Charles Pasqua, condenado a um ano de prisão efectiva, repete acusações contra ex-Presidente no caso de venda de armas a Angola
Charles Pasqua, antigo ministro do Interior condenado a um ano de prisão efectiva no caso Angolagate, convocou os jornalistas ontem à tarde, prometendo "revelações" que se adivinhavam estrondosas sobre o caso Angolagate, que o fará cumprir pena de prisão. Mas não adiantou muito mais do que já tinha dito sobre o ex-Presidente Jacques Chirac e o seu secretário-geral do Eliseu, em 1995: ambos sabiam da venda de armas a Angola, em 1995.
"Afirmo que as mais altas autoridades do Estado estavam informadas", disse Pasqua. O ministro da Defesa Charles Million estaria também informado da venda de armas secreta. Citando em especial Villepin e Chirac, disse que "nenhum dos dois cumpriu o seu dever", e lamentou que nenhum deles tivesse sido interrogado no decorrer do processo em que foi condenado.
Pasqua visou em especial Chirac que, segundo diz, não fez nada para travar o fluxo de exportação de armas - o que deveria ter feito, se de facto se tratasse de comércio ilegal. "Acuso-o de não ter assumido as suas responsabilidades"
Mais de 200 jornalistas acorreram à conferência do senador, que prometia ser o assunto do dia. Mas saíram dali um pouco desiludidos, relatam os media franceses, pois as ditas "revelações" tinham um certo ar de déjà-vu.
O tribunal que condenou a 27 de Outubro o senador de 82 anos a três anos de prisão (dois com pena suspensa) e ao pagamento de uma multa de 100 mil euros por tráfico de influências (sanção que implica a interdição de se candidatar numa eleição durante dez anos) tinha denunciado "a incúria das autoridades" neste caso, embora não exonerasse os réus das suas responsabilidades. E Pasqua já outras vezes falou nos nomes de Villepin e Chirac -a última vez foi no fim-de-semana passada, ao Journal du Dimanche. Quanto a Villepin e Chirac, desmentiram ter conhecimento da venda de armas a Angola.
Pasqua quer que sejam desclassificados os documentos - espera que o Presidente Nicolas Sarkozy não se oponha a que sejam desclassificados dados sobre venda de armas desde 2002 - que diz provarem que as autoridades tinham conhecimento do que se passava, e quer processar o juiz de instrução Philippe Courroye, que diz não ter incluído alguns documentos que demonstrariam a sua versão dos acontecimentos.
PUBLICO – 13.11.2009




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