o director, há ali aspectos que são da responsabilidade das autoridades do sector de Educação e da comunidade local.
No que tange à responsabilidade da sua jurisdição, Jamo disse que estão a ser equacionadas duas saídas, nomeadamente a reabilitação ou construção de uma outra infra-estrutura, num outro local, para acolher os petizes.
Relativamente à responsabilidade da sua alçada explicou que a escola já teve carteiras para todas as crianças que ali estudam. Todavia, elas ficaram quebradas com o passar do tempo, numa altura em que as infra-estruturas exigem reabilitação.
No ano passado havia um plano para reabilitar a escola com base numa parceria estabelecida com a Embaixada da Islândia.
“Não posso dizer com segurança o que impediu o arranque das obras. Mas continuamos a confiar no nosso parceiro, uma vez que ainda garante que vai reabilitar”, frisou.
A Embaixada de Islândia é um parceiro de longa data do sector por si dirigido tendo reabilitado, até ao momento, várias unidades de ensino primário.
“Talvez a crise financeira tenha abalado um pouco o nosso parceiro”, aventou. Além desta, Jamo admitiu a hipótese dos elevados custos de reabilitação estarem na origem do atraso.
Segundo referiu, a Islândia fez o levantamento das necessidades para a reabilitação da Unidade 30. O resultado mostrou que seriam necessários mais de nove milhões de meticais. Ora, esse valor é elevado e comprometeria a melhoria de outras unidades de ensino que, não sendo mais ou menos importantes, precisam de ser reabilitadas.
O valor para reestruturar a Unidade 30 é elevado, pois exige-se grande trabalho de engenharia para pôr cobro aos problemas que ali existem.
Na ocasião, o nosso interlocutor fez algumas simulações tendo revelado que construir cinco salas de aulas, neste momento, custa pouco mais de dois milhões de meticais. Assim sendo, é possível que o valor para a reabilitação total da Unidade 30 (tem 15 salas de aula) seja equivalente ou superior ao que se aplicaria para erguer nova infra-estrutura num outro local mais seguro.
Mas porqu|e não se avança nesta segunda hipótese (a de construção de raiz num outro sítio)?, assim question]amos ao director da Educação e Cultura da Cidade de Maputo ao que nos respondeu nos seguintes termos:
“Estamos a negociar um espaço na zona alta do bairro. Só que os actuais proprietários do espaço exigem algum pagamento. Nós não podemos comprar a terra”, sublinhou Jamo para quem tudo é possível.
A posição de Jamo é a mesma da directora da escola. Só que ambas chocam com o que teria dito ao nosso Jornal, em 2001, o então director de Educação, Samuel Modumela.
Na altura, Modumela afirmou que havia um outro espaço para construir novas infra-estruturas, faltava apenas a disponibilidade de fundos.
A construção, conforme disse Gideão Jamo, pode ser materializada facilmente, mas não se pode avançar dado o compromisso que ainda existe com a Islândia.
“Se encontrássemos um sítio adequado não ficaríamos à espera de parceiros para reabilitar a Unidade 30. Iríamos construir uma nova escola de raiz”, garantiu.
Numa segunda perspectiva, o director da Educação afirmou que a comunidade local tem responsabilidade, em parte, nos problemas existentes na escola.
“O problema é que a comunidade não ajuda. Sempre que há chuva, os moradores furam o muro para permitir a drenagem da água das suas residências. É por isso que a escola está sempre alagada”, sublinhou.
No seu entender, a comunidade devia lutar para a preservação da escola, pois ela é um bem precioso de todos. “Ela forma as nossas crianças, o Homem do amanhã”, disse.
Enquanto não se avança nem com a reabilitação, nem com a construção de uma nova escola, o sector da Educação e Cultura vai prestando algum apoio no corte do capim e outras pequenas actividades.
“Infelizmente, toda a nossa acção na escola torna-se nula, pois o ambiente não permite. É complicado”, disse Jamo para quem “não é fácil nos desfazermos daquela situação, pois não temos outro local para encaminhar as crianças”, disse.
Entretanto, alguns pais e moradores por nós contactados consideram que o mal iniciou no dia em que se escolheu aquele local.
Pedro Muchanga, pai de uma criança que estuda naquela escola, afirmou que as autoridades do sector deviam procurar soluções e não “tentar culpar a comunidade”.
No seu entender, não restam dúvidas que a comunidade tenha responsabilidades, porém é da opinião que é possível transferir a escola.
A mesma opinião foi comungada por Marta Ricardo que só mantém os seus filhos ali, pois não tem condição financeira para encaminhá-los a uma outra unidade de ensino.
“É lamentável que isto esteja a acontecer. Os meus filhos ficam doentes quase que trimestralmente. Acredito que tais doenças estão relacionadas com o ambiente que se vive na escola”, enfatizou.

COMENTÁRIO DO AUTOR - O CUSTO DA NEGLIGÊNCIA EM QUESTÕES AMBIENTAIS
Posso compreender a provável dificuldade que tenha havido em realizar um estudo sobre o impacto ambiental na altura da construção de uma escola, em 1976, num sítio que havia uma lagoa. É pacífico.
Basta recordar que é um ano em que a consciência em questões ambientais, a nível da comunidade internacional, estava nos primórdios. Foi em 1972 que se realizou o evento mais concorrido a nível das nações e que serviu de marco no compromisso internacional sobre a relação entre o Homem e o ambiente. Falo da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano realizada em Estocolmo.
Aliás, a nossa primeira Constituição da República, a de 1975, não abordou nada sobre o Ambiente, o que viria a ser invertido na de 1990 e fortalecido na última, a de 2004. Concordo que há prioridades.
Todavia, não aceito que, ao longo deste período todo nada se possa fazer para livrar as crianças que ali estudam dos problemas resultantes de má gestão do ambiente.
Não estou a defender que tal seja fácil ou imediato. Defendo que dentro do plano e da razoabilidade da actuação administrativa é possível reabilitar ou transferir aquela escola.
Em 2001 a Direcção da Educação da Cidade de Maputo veio a público anunciar que uma solução tinha sido encontrada, nomeadamente transferir a escola para um outro espaço. Passam oito anos e nada consta para acabar com aquele sofrimento. Alguém se está a eximir das suas responsabilidades administrativas pondo em perigo a vida das nossas crianças. Alguém tem de ser responsabilizado, objectivamente.
- ARSÉNIO MANHICE




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