MARCO DO CORREIO por Machado da Graça
Meu caro António
Espero que continues de boa saúde. Do meu lado está tudo bem, felizmente.
Só que um bocado em baixo com a morte do Hugo Chavez.
O tipo era uma personagem controversa, que tanto causava grandes amores como grandes ódios, dependendo muito da posição social de quem dava a opinião.
Mas que melhorou muito a vida de uma grande camada da população da Venezuela isso ninguém pode negar. E, por isso, se pôde dar, até ao fim, ao luxo de fazer, regularmente, eleições livres. E de as ganhar todas.
Como é de imaginar, a burguesia venezuelana não podia com ele. Habituada a guardar para si os chorudos lucros do petróleo, obviamente detestava a definição de prioridades de Chavez, que reservava cerca de 40% desses lucros para fins sociais, para benefício dos pobres.
O mesmo se passava com muitos dos países capitalistas, que não conseguiam aceitar que a Venezuela vendesse o seu petróleo, a preços bonificados, solidários, aos países amigos da sua Revolução Bolivariana.
Nem tudo era positivo nele, no entanto. A forma como pessoalizou a política venezuelana não me parece saudável. E agora iremos ver se essa atitude não vai ter efeitos negativos, no processo político, devido à sua ausência pessoal.
De qualquer forma, ninguém lhe poderá negar um lugar na História. Não só do seu país como de todo este início do século 21.
E resta-me desejar que o povo venezuelano lhe preste a maior de todas as homenagens, continuando a apoiar a Revolução, que ele dirigiu, para além da sua morte.
E que os seus continuadores não traiam as suas ideias, como tantas vezes temos visto por aí...
Um abraço para ti do
Machado da Graça
CORREIO DAMANHÃ – 08.03.2013





