15-05-2006

Entrevista de João Craveirinha à TVI(Lisboa)

Jctvi
Veja, em vídeo, a entrevista que João Craveirinha, como artista plástico, concedeu em 26 de Junho passado à TVI(Lisboa).
Click aqui:
http://www.macua.org/jcvideo/tvi2005.html

11-05-2006

Samora Machel contra a execução de Uria Simango

CRÓNICA exotérica

por Yahia ben Yokhanon
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(Segundo texto apócrifo de Zoao Kraveirinya na era do Tsuname)

Nachingueia, Farm 17, sul de Tanzânia. Manhã de um dia diferente no mês de Janeiro de 1975. Alguns Homens e mulheres abatidos estão perfilados perante Samora Machel e o então 1º Ministro Joaquim Chissano, passando revista e verificando até que ponto a “sessão” da noite anterior no mato (até ao amanhecer), tinham causado danos físicos aos apresentados. O destino desses homens e mulheres estão em jogo.
Samora Machel dirige-se ao veterano nacionalista, Adelino Gwambe, com a saudação: - “kundjane uá li kaya?” (Como estás patrício da terra?).
- Adelino Gwambe responde com altivez de mãos nos bolsos: …”chauane mufana uá mina”…(olá meu miúdo) …
Leia em:
Download samora_no_queria_matarjc.doc

09-05-2006

Uria SIMANGO, a INDEPENDÊNCIA E A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO!

CRÓNICA exotérica
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Reverendo URIA SIMANGO
segundo texto apócrifo rehausser de Zoao Kraveirinya publicado em Moçambique a 19 Outubro 2004
na era do Tsuname
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por Yahia ben Yokhanon
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Uria SIMANGO, a INDEPENDÊNCIA E A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO!
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” OS QUE ESQUECEM O PASSADO ESTÃO CONDENADOS A REPETÍ-LO” …escreveu George Santayana (1863 - 1952), filósofo espanhol / norte-americano...

Nas vésperas da Independência, de 11 a 12 de Maio 1975, Samora Machel Presidente da FRELIMO, recebia os Presidentes da Tanzânia Julius K. Nyerere e Keneth Kaunda da Zâmbia, em Nachingweia (Nachingu-eia); Quartel-general da Frente de Libertação na Tanzânia. Desse encontro ficariam registados para a História os discursos dos quais transcrevemos alguns excertos proferidos pelo Presidente do Movimento de Libertação moçambicano, Samora Moisés Machel, no dia 12 de Maio de 1975:
- ...”Antes de vocês falarem (camaradas Kaunda e Nyerere), gostava de vos mostrar um batalhão de agentes (...), quadros que se transformaram em agentes do inimigo”...

Leia em:
Download uria_simango_crnica_exotricajc.doc
PÚNGUÈ - 09.05.2006

05-05-2006

Conto Exotérico

MYRIAM MAGDALENA

segundo texto apócrifo de Zoao Kraveirinya da era do 3º Milénio…………………………

por Yahia ben Yokhanon

A ironia na calúnia do Povo é ácida, corrosiva, no seu preconceito…mas necessita de agitadores. ... ...

Leia tudo em:
Download conto_exoterico_myriam_magdalena.doc

03-05-2006

MOÇAMBIQUE : - CRÓNICAS DE ONTEM E DE HOJE

Apresentação exclusiva em Vídeo de aspectos inéditos da História de Moçambique, em Maqueta para Televisão (1998/2000), de Projecto-piloto de João Craveirinha (JC).

Algumas das pessoas entrevistadas na peça, faleceram após as filmagens, como Dona Emília Simango em 2002, sobrinha – neta de nuáMatidjuana Zixaxa (chefe ronga do Combate de Marracuene em 2 de Fevereiro de 1895). Outra figura falecida (2001) é Henrique Albasine (alcunhado pelo Poeta José Craveirinha, de Brandão – nome de crack do futebol brasileiro dos anos 1940). Henrique Albasine era neto de João Albasine fundador do Grémio Africano (1905) e trineto do caudilho luso – italiano João (Luiz) Albasine (1813 – 1888), fundador da Colónia portuguesa de São “Luiz”, situado no actual Kruger National Park no Transval.

O guião desta maqueta de JC inspirou o mesmo autor no seu livro “Moçambique – Feitiços, Cobras e Lagartos” – Crónicas Romanceadas editado em 2001, simultaneamente, em Moçambique e Portugal.

Base para apresentação do vídeo

http://www.macua.org/jcvideo/index.html

MOÇAMBIQUE

Quadrojcvideo_2

CRÓNICAS DE ONTEM E DE HOJE

Projecto  para  Série  de  Televisão

AUTORIA e PINTURA – JOÃO CRAVEIRINHA   

PROIBIDA  A  REPRODUÇÃO  COMERCIAL 

28-04-2006

A ÁFRICA NEGRA COMEÇOU MAL?

Coluna
DIALOGANDO
A ÁFRICA NEGRA COMEÇOU MAL?
por João Craveirinha
joaocraveirinha@yahoo.com.br
(Ensaio escrito em 2003 e lido, em 2004, por David Borges na RDPÁfrica em Lisboa - Portugal)

“O PODER – UMA MOTIVAÇÃO COMO DROGA E UM FIM EM SI MESMO”

(in WOLE SOIYNKA, escritor e filósofo Nigeriano Prémio Nobel)
O livro “L'AFRIQUE NOIRE EST MAL PARTIE” (A África Negra Começou Mal), seria como uma “profecia” do cientista social e engenheiro agrónomo francês, René Dumont, ao escrevê-lo em 1966 sobre o modelo económico, social, urbano e rural adoptado pelos novos Países Africanos Independentes, repetindo erros coloniais. Mal poderia supor René Dumont (n.13. 03. 1904 – m.18.06. 2001), o quão perto andaria da actual realidade africana. René Dumont foi um dos ideólogos de uma Agricultura auto – sustentada – integrada numa Política Ambientalista de Ecologia Consciente.
Actualmente, África cresce dentro de um ritmo de Idade Média em simultâneo com a era moderna dos mísseis Stingers. São os conflitos armados, as questões étnico – geográficas mal resolvidas da era colonial. Crises políticas fruto da ganância do poder e do dinheiro. São também as más planificações dos espaços geográficos populacionais gerando os excessos demográficos nas cidades focos de marginalidade e crime organizado a aluguer muitas das vezes com o beneplácito de políticos corruptos que alugam esses serviços. Só que de quando em vez esses mesmos políticos perdem o controlo e são engolidos pelo crime que incentivaram. Temos entre outros, os exemplos da Libéria, Serra Leoa, Costa do Marfim, Ruanda, Congo ironicamente dito democrático e mesmo muito próximo de nós; o Zimbabué.
(O caso da região de Darfur no Sudão é outro exemplo de “milícias” Djan – dja - uid a soldo do Governo, eventualmente, não obedecendo a seus “clientes” governamentais, continuando, na insanidade de uma limpeza étnica.)
No caso moçambicano o governo, ao negligenciar uma política de emergência urbana e suburbana de contenção demográfica e de regresso “às origens” rurais da maioria da população excedente das cidades, adia um problema que cresce monstruosamente. Necessária uma política que estude a dinâmica populacional das migrações e implemente soluções “draconianas” pois poderá afectar a nossa Democracia incipiente pela insegurança civil criada nas cidades em particular Maputo, Beira, Quelimane e Nampula. As populações “fogem” do mato e das zonas rurais engrossando as já saturadas áreas periurbanas ou suburbanas. Antes era a guerra e agora?
NÃO TENHAMOS DÚVIDAS: A MAIORIA da CONCENTRAÇÃO POPULACIONAL em MOÇAMBIQUE ENCONTRA-SE NOS CENTROS URBANOS E SUBURBANOS. Dizer o contrário é pura demagogia eleitoral. Quantos habitantes têm as cidades de Maputo, Beira, Tete, Quelimane, Nampula, Pemba? São muitos milhões concentrados, citando somente as principais urbes.
Fora dos centros urbanos as populações vivem em povoações dispersas e grosso modo a vida pouco mudou depois da Independência exceptuando a Bandeira e a possibilidade de VOTAR em ELEIÇÕES – aí sim a grande EVOLUÇÃO CÍVICA visível mas somente após a assinatura a 4 de Outubro de 1992 do Acordo Geral de Paz – AGP, entre a FRELIMO e a RENAMO. Na passada segunda – feira Moçambique celebrou os 12 anos do AGP em Itália, Roma. (Nota: em 2004).
Em Moçambique, as estratégias políticas e económicas irrealistas adoptadas após a Independência, utilizando modelos que haviam falhado noutras partes do mundo, teriam o seu catastrófico efeito aos dias de hoje. As teorias económicas de Charles Bettlelheim sobre “Planificação e Crescimento Acelerado” até que ponto seriam mal interpretadas? A Guerra-fria teria de certa forma mantido o “status quo” da “estável” instabilidade política e social, contraditoriamente. Era o fenómeno da “quietude” das águas lodosas e turvas de um pântano.
Que Futuro Melhor para Moçambique e uma África dilacerada e cada vez mais a saque? No passado os grandes saqueadores vieram de além-mar – da Arábia e da Europa e na Escravatura tiveram o apoio de muitos chefes, Reis e sobas africanos. Actualmente muitos políticos africanos delapidam o erário público e convidam os antigos e novos senhores ao festim das riquezas naturais de seus próprios países. A Comunidade Internacional fechando os olhos às prepotências e arbitrariedades os têm legitimado no poder. A própria Democracia enxertada, tem servido para perpetuar os sistemas autocráticos africanos (e não só), até que um milagre de mudança aconteça. Só que não se sabe se para melhor ou para pior! Ou ainda estaremos perante uma nova RECOLONIZAÇÃO de África pela Europa e pela América?
A África Negra começou mal? Só a História o dirá !!
Livros de René Dumont:
- L'Afrique noire est mal partie – 1966, Editora Seuil
- Cuba est-il socialiste ? – 1970 (Cuba é Socialista ?)
- Démocratie pour l'Afrique. (Democracia para África)
- L'Afrique étranglée (África estrangulada)
- L'Utopie ou la Mort – 1974 (Utopia ou a Morte)
- La Croissance... de la famine (O Crescimento…da fome)
- Le Mal - Développement en Amérique latine (O Mau Desenvolvimento na América Latina)
- Pour l'Afrique, j'accuse – 1989. - Editora Pocket (Por África eu Acuso)
- Un monde intolérable. Le libéralisme en question. - Editora Seuil (Um Mundo intolerável. O Liberalismo em questão).
João Craveirinha
In O Autarca da Beira
Nº 1060 de 28 Abril 2006 sexta – feira

20-03-2006

‘Jezebela’, romance da lusofonia

Jezebela_capa_3
Adelto Gonçalves*

João Craveirinha, 58 anos, sobrinho do poeta José Craveirinha (1922-2003), nasceu na Ilha de Moçambique. Bastariam esses dois pormenores para justificar a apresentação de um escritor. Afinal, José Craveirinha, nascido na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo, foi o maior poeta africano de língua portuguesa e não são poucos aqueles que ainda acreditam que o dom da poesia seja transmitido por genes, embora essa afirmação contrarie tudo o que ensina a Antropologia.
Além disso, a mítica ilha de Moçambique, capital das possessões portuguesas da contra-costa africana até 1897, abrigou, em épocas diversas, dois dos maiores poetas da língua portuguesa — Luís de Camões (1524(?)-1580) e Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) —, além de ter sido visitada durante três dias por Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805) em 1786, e cantada, nos últimos tempos, por outros grandes poetas como Jorge de Sena (1919-1975), Rui Knopfli (1932), Alberto de Lacerda (1929), Virgílio de Lemos (1929) e Luís Carlos Patraquim (1953). Portanto, nascer na antiga Muipiti, dos macuas, à beira do Oceano Índico, constitui um compromisso com a sensibilidade, com a poesia.
Com todas essas ligações sentimentais, João Craveirinha não podia deixar de ser também homem sensível, o que já deixara claro em sua carreira como pintor, com obras que estiveram em exposição em várias cidades portuguesas, Maputo, Joanesburgo e Bruxelas, além do Principado de Andorra. Artista plástico, designer gráfico e de publicidade, ele foi também animador cultural e realizador de rádio e televisão em Moçambique e é cronista de vários jornais de Moçambique e de sites, como Zambezia On Line (http://www.zambezia.co.mz) , além de ativista político com participação em vários edições do Fórum Contra a Exclusão Social de Minorias e Sobre Cooperação e Desenvolvimento em Bruxelas, Estrasburgo e Luxemburgo, patrocinados pelo Parlamento Europeu e Comissão Européia na década de 1990.
Depois de publicar, em 2001, Moçambique Feitiços, Cobras e Lagartos, Craveirinha lança-se, em 2005, como romancista, ao dar à estampa Jezebela — O Charme Indiscreto dos Quarenta — Crônica de Uma Mulher, num ano em que colocou no mercado de uma só vez mais cinco livros: O Macaco Macacão e o Macaco Macaquinho e outros contos (literatura infantil); A Pessoa de Fernando Ignorou a África? (teatro); In Memorian de José Craveirinha — Um Poeta Nunca Morre (com CD); Crônicas da Aldeia Global; e Crônicas do Futebol no País da Marrabenta, todos pela Universitária Editora, de Lisboa.
Jezebela, que surpreende logo a partir da capa que reproduz a imagem de um nu feminino pintado pelo autor, é, nas palavras de seu criador, a crônica romanceada de uma africana moderna diante da globalização e da história comum de Portugal, Moçambique e Brasil, a uma época em que o mundo ocidental parece não compreender as outras culturas, especialmente a islâmica, o que tem precipitado o tão anunciado choque de civilizações.
Como observou no prefácio o poeta Calane da Silva, professor da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, Jezebela constitui uma maneira engenhosa que Craveirinha encontrou para unir num romance crônicas, palestras e entrevistas que deu em várias ocasiões à imprensa ou à televisão de Moçambique, discutindo aspectos sócio-históricos e da etno-história moçambicana. Assim, em vez de publicar mais um livro de crônicas, o autor preferiu abrir-se para uma nova experiência literária em que se sai muito bem porque o livro não perde a linguagem despretensiosa das crônicas e ainda ganha ritmo romanesco.
De fato, a história de amor de Jezebela Lopes Castanheira, nascida em Quelimane, filha de pai português e mãe africana, e crescida à beira do Minho, com Vanderley Jansen Caetano de Menezes, natural da Beira, do bairro crioulo da Manga Loforte, ao percorrer toda a narrativa, seduz com certa malícia o leitor que, ao mesmo tempo, quase sem sentir, vai adquirindo informações preciosas sobre a história de Moçambique, desde a época da colonização portuguesa, que, provavelmente, só encontraria se se dispusesse a ler os cartapácios de História, com suas extensas notas de rodapé.
Jezebela, divorciada, quarentona de porte atlético, mãe de Luana, passa a viver com Vanderley, formado em Psicologia, pai de um menino. Enquanto vivem a febre de amor dos primeiros anos, conversam, vêem a TV Miramar, de propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que retransmite os programas de Raul Gil e Netinho, da Rede Record, de São Paulo, sucessos de audiência no país, e lêem artigos do cronista João Craveirinha nos jornais.
Eis aqui um grande exercício de metalingüística, em que o autor aparece como protagonista de um romance escrito em terceira pessoa, a exemplo do que fez o argentino Ernesto Sábato (1911) em Abaddón El Exterminador (1975). Seus textos publicados anteriormente em outros veículos ou palestras dadas em instituições são discutidos por seus personagens, que freqüentemente se referem a eles com ironia e, às vezes, até desprezo, embora sempre haja quem também os aprove. “Então, Vander, gostaste da palestra de João Craveirinha? Pergunta Carol Mahamude. — Assim, assim. O fulano é um convencido. Julga que sabe muito. Um zarolho no meio de ceguetas...”, lê-se à página 97. “Não sejas invejoso, amor... eu gostei. Aprendi muito! Arremata Jezebela”, lê-se a seguir.
Como se vê, Jezebela é, antes de tudo, um romance de corte autobiográfico, com uma estrutura narrativa aparentemente fragmentária, que serve para o autor expor suas idéias sobre as questões suscitadas pela realidade multicultural do povo moçambicano, como os traumas transgeracionais deixados pela escravatura na Zambézia.
Diz Craveirinha, através de seu personagem Vanderley, que esses traumas deixaram em alguns complexos de inferioridade como fruto da herança servil colonial em relação ao europeu e mesmo ao goês ou indo-português. Noutros, diz, deixaram a superstição da crença em espíritos desencarnados e encarnados a cobrar dívidas passadas de tempos em que foram maltratados como escravos em determinada família de senhores de prazos brancos e mestiços e sinhás — donas negras e mestiças.
A luso-africana Jezebela convive num ambiente híbrido, multi-étnico e religioso em Moçambique e, depois, em Portugal. No fim da vida, regressa à terra de origem, voltando para Maputo, para viver sozinha, depois de pagar “um preço muito grande pela sua libertação e emancipação feminina”.
Já Vanderley, separado de Jezebela, recebe um convite para exercer psiquiatria clínica em Curitiba, onde conhece um novo amor, Alicia Mei Ling, moçambicana de origem chinesa, nascida em Lourenço Marques e crescida na Mafalala, refazendo-se, assim, o percurso da lusofonia.
Atam-se, dessa maneira, os laços com os remanescentes do êxodo sino-moçambicano que se deu com a descolonização em 1975 e retomou um périplo que começou com a fuga de chineses para Hong Kong, depois da luta entre nacionalistas e os comunistas de Mao Tse Tung, passando por Macau e Moçambique, até chegar, por fim, às cidades brasileiras de São Paulo e Curitiba.
Como se vê, Jezebela reúne personagens que quase nunca encontramos na literatura de língua portuguesa, embora, diariamente, deparemo-nos com elas nas ruas de nossas cidades. Por tudo isso, justifica-se atribuir a Craveirinha o mérito de ter escrito o romance da lusofonia.

