O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, reafirmou esta quarta-feira em Maputo, o compromisso do seu governo de “uma investigação completa” sobre as circunstâncias que cercaram a morte do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, sublinhando que o mesmo é “inabalável”.
Machel morreu em 19 de Outubro de 1986, quando o seu avião se despenhou em Mbuzini, África do Sul. Acredita-se que o acidente foi arquitectado pelos militares do apartheid, que terão desviado o aparelho da sua rota, usando um rádio pirata transmitindo na mesma frequência que o do aeroporto de Maputo.
Dirigindo-se ao parlamento moçambicano, a Assembleia da República, no segundo dia da sua visita de Estado, Zuma disse que queria "prestar homenagem e respeito ao povo de Moçambique pelo seu apoio incansável pela libertação do povo da África do Sul. O apoio que este país nos deu na luta contra o apartheid é imensurável ".
"O povo de Moçambique enfrentou dificuldades apoiando os seus irmãos sul-africanos que lutavam contra o monstro do apartheid", acrescentou. "Apesar disso batalharam, e o povo nunca vai esquecer o que este país fez para que a África do Sul se tornasse livre".
Um desses sacrifícios foi a morte de Samora Machel. "Moçambique é um país que perdeu o seu líder em circunstâncias misteriosas por causa do seu apoio para a libertação das suas irmãs e irmãos do outro lado da fronteira que ainda estavam sob o jugo do apartheid", declarou Zuma.
A luta de hoje, continuou, "já não é sobre a libertação nacional, o que a obtivemos. A luta agora é contra a miséria, a pobreza e o subdesenvolvimento, com o objectivo último de alcançar a emancipação econômica e o desenvolvimento dos nossos povos ".
O Chefe de Estado sul-africano observou que Moçambique é um dos principais parceiros comerciais da África do Sul no continente, e aplaudiu Moçambique "pela a sua atractividade no investimento devido ao seu quadro regulamentar e do ambiente legislativo favorável, tornando o país um modelo para fazer negócios".
"A África do Sul, a região e o continente têm muito a aprender de Moçambique sobre a sua habilidade de captar a atenção dos investidores", disse.
O governo Sul-Africano usa a estatal Industrial Development Corporation (IDC) "como um catalisador para investimentos e desenvolvimento em Moçambique". Zuma disse que, actualmente, "40 por cento da exposição financeira da IDC no continente está em Moçambique, no montante de 1760 milhões de rands" (cerca de 211 milhões de dólares EUA).
Zuma manifestou-se orgulhoso dos investimentos Sul-Africano em Moçambique porque "tornaram-se uma parte integrante dos esforços para impulsionar o crescimento económico e criar oportunidades de emprego, dando assim um contributo no combate à pobreza".
Ele apelou os sectores privados de ambos os países "para identificar oportunidades de investimento para as empresas moçambicanas na África do Sul, compartilhar conhecimento, know-how e identificar parcerias conjuntas e joint ventures".
Em matéria de segurança, Zuma disse que o ataque de piratas somalis no Canal de Moçambique, em Dezembro de 2010 (quando um navio de pesca de Moçambique, o "Vega 5", foi sequestrado) "foi uma chamada de atenção para a SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), de que não está imune a este fenómeno".
"É claro que as nossas águas e do Canal de Moçambique em particular, tornaram-se uma alternativa atraente para os piratas somalis que tentam evitar a repressão pelas diversas forças marítimas no Corno de África e no Golfo de Aden", continuou. As descobertas de hidrocarbonetos e a sua exploração (nomeadamente ao largo da província moçambicana de Cabo Delgado), e o facto de que seis milhões de toneladas de petróleo são transportadas ao longo da costa ocidental da África do Sul todos os meses fez dessas águas um dos principais alvos dos piratas".
Zuma disse que estava satisfeito pelo facto de Moçambique e África do Sul estarem a enfrentar o desafio do combate à pirataria. Um Memorando de Segurança Marítima foi assinado entre os dois países, que fornece as bases "para os nossos dois países continuarem a cooperar para lidar com o flagelo da pirataria".
RM/AIM – 14.12.2011





