A celebração dos cinquenta anos da fundação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) deve ser visto como uma ocasião impar de exaltação dos inúmeros ganhos do povo na medida em que foi com esta agremiação que a nação alcançou a independência e hoje caminha rumo à vitória contra a pobreza absoluta.
Esta é a posição comum de cinco combatentes da luta armada de libertação nacional entrevistados sexta-feira última no Maputo pelo “Notícias” no quadro do lançamento das festividades das bodas de ouro do maior e principal partido político do país.
Embora os libertadores da pátria enumerem vários triunfos conseguidos pelo povo, consideram que a comemoração de meio século de existência daquela força política deve constituir momento de reflexão para a identificação de caminhos com vista à melhoria contínua do nível de vida dos moçambicanos.
A reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, a expansão da rede de energia eléctrica, dos serviços de Saúde, Educação, saneamento, bem como a melhoria que se vê nas infra-estruturas residenciais são alguns ganhos apontados pelos nossos entrevistados, nomeadamente Orlando Naengo Wadingata, Benedita Machava, Buanar Muhamed, Alberto Facitela e Maria Rosa Chihamo Chilata, que ao longo dos dez anos de luta contra o colonialismo português participaram em diversas frentes pelo vasto território nacional.
Marco de unidade
Orlando Wadingata, natural de Cabo Delgado, província na qual combateu desde 1964, olha para os 50 anos da FRELIMO como um marco de unidade nacional pois foi esta força que uniu os moçambicanos em Junho de 1962.
“Temos que valorizar esta festa porque antes da fundação da Frente estávamos divididos, mas agora somos um povo com uma direcção clara”, disse.
As transformações que se assistem na vida do povo moçambicano desde a sua independência, com destaque para a abertura dos serviços básicos, tais como Saúde, Educação e livre circulação são alguns ganhos que aquele combatente destacou como resultados da existência da FRELIMO.
Contudo, manifestou vontade de ver estas conquistas a chegarem a todos os cidadãos, para que prevaleça o espírito de unidade nacional.

Benedita Machava
Sinal de crescimento
Para Benedita Machava, nas fileiras da Frente desde 1968, as bodas de ouro significam crescimento do partido, considerando que hoje é possível ver em todos os horizontes os frutos desta idade.
“Se olharmos para o país, veremos que já temos escolas, hospitais e estradas, coisas que nos faltavam durante o tempo colonial”, disse a entrevistada, acrescentando que mesmo com aquelas conquistas o partido Frelimo deve fazer mais para o bem-estar do povo moçambicano.
Entre as áreas que devem merecer mais atenção, a combatente Benedita Machava, que integrou o terceiro sector do Destacamento Feminino em Macomia, Chai e noutros pontos de Cabo Delgado, indicou o abastecimento de água, emprego e habitação para jovens.
“O partido e o Governo devem continuar a lutar para que toda população tenha água. Há ainda muitos jovens sem emprego e sem habitação, precisando de apoio para sair desta situação”, sublinhou.

Buanar Muhamed
União de Rovuma ao Maputo
Buanar Muhamed, outro combatente da luta de libertação nacional, hoje membro do grupo coral entre outras actividades, considera a idade que este ano se comemora como indicativo de união dos moçambicanos do Rovuma ao Maputo.
“Todos sabemos que antes de 1962, o povo não estava unido, mas com o surgimento da FRELIMO que nos conduziu ao alcance da independência, actualmente circulamos de qualquer ponto do país para o outro livremente”, disse.
Na visão daquele cidadão, que entregou a sua juventude para a libertação nacional, a união dos três movimentos que deram corpo à Frente fez com que todos os moçambicanos se tornassem um único povo e com o mesmo objectivo.
Uma das grandes expectativas daquele entrevistado é que todos os moçambicanos vençam a actual luta contra pobreza, passando a gozar uma vida menos sofrida que a actual.

Alberto Facitela
Grande vitória
“Celebrar 50 anos da FRELIMO é uma grande vitória para todos os moçambicanos. Mas ao longo deste tempo houve necessidade de se fazer sacrifícios para chegarmos ao que hoje somos”, palavras de Alberto Facitela, outro interpelado pela nossa Reportagem.
Olhando para as transformações ocorridas tanto dentro do movimento como no país em geral, aquele combatente diz que a FRELIMO sempre esteve firme de que o povo precisava da sua liderança para vencer os obstáculos que foram surgindo.
Nesse sentido, a organização não se dissolveu, mesmo com a morte dos seus líderes, como Eduardo Mondlane, Samora Machel e tantos outros, razão pela qual todos os seus integrantes devem olhar para a actual idade como marco de vitória.
Apelou a todos os moçambicanos para que continuem a lutar no sentido de, em pouco tempo possível, o país saia da lista das nações mais pobres do mundo.
Natural de Inhambane, aquele combatente esteve afecto à província do Niassa desde 1965.

Maria Chilata
Momento de satisfação
Maria Chilata, natural de Tete, que ingressou na luta em 1969 na sua terra, vê os festejos dos 50 anos, lançados no Dia dos Heróis, como momento de satisfação, recordando alguns episódios passados durante a luta armada.
Inicialmente integrada na área de mobilização dos alunos e comunidades para se engajarem na luta contra o colonialismo, a nossa entrevistada acabou actuando em diversas batalhas.
Entre os momentos que mais lhe marcou durante a luta, Maria Chilata destacou a vez em que evacuou 78 alunos de uma escola de Tete para o mato, onde ficaram sete dias sob intensos bombardeamentos da força portuguesa.
“Ficamos debaixo de árvores, sem comida e sem água. A pouca que restava só podíamos dar quantidade correspondente a uma tampa a cada aluno. Foram dias muito duros, mas após sete dias de fogo consegui sair com todos os 78 alunos vivos”, contou.
Defende que os jovens devem continuar com a história da Frelimo, dado que embora os combatentes ainda estejam no activo, daqui a pouco desaparecerão.