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JEZEBELA — O CHARME INDISCRETO DOS QUARENTA/CRÓNICA DE UMA MULHER, de João Craveirinha. Lisboa, Editora Universitária, 248 págs, 2005. www.universitariaeditora.com
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* Doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: adelto@unisanta.br
O PRIMEIRO DE JANEIRO - 20.03.2006

10-03-2006

Momentos de Crise, O Paradigma Moçambicano E a Esperteza do “Desenrasca”

João Craveirinha
Introdução: MOMENTOS DE CRISE

* Um cachorrinho, perdido na selva, vê um leão correndo em sua direcção. Pensa rápido. Vê uns ossos no chão e põe-se a roê – los. Quando o leão está a ponto de atacá-lo, o cachorrinho diz: - Ah, que delícia este leão que acabo de comer! O leão pára bruscamente e foge apavorado do cachorrinho. No caminho vai pensando: "Que cachorro bravo! Por pouco não me come a mim também!" Um macaco, que viu a cena, vai atrás do leão e conta como ele tinha sido enganado. O leão, furioso, diz: -. Cachorro maldito! Vai – me pagar! !
O cachorrinho vê que o leão vem atrás dele de novo. Desta vez traz o macaco montado em suas costas. "Ah, macaco traidor!" O que faço agora?", pensa o cachorrinho. Em vez de sair a correr, fica de costas, roendo os ossos, como se não estivesse vendo nada. Quando o leão está a ponto de atacá-lo de novo, o cachorrinho diz em voz alta: -. "Macaco preguiçoso! Faz meia hora que lhe mandei trazer outro leão e ele ainda não voltou!" Claro que o leão recua e foge de novo enganado 2ª vez pelo cachorro.
Moral desta estorinha ou fábula antiga: * "HÁ MOMENTOS DE CRISE EXTREMA, EM QUE A ESPERTEZA COM ALGUMA SORTE, SUPERA O CONHECIMENTO".

Desenvolvimento: O PARADIGMA MOÇAMBICANO

Às vezes, do alto das suas prosopopeias, os Países Mais Desenvolvidos (doadores), são “enganados” pelos Países menos desenvolvidos – temos o caso de Moçambique e talvez de Portugal. É uma questão de esperteza ou simulação e “show – off” do País “pedinte” no exagero da sua real Pobreza! Aliás, o próprio ex. Ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Leonardo Simão, enfatizou (ainda ministro) que era necessário exagerar o estado da pobreza de Moçambique para colher maiores dividendos financeiros a fundo perdido. Daí a classificação de Moçambique de País mais pobre do Mundo. Tenham dó que exagero. É certo que haver mais desgraçados que nós, não é consolo por haver por outro lado, Países em melhores condições e há que trabalhar com inteligência e não esperteza, para diminuir o fosso existente não passando a vida “ a chorar” de mão estendida…”estou a pedir” como se assiste diariamente pelas ruas das cidades de Moçambique ou de Portugal. De facto o que mais falta faz a Moçambique é a CULTURA da EDUCAÇÃO e do AMOR à TERRA com DIGNIDADE motivando a todos no trabalho produtivo e honesto. Mas o exemplo terá em 1º lugar de vir de cima, dos dirigentes do Governo, dos Partidos, que se esqueceram que falam em nome do cidadão comum, Povão, que eles muitas das vezes desprezam se distanciando dos mesmos. Só se lembrando da sua existência em campanhas de propaganda eleitoral ou quando na oposição. A tão apregoada Sociedade Civil, por outro lado, sem muita margem de manobra, pressiona lentamente o Poder político, mas com interesses também de subsistência pessoal de muitos dos dirigentes das diversas associações, todas com “o moto” de DESENVOLVIMENTO sustentado, LIBERDADES e GARANTIAS, mas sempre em busca de doadores estrangeiros numa dependência crónica sem parcerias bilaterais reais. É mesmo um “caminho longe” a ser percorrido.

Conclusão: A ESPERTEZA DO “DESENRASCA”

Aplica-se também aos que, ardilosamente, com manha, astúcia, se assumem como doutos em certas matérias, como as de tentarem escrever, sem saberem escrever com um mínimo de sequência no enunciado de um determinado tema. Muitas das vezes, escribas ou escrevinhadores confusos, massacrando o idioma e a linguagem expressa (e o leitor), revelando um défice intelectual de raciocínio. No entanto como diz o aforismo ou anexim: …“ Na Terra dos cegos o zarolho é rei”…não acredito muito mas… acrescento todavia que dentro destes pressupostos nem a Electricidade de Cahora Bassa poderá iluminar o caminho a quem permanece na penumbra da jactância, pretendendo demonstrar o que desconhece. Mas lá vai enganando os mais distraídos recebendo algum “reconhecimento de (des) mérito (!?)” -, quiçá, tirando ainda dividendos e propagando ou “macaqueando” maledicências. Ah! …É este mundo ingrato das aparências, repleto de Chicos – Espertos como o cachorrinho da estória que se “desenrascou” com esperteza para sobreviver sem inteligência! Até os poderosos, tipo leões, são enganados, mesmo com macacos informadores! Quem te viu quem te vê! É isso aí! O que fazer? (Obviamente que também se aplica a Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné e S. Tomé e Príncipe, Timor, etc…e tal!).
É como diz um velho adágio inglês: -“Uma panela vazia faz mais barulho”. Por isso, por agora, para evitar comparações de ricochete, prefiro o silêncio, ficando-me por aqui! JC.

02-03-2006

Pertenço a um país…

Crónica de João Craveirinha
(re)Publicada em jornais de Moçambique
- Março 2006 -
(Pertenço a um país… parte 1/2)

Hoje não resisti à tentação de partilhar com os leitores uma reflexão do grande filósofo Brasileiro UBALDO e no próximo número adaptá-la, com a devida vénia, a Moçambique e a Portugal. Aprende-se sempre com os muito bons. (JC)

Leia em:

Download Ubaldo_JC.pdf

NOTA: Grato ao João Craveirinha por este texto
Fernando Gil

01-02-2006

COMBATE de MARRACUENE

crónica ilustrada em texto de João Craveirinha

«…Fambane Pambene va-Landííí – Nhimpííí…»Tradução: - «para a frente gente da terra – guerra – ataque» (Em Guaza Muthine, voz de comando do jovem príncipe Ronga, nuã-Matidjuana caZixaxa iMpfumo, chefe da revolta contra as forças coloniais Portuguesas saídas da cidade de Lourenço Marques (caMpfumo), na Terra dos Rongas em Moçambique, actual Província de Maputo).

As forças coloniais (militares portugueses e praças “indígenas” de Angola e da ilha de Moçambique), entrincheiradas num “Quadrado militar clássico”, conseguiram rechaçar os assaltos dos revoltosos Rongas que por duas vezes romperam o “Quadrado” com...

Veja o texto completo em

Download combate_de_marracuene_jc.doc

Nota: Texto sem fotos

JEZEBELA:

http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2005/04/jezebela.html

MOÇAMBIQUE Feitiços, cobras e lagartos

http://www.macua.org/livros/feiticos.html

16-01-2006

TEMPO DE MUDAR A CAPITAL DE MOÇAMBIQUE

Coluna DIALOGANDO

(1ª publicação em Maputo - 24 Jan. 2005 segunda - feira)

crónica de João Craveirinha

O Presidente da República Armando GUEBUZA e a Nova Legislatura, confirmados vencedores das últimas polémicas eleições, têm a árdua tarefa de manter a Unidade territorial geográfica Moçambicana no imaginário colectivo da mentalidade do cidadão a norte do rio Save.
Tendências "a la etarras separatistas Bascos de Espanha" em Moçambique, numa altura destas, é de se bradar aos Céus. Venham essas vozes étnico – separatistas do alagado e malárico Bairro da Munhava na cidade da Beira – Aruângua kuSena, venham de Maringoé, da Gorongosa, ou de Quelimane ou mais acima ou mais abaixo em Mambone (da feitiçaria) em Govuro – Inhambane; o facto é que o discurso da RENAMO de uma vez por todas terá de mudar pela positiva caso queira algum dia governar Moçambique. Não há dois Moçambiques e o País não pode parar. Todavia, em nossa opinião, a Nova Legislatura terá também de projectar a curto prazo uma solução visando estar mais perto do Centro e do Norte "fisicamente" –, isto é, provisoriamente por etapas avançar para a Mudança DEFINITIVA da Capital do País, "libertando" a cidade de Maputo/caMpfumo. É muito mais importante do que se julga. A questão de custos financeiro – económicos avultados, para essa mudança, não serve de base pois tarde ou cedo estará em causa a integridade geográfica face ao descontentamento em crescendo, das populações a norte do rio Save ao Lúrio e o preço a pagar poderá ser muito mais caro. Esse Projecto passaria por 3 fases:

01. Curto Prazo: De imediato mudar a Capital (Sede do Governo) para a Matola ou melhor ainda para as Mahotas – Albasine, potenciando o Desenvolvimento nessa direcção aliviando a pressão sobre a edilidade da Cidade de Maputo ou subalternização do respectivo Conselho Municipal perante o Governo Central em "choque" de competências.

02. Médio Prazo: Entretanto preparar-se-ia a cidade da Beira/Aruângua (corrigindo o nome) para ser a capital provisória de Moçambique dentro de UM ANO, esvaziando qualquer sentimento político de exclusão ou de antagonismo regionalista fomentado só o diabo sabe por quem para uma obtenção de poder político a todo o custo mesmo desgovernando o país sacrificando uma vez mais o POVO para além do limite. E que o Palácio da Ponta Vermelha seja um Museu Colonial da memória histórica Moçambicana, aberto ao público, rompendo os actuais senhores com a arrogância ou alienação axiomática, obsessiva, de fazer questão de ocupar o espaço físico luxuoso deixado dos antigos senhores do colonialismo. Que se construa outro Palácio de raiz noutro local se for o caso.

03. Longo Prazo: Mudar a Capital para a ZAMBÉZIA no Fim desta Legislatura que começa, conquistando definitivamente as gentes da Zambézia para o Desenvolvimento e fixação do jovem à sua Província na próxima Legislatura de 2010/2015 porque se a RENAMO alguma vez ganhar as eleições "nunca" colocará a Capital de Moçambique na Zambézia por falta de coragem em sair da Beira que considera sua "propriedade especial" porque "lutamos 16 anos". A FRELIMO dizia também ser "dona" de Moçambique porque "lutamos 10 anos" e deu no que deu.

O AUTARCA - 16.01.2006

17-12-2005

Sobre a CULTURA

Pensamento de João Craveirinha

A verdadeira Cultura não tem Partido Político porque ela própria –, “per si” – é um “Partido espontâneo de ideologia” social, saída da própria sociedade, evoluindo (ou involuindo) através do tempo. É por essa razão que não se inventa uma cultura popular. Somente os regimes de ditadura (como a que Moçambique teve), pretendem inventar uma (in)cultura para o Povo, destruindo a existente cultura urbana (em evolução rumo à modernidade), impondo muitas vezes contra – valores rurais medievais e retrógrados. Depois, chamam a isso de Cultura revolucionária. Na realidade, tratou-se de uma reacção contra – natura, isto é, atitude reaccionária no verdadeiro sentido da palavra.
JC – 16.12.2005.

11-09-2005

JOÃO CRAVEIRINHA LANÇA 3 LIVROS

CONVITE

A Universitária Editora de Lisboa , convida ao lançamento de 03 livros do cronista e pintor moçambicano, João Craveirinha, a ter lugar no Palácio Galveias em Lisboa, respectivamente nos dias 21, 28 Setembro e 6 de outubro 2005:
Palácio Galveias r/ch - Campo Pequeno Lisboa:
Livrocapapessoa_2 Dia 21 Setembro 2005 - 19.30 hrs - Teatro - E a Pessoa de Fernando Ignorou África? Quarta - feira
Jezebela_capa_1 Dia 28 Setembro 2005 - 19:30 hrs - Romance - Jezebela - O Charme Indiscreto dos Quarenta (Crónica de uma Mulher). Quarta - feira
Macaco_capa_1 Dia 06 Outubro 2005 - 19:30 hrs -Literatura Infantil - O Macaco Macaquinho e o Macaco Macacão (para colorir). Quinta - feira
Estes livros foram apresentados pelo autor na Suécia - Universidade de Estocolmo / Livraria Latina e na Alemanha - Frankfurte Livraria TFM / Universidade de Colónia, em Abril /Maio 2005
No Prelo : Um Poeta Nunca Morre - In Memoriam de José Craveirinha (crónicas familiares ilustradas) - Aspectos inéditos da Vida e Obra do Poeta  José Craveirinha - do nascimento à sua morte.
(A Universitária Editora de Lisboa tem sua filial no Espaço Coimbra na baixa Paulista - Brasil : http://www.universitariaeditora.com/editora/menuapoio/outras.htm )

21-08-2005

Correspondência de JC na internet sem revisão ortográfica

Devido ao seu grande interesse histórico-etno-linguístico, transcrevo:

Correspondência de JC na internet sem revisão ortográfica                    Enviado: 7/8/2005

(Correspondências online) – Resposta de João Craveirinha (JC) à  carta de um amigo investigador histórico…e molungo da Beira…

JMC escreveu:

Caro Amigo

grato pelas explicações a propósito de makwero.

Por acaso sabe-me dizer em que ano é que os britânicos conferiram o título
de "Sir" a Samora Machel?

Um abraço,

JMC…………………………………………………………………

(Resposta de JC) Meu caro JMC,

Essa do Samora Machel, SIR…é uma novidade para mim. Ainda se fosse ao Chissas...mas vou investigar...de facto algo me soou sobre isso na altura dele em vida…mas como a propaganda era rainha na altura…sempre duvidei… mas a ver vamos…

Post scriptum: A propósito ainda do prefixo MA nas palavras baNto (gente /pessoas)...

