Por Domingos Rodrigues Duarte
Caros compatriotas,
Caros concidadãos,
O Senhor Itai Meque, actual Governador da província da Zambézia, deve demitir-se, e de imediato!
Moçambique já está em altura de ter governadores nobres e sensatos; e não zaragateiros, apressados em colher frutos dos outros!
Sua Excelência Governador da província da Zambézia, Senhor Itai Meque, sem nada de excelente, como demonstrou no seu discurso do dia 21 de Agosto do ano em curso, data em que Quelimane comemorou 70 anos de existência como cidade, deu provas suficientes de não possuir capacidades para a função para que foi confiado. Por conseguinte, cidadão que sou, Moçambicano digno de sê-lo, apelo para a sua demissão.
O Senhor Itai Meque, em pleno dia comemorativo, acusa o Edil de Quelimane, Sua Excelência Professor Doutor Manuel de Araújo, de um dia vir a vender Quelimane aos estrageiros. O que é que isto quer dizer?
Quem não sabe, talvez o Senhor Itai Meque não, que mais de 60% do contributo para o crescimento económico médio anual de Moçambique, que é de 6 a 7%, vem da Mozal, uma empresa dominada por capitais estrangeiros? Os Australianos e os Japoneses detêm juntos mais de 80% do capital da Mozal. 13% do contributo para o crescimento económico de Moçambique vem do camarão explorado e exportado por companhias estrangeiras. Aquapesca, a maior empresa francesa em Moçambique, com mais de 1200 trabalhadores, um dos maiores exportadores de camarão, está em Quelimane, e não foi Manuel de Araújo, Edil de Quelimane, que a trouxe. A lista das empresas estrangeiras em Moçambique é longa: Quem não conhece a Vale? Quem não conhece a Kenmare? Quem vai construir a ponte da Katembe?
Senhor Itai Meque, Governador da província da Zambézia, donde vem uma boa parte do nosso orçamento do Estado?
Que se saiba, o que o Senhor Itai Meque ignora, Moçambique é uma nação democrática, e Manuel de Araújo, actual Edil de Quelimane, foi eleito democraticamente, com mais de 60% dos votos. Vitória parabenizada pelo Presidente da República. Em Moçambique há eleições livres e datas precisas paras as campanhas políticas. A última campanha para Quelimane foi na última semana de Outubro e a primeira de Novembro do ano passado e a próxima será, provavelmente, no mesmo período do próximo ano, em 2013, que o Senhor Itai Meque fique informado.
Uma vez ganhas as eleições pelo Edil de Quelimane, Manuel de Araújo, o Senhor Itai Meque deveria, como bom democrata, dar mostras de saber estar e de harmonia invés de mostrar animosidade e criar conflitos.
Quando um governador tem, num dos municípios da província que governa, um edil da oposição, chama-se coabiatação, mais precisamente coabitação política.
A coabitação política é um exercício de coexistência pacífica, onde a ética e a decência devem ser de rigor, e sobretudo num mundo civilizado. Os munícipes sabem que os dois homens pertencem a partidos diferentes, professam valores diferentes, contudo não deixam de ser homens, e como representantes máximos da cidadania, obram para o bem-estar dos seus concidadãos. Como é que, então, uma das partes aparece como juiz da outra?
Que se saiba, talvez o Senhor Itai Meque ignora, não é papel de um governador julgar um presidente de câmara, muito menos em público e em datas comemorativas. Está-se aqui perante uma verdadeira demonstração de falta de ética, de falta de decência, e daquilo que os machuabos chamam de boçalismo.
Homem você tem que evoluir...
O nosso Moçambique é uma República, o nosso Moçambique não pertence a nenhuma etnia, o nosso Moçambique não é propriedade de nenhum partido político.
