“É completamente ridículo. Aliás, eu desconfio até que quem andou a fazer essas afirmações (no caso vertente Paúnde) estivesse a dizer eu ou nós, ou ainda esta minha equipa, devemos continuar. Felizmente, a Frelimo tem muita experiência e vivências e não se vai deixar ludibriar”, diz Sérgio Vieira.
A ideia avançada pelo actual secretário-geral do partido Frelimo, Filipe Paúnde, de que Guebuza “é um candidato natural à sua própria sucessão” e que não havia nenhum problema de existirem, no país, dois centros de poder - um militante a dirigir o partido e outro à frente dos destinos da nação moçambicana - está a ser contestada dentro do próprio partido no poder.
Foi Filipe Paúnde quem veio a público, por sucessivas vezes, dizer que, mesmo depois de Armando Guebuza deixar a presidência da República, este poderia continuar a dirigir o partido, sendo a Presidência da República ocupada por um outro militante. Em outras palavras, Paúnde defende dois centros de poder e diz que podem conviver naturalmente.
Ontem, à margem da VII sessão do Comité Central da Frelimo, “O País” ouviu algumas figuras de peso dentro do partido sobre a sua opinião em relação à proposta de Filipe Paúnde. Curiosamente, todos denotaram não concordar com a proposta, considerando-a como tendo sido feita a “título individual” e “fora dos órgãos”.
A ideia de falar “fora dos órgãos” foi condenada, inicialmente, pelo presidente da Frelimo, Armando Guebuza, durante o lançamento das celebrações dos 50 anos da Frelimo e parece estar a ganhar adeptos, senão vejamos: todos vêm para “fora dos órgãos” apelar para que os outros “falem dentro dos órgãos”.
Sobre a partilha de poder ou poder bicéfalo, Sérgio Vieira considera liminarmente que a ideia é “ridícula”. “Eu penso que é ridículo. Nós vimos, inclusivamente, que, quando o Presidente cessou as suas funções, se retirou e ficou grande com isso, ficou muito maior. Ficou homem de referência. É, completamente, ridículo. Aliás, eu desconfio até que quem andou a fazer essas afirmações (no caso vertente Paúnde) estivesse a dizer ‘eu ou nós, ou ainda esta minha equipa, devemos continuar’. Felizmente, a Frelimo tem muita experiência e vivências e não se vai deixar ludibriar”, garante Sérgio Vieira.
O PAÍS – 24.08.2012