Regra geral, todas as palavras em "ki baNto" começadas em ma ou ama  são prefixos no plural (a esmagadora maioria das palavras da África Austral seguem esta regra)...ex. – em suázi e zulo : amassuáti ou amazulo = os suázis ou os

zulos...maShangaan, maRonga, maSena, máTsuá ( e vaTswa ou vaTsuá)... maNdao, maNguni, maShona, maChope, maGoerre, muMadji, xiColonhi (3 formas para português de Portugal)…os “brancos” nascidos em Moçambique tinham outro nome idiomático nativo (tipo código), face à influência (grosso modo) que tinham da África do Sul bóer em LM e influência da Rodésia os da Beira e Vila Pery…aliás como sabe

perfeitamente…ao que me refiro…

A norte do rio Zambeze em Moçambique o prefixo MA podia mudar para outro tipo de variação lexical do plural...face aos neologismos e arabismos adaptados... via suhaili…

No entanto mais correcto seria o prefixo Va / Ba plural de Mu (derivado de munto = pessoa = GENTE (baNto plural) como a si mesmos se intitulavam os africanos da África Central a Sul, antes da invasão europeia (mais significativa além da árabe)...o conceito de "branco /negro (amarelo), para a cor aproximada da

pele …não é conceito original africano (nem asiático)...deriva do preconceito eurocêntrico do mundo e da presunção de detentores da “luz branca divina superior” e do negro das trevas imerso na escuridão filho do diabo…e da maldição de Caim… "é uma "invenção" judaico - cristã - árabe, herdada pela Europa e introduzida e adaptada em África (e no mundo tbm), para justificar a escravatura como medida “profiláctica” de " trazer os cafres negros (selvagens - infiéis) das trevas da escuridão negra à Luz branca Divina do Deus comum de Abraão... por aproximação do mais claro se transformar em branco e o mais escuro em negro - preto...daí invocando uma legitimidade espiritual / religiosa (apesar de económica) de onde  surgiria o conceito antes do preconceito aos dias de hoje...base do racismo "dos mais claros"...no mundo inteiro…há séculos…é História e a crua realidade actual…só exorcizando esses fantasmas se alcança a fraternidade e sã convivência…não será negando como a avestruz…para bom entendedor não é necessária nenhuma palavra…eheheh…eheheh….ao contrário do aforismo da meia palavra (só nos pés como diz uma amiga minha, a meia)…ehehehe eheheh

Do termo árabe Bilad al Sudan (árabe)  daria a palavra Sudan / Sudão... provém de <: terra das trevas ou por outra ; terra dos negros...e a ela Omar sobrinho do profeta Mahome se teria referido , com desprezo, (após a morte de seu tio Profeta em 632 d.C) no início da Djiahde expansionista políticomilitar e económica em direcção à Índia 1º ): No entanto Mahome com algum carinho se teria referido ao maGribe / Magreb (a ocidente para os árabes – no norte de África ainda em poder dos vulgo negros) do maGribe ser uma das portas do Paraíso (na terra)...

O verdadeiro nome do Sudão anterior à invasão árabe era o reino da Núbia aliado  do reino de Memphis dos Faraós do antigo Egipto...

...não se confunda mo – Lungo com branco europeu ou mais claro…a palavra moLungo (mulungo) provém da palavra Deus (Grande Espírito) em kiBanto na África Central como no Kongo ou em Angola / e passou a querer dizer senhor e kuLunga algo positivo...xiLunguile = está muito bem…divinal….

Curioso o caso Moçambicano: - antes da chegada dos "senhores europeus, brancos", moLungos (senhores) -, eram os "reis e chefes" locais "negros"....mas estes ao serem dominados passaram a ser os brancos os "molungos de 1ª "...associando-se o termo à cor da pele muito mais clara dos colonos europeus....séculos mais tarde com a Independência em Moçambique a palavra regressou à origem...

Hoje em Moçambique moLungo  aplica-se a qualquer fulano com poder económico e ou político, independentemente de ser mais escuro ou mais claro...deixou de estar tão associada (de novo), à cor mais clara da pele do colono europeu da era colonial...a baixa de Maputo era chamada de xiLunguíne como  o local dos senhores e por analogia dos senhores brancos....em 1ª análise molungo nunca quis dizer somente "branco" mas –, senhor = master ...e como eram os brancos" então se fez "short cut" : - molungo = branco mas subentendendo-se o senhor = ruler, antes do prefixo MO or MU....singular masculino...ou indefinido para o feminino...como vê o racismo institucionalizado sempre teve remetente…o resto é mesmo preconceito eurocêntrico…

Bem meu caro por hoje é tudo.

Um abraço

JC

De: Joaode1

Enviado: 7/8/2005 01:17

Reenviado do LM /Maputo site retirado do

mocambiqueonline yahoo.groups

1 / 2 Correspondência de David Matsinhe do Canadá com João

Craveirinha sobre etno-História de Moçambique

"David M. Matsinhe" escreveu:
Dear JC,

Acho a sua resposta em si e interessante. E bem possivel que o Soshangana
tenha sido descendente de "ronga antiga", como sugeres. Tendo dito isso,
de adicionar que por mais que assim tenha sido, de 1500 a 1800 existe um
"time span" de 3 seculos durante os quais os tais decendentes de "ronga
antiga" evolveram em direccoes politicas, sociais, psiquicas,
linguísticas e culturais diferentes. Nao manteram intacta a identificacao

"original" dos seus supostos ancestros, os tais "rongas antigos" de

que falas.

Isto so em si da legitimade ao problema sociologico que coloco: os
conquistadores liderados pelo Soshangane, vindos da zona de Zululand,
traziam consigo uma lingua, habitos e costumes que nao eram Tsonga ou
Ronga. Como membros de "ruling class," de certeza que o seu tecido
cultural e linguistico viria ser real e de poder -- da elite. Como
evidencia houve fertilizacao da cultura e lingua dos vencidos e
dominados.
Houve Zuluficacao da cultura dos Tsongas, como o caso concreto de Ngiyana (aquela coroa preta na cabeca). Nao interessa se o Soshangana era ou nao Zulu. Sabe-se que na corte real ele, os filhos (Mzila e Mawewe) e o neto (Ngugunyana)praticavam o "habitus" Zulu (lingua, costumes e habitos
culturais semelhantes aos dos Zulus de Zulunad). Ngugunyana e um termo
Zulu e significa "pequeno rei" ou "xi-hosana" em Tsonga ou Ronga.
Soshangana (como Mzilikazi) era um comandante das forcas do Shaka. Ambos eram Zulus. Soshangana era Zulu de clan Mtetwa. Os povos que se
estabeleceram nos locais chamados Swaziland e Matabelaland (no actual
Zimbabwe) sao todos descendentes dos Zulus -- ou melhor, descendentes dos que actualmente sao conhecidos pro esse nome.

O interssante e que em Matabelaland e Swaziland as praticas, costumes,
atitudes, lingua, cultura -- o "habitus" no seu todo daqueles povos e
identico ao dos Zulus de Zulunad. Se o Soshangana e o povo que lederava
faziam parte do povo lidederado pelo Shaka em Zululand, como os
"settlers" de Matabelaland e Swaziland, porque e que o reino do Soshangana, reino dos filhos, e reino do seu neto Ngugunyana -- porque e que as 3 geracoes successivas do reino dos ivasores (Soshangane, Mzila/Mawewe e Ngugunyana) nao foram "successful" em implantar o habtus semelhante ao Zulu habitus tal como aconteceu em Matabelaland e Swaziland? Que estruturas sociais e psiquicas existiram entre os Tsongas por um lado, entre os invasores por outro lado, e entre os Tsongas e os invasores por mais outro lado que impediram esse processo no Sul de mocambique? Para mim esse e um problema sociologico interessante cuja resposta depende menos em saber se o Soshangana era ou nao descendente de ronga antiga. Ele, bem como os Zulus, era Nguni.

E uma resposta que nao se poder lograr sem explorar as dinamicas entre os
invasores/dominadores e os invadidos/dominados. E preciso explorar os
processos sociogeneticos e psycogeneticos das cortes reais: do
Soshangane, do Mzila/Mawewe e do Ngugunyana; os processos sociogeticos e psicogeneticos das cortes subordinadas (dos invadidos e vencidos) bem como as resultantes emocoes que atraiam ou repeliam o dominador. Existe desde a independencia uma tendencia de romantizar esta historia como se a invasão do Soshangane tivesse sido "an embrace of love" ou interpenetracao sensual amorosa entre amantes. Esquece-se que o abate e captura do Ngugunyana foi recebida com festejos entre os Tsongas e Rongas. Esquece-se que as guerras dos Zulus na Africa Asutral nos anos 1820s chamavam-se "mfekani" (em Zulu) ou "difekani" (em Tswana), o que significa "esmagamento" ou "the great crash." Isso involvedou sangue, dor, tristeza, estigma, vergonha e outras emocoes melancolicas que as 3 geracoes do reino dos invasores não conseguiram reprimir. Isto tem que ser investigado. Ideologia de libertacao foi importante e serviu os seus fins de libertacao. Agora precisamos de fazer producao e tratamento serios da historia.

1/2. De JC a DM

Caro David Matsinhe
a) Please, estude a etno História da Suazilandia e leia o meu livro sff:-
Moçambique - Feitiços, Cobras e Lagartos...e o Romance semi-Histórico JEZEBELA…

b) ...o ronga antigo ou arcaico deu origem ao zulo e suázi (inguni) e
Soshangana não entrou vitorioso em 1818 mas sim derrotado fugindo de
Tchaca Zulo depois deste ter derrotado Zuid...cujo general do exército era
o mesmo Soshangana....fugindo assim como seu parente Mzilikatsi que daria origem ao 2º Bulawayao (lugar da matança) em Zimbábue e aos
Matabeles..Lobengula etc...(sogro de Gungu dos muitos que teve)... a
saudação laudatória ou o xitocôzélo real dos suázis Dlamines
(De-Lhamines)...actuais verdadeiros iNgunis faz referencia à origem Ronga
-Tembe e a dos feiticeiros...e desde o sec. XVI ao actual...a tradição
nacional da recolha anual das ameijoas (tinbatsana) na Catembe para
cerimónias mágico espirituais no Palácio real suázi...por altura do
Inquaya suázi...com o sacrífico de um touro e de um jovem emolado na pega
desse touro...( a recolha das ameijoas na caTembe faz parte da tradição
ronga arcaica e actual) apesar da influencia dos vencedores zulos em serem
"iNgonhamas" – leões comedores de carne os suázis mantém desde o ano de 1500 as ameijoas mas continuam a rejeitar o peixe por ser "Inhoca" - cobra...

c) - (aliás uma das várias fontes foram os suázis a confirmarem e o ancião
Moçambicano Daniel Nconwana...(na altura ainda vivo) e guardião da biblioteca da Missão Suíça em Marracuene), mas sobre esta matéria leiam o
livro e depois conversamos melhor senão estou em redundâncias cansativas
que me remetem a 1997 quando iniciei como pioneiro em semanários em
Moçambique até hoje as crónicas históricas no Demos e fui melhorando com novas pesquisas e abordagens...A resposta está na História Suázi assim
como o termo depreciativo shangana (não era nome de grupo étnico) que
quer dizer escravo guerreiro de Soshangana tal qual os Atchicundas na
Zambézia...o foram dos prazeiros mestiços de negro-goeses e portugeses e
os Bongas de Tete até de chinês de Macau...dariam origem aos sipaios...(para mais precisão ver livro Jezebela do autor JC)

d) ...em Gaza a maioria da população era vaLengue vulgo chope antes da
invasão por Pongola de Soshangana e seu grupo fugindo de Tchaca...em
1818...nada a ver nesta fase com o iM'Fecane...guerra de terror...

e) Essa confusão sobre os zulos e ingunis (quer dizer os grandes) é uma
confusão dos cronistas coloniais europeus exceptuando um ou outro...face à
derrota com os mutetuas (izulos) terem adoptado alguns aspectos da cultura
que os derrotou (como o caso dos Moçambicanos que se assumem fanáticos
benfiquistas ou de outros clubes de Portugal por avassalamento da força
dos portuguesismos culturais....eheheheh eheheh...) é sociologia e
psicologia de massas...imita-se e adaptam-se costumes dos vencedores...e
pode acreditar que Portugal venceu em Moçambique está aí a prova nos
futebóis e na RTPÁfrica e a RDP em sinal aberto arrumando com a TVM e a RM
estatais...ehhehehe...isto é provocação mas tbm triste realidade....melhor
rir que chorar...com esta ingerência à soberania de Moçambique...enfim...era o mesmo que a TVE espanhola ou AL Jazeera árabe fosse autorizada em sinal aberto em Portugal...nem a RTPÁfrica tem sinal aberto em Portugal (as privadas TVi e a SIC não deixaram e houve falta de vontade política portuguesa)...Moçambique continua a ser a região onde se vê mais a RTPÁfrica devido ao sinal aberto...e idem para a Rádio RDPÁfrica...que não se sintoniza fora de Lisboa...enfim...Angola não autorizou só por antena parabólica...restam STP, GB e CV...em sinal abertos...

f) Voltando a Soshangana ele era iNduandue (ramo dos Dlamines e aparentado a Mzilikatse) e não Mutetua...Soshangana estava subordinado a Zuid e não a Dinguinssuaio que era Mutetua e protegeria Tchaca... Dinguissuaio viveu anos entre os Tembes e Mpfumos e portugueses na Catembe e caMpfumo e na cidadela de Lourenço Marques...Baía da Lagoa ou Delagoa Bay à inglesa...em meados do sec. XVIII ( 1750/70)...debaixo da protecção dos rongas...que ainda detinham algum poder...sobre a Baía e os europeus...

g) ...se o meu amigo David maTsinhe chegar à casa real dos Dlamines na
Suázilandia entre os anciãos e dizer que ..."ni uma ca Tembe la va ku
loia"...vão-lhe chamar de príncipe e dar-lhe honrarias...(sobretudo em
(Nlhati) iN- lhate inkulo) ao contrário se disser que é shangaan vão -lhe
desprezar por lhe considerar descendente de escravos de seus
antepassados...e insultar-lhe...

h) ...É preciso atenção --- se existe preconceito do lado europeu em relação
ao relato da etno história africana existirá também do lado africano face
à distorção dos vencedores das limpezas étnicas...e os vencidos ocultarão
a sua derrota adoptando atitudes de assimilação e integração...ainda que
distorcidas......todos assim o fizeram na história universal...uma questão
de sobrevivência psicológica...colectiva...

i) ...e-x. o caso dos indaos shangaans contra os vaLengue (chopes) na era
Gungunhana ...shangaans não representando a linhagem directa mas sim dos
avassalados e das mestiçagens inter étnicas por violação...neste caso
avassalados dos ingunis...

j) ...só para terminar os primeiros shanganas a sério foram os indao/shonas

avassalados por Soshangana em Sofala e mais tarde por uMuzila seu filho em Manica...razão pela qual se encontra sepultado em Udengo onde os da Renamo (de liderança maioritária indao/shona) faziam cerimónias em sua honra durante a guerra civil...os cerca de 100 mil indaos shangaans com Gungu a chefiá-los ao invadirem Gaza de maioria vaLengue na altura, arrasaram tudo à sua frente com o beneplácito das autoridades coloniais lusas...que no Sul do Save além dos rongas de Zixaxa e dos Mazuaias (Magaias) e antes de Amule e Hassan, pai, avô e bisavô de nuáMatibyana (maTidjuana desterrado nos Açores) respectivamente..

k) …dizia, os coloniais lusos temiam a bravura dos vaLengues e dividir para reinar deixaram os vaNdao de Gungunhana e os poucos e já velhos ingunis restantes de seu avô e pai fazerem o trabalho sujo de limpeza étnica culminando com o massacre de Binguane Mondlane (Mond-lhane) no seu Kokolo (sede) e a violação de suas cerca de 700 mulheres pelos guerreiros vaNdao de Gungunhana...na proporção de 1 muLengue para 10 indaos...em Mandla - inkazi...o processo de avassalamento ou de shanganização forçada dos vaLengue (chopes) teve início para sobreviver ...gerando ainda hoje muita confusão de identidade entre os clãs vaLengue dos Mondlanes (Macambanes), Massangos, Muguambes, Langas, Macuacuas, Nhantumbos, Macheles, Manaves, Zandamelas, etc..etc....uma das formas de avassalamento forçado era a cerimónia do iNquaya que consistia numa iniciação de jovens vaLengue (chopes) capturados em canibalismo ritual preparado com coração de criança e um touro...mas isto tudo está no meu livro...os indaos até hoje dançam o genuino iNquaya e não a adulterada maQuayela vinda da África do Sul com influências do "step" euro-afro - norte anmericano importado na década de 30 /40 pra a África do Sul através do cinema e introduzida em Gaza e caMpfumo nos anos 1950 pelos magaízas que vinham do Jone das minas do Rand...Os indaos terão sido dos primeiros em Sofala e Manica a praticarem a iniciação forçada do iNquaya na era de Soshangana e Muzila e continuada por Gungunhana.