Depois dos resultados eleitorais, o que deve reinar é a paz, a concórdia, e o trabalho. Todos nós moçambicanos, sobretudo os que detêm o poder, devem evitar conflitos que podem criar derrapagens. Não conseguimos a independência sem sangue! Há quem conseguiu: as ex-colónias britânicas, por exemplo; Não conseguimos evitar a guerra dos 16 anos! Até hoje, muitos de nós ainda choramos a perda das nossas mães, nossos pais, filhos, irmãos e amigos. A manutenção da paz é da responsabilidade de todos nós, mas sobretudo dos mais fortes. O partido Frelimo detém o poder há 35 anos, um poder nacional. Cabe a ela, em primeiro lugar, enveredar esforços, estratégias e acções para manter a paz. Discursos xenófobos de um governador como o de Itai Meque, no dia da celebração do aniversário da cidade de Quelimane, trarão consequências desastrosas. Cito “Manuel de Araújo vai vender Quelimane aos estrageiros”.
Senhor Itai Meque, pare de criar conflitos, deixe de fazer discursos que criam intrigas, e ponha-se a trabalhar.
Se o Senhor Itai Meque por-se a trabalhar merecerá a estima dos seus administrados, merecerá a estima dos quelimanenses. Os quelimanenses não são burutos, já ouviu esta frase muitas vezes, certamente.
Não estará o Senhor Itai Meque a tomar os quelimanenses por burutos? Senhor Governador da província da Zambézia, por mais analfabeto que seja um povo, consegue ver os buracos nas estradas, as inundações das chuvas, ou os semáforos nas suas ruas. Um povo, por mais analfabeto que seja, tem o direito de escolher a pessoa que o governa: chama-se a isto democracia. Se o Senhor não se sente à vontade com o Edil de Quelimane, peça transferência. Aliás, peço já, eu, a sua demissão. O Senhor foi nomeado; O Edil de Quelimane foi eleito, e com mais de 60% dos votos!
Certeza absoluta, o nosso sistema político está longe de ser perfeito, mas o pior é alguns homens que temos: O Senhor Itai Meque faz parte destes homens que exibem a mediocridade em pleno dia, diante de milhares de pessoas. O que é lamentável!
O Senhor Itai Meque quer mostrar que o seu partido é que faz, então que vá à Mocuba, Alto Molócue, Milange e Guruè, onde os edis são do seu partido, e dizer ao povo o que estão a fazer, se é que estão a fazer algo, e deixar o Edil de Quelimane, Sua Excelência Professor Doutor Manuel de Araújo, trabalhar. Há moçambicanos que querem e estão a trabalhar; Não somos todos preguiçosos... O Edil de Quelimane não é preguiçoso, ele trabalha!
Apesar de a Frelimo representar em Quelimane a fome, buracos, intrigas, corrupção, e muitos outros males, um dos quais Icídua é o símbolo, ela tem espaço nesta cidade, neste município. Mas daí a querer dividir o povo, e não politicamente, o que é próprio da democracia, mas humanamente, como o uso da xenofobia feito pelo actual governador, Senhor Itai Meque, é uma estupidez, é uma aberração, é um acto primitivo, próprio de símios excitados em noite de lua cheia. Volto a citar “estou a avisar-vos, Manuel de Araújo vai vender Quelimane aos estrangeiros”. Terá se esquecido ele do drama da vizinha África do sul?
Quelimane tem três possibilidades face ao caso Itai Meque.
Primeiro: o Governo de Moçambique, honrado nas suas funções, pode e deveria de imediato proceder à demissão do Senhor Itai Meque, pelo seu discurso vil e que vai contra a manutenção da paz.
Segundo: o Edil de Quelimane pode e deveria processar o Senhor Itai Meque por tê-lo acusado de um dia vir a vender Quelimane aos estrangeiros.
Terceiro: os munícipes de Quelimane podem e deveriam organizar uma marcha de protesto contra o fomento de xenofobia em Quelimane, feito pelo Senhor Itai Meque.
Estas três possibilidades podem ser realizadas em simultâneo.
E mais não disse,
SAVANA – 31.08.2012