L) Caro dDavid Matsinhe, Não se esqueça que o zulo e o suázi (inguni) provém do ronga arcaico e assim em espiral recuando no tempo....aos baCongos, baLubas e Hutus...na África Central...como aliás já citei...para isso a hermeuneutica baNto é auxiliar valioso na linguistica...sem contar com as análises ao sangue...culinária...danças...etc...hoje com os testes na
genética do ADN é mais fácil chegar lá...mas mesmo na década de 30 foram
feitos estudos comparativos do parentesco dos povos do Sul de Africa
...Moçambique incluído...

isto tudo conto nos meus livros...

m) Eu não pretendo entrar em debate sobre este tema ...leia o meu livro e
tire as suas ilações...não tenho mais disponibilidade e é uma perda de
tempo eu repetir o mesmo desde 1997 e descrito no livro fruto de muita
pesquisa e recordações de criança com os anciãos...aguardam-me 3 livros
que tenho entre mãos no PC...e entregá-los até Setembro um dos quais com
CD musical...e poemas épicos...sobre a nossa etno história...ao abrir
excepção a si acho que pequei pelo aspecto didáctico de querer transmitir
algo...ao contrário de muita gente que não fornece pistas grátis como o
fiz de boa fé...daí a ter de me remeter ao silêncio...pois os meus livros
assim me obrigam...sairam 3 livros este ano faltam mais 3...para prefazer
6...

n) Em achega: não existe isso de Tsonga...foi uma forma cómoda de "enlatar" todos dentro de um conceito étnocentrico...sobre a atribuição errada da origem dos nomes dos povos a sul de África consultar o livro sobre a
Educação em Moçambique do filósofo Moussam...e Prof. Universitário na
Suíça Severino iNGoenha (também Mondlane ...pronuncia-se mais ou menos Mond- Lhane)...não existe o som exacto em português...

o) ...mais...os Zulos não surgiram como um grupo étnico mas sim nome de um pequeno de clã de pastores entre os mu - Tétúas que se autodenominaram a si mesmos de filhos do céu ...Izulo originando ZULO...(em ronga arcaico e
actual diz-se Izuluine para se referir a celeste)...

p) A origem do shangaan - idioma hoje (antes dialecto) deriva da fusão do
ronga arcaico (inguni - suázi) com o xiLengue (chope) e indao de Manica e Sofala...não se esqueça que antes da invasão de Soshangana o termo shangaan não existia...mais tarde passou a ser insultuoso (como ainda o é entre os suázis ingunis)...mesmo os portugueses passaram a ser chamados de shangaans pelos velhos ingunis de Gungunhana (ver livro Africa de Antonio Enes) em que Sanches de Miranda no Caniçado - HLanguene - pede ao Comissário Régio que o exército português entre duro contra os cafres "vatuas (!?!)" de Gungunhana pois os cafres(selvagens) já diziam que os portugueses também eram machanganes deGungunhana (isto é vassalos - submetidos) ...pela passividade na expectativa...aguardando ordens de avanço...contra Chaimite...e o Gungunhana...

q) O nome ou alcunha iNgungunhana provem de gungunhar - ku gungunha (som onomatopaico)...pois segundo a tradição Gungu...quando miúdo em Manica /Zimbabué ele com o induco partia as bilhas dos súbditos do pai por
maldade...(leia o livro)...

r) Por hoje chega e não haverá mais...ehehehehe eheheh senão terão de me
pagar meus honorários...ehehehe ehehehe...pois estas aulas grátis me
cansam por serem repetitivas...e na net em directo pior cansam -me a
memória...em directo sem recorrer ás minhas fontes e apontamentos
...disponíveis...na minha modesta biblioteca...e sem revisão / correcção ortográfica…

So long,

Best regards...
JC

( p.s. 1/4 ) ...caro Matsinhe pergunte a seus avós de onde veio a palavra
Matsinhe...mesmo que não goste veio dos rongas Tembes...ehhehehe
hehehe...a palavra ronga não quer dizer gente ou tribo na origem mas sim
provem de vudjonga..poente onde nasce o sol...tal qual Lengue quer dizer
um ponto cardeal)....a origem dos nomes étnicos, apelidos de família,
provem de alcunhas ou títulos normalmente...e quase que é
universal...válido para África, Ásia, Oceânia, Ameríndia, Europa....é o
facto comum da Antropologia...por exemplo Tchaca vem de iTchaca =
escaravelho...do calendário muTétúa...

p.s 2/4 ) Desculpe meu caro, sem desfazer sua prosa, mas em relação a seu texto até
que me deu dor de cabeça pela embrulhada histórica ...e eu tentar
desemaranhar a teia toda embrulhada...confesso que desisti...

Como deve saber ...há séculos...os maTsinhe migraram da caTembe para Gaza e Inhambane (terra dos Nhambes)...e demonstraram ser bons conselheiros (kuTsinya) e de Tembes passaram para maTsinhes...isto anterior à existência dos Zulos como potência regional...provavelmente nos inícos do sec. XVIII quando os portugueses e outros europeus e mais tarde os
baleeiros norte-americanos prestavam ainda vassalagem ao rei Mpfumo e
Tembe na baía do Mpfumos ( reis)...está documentado...

p.s 3/4 ) ...Outra coisa Soshangana poupou os rongas por respeito à origem comum ancestral ...e seu filho uMuzila pediu ajuda em termos familiares ao rei ronga Mashakene Mpfumo na sua residência no local onde hoje é a Igreja Anglicana na av. 24 de Julho perto do ex MK actual "Franca"...

....como sabe os africanos tem por base espiritual a ancestrolatria...o
culto dos antepassados...e mesmo Gungunhana era aliado dos rongas por tal
acolheu Magaia e uãMatidjuane em Chicomo (Gaza), como refugiados políticos e não os entregou até ao último momento dando o pretexto a Mouzinho de Albuquerque e sua gente a avançarem contra Chaimite ao contrário de Antº Enes a caminho de Portugal no seu navio...que queria uma solução política e pacífica em princípio...

p.s 4/4 ) Uf...vaya faena...eehehehe... que trabalheira de resposta....e dor de
cabeça....over time mesmo...tenho de cobrar horas

extras...ehehehehe...eheheheh...se eu fosse americano quanto valia Mr Matsinhe? eehehehe heheheh I' am joking....
p.s, penso que correcto seu apelido seria Matsinha derivado de ..."la va
ku tsinya"...os que aconselham ou conselheiros...de Tsinha mais Ma
...Matsinha...bem não é importante....forget please...

Amanhã não há mais....tenho de voltar ao trabalho que não é pouco...

Best regards
JC (João Craveirinha)

....................................................................................

Última resposta de DM do Canadá a JC sobre etno-História

2/2 - David"David M. Matsinhe" <dmmatsin@ucalgary.ca> escreveu:

Estimado JC,

Claro que e cansativo ter que leccionar na net, particularmente quando se
trata de temas complicados como a historia da africa do sul que neste
momento encontra-se penumbrosa (it's fusy) para muitos de nos. Sou o
primeiro a admitir que my knowledge desta historia is very poor. Procurei
fontes ricos de que podia me beneficiar. Mas muitos deles sao inadequados.
This exchange is helpful porque tenho muitos gaps por preencher.
So I
apprecite your time and effort to let your knowledge flow on our computer
monitors. As an act of recognition and appreciation of your dedication to
escavate our history I'll buy ALL, and I mean ALL, your books. I'll buy
them also because I value knowlwdge. So thanks JC. The exchange was
fruitful. It may have been annoying to you. But trust me when I say it was
fruitful not only for me, I think, but also for many of us who bother to
read what's posted in mocambiqueonline. I wish you the best in your
research projects. Buy the way, whenever you happen to pass through

Canada


please let me know. And do you mind adding me to your mailing list, if you
have one? Finally, I will not quote you, as you wish, and I will not
plegiarise. Trust me. I take these things seriously myself. When I cite
I'll do so from your books.
And I'll do it strictly apropriately.

Regards,
David

2 / 2 – última Resposta de JC a DM do Canadá…

Meu caro David Matsinhe,

Caro e ilustre David Matsinhe uá Tembe, la va ku Tsinya (ma - Tsinya), la va ku loya (linhagem dos Tembes feiticeiros do princípe Ingoanaze a uã Djikiza),

Grato pelas suas inquietações online, sempre que as vejo de boa fé tento contribuir no que posso face às nossas trevas no ensino da nossa própria História ...antes e depois utilizadas para fins de "preconceitos" políticos dos regimes no Poder quer colonial quer nacional...

...Sem dúvida seu contacto encontra-se no meu email list desde a sua 1ª abordagem...e Canada (Toronto e Vancouver e agora Calgary...eehhe, estão no meu roteiro de viagem)...talvez next year...

Sabe, o esforço de memória apesar de não ser 100% é sempre compensado porque na transmissão de algum conhecimento alguma coisa fica e esse esforço me põe bem comigo mesmo por ter deixado pistas a outros que investiguem melhor e com condições que não tive...simplesmente fruto de meu interesse herança genética de meu pai que foi professor particular de muita gente para auto-financiar seus próprios estudos... além de dar aulas ao próprio irmão que se tornaria poeta e jornalista laureado muitos anos e anos mais tarde...

Bem hajam os David's Matsinhes que pela sua "fome" de conhecimento das nossas origens  um dia irão trazer  mais luz às trevas que nos foram impostas por designios para não nos conhecermos pois em realidade somos todos em Moçambique uma grande família alargada de costas voltadas muitas vezes...e isso deve-se às guerras étnicas do Império de Gaza e dos Prazos do rio Zambeze, duas grandes guerras coloniais, de revoltas e mesmo da primeira guerra mundial ( do rio Rovuma ao rio Zambeze)...., cujos up and down's andaram a forçar mestiçagens inter étnicas baNtos e mesmo em alguns casos com gente de Angola, Cabo Verde, S.Tomé e  da Guiné Bissao para Moçambique sem contar com o contributo genético indiano de Goa e Europeu e Chinês e ainda vulgo mulatos do Brasil (em xi sena bebida alcoólica tbm se dizia catchaço trazida no rio Zambeze por esses ditos mulatos do Brasil)...e os Senas quiçá até podem reclamar no seu AdN sangue indonésio há cerca de 1000 anos...e malaio (?!) em Inhambane...sem contar o etíope do tempo de Bilkis rainha de Sabá (Ophir!?) do tempo de Salomão do Templo de Jerusalem e ainda sangue judeu (no povo original da Gorongosa), romano e árabe em Sofala e toda a costa norte da Quionga suhaili a Inhambane Cêu / Linga Linga das Baleias...ehehehhe...isto tudo um super melting pot sem contar com a primeira guerra civil Frel / Rena de 16 anos que misturaria o super misturado...AdN Moçambicano...com muito suor , sangue e lágrimas ainda hoje traumas não cicatrizados...por falta de acompanhamento psicológico a traumas de guerra e genocídio...O Acordo de Roma "escondeu debaixo do tapete"... e esses "Milandos de Um Sonho" um dia revelarão de ambos os lados o que realmente se passou...para além das propagandas...(me perdoe a boleia do título do livro de meu amigo Bassani Adamogí de Sofala / Beira / Maputo e Lisboa)....

..mas isso já demais para seguir online...

Best regards, Mr David Matsinhe, my country fellow,

João Craveirinha – JC

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Caro Fergil,

Para agitar teu sensaborão final de domingo te reenvio (já com ordem cronológica), a minha Correspondência na net que anda por aí circulando sobre a ignorada Etno – História de Moçambique que vim a saber e para tua informação que neste momento sou considerado em Moçambique (nos meios académicos), como um dos especialistas Moçambicanos da Etno – História. Se isso me desse dinheiro estava milionário.

Já me tem pedido a reprodução de meus textos “vadios na internet” e às vezes não. Caso queiras utilizá-lo agradecia sem cortes ou amputações pois retiraria o sentido da fonte e cronologia da troca de correspondência que julgo ser útil aos possíveis leitores já de si mesmo muitos deles confusos. (A carapuça que sirva a quem a merecê-la). Mas é um risco sempre a correr. Neste caso por ser reprodução não posso intervir a replicar nada de nada. Não tenho tempo nem pachorra. “Aulas grátis online” e ainda refilanços? Porca miséria e mundo ingrato! Ehhehhh, ehehehehhh! JC.

NOTA: Mais uma vez grato ao João Craveirinha. Um abraço e obrigado

Fernando Gil

25-05-2005

Achega ao [mocambiqueonline] Final de domingo Encarnado (1/2)

CRÓNICA excepcional

Por João Craveirinha – de Estocolmo, Suécia

joaocraveirinha@yahoo.com.br

Achega ao [mocambiqueonline] Final de domingo Encarnado (1/2)

Caros compatriotas Moçambicanos (alguns serão mesmo?).

Normalmente não participo ou escrevo em grupos on-line. Só observo e tiro ilações próprias como parte de meu enriquecimento de pesquisa e de estudo histórico – sociológico e de Psicologia de massas sobre alienação nos new Mozambican times…e também não entro em diálogo directo para evitar abusos de confiança e de falta de respeito pela parte de alguns leitores (poucos), quiçá, menos esclarecidos em termos de leitura e interpretação de contextos metafóricos ou simbólicos (e de silogismos), heranças de uma escolaridade deficiente desde a raiz Primária à Universidade. Meu contributo pretende sempre ser didáctico e muito menos conflituoso daí o distanciamento.

Encontro -me em regresso da Suécia e Alemanha via Dinamarca e Holanda – onde andei por 1 mês e algo em gira literária (divulgação de meus 3 livros + 1 e proferindo aulas/palestras em Universidades, etc.), exaustivo mas gratificante –... Todavia, quando podia, mesmo com atraso, consultava os emails e lá ia acompanhando o que os mais novos cidadãos “moussas”(de Mussa), debatiam na minha / nossa Terra...e com alguma tristeza de amiúde devido à alienação cultural com que muitos assuntos são debatidos, em particular ao dos Futebóis – aliás, um dos temas de um dos meus livros na forja intitulado “ Crónicas do Futebol do País da m’Arrabenta”, abordando a origem da alienação colonial nos Futebóis remontando precisamente ao colonialismo na génese da origem dos clubes desportivos portugueses em Moçambique, (re)criados com saudosismo da Metrópole colonial, mas também, com intenção política de “consolidar o portuguesismo no negro”, alienando o moçambicano até à medula do seu subconsciente, esvaziando-o da sua capacidade de “auto-construir” valores de uma dignidade africana baseada na sua auto estima da condição de SER um cidadão independente sem recorrência a referências coloniais ou a ismos desse passado / presente alienatório, sempre presente, aquando de uma “fé pseudo clubista portuguesa ou imitadora servil”, revelando um portuguesismo (mais português que o dos próprios portugueses indígenas de Portugal), de “arrepiar nos seu túmulos intemporais” os construtores do proto - nacionalismo Moçambicano a começar pelos irmãos João e José Albasine e Estácio Dias, o popular ZAGUETA o maior líder desportista eclético e dançarino Moçambicano de nome real José Paixão, criador da m’Arrebenta na sua forma moderna de dançar (sub)urbana). No rol incluiríamos o carismático advogado Karel Pott (sem esquecer José Craveirinha, Noémia de Sousa e Kalungano à posteriori) e muito mais tarde Luís Bernardo Honuana –, pois seriam eles na sua conduta em pleno colonialismo português, os despertadores da consciência política através da CULTURA em que os Futebóis por exerceram uma magia nas massas sem massas, quer alimentícias, quer financeiras, seriam conduzidas para uma submissão total inconsciente através da alienação cultural total, esvaziando essa identidade nacional embrionária, fomentando um complexo colonial de inferioridade, pelos vistos aos dias de hoje.

Na A.F.A (Associação de Futebol Africana), entre 1920 a 1960, dos subúrbios quer de LM ou em SOFALA, os africanos se organizariam em Clubes de Futebol de marcada intenção nacionalista Moçambicana e contra o racismo português de discriminação também desportiva no início, excepção feita em 1917, aos Vermelhos depois 1º de Maio de LM, fundada por operários ferroviários portugueses desterrados. No entanto, em alguns clubes de não “brancos”, surgiriam certas discriminações por categorias étnicas ou de origem familiares, fomentadas pelos portugueses coloniais, como forma alienatória de enfraquecer a consciência política entre os Moçambicanos…isto no tempo de nossos Pais e Avós.

O ditador português, António de Oliveira Salazar e Francisco Franco de Espanha, na década de 1950, quando queriam esvaziar o conteúdo de uma pré – mobilizada e descoberta manifestação popular anti – fascista em Portugal (Jamor - Lisboa), organizavam um match de Futebol, Portugal – Espanha (do tempo de Matateu e de Travassos) …desviando do cidadão lusitano o mais importante – o desafio aos regimes autocráticos e monopartidários ibéricos. A propósito e em conformidade, em Portugal nessa altura, seria lançada em tom jocoso a tetralogia dos 4 éfes (3 tragédias e uma comédia?), com que Portugal dominava e mantinha na “ignorância” o povo português no seu imaginário colectivo e por acréscimo o das colónias em África.

1º F: Fátima (a religião e correlacionada a superstição dos milagres e da aceitação da situação política) – 2º F (Fado – a cultura popular do culto da mágoa, tristeza, mantendo a apatia) – 3º F – tenho a decência de não escrever por extenso mas sugiro… trata-se (da F. d . ou prostituição para “descarga” do ego -machista do homem) – 4º F – o FUTEBOL ou melhor “Panem et Circenses” – Pão e Espectáculos de Circo como escreveu indignado Juvenal na antiga Roma, criticando a decadência dos romanos que só pediam Pão e Espectáculos de Circo caindo em total alienação do espírito. (Continua)…

Achega ao [mocambiqueonline] Final de domingo Encarnado (2/2)

Em 2005 Maio, os fantasmas de Franco e Salazar, acantonaram em Moçambique e Angola, Cabo Verde, St. Tomé & Príncipe e Guiné B.) … Os seus xipócues (Salazar e Franco), sorriem felizes do inferno pois o colonialismo ideológico continua latente e desperta com os campeões do Futebol português sejam o Benfica, Sporting, Portos e quejandos não encontrando essa vibração nos clubes de Futebol nacionais africanos. Não é por acaso que os saites portugueses (hiper satisfeitos), dão destaque a esta explosão de “portuguesismo” dos Moçambicanos em Maputo a propósito da vitória do Benfica de Lisboa em Portugal.

18-04-2005

João Craveirinha

Joaocraveirinha TRIBUNA(Correio da manhã - Maputo) e

DIALOGANDO(O Autarca da Beira)

João Craveirinha

joaocraveirinha@yahoo.com.br

O Pintor –, e Cronista desta coluna, irá suspender a sua colaboração regular neste jornal, até ao primeiro trimestre de 2006, devido a uma agenda carregada de compromissos profissionais em Universidades Europeias, apresentação de seus Livros no Norte da Europa, Portugal, Brasil e África até ao fim do ano de 2005. Existe ainda o encargo assumido de entregar à sua nova editora (até Julho 2005), mais 3 Livros (do total de 6), a saber: 4º. Um Poeta Nunca Morre – in memoriam com CD musical; 5º. Crónicas da Aldeia Global; 6º. Crónicas dos Futebóis do País da Marrabenta.

Os 3 primeiros livros deste grupo encontram-se actualmente nas bancas em Portugal, Brasil e na Alemanha: - 1º. Teatro musicado – E a Pessoa de Fernando Ignorou África? Formato A5, 56 Páginas; 2º. Romance JEZEBELA – O Charme Indiscreto dos Quarenta (ilustrado). Prefácio do Poeta Moçambicano e Prof. Universitário, Calane da Silva – A5, 248 páginas; 3º. Literatura Infantil Ilustrada para colorir – O Macaco Macaquinho, o Macaco Macacão com Prefácio do agente literário Alemão, Guenter Wiedenhoefer – Formato A4, 56 Páginas.

O agradecimento do cronista aos leitores pelo interesse dispensado a seus textos. Em agenda ainda a preparação de uma Exposição de Pintura para 2005 / 2006. Até à próxima. (P.S. – Post scriptum: Todavia no ZOL – Zambézia On Line, http://www.zambezia.co.mz/ , poderão encontrar suas crónicas periódicas.) JC.

17-04-2005

JEZEBELA

Já nas livrarias de Portugal, com a chancela da Universitária Editora, e autoria de João Craveirinha.

– Percurso actual (ficcionado) por Moçambique, Portugal (Lisboa) e Brasil (Curitiba), através de uma crioula euro – africana de Moçambique (JEZEBELA), natural de Quelimane e de infância e adolescência vividas em Portugal (Minho)...O triângulo cidades de Tete, Quelimane, Nampula em destaque. (Cidades de Maputo, Inhambane, Beira e ilhas de São Tomé e Príncipe de relance). Ficcionado do presente com abordagens da História do Vale do Rio Zambeze dos Prazeiros e Guerras da Zambézia. Das Feitorias europeias à invasão alemã a Moçambique na 1ª Grande Guerra Mundial. “Flashes” a nomes de famílias da actualidade...com um toque esotérico no final. Prefácio pelo Poeta Moçambicano e Professor Universitário, Calane da Silva.

248 Páginas – Formato A5… capa a cores pintura do autor. Livro a ser apresentado no Norte da Europa, Portugal, África e Brasil durante 2005. Editado pela www.universitariaeditora.com de Lisboa.

Jezebela_capa

O MACACO macaquinho, o MACACO MACACÃO

Já nas livrarias de Portugal, com a chancela da Universitária Editora, e autoria de João Craveirinha.

LITERATURA INFANTIL MODERNA, apesar de baseada na tradição oral baNto de Moçambique é um Livro abrangente para crianças, jovens e adultos, terminando sempre com uma MORAL da “Estória”. Contém alguma influência das Fábulas do Poeta Francês, La Fontaine e do Inglês George Orwell. Ilustrado com desenhos (do autor), para colorir a lápis de cor...56 páginas...Formato A4… capa a cores. Prefácio pelo agente literário Alemão, Gunter Wieden -hoefer. Livro a ser apresentado no Norte da Europa, Portugal, África e Brasil durante 2005. Editado pela www.universitariaeditora.com de Lisboa.

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E a Pessoa de Fernando Ignorou África?

Já nas livrarias de Portugal, com a chancela da Universitária Editora, e autoria de João Craveirinha.

Normalmente os artistas plásticos inspiram-se em obras literárias. João Craveirinha, neste Livro para Teatro, inspirou -se numa pintura sua em tela, de 1.20m x 90cm, feita em 1990 / 91 e exposta pela primeira em 1992, na Galeria da SPA, Sociedade Portuguesa de Autores em Lisboa. O tema deste LIVRO (e Pintura), está relacionado com o facto do poeta luso, FERNANDO PESSOA, ter vivido na África do Sul, mais concretamente em Durban – Natal e nunca ter transparecido esse aspecto nas suas memórias de adolescente, em terras do antigo Império Zulo de Shaka a Cet-shuaio, passando por Dingane, antigos soberanos da orgulhosa e temida estirpe dos filhos do céu – Izulo – como a si próprios se intitulavam. Outra personagem principal no Livro, é a consciência colectiva de África, simbolizada pelo espírito azul de uma Princesa suázi / ronga, rodeada de bailado esotérico. Imagens em cadeia vão passando pelo imaginário da Peça Teatral desde Bartolomeu Dias ao Estado Novo e à 2ª Grande Guerra Mundial, passando pelo 5º Império das Descobertas Portuguesas, à Globalização dos nossos dias, sem esquecer Nelson Mandela, Patriarca Africano da Fraternidade Universal. Livro de Formato A4, 56 páginas. A ser apresentado no Norte da Europa, Portugal, África e Brasil durante 2005. Editado pela www.universitariaeditora.com de Lisboa.

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12-04-2005

Há coisas que mentem

por João Craveirinha

é – ki – na,   ki – nimôtérría

(tradução do êmácúa padrão: há coisas que mentem)

Lêmos estupefactos a notícia no jornal Vertical do dia 11.04.05 nº 798 de segunda-feira: - … “Deputadas da RUE recusam flores – (Maputo) As mulheres da bancada parlamentar da Renamo – União Eleitoral (RUE) na Assembleia da República (AR), num gesto condenável e sem justificação plausível, recusaram na semana passada flores oferecidas pelo Presidente da Assembleia da República (PAR), Eduardo Mulémbwè por ocasião de 7 de Abril, dia da Mulher Moçambicana, comemorado na última quinta-feira”...

Segundo ainda a mesma fonte (Arménia Mucavele) o Lanche comemorativo em Homenagem às senhoras deputadas da AR, simbolicamente representando a Mulher Moçambicana, também seria “manchada” pela ausência das mesmas senhoras da RENAMO. Mais adiante o jornal / fax Vertical informa: - …” Questionámos à chefe da RUE, Maria Moreno sobre as razões da recusa do presente, tendo respondido que não está contra a ideia de existir um dia dedicado à Mulher Moçambicana: “só que o dia da mulher não devia ser no dia em que morreu Josina Machel”, acrescentando que “heróis (ou seria heroínas?) não são só aquelas que combateram para a independência de Moçambique. Há outras e várias mulheres que foram aniquiladas e que também combateram para a independência, a Joana Simeão por exemplo.” Para Moreno, “deve-se incluir outras lutadoras como heroínas e mesmo as que lutaram para a democracia”.

É de se perguntar às nossas “super democratas de hoje” – de 1962 a 1975 de que lado se encontravam quando as Josinas Mutembas (Machel) combatiam?

Sobre “aniquilação” se entramos por aí a RENAMO terá muito que justificar em termos de atrocidades em tempo de guerra cometidas contra as populações que dizia defender…”which between 1975 and 1992 maintained a bloody insurrection against the central government. An estimated 1 million Mozambicans lost their lives to that war, and many of these deaths were truly atrocious. Torture, mutilation, sex-slavery, forced relocations, forced starvation, and enslavement were just some of the means that Renamo used in its warmaking. Renamo was generously backed by South Africa's apartheid regime – and also got some help from the Reagan administration”- in Helena Cobban - The Christian Science Monitor, February 14, 2002, USA.(http://www.people.virginia.edu/~hc3z/Hague-Milosevic.html). Esta citação foi retirada de revista Cristã Americana estimando em 1 milhão as vítimas da guerra e se refere aos métodos da RENAMO como atrozes utilizando Tortura, Mutilação, Escravatura – Sexual, Deslocados à Força, Morte por Jejum Forçado e Escravatura como “Estilo” de guerra.

Da FRELIMO já todos presumimos saber. Não é por acaso que nos Acordos de Roma se “perdoaram mutuamente”, a RENAMO e a FRELIMO, passando uma esponja sobre as ATROCIDADES …” Both sides agreed to a blanket amnesty for all acts committed during the war”... Melhor não irmos por aí senão ainda sobra mais para a RENAMO comparada aos Khemers vermelhos do Cambodja por observadores imparciais e Internacionais dos Direitos Humanos. Sem esquecermos Slobodan Milosevic da ex – Jugoslávia detido por crimes de guerra.

Já é tempo de deixaram de evocar em vão o nome da “coitada” da Joana Simeão a torto e a direito por pessoas ressentidas com a Independência resultante da Luta Armada conduzida pela FRELIMO. Por vontade delas, Moçambique, continuaria a ser colónia de Portugal. O cronista desta coluna está à vontade para assim dizer porque é Independente e não precisa de agradar a nenhum grupo político.

A intervenção citada no Vertical é rematada com uma afirmação no mínimo demagógica: - …” Quanto às flores, Moreno sublinhou que preferia que no lugar de recebê-las, “o dinheiro usado para a compra das mesmas fosse revertido para compra do leite para as 11 crianças filhas de mães reclusas no Centro Prisional de Dhlavela”. Se há uma preocupação muito grande com as mães – reclusas (o que é legítimo), já agora, que passem a doar os seus salários de Deputadas às desfavorecidas a começar pelas mães -reclusas do Centro Prisional de Dhlavela com quem se solidarizam.

De um ponto de vista de CORTESIA, CULTURA e de CIVISMO DEMOCRÁTICO, no mínimo, as senhoras da bancada da RENAMO deveriam ter aceite as flores como senhoras que são, introduzindo à posteriori as suas agendas políticas de nihilismo negando tudo relacionado com a Independência aliás apanágio da RENAMO na AR, misturando “alhos com bugalhos”. Não se compreende o que faz a RENAMO na Assembleia da República. Coerência seria não participar na AR assumindo o seu ressentimento abertamente. É mesmo para se dizer `”é – ki – na, ki-nimôtérría: há coisas ou atitudes que enganam”. (FIM) (João Craveirinha é cronista do ZOL http://www.zambezia.co.mz/, Correio da manhã de Maputo, O Autarca da Beira (Moçambique) e republicado no blog Macua – Portugal, no novo Pravda – Rússia e Brazilian News - Inglaterra)

07-04-2005

Memento, Homo, Quia Pulvis Es

João Craveirinha

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

…Et in Pulverem Reverteris. Tradução livre do Latim clássico: “Lembra-te, Homem, que és Pó e em Pó te transformarás”. Esta máxima tem a ver com o tema de hoje sobre DEUS. Deus no conceito cosmogónico da criação dos Mundos que gera vida...do Átomo – porção mais pequena da matéria – Protão (positivo), Electrão a “Mãe” que liga os átomos nas moléculas –, os “filhotes” átomos Neutros. Na Célula – unidade que dá forma aos corpos dos seres vivos. Na Fotossíntese – processo de equilíbrio ambiental através da LUZ SOLAR incidindo no verde das plantas na absorção do dióxido de carbono (tóxico) e libertação de oxigénio na Natureza – a Clorofilina. E temos os Aminoácidos, simplificando diríamos – ácidos orgânicos da natureza em “fermentação” numa reciclagem constante em círculo vicioso. As explosões das Estrelas supernovas no Espaço, criadoras de Sois e do nosso SOL que nos ilumina o dia e nos dá Calor, Amor, Vida, através da junção Ying (feminino) + Yang (masculino), forças da essência da VIDA segundo a Filosofia Chinesa ou “Electron, Proton, Neutron”, feminino, masculino e “filho”. A unidade dos contrários que se complementam…a TRINDADE: CALOR = AMOR = VIDA. Despertando os seres vivos na Primavera para a procriação através da sexualidade continuando essa busca permanente entre os seres Humanos…muitas vezes em descontrolo “forçados” pela chama que queima dentro do instinto…essa força Cósmica que nos faz impelir para a “Vida” em desequilíbrio muitas vezes devido à “avidez” e busca desse “flash” fugaz de prazer sem Paz que sobrevêm depois do acto sexual…No entanto pleno de Harmonia quando em sintonia.

…A Lua que “controla” as marés, os ciclos periódicos femininos da fertilidade (4 fases lunares x 7 dias da semana). A Lua que “manipula” as mentes dos mentalmente mais sensíveis num processo de reflexão indirecta da Luz Solar em “segunda mão”. Mas apesar de todo este ciclo de Vida ao nosso redor, nem reparamos nela, porque não paramos para pensar na Vida como um TODO por nos esquecermos do essencial – DEUS – no sentido de uma HUMANIDADE em EQUILÍBRIO com a Natureza Superior dos átomos de cada corpo físico e psíquico, num Hino à VIDA. O nosso corpo é o nosso TEMPLO Sagrado que devíamos manter limpos por fora e por dentro com o que ingerimos e pensamos. Se olharmos, do alto de uma Montanha para a Natureza muito abaixo de nós e para o Céu Cósmico Infinito muito acima, verificamos o quanto pequeníssimos e mesquinhos somos na ambição de ter muito mais do que os outros sem mérito próprio, porque terá faltado o ESPÍRITO Humano de Solidariedade e prevaleceu a Cobiça e a Avareza. (FIM)

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Hoje para variar há uma visita neste espaço do Jornal. Trata-se do convidado Isaac BIGIO com um tema muito actual.

por Isaac Bigio

Terri: Terrível Final

Pobre Terri. Depois de ter sua morte cerebral declarada, seu corpo foi motivo de uma guerra noticiada na maior parte dos jornais do planeta. Ao morrer fisicamente, seu corpo não descansa em paz, ainda haverá a autópsia que deve dar segmento às disputas.       Terri foi um campo de batalha entre dois grupos. De um lado, os liberais, que defendem o direito de cada mãe de decidir sobre a vida de um feto indesejado ou de uma pessoa que não tem cura a seguir vivendo em estado vegetativo. No outro lado, estão os conservadores religiosos cuja oposição ao aborto e a eutanásia pretende evitar o triunfo de alguns candidatos liberais – como Kerry. Bush politiza o caso insistindo para que os contrários à eutanásia sigam ‘trabalhando em favor da vida’. Muitos de seus seguidores qualificam a morte de Terri como um assassinato, porém, apoiam os bombardeios que a potência tem feito sobre milhares de crianças e indefesos no Iraque, Afeganistão, Indochina, incluindo as bombas atómicas contra civis japoneses há 60 anos.

In blog Revista Amanhã nº 207 Janeiro / Fevereiro -http://amanha.terra.com.br/secoes/bigio/20050331.asp

Isaac Bigio é analista internacional. Foi professor de política brasileira e latino – americana na London School of Economics. Tem uma coluna diária no jornal Correo, o diário em espanhol de maior circulação no hemisfério sul, e escreve para dezenas de meios de comunicação dos cinco continentes. Link: www.bigio.org  Ler mais crónicas suas nos saites –http://www.bigio.org/seccion.asp?IDSeccion=75 e http://amanha.terra.com.br/secoes/bigio/todas.asp

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 07.04.2005

04-04-2005

A NETA do POETA e a HUMILDADE que MIA

João Craveirinha

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

Era uma vez no País do Deixa Andar. O ano de 2003, gatinhava pachorrentamente no entrar do novo ano. Um início pesado e dramático para a família de um Poeta. A Neta desse Poeta é estudante universitária numa Faculdade local.

Em homenagem ao Poeta, é atribuído o seu nome à Biblioteca de uma Escola Portuguesa, com certeza.

Quatro paredes caiadas, um cheirinho a maresia…

É com certeza, uma Escola Portuguesa! (Aí fadista!).

Na cerimónia inaugural, eis quando senão, ao canto da sala discretamente, um Gato de botas altas (pouco limpas), sussurra algo à Neta do Poeta com uma Humildade que Mia. No final todos de acordo. Afinal o que miara o Gato das botas altas? Muito simplesmente e tardiamente, pedira desculpas à Neta do Poeta pela arrogância cometida durante uma das aulas da Faculdade em que leccionava como Monitor. O assunto –, ofensa ao Avô da Neta do Poeta. Melhor mesmo começarmos do início. Recuemos talvez a 2001 ou 2000. O Gato das botas altas na Terra dos Zarolhos – nem todos mas porém – Professor assistente da Neta do Poeta ao saber da ligação familiar desta com o laureado teria dito numa aula em bom som: -. “Esse (o Poeta) já era!”…

Hirta, muda, paralisada, reage tremendo de indignação, amarfanhada, humilhada, vertendo lágrimas chega a casa que partilha paredes-meias, com o Avô Poeta, numa casa Moçambicana com certeza. O Pai preocupado e o Avô (ainda em condições

físicas assim, assim), indagando da causa das lágrimas, viria a resposta:

-. Ouvi que o Avô já era!... Bem, já era, presumimos, no sentido de estar ultrapassado, acabado, velho…Rei morto, Rei posto…Mas, Ah! …”Gennus Irritabile Vatum”… Essa Raça Irritável dos Poetas.

E cada Poeta é duas Raças dicotómicas – uma Calma outra Irritável. É só provocarem. O Avô da Neta do Poeta, reage, acusa o toque. Ele, que já superara a Raça, no contexto do Gato das botas altas, da Humildade que Mia. Pois é…tal e qual como na Fábula do Francês Jean de La Fontaine (1621-1695). A Fábula do “Leão Moribundo” (Le Lion devenu vieux), em que na ante agonia o outrora todo-poderoso Rei Leão era escarnecido por todos os antigos súbditos ou discípulos neste caso. Até o Burro vinha aos pinotes, aos pulos, eufórico para o escoicear…Mas aí o Leão num último esforço de reserva de energia, num último alento, ergue-se e dá um grande rugido monumental na Televisão via satélite, afirmando-se…ser um Poeta e Escritor da Cacimba Africana e não do Orvalho Europeu…Mas La Fontaine, esqueceu-se do Gato. Coitado. La Fontaine não podia adivinhar tudo no seu século XVII. Apesar de ter um Poema em que menciona o Império de Muene-Mutapa. É que, para além do Burro aos pinotes, vinha atrás todo espertalhão, o “maalantro” do Gato das botas altas (pouco limpas).

Todos os bichos bichando para injuriar o Leão Moribundo. Consta, segundo as Masseves (sogras - comadres) da má-língua… que, tudo afinal não passava de um maior protagonismo do Gato das botas altas, tentando ultrapassar a do Poeta – Leão da Mafalala / Munhuana, de renome firmado em todo o Mundo, ao reescrever a Moçambicanidade com dignidade no assumir da própria etno-História sem alienações,

demagogias e retóricas. Toda a História de um Povo tem os seus sacrifícios e os seus Heróis, ainda discutíveis que sejam…Negar isso é esvaziar o processo da Moçambicanidade em curso, por mais doloroso que sejam certos detalhes Históricos. Caso contrário só trará FUDJO (confusão - desordem), na cabeça dos menos atentos sobretudo na camada mais jovem. Mas as Masseves iam mais longe: -. Que o Gato, fazendo jus ás suas características egocêntricas, bem aburguesadas, dos pequenos felinos domésticos, a que pertence, já nem “panhava” ratas. Só ratos. Mas no final mesmo, tudo ficou bem entre nós na Terra dos “ceguetas” do País do Deixa Andar –, com o devido respeito para os Invisuais que vêm mais que a maioria de nós –, e aos não invisuais na aparência, mas cegos na dignidade. Enfim. Isto tudo por causa de um Gato de botas altas que Mia Humildade. Coisa pouca. Não chega a rugir. Não é Leão. É Gato e não é Maltês. Não toca piano e não escreve francês. (FIM)

(Glossário: FUDJO: - palavra suahili significando CONFUSÃO em português e nada tem a ver com o verbo Fugir…Fudjista “aportuguesamento” da palavra Fudjo também baseada no FFU (Field Force Unit) Polícia de choque Tanzaniana popularmente chamada: Fanya Fudjo Utaona. (Cria Confusão Verás). Aos desertores da Frelimo em Tanzânia seriam chamados de Fudjistas não por fugirem da luta mas por Confusos ou CONFUSIONISTAS ideológicos em 1º lugar).

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 04.04.2005

31-03-2005

E a Pessoa de Fernando Ignorou África?

Em breve nas livrarias de Portugal, com a chancela da Universitária Editora, e autoria de João Craveirinha:

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29-03-2005

URIA SIMANGO - Um homem, uma causa (3/3)

João Craveirinha

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

CONCLUSÃO – Duas Fontes não paradigmáticas

Em relação ao livro de Barnabé Ncomo e sem pretender fazermos um juízo que possa ser mal interpretado deixaríamos no entanto reparos sobre duas das fontes apesar do merecido mérito de “relatos” da época, pecando no entanto, pela intenção óbvia subjacente: Tratam-se das referências à participação do intitulado grupo Português dos DEMOCRATAS de Moçambique, citado na página 209 do Livro Moçambique – Sete de Setembro – Memórias da Revolução, escrito em Dezembro de 1976, no Rio de Janeiro – Brasil, por Clotilde Mesquitela. A autora, esposa do deputado Gonçalo Mesquitela da A.N. (de Oliveira Salazar) é Mãe dos irmãos Mesquitelas, fundadores em 1974, de uma organização para-militar portuguesa, ultra nacionalista e colonial –, Dragões da Morte. Segundo seu Boletim Informativo nº 1 esta “organização clandestina” no preâmbulo, 1º, visava -…”pôr termo às conversações com a FRELIMO, nem que tenhamos que começar a fazer TERROSISMO URBANO, para fazer calar os inconscientes que dão vivas à FRELIMO.”…Este grupo “dizia” ter …”20. 500 homens armados de todas as raças e credos espalhados por todo o Moçambique”…in Moçambique 7 de Setembro, página 246, Mesquitela, Clotilde.

O referido livro, faz uma referência incorrecta (entre outras), mencionando na página 104, linha 5 e 6, imputando ao cronista desta coluna, actos nunca praticados pelo mesmo. Refere-se a eventos pouco antes da ocupação da RCM – Rádio Clube de Moçambique que passamos a citar: - …”Recebemos a indicação de que Stélio e Zito Craveirinha e Isaías Tembe, agitadores da Frelimo, andam a distribuir G-3 no «caniço». E, em consequência disso, já tinham dado entrada na morgue do Hospital Miguel Bombarda três corpos de negros. Ao obtermos a confirmação do Hospital, soubemos mais, através de um enfermeiro que, perfeitamente desorientado, nos disse: «Entraram três mortos, mas dois não passavam de brancos com a cabeça rapada e pintados de preto». Identificados um pouco depois, viemos a saber serem de dois universitários que se tinham infiltrado, para tentar provocações, na intenção de levantar a zona do «caniço» contra a população branca, e que os próprios pretos tinham liquidado!”…e mais adiante: …”As buzinas não paravam, o hino era cantado com a mesma fé e desejo de um Moçambique Livre e Português”… Na altura destes eventos o cronista desta coluna aguardava “julgamento” em Tanzânia na FRELIMO. E só teria havido uma G-3 nas mãos do Isaías (dos pesos e halteres). Nem a sabia manejá-la devidamente. Tinha “capturado” a um elemento anti – Frelimo madeirense de um grupo vindo da África do SUL (?!), que se havia introduzido na Mafalala – “ 1ª zona libertada” de LM. Mas isso é outro assunto. Era este cenário que Uria Simango iria encontrar em Lourenço Marques e ingenuamente acreditaria poder fazer “manobras de pressão” à FRELIMO numa partilha de Poder com elementos portugueses anti – Independência. À partida tudo se conjugaria para um fracasso político do COREMO a que aderira. Os portugueses coloniais não estavam interessados em o apoiar rumo a uma Independência mas utilizando-o a um estilo UDI – Independência unilateral à Ian Smith da Rodésia (na altura), mas vinculados a Portugal. Uria Simango ao se aperceber do beco sem saída em que se envolvera recua para Malauí(Malawi), onde o inguaze – Presidente Hasting Kamuzu  Banda sela seu destino entregando-o à Frelimo.

Outro “pequeno” reparo ao livro de Ncomo é o da incorrecção da importância havida no papel do dito grupo de DEMOCRATAS Portugueses (MDM), nas conversações com o MFA versus FRELIMO, conducentes à Independência. In página 288 nota 431em rodapé. O processo inicial directo de contactos com o MFA e a FRELIMO, foi efectuado pelo grupo dos antigos presos políticos da FRELIMO tendo por porta-voz o Poeta José Craveirinha. Não é somente por ser um Poeta de renome que se encontra no Panteão dos Heróis mas este detalhe terá pesado muito. O Marechal Costa Gomes e o MFA não tinham autoridade política sobre José Craveirinha e seus camaradas da FRELIMO, antigos companheiros de prisão.

À posterior surgiria o “Movimento dos Democratas de Moçambique”, mas de Portugueses, a que Mário da Graça Fernandes fez parte. Aliás, Mário da Graça Machungo (Mahlungo?). Um dia contamos o resto.

Ao que nos levou o livro – URIA SIMANGO – Um homem, uma causa. Em boa hora, graças ao empenho e pesquisa de Barnabé Ncomo. Só quem trabalha se expõe. Que estas linhas sejam um pequeno contributo e estímulo para mais trabalhos seus neste campo difícil e “perigoso” da investigação da História recente, numa busca incessante de aperfeiçoamento do rigor da verdade. Um muito obrigado pelo privilégio de termos relido este livro polémico, mas necessário aos estudiosos e ao cidadão Moçambicano “cego” e carente de suas Raízes e Identidade. (in Jornal O AUTARCA da Beira) – FIM. 29.03.2005

28-03-2005

URIA SIMANGO - Um homem, uma causa (2/3)

Dialogando

Por: João Craveirinha

E-mail: joaocraveirinha@yahoo.com.br

CRÍTICA LITERÁRIA ● CRÍTICA LITERÁRIA

EXÓRDIO(2)

Foi – nos possível “consultar”, o livro de Barnabé Ncomo, citado em epígrafe, 1ª edição, graças ao empréstimo do mecunha “malantro”, Fernando Gil do “saite” Macua. Livro – oferta, autografado pelo autor B. Ncomo, dedicado a F. Gil, português natural de Nampula (ilha).

Grosso modo e infelizmente, o livro, não tem um estilo definido de narrativa literária. De amiúde, envereda por um tipo de escrita Histórica mais credível e contraditoriamente noutros casos, sem enquadramento sintagmático, cita fontes duvidosas por partirem de opositores à Independência dos “Pretos” – espinha atravessada na garganta de muitos pró-coloniais, saudosistas do Império perdido. Presume-se que a intenção de B. Ncomo não seja essa. Talvez, a falta de distanciamento “étnico-cultural” e de perspectiva Histórica, lhe tenham impedido separar o milho do capim. Todavia, esse aspecto não lhe retira o mérito de pioneirismo, nesta senda pelo levantar do “véu”, de um determinado período da nossa História “apócrifa” ou maldita. As fontes devem se cruzar para avaliação e contextualidade.

APROFUNDAMENTO : Etno-História Moçambicana

A falta do ensino da etno – História nas Universidades Moçambicanas é uma falha gritante que pode criar confusão na actualidade em relação ao inter relacionamento e consanguinidade étnica no passado. O próprio Reverendo URIA SIMANGO tem avoengas (avós) Rongas iMpfumos vindas do SUL. A Mãe era uma iMpfumo por ser TIVANE – em linhagem directa NHONDZOMA do Rei inLharuti iMpfumo (inHLARUTI). “Regressado” da Suazilândia no século XVII / XVIII (1600 / 1700) da região de Psatine (inHlati inkulo), fixa-se com seus filhos – iMpfumo “iMpfumo”, Polana, Massinga e TIVANE (uá in’Tiwane). Após a morte do pai, guerras inter – clânicas provocariam uma diáspora entre os príncipes – irmãos. iMpfumo sai vencedor e fixa-se na Matola (dos iMpfumos maTsolo mais tarde). Uá iMpfumo, governaria toda a região da actual caMpfumo / cidade Maputo, limitando com a caTEMBE, moAMBA, maHOTA e maRRACUENE. Massinga migra com seu clã para Inhambane. Polana fixa-se exactamente onde está o Hotel com o seu nome, numa área da Escola Comercial, Ponta Vermelha – Sommerschield / campo de Golfe à Costa do Sol. TIVANE uáMpfumo migra para Gaza. Muitos grupos da região a partir de 1820 seriam integrados no exército inGuni (dos grandes), com a “invasão” de Sochangana – descendente dos Tembes. Entra por maPutso (o verdadeiro), vindo de Pongola (Zulolândia). Seus antepassados teriam saído em 1500, da Ponta Malongano – êMalanguene (caTembe), se fixando na cordilheira dos Libombos. Os TIVANES assim como muitos outros seriam absorvidos e integrados nos regimentos inGunis, do futuro Imperador de Gaza (Sochangana). São levados para Manica e Sofala, em particular entre Mussapa ao Buzi. Não é por acaso que os chefes ou tinDuna de maior confiança de Gungunhana eram os velhos muTAZABANO e SIMANGO já inDaos. Uma das suas tarefas, era a de controlar maGuiguana de maCôssine, antigo submetido – cozinheiro e criado de seu pai umuZila. Os primeiros “maChangana” foram os vaNdao submetidos a Sochangana (Soh – CHANGANA). Muitos anos depois (c. Abril 1889), Gungunhana, o neto, retira-se de Mossurize (e de Udengo onde está o túmulo do Pai). INVADE O SUL DO SAVE com cerca de 100 mil vaNdao, famílias, guerreiros do tempo do pai e gado, com apoio dos portugueses. Massacrariam pelo caminho os pacíficos agricultores e artistas vaLengue (chopes), rumo ao “khokholo” de Mandjacaze (Mand – lha; inKazi), derrotando Binguane Mondlane (Mond-lhane). A origem do nome inDao teria a ver segundo a tradição oral, com a chegada dos novos conquistadores inGunis fugidos de Tchaca Zulo, em 1818 / 20. Um deles, Zuan-guen-daba, ao chegar a uma povoação Shona em Manica, teria dito espetando uma lança no chão : …”iNDAO la mina”…é minha terra…outra tradição diz que iNxaba – inQaba, também fugido de Tchaca, recebido pelas mulheres de uma povoação Shona, de joelhos, batendo palmas, o teriam saudado: …”iNDAO-ú-ê Baba”…seja bem-vindo Pai…

As invasões inGunis na primeira vintena do século XIX, reforçariam o processo de mestiçagem inter étnica. Não nos esqueçamos que os Muchangas (muHLANGA), Mandjazes (Mandlaze), Djalalas(Dlalala), Djacamas (Dlakhama), inGonhamos (inGonyamo), Machavas, Guenhas, Ncomos, Mugabes e muitos outros, hoje assumindo-se como iNDAO / shona, terão a sua origem entre os inGunis ou Zulos a SUL. Um dos chefes de Tchaca Zulo era muHLANGA (Muchanga). Mais tarde se fixariam na região Shona, em Mussapa, nos princípios do século XIX. Em Harare encontram-se iMpfumos (hoje aculturados de shonas). A guerra da RENAMO contra a FRELIMO, finalizaria essa mestiçagem étnica, FORÇADA, em Moçambique. (Conclui na próxima Crónica).

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 28.03.2005

23-03-2005

URIA SIMANGO - Um homem, uma causa (1/3)

Dialogando

Por: João Craveirinha

E-mail: joaocraveirinha@yahoo.com.br

AMICUS PLATO, SED MAGIS AMICA VERITAS

(Estimo Platão, mas estimo ainda mais a verdade)

Exórdio

Desde o lançamento do livro de Barnabé Lucas Ncomo em 2004 que o cronista desta coluna tem recebido inúmeras mensagens a pedirem um comentário. Insistência essa, por saberem da presença de João Craveirinha em alguns desses últimos momentos históricos de 1967 a 1976, com um intervalo de Junho 1972 a Julho 1974, em Zâmbia, Tanzânia e Quénia, referidos no livro.

É quebrado o silêncio. Mas, escrever sobre o livro é uma tarefa um pouco ingrata por conhecer de relance o Barnabé Ncomo que tem o mérito de ter colocado a “descoberto” um período conturbado da Luta de Libertação Moçambicana, ainda que numa embrulhada de elementos. No entanto, os meus temores se concretizaram –, do livro se ter transformado num panfleto contra a essência da própria Independência em si mesma, por todos aqueles que até hoje estão contra a legitimidade de ter sido conduzida pela FRELIMO (não a herdeira no Poder), mas a Frente de Libertação de Moçambique.

Conjecturar hoje que haveria outra via é extemporâneo.

O colonialismo Português era reticente a qualquer tipo de Independência e ainda hoje tem os seus herdeiros em Moçambique, em Portugal e na diáspora Portuguesa.

Evidentemente que um dia quando se escrever sobre a via político – militar do Comandante FILIPE MAGAIA, talvez aí, sim, o processo tivesse sido outro e mais regiões Moçambicanas teriam sido atingidas pela guerrilha.

Todos os processos políticos da História das Nações tem os seus lados obscuros e violentos. Lamentavelmente é assim. Caso o Reverendo Uria Timóteo Simango, tivesse obtido o Poder, a situação seria igual, com outra face somente. A moeda é sempre a mesma.

Mas sem dúvida, Uria Simango, foi um Nacionalista Africano que regou com o seu sangue de Mártir a Independência

Moçambicana e há que honrar esse legado sem o desvirtuar com os falsos defensores, de HOJE, da Liberdade do negro – africano. Nessa época, essas vozes pró Uria Simango de hoje, se o encontrassem na guerrilha anti-colonial (“o terrorista” Uria Simango), tê-lo-iam fuzilado depois de o torturar pois a convicção Nacionalista era muita em Uria Simango. Não cederia ao colonialismo Português. Uria Simango, protestante envangélico, provinha da escola do Nacionalismo Negro Rodesiano

(Zimbabué) e Sul-Africano do “BLACK MAJORITY RULE” (governo da maioria negra). Raízes profundas de Uria Simango no anti-apartheid da Rodésia e da África do Sul. Apartheid que os imigrantes Portugueses nesses Países e os de Moçambique, na sua maioria, pactuaram e apoiaram. O “moto” – slogan “ Juntos Venceremos” era o da santa aliança entre o Portugal colonial (Angola e Moçambique) e a Rodésia e África do Sul (bóer -africaner). As respectivas 3 bandeiras entrelaçadas (1957 / 1974), simbolicamente, e o projecto da Hidroeléctrica de “Cabora” Bassa, faziam parte dessa

aliança, para a Hegemonia Branca na África Austral. (Cahora).

Esses, hoje, são os que mais choram lágrimas de crocodilo com o livro de Barnabé Ncomo.

O cronista desta coluna, para escrever estas linhas, teve de ter o distanciamento necessário psicológico, não misturando os factos das suas vivências magoadas na própria FRELIMO, no cativeiro, na sua tortura psicológica e física, “ouvindo e sentindo solidariamente” também, a tortura em grupo dos outros. Em particular a do Rev. Uria Simango, próximo do cronista desta coluna, nesses momentos, em Nachingueia, 1975. Em 1976, o martírio continuaria em Mitelela ex- Nova Viseu.

(CONTINUA na próxima segunda-feira 28 e termina na terça-feira 29 Março)

O AUTARCA – 23.03.2005

21-03-2005

Segredo, feitiçaria, Anibalzinho?

João Craveirinha

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

EXÓRDIO

Após a tomada de Posse do Novo Executivo, fez-se de novo um total black-out (silêncio) oficial sobre este facínora, condenado em Moçambique como o executor – mor do assassínio do jornalista Carlos Cardoso em 2000 e fugitivo por duas vezes da cadeia de máxima segurança (para os outros) –, a última das quais culminando com uma espectacular fuga para o Canadá. É um dos países no Mundo com uma política

benevolente a quem invoque o estatuto de exilado ou perseguido político por razões de violações dos Direitos Humanos ao abrigo do JUS GENTIUM – Direito Internacional do Indivíduo. Quando tudo indicava que o Canadá reexaminaria o seu pedido, face à reabertura do processo no País de origem, eis que o próprio prefere regressar. (JUS GENTIUM: latim - Direito Romano das Gentes vulgo DIREITO INTERNACIONAL DAS PESSOAS).

PROFUNDIDADE

Importa questionar que SEGREDO transporta consigo Anibalzinho que tenha sido providenciada a sua fuga da prisão e à posteriori opte pelo regresso. Que SEGREDO ou Pacto diabólico existe?

A resposta talvez possa estar não só no “segredo” do conhecimento do nome ou dos nomes dos mandantes do crime. Anibalzinho poderia ter sido abatido numa encenada fuga e silenciado definitivamente. Mas não aconteceu porquê? Não é só no cinema que vemos isso. O que terá impedido? Deverá haver algo mais forte por detrás – A SUPERSTIÇÃO!? Os “tigódos ou mutovanas” (amuletos) e vacinas “benzidas” com sangue de gente, de preferência crianças virgens, depois de rituais canibais diabólicos em que se “devora cru” o coração ou miolos cerebrais das vítimas raptadas!? Para além de todas as alienações europeias maiores ou menores de amiúde o verniz estala e a psicose colectiva da crença na MAGIA dos ESPÍRITOS –, a das trevas, vem ao de cima. Nesse momento não há conceitos Democráticos ou de Direitos Humanos e mesmo de Lusofonias que sobrevivam! Entra-se no campo da etno-psicologia e em alguns casos no da etno-psiquiatria quando se atinge o paroxismo, o auge da interiorização (delírio) de se “sentir” estar possuído por algum djin – espírito a mando de alguém que protege e castiga e dá POWER – Poder, imunidade e infunde MEDO aos demais. E o mais grave é que para além dos Mercedes Benzes e BMW’s, casas alcatifadas com ar condicionado e aparelhagens sofisticadas, computadores e Internetes, golden cards bancários, a condição humana retrocede a um passado ancestral africano em que a religião era a ancestrolatria – invocação, chamamento dos espíritos dos antepassados falecidos para auxílio, sobretudo o dos guerreiros. Actualmente um africano ou africanizado poderá entender melhor sem raciocínios de metafísicas ou materialismos dialécticos ao contrário do europeu de mentalidade que tentará entender o que não se pode compreender racionalmente. No entanto, não é exclusividade africana.

Na peça das 3 bruxas de Macbeth (1606 / 1607), o Poeta Inglês, William Shakespeare (1564 – 1616), aborda com mestria essa relação Poder Político e Feitiçaria. Riqueza e Domínio perverso, corrupto.

Portanto não sendo somente de África, esse fascínio pelo oculto e diabólico. Na Europa medieval era corrente a prática de feitiçaria característica da RAÇA HUMANA com requintes de desumano.

Este dado adquirido, da espiritualidade sem questionar, por um lado, é a base da enorme força da Cultura Africana e contraditoriamente, o seu ponto fraco.

Uma dicotomia. Não será por acaso que em diversas Universidades de prestígio do mundo, os seus departamentos de Psicologia Aplicada e Experimental (Division of Applied Science), estudam e observam com particular atenção estes fenómenos da possessão de espíritos cada vez mais na “MODA”. Em Moçambique ultrapassa igualmente qualquer humanismo “ racional” ou Descartiano.

DEDUÇÃO

JUS EST ARS BONI ET AEQUI – Esperemos que o Direito em Moçambique seja a Arte do Bem e do Justo e não seja – Jure de Facto – posse efectiva, “legal”, de algo neste caso de ILEGAL, SECRETO e HEDIONDO que

impeça a continuidade da Justiça.

Referimo-nos evidentemente, ao dossier Anibalzinho.

Com a recorrência a feitiçarias ou não –, que o desfecho seja justo, pois Anibalzinho não passa de um chefe de Peões no jogo do Xadrez Moçambicano, aliás, onde ele já se encontra. Mas a questão será sempre o topo da PIRAMIDE no Tabuleiro axadrezado: Quem é e por onde andará o Rei que ordenou o crime?

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 21.03.2005

15-03-2005

Liberdade ou irresponsabilidade?

João Craveirinha

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

MUANA ORRIPA KIRRINA EHAYA…É o aforismo em idioma Êmákuá para dizer que filho da terra não tem vergonha… (ver rodapé).

Sem pretendermos meter a enxada em machamba alheia, não foi possível nos contermos perante mais uma linguagem imprópria, na Comunicação Social Moçambicana – CSM. É a revelação de uma falta de educação e de cultura geral, que mau grado nos foram habituando na nossa Imprensa escrita. Quiçá, necessitada urgentemente de diminuição da excessiva politização distorcida. Pode obcecar e conduzir à loucura sem se darem conta. Há que respeitar os outros para serem respeitados. Não se confunda Educação – Respeito, com Instrução à Inglesa (education).

A sociedade Moçambicana de repente tomou os “freios nos dentes” espumando “complexos recalcados” e nos jornais da Terra muitos já escrevem sem um mínimo de ética, estilo ou linguagem jornalística. Exempli gratia: … “Há a sensação de que o governo – Guebuza pretende escangalhar – é o termo – o trabalho realizado pelos governos – Chissano em tão curto espaço de tempo. É tanta a correria que – repetimos – se desenha o risco de tropeçar e cair de bruços, com a perspectiva de danificar o focinho. Tal poderá ser o caso de Aires Aly, cuja precipitação já o levou a demitir alguns directores”...in Dos Sinais – Salvador Raimundo Honwana – Expresso diário electrónico Nr. 1491 - Moçambique, Maputo, segunda-feira, 14.03.05. Fim de citação.

Inacreditável. Escrever FOCINHO referindo-se a um Ministro? Esperem um dia até um Governo RENAMO tomar o Poder e experimentem escrever que um Ministro da RENAMO tem Focinho característica única dos cães ou outros animais irracionais.

Há formas mais correctas de criticar. Com franqueza. Em linguagem ordinária é que se refere focinho à parte saliente da cara de alguém, mas sempre em tom insultuoso o mais baixo possível.

Realmente, parece que certos ditos jornalistas se embebedaram de tal maneira com a Liberdade de Imprensa em Moçambique que “afocinham” –, desculpem, digo, caem de bruços encima do computador, quando escrevem se esquecendo de alguma deontologia profissional. Já lemos de muita falta de respeito na CSM, mas FOCINHO? Não lembra ao diabo! (Post scriptum: Ninguém me passou procuração. Nem podiam. Que não estou disponível. Sou INDEPENDENTE).FIM

N.B.: Êmákuá é o idioma baNto mais falado em Moçambique com 7 dialectos principais num cenário de cerca de 10 milhões de falantes. Em teoria é possível sair do rio Rovuma falando macua padrão até ao rio Zambeze. Uma extensão maior que Portugal, Espanha e a França juntas. Existe também o macua arcaico de Mahajanga (Majunga), no Noroeste de Madagáscar (direcção de Muhipiti e Nacala). Menciona-se uma “bolsa

” idiomática no Gabão – Congo (!?). Vestígios da

Escravatura secular!

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 15.03.2005

14-03-2005

MAIMUNA BUNDASTAG da Araújo Street (Conto ex - Erótico )

João Craveirinha

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

EXÓRDIO

Maimuna era uma mulher exuberante mesmo nos seus 65 anos de idade, restos dos tempos da sua beleza radiosa, do ano de 1960 com 20 anos. Era daquele tipo de mulher de pele de veludo cor de cacau que antes de entrar num sítio já estava entrando com seus mísseis Pershing peitorais, made in Moçambique, dali dos lados de Inhambane. E depois de sair passando por uma porta, ainda estava saindo com o seu Bundastag rico e volumoso como um Parlamento, mas para melhor, pois muito bem torneado, proporcionalmente. Aliás era no seu Parlamento (de Maimuna), onde grandes debates poliglotas tinham tido lugar. Isso, antes da queda (?!) do muro da vergonha das bandas da Araújo street, na antiga Lourenço Marques do xicolonhi muMadji, vulgo Português de “Lijibóa”.

Bem, Maimuna tinha um corpo fantástico, adelgaçando-se numa cintura fina, cintura de pilão explodindo numas ancas poderosas e afunilando-se no seu centralismo democrático, num estreito de Gibraltar com um V de vitórias confirmadas, dos inúmeros desembarcados na praia molhada de Dunkerque, do seu canal de Moçambique. Maimuna, provinha de Inhambane, conhecida pelas noitadas dos bailes de “chongaria” no barracão em “Santarém” no meio do coqueiral, não longe da Fortaleza na terra dos “fai Kóko”. Região de especialistas da cozinha fina “afrodisíaca”, de mariscos com leite de coco ou de amendoim, arroz branco solto, “ashar” de manga picante e da deliciosa casquinha de caranguejo de Inhambane e ainda bolinhos, chá carregado tipo Ceilão, bem quente, com leite condensado. Mas isso são coisas do passado em que Maimuna coitada, depois de abandonar a terra natal “migrando” para caMpfumo (Lourenço Marques), sobreviveria na Araújo street, hoje reclassificada como rua de Bagamoyo, em (des) homenagem a essa escola dos tempos da luta armada contra o “inkalonhi mupuiti”. Traduzido do kiMakonde, dará colono português.

DESENVOLVIMENTO

Ironicamente, Bagamoyo (Tanzânia), ao contrário desta (rua), Bagamoyo falsa, era uma escola secundária por onde passaram quadros do Moçambique Independente. A rua Bagamoyo em Maputo, é uma reciclagem da rua Araújo “ mui mal parida” da prostituição. Na verdadeira Bagamoyo em Tanzânia (1968 / 1974), pelo menos nesse tempo, não se falsificavam certificados de acesso à Universidade. Actualmente, talvez seja possível não ter a 9 ª classe e com o dinheiro do pai comprar em alguma Escola Secundária ou Universidade Moçambicana, esse acesso Universitário e com mais dinheiro e sorte lá virá uma bolsa de estudo talvez para Portugal onde esse estudante poderá se alienar totalmente. Não havia o mínimo de bases ao sair de Moçambique. O que esperavam? Milagres ou maCumba? Pior que no tempo colonial dos “negros assimilados portugueses”. Esses pelo menos tinham “staile e finesse”. Bebiam conhaque com os “ drs brancos”, fumavam charuto, e a maioria só com 4ª classe. Até se davam ao luxo de brincar com a língua portuguesa escrita, falada e de bonita caligrafia. Tal era o nível superior para irritação do cantineiro “reinol”, vindo do “Reino” de Portugal. Ele que vinha civilizar os “pretos” sairia civilizado com estes. É !! Contradições do colonialismo em África!

CONCLUSÃO

Mas voltemos à nossa personagem. Maimuna, Rafique (amiga em suahili), seu nome de nascença. Foi apelidada de Bundastag por um marinheiro alemão –, o Fritz de Hamburgo, freguês habitual, quando o seu navio mercante aportava a LM, cidade colonial capital. Essa assiduidade germânica, ficaria impressa no código genético dos olhos verdes e cabelo alourado de um de seus filhos.

Em 2005, Maimuna já uma respeitável senhora e avó de família, andava triste. Passara por todo um processo de auto-reabilitação com o seu engajamento (não dos “gajos” que conheceu), mas sim nacionalista no assumir de uma consciência de pessoa humana, vítima também de um colonialismo que pelos vistos a perseguiria (não a eterna “Perseguida” no meio das suas coxas), mas perseguida pelo passado (com suas “ex-colegas”), através de fotografias expostas no carrossel das auto – estradas da comunicação. Torna-se grave, sem a devida auto-censura, no mínimo, tapando os olhos das retratadas, reconhecíveis pelos seus descendentes, amigos e sabe – se lá mais quem. Este tema na “Linha d'Água”, não se afundou e navega muito bem pelas auto -estradas do cyber espaço neste momento. Abusar passados 45 anos, ainda, com as inguavaniçes (prostituições) da imagem, à custa das coitadas vítimas do xicolonhi, é indigno. Talvez porque essas mulheres retratadas, sejam material de ÉBANO (para os autores), e não seres humanos.

Daí a insistência “exibicionista” para gáudio da sociedade machista e as mulheres infelizmente ainda batem palmas. Se isso fosse na Europa ou América, sem consentimento das visadas, dava Tribunal, porque NÃO PRESCREVE no tempo.

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 14.03.2005

11-03-2005

REACÇÕES E INTERPRETAÇÕES DE MÁ FÉ

Por João CRAVEIRINHA

INTRODUÇÃO

A personagem ENEIAS, príncipe herói Troiano diria : …“Ab Uno Disce Omnes”… traduzido do Latim – “Por um, aprende a conhecê-los todos” – se referia à perfídia – má fé – dos Gregos na Guerra de Tróia. Este verso vem inserido na ENEIDA, II, 65, Poema épico incompleto (29/19 a.C), escrito por Virgílio ou de nome completo original, Publius Virgilius Maro – poeta Latino Romano (70 / 19 a.C).

DESENVOLVIMENTO

Muita gente revela uma tendência psicológica da AVESTRUZ, de esconder a cabeça no NIHILISMO – negação redutora (medo), de tudo que não lhes agrade, relativa à História, que eles próprios ignoram mas na ignorância não assumida se auto doutoram em matérias que desconhecem e de uma urgência de exorcismo histórico para terem o necessário distanciamento para perspectivarem e ultrapassarem complexos coloniais existentes.

Os Portugueses “Brancos” podem “meter a colher” (e mal), em tudo que é Africano e “Negro” e tendenciosamente, mas se um Africano com bases sólidas de conhecimento, fora dos textos oficiais, “fala” da História de Portugal, é “inimigo público número 1 a abater”… Vontade não faltará, silenciando as Vozes incómodas. Obviamente, a excepção confirmará a regra. Cada assunto tem o seu compartimento. Exorcizemos o tema da ESCRAVATURA e noutro compartimento falemos da actualidade mas sem esquecer que o presente é reflexo do passado. Nós todos não nascemos hoje. Houve um todo processo – curriculum – que veio de trás do passado recente –, avô do avô do avô, etc., que não pode ser eliminado para satisfazer vontades de um obscurantismo e às vezes racismo que só incomodará quem é isso mesmo, RACISTA, que se sentirá afectado assumindo um complexo superior de seus antepassados europeus, fora de contexto. No mínimo ridículo de uma mentalidade distorcida. A extracção de um dente cariado é dolorosa mas necessária. Assim é com a História…” A Alemanha Federal pós 2ª Guerra Mundial que nada tinha a ver com o nazismo e o Holocausto Judeu, pagou chorudas indemnizações a Israel que nem existia na altura como um Estado Independente.”…Interpretem correctamente. É uma citação a título do paradoxo de critérios. E não levantou contradições apesar de discutível. Este assunto de indemnizações a África, foi abordado pelo cronista desta coluna em tempo próprio, por ocasião da Conferência de Durban. O cronista deste espaço Moçambicano de análise e pensamento não é culpado da ignorância das pessoas que não tem acompanhado as suas crónicas desde 1997…” ÁFRICA DO SUL – À MARGEM DA CONFERÊNCIA MUNDIAL DE DURBAN – texto de João Craveirinha – Na cidade sul-africana de Durban está prevista a realização da primeira Conferência Mundial contra o Racismo, Xenofobia e Intolerância de 31 de Agosto a 7 de Setembro de 2001. …”O problema seria a aplicação prática dessas eventuais indemnizações, como e a quem?”…Isto foi escrito em Moçambique em Julho de 2001. Para lerem mais, aguardem para breve, de 6 livros, o Romance, intitulado: JEZEBELA – O Charme Indiscreto dos Quarenta – Crónica de uma Mulher; o percurso de uma luso-africana universitária e moderna no dia a dia actual em Portugal, Moçambique e Brasil, com flashes ao passado Histórico.

CONCLUSÃO

Verifica-se em Moçambique, no quotidiano, “projecções” de imagens contraditórias, quer na Publicidade em todas as suas formas alienatórias, quer na própria arrogância de certos ditos licenciados “negros, mulatos, índios e brancos”, enfatuados na arrogância de um diploma e da auto-assinatura de artigos até em Jornais com o ridículo auto-epíteto de DR do “alto” da …”auto-suficiência da ignorância”…, como diria meu “cumpadre” brasileiro – José Ramos Tinhorão – autor do Livro – Os “Negros” em Portugal: Uma Presença Silenciosa. Livro único de recolha de documentação de séculos sobre o papel Histórico do dito Negro, escravos e descendentes, no desenvolvimento da sociedade Portuguesa na Europa, durante séculos. Na 1ª edição em 1988, autografada pelo autor (JRT) em 1994, deixaria escrito para a “posteridade” (a minha) …” Para o João Craveirinha que sabe destas coisas, o melhor abraço do compadre brasileiro – José Ramos Tinhorão – Lisboa, 29/06/1994 (sic). J. Ramos Tinhorão, é um dos mais conceituados especialistas de Musicologia, História e Antropologia Cultural. Bem, já agora, também o cronista JC tem algum “direito” de se “gabar” de algo, mas sem pedestal …ehehehe…hehehe… visto muitos “escreverem” replicando ou repenicando do alto da Prosopopeia do pedestal da altivez ou será desfaçatez? Eheheh…ehehe…hehehe. I love this game …de réplicas e tetra réplicas da treta e da nau catrineta…Ehhh…ehhehe. Enfim! Tristezas não pagam dívidas. Caso contrário, muita gente cinzenta era milionária. “Infelizmente” eu nunca seria milionário por ser de “COR”! “Um pobre coitado que não sabe nada! Só observa e comenta a esmo”. Mas atenção – sempre com dignidade, de cabeça levantada! Ehhh…ehheheheh ! (FIM)

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 11.03.2005

09-03-2005

Os “Negros” em Portugal

- Uma Presença Silenciosa versus os “Brancos” em Moçambique: uma Presença Ruidosa… (2/2)

DIALOGANDO

por João Craveirinha

joaocraveirinha@yahoo.com.br

Apontamentos sobre a Escravatura em Moçambique – caTembe, Inhambane e “Quilimane”

INTRODUÇÃO

Em relação a Moçambique a Escravatura não foi bem aceite na região de caMpfumo e Maputsu (o verdadeiro dos Tembes). Uma das provas é o insucesso do projecto (1777) do pirata William Bolts de origem alemã nascido na Holanda empregado em firma inglesa em Lisboa (1755) e mais tarde (1776), ao serviço do Príncipe Wengel Anton von Kaunitz-Rietburg da Áustria – Viena. Reinava a Imperatriz Maria Teresa por morte de seu pai o Imperador Carlos VI dos Habsburgos em 1740. A Áustria apesar de possuir extenso domínio – Boémia, Hungria, Itália, Holanda e zonas do rio Danúbio era um Império desorganizado.

Na actual Baía de Maputo, nessa época, reinavam os Mpfumos na actual Matola e os Tembes com os quais os Europeus prestavam vassalagem e pediam autorização para se abastecerem de água, caça, etc. Escravatura estava fora de questão. Contraditoriamente, o projecto austríaco consistia em “criação” de negros e negras em KRAALS – currais na caTembe como “frangos em aviário”para venda a outros Europeus. A falta de colaboração fez William Bolts tentar se “abastecer” em Inhambane na região dos Gógóne vulgo bitongas e trazê-los para a região da caTembe. Mas em vão. De salientar as constantes revoltas e ataques dos rongas Tembes e Mpfumos contra os navios negreiros que entravam na Baía. Não era invulgar serem incendiados navios ingleses, holandeses, portugueses e outros quando não respeitassem as autoridades africanas locais e com o adequado “imposto” e “saguate” a ser cobrado.

DESENVOLVIMENTO

Vindo da África do Sul, em 1821, fugido de Tchaca Zulo, Sochangana conhecido por maNicusse (Nkossi - rei) e seu grupo invadem Moçambique pelo Maputsu, avançando até ao rio Zambeze / Tete / Manica (1835 / 1839), onde é “travado” pelo clã “mulato chinês / caneco” do Inhaúde pai do Bonga. Fixa-se no Búzi – Sofala e em 1840 dos 46 Prazos do vale do rio Zambeze, 28 a sul, pagavam “imposto” a Sochangana, avô do Gungunhana. Sochangana (de origem Tembe) de regresso a sul do rio Save ao saber que um chefe maRonga de uma povoação na Matola, “negociara” com os portugueses a venda de alguns súbditos, arrasa a povoação para que servisse de exemplo. Remédio santo. Nunca mais na região houve escravos à venda no século XIX.

O Historiador Luís Covane em 14 de Março de 2003 no Instituto Camões (Maputo) na re – apresentação do livro…“Moçambique: Feitiços, Cobras e Lagartos!” (http://www.macua.org/livros/feiticos.html), diria: - …”É muito interessante a citação extraída de uma publicação colonial referente à posição de Manicusse (Sochangana) em relação ao comércio dos escravos: Aquele que vende seu semelhante merece com justiça ser perseguido e caçado mais do que os leopardos e leões...”. Esta declaração do 1º Imperador de Gaza ajuda a esclarecer a natureza dos poderes africanos antes da conquista colonial (…) Ficamos a saber que nem todos os aristocratas africanos viam no comércio de escravos uma forma importante de acumulação de riqueza e de reforço do seu poder e prestígio. (…) Eram os europeus que instigavam as guerras intra e inter estados, reinos e chefaturas como forma de produção de escravos.”…

CONCLUSÃO

Segundo o Visconde da Arriaga, em Moçambique, no vale do Zambeze…”A escravatura tornou-se um delirio durante os primeiros quarenta annos d’este seculo (sec.XIX, 1800-1840), e quanto mais se desenvolvia a America, tanto mais se despovoava e empobrecia a Africa! Chegaram a navegar annualmente para o porto de Moçambique (ilha) e Quilimane á procura de pretos mais de quarenta navios de differentes nações! Em 1820, os habitantes de Quilimane, que pela sua riqueza se consideravam a povoação mais importante e aristocratica da provincia, proclamaram-se independentes desligando-se do governo da capital e unindo-se ao Rio de Janeiro”(…) Presidindo em Moçambique, como juiz de direito á venda em leilão de 52 pretos pertencentes á herança d’um Baneane, natural da India, causou-me horror e vergonha, quando procedendo-se em separado á d’uma preta, engommadeira, que trazia pela mão um filho de 8 annos, e outro ao colo a vi chorar lágrimas de sangue por este desprezo dos sentimentos da natureza”(...) Os cem prazos da corôa, que abrangem um territorio muito maior que a península iberica (…) estão quasi todos abandonados, por que os seus habitantes foram vendidos para a America, e os senhores depois d’esta vergonhosa venda e ricos, seguiram quasi todos o mesmo caminho, vindo alguns para a Europa”(…) O Praso Luabo, que foi dos jesuitas, e que durante muitos annos forneceu mantimentos de arroz, milho, mandioca, feijão e ervilha para os navios de escravos, que aportavam a Quilimane, está hoje despovoado, por que os colonos (negros) também foram vendidos”… (FIM) Nota: Ortografia no original publicado em 1881 – Lisboa.

O AUTARCA - 09.03.2005

Ver a 1ª parte em:

http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2005/03/os_negros_em_po.html

07-03-2005

Os “Negros” em Portugal

- Uma Presença Silenciosa versus os “Brancos” em Moçambique: uma Presença Ruidosa… (1/2)

INTRODUÇÃO

O tema de hoje, é motivado pelo “retorno” a Moçambique, dos tempos “áureos” do colonialismo português, anos 1950/60 e dos “decadentes” anos 1970. Esses tempos parecem ressurgirem, no País, tal é a falta de respeito no mínimo, pela Independência

que custou Sangue, Suor e Lágrimas à imensa maioria de “negros” (sobretudo) e dos “mestiços/mulatos e brancos” de ambos os lados, não nos esquecendo dos sino (chineses) e indo (indianos) Moçambicanos.

Até já se utiliza “Galinha à Cafreal” termo proibido ainda na era colonial pelo governo português, graças à intervenção do Jornalista/Poeta José Craveirinha, no jornal Notícias (anos 1960), por pejorativo e atentatória à dignidade do “negro” por se referir a ele como selvagem…isto é “Galinha à Selvagem”. Passaria para GALINHA À PIRI-PIRI.

DESENVOLVIMENTO

De facto, parece estar-se a reviver uns tempos “crispados” de antagonismos ruidosos e outros silenciosos em que a liberdade de expressão se confunde com “ismos” que se pensavam enterrados da História recente. Eis que de novo, “demónios ou xipócues”,

se tentam implantar quer em Moçambique, quer em Portugal, trocando as cores desses “ismos” até da Escravatura em África, legado colonial europeu a uma escala gigantesca, iniciada por Portugal e ANTÃO GONÇALVES, no Rio do Ouro (1441), na captura de 10 (ditos) negros africanos transformados em escravos e vendidos em Lisboa.

No 2º Vol. História Universal 1994, adaptação feita pelo emérito Historiador português, Prof. Doutor Jorge Borges de Macedo (falecido), refere-se a Antão Gonçalves e seu grupo … “Esse ano de 1441 é mais um marco trágico nos laços entre Europeus e Africanos”… Os Árabes iniciaram e os Europeus massificaram a uma dimensão Mundial nunca vista na Humanidade e com os maiores requintes de desumanidade.

Lagos (Algarve) mais tarde, seria o centro principal desse Tráfico na Europa.

Todavia, surgem certas vozes querendo minimizar o HOLOCAUSTO NEGRO (20 a 60 milhões de seres humanos perdidos por África) cuja maioria na fase avançada nem

teriam sido vendidos por intermediários africanos, chefes, reis ou sobas, aos europeus. Eles próprios mais tarde cativos (os sobas). Sem desculpabilizar a conivência dita negro – africana há que ter em conta o fomento pelos “brancos” europeus, de guerras étnicas para a venda/compra/venda dos prisioneiros. SEM PROCURA NÃO HAVERIA OFERTA. Somente pelo Arquipélago de Cabo Verde – capital ilha de Santiago – Ribeira Grande, durante séculos – sec. XVI / XIX, teriam circulado cerca de 4 milhões de Wolofes, Mandingas, Felupes, Fulas, Papeis, Djalôs, Balantas, Biafadas (grumetes), Manjacos, para as Américas – Caraíbas, Brasil, Guianas e Antilhas e a Holandesa – “Curaçao”, cujo idioma actual o “creole PAPIAMENTU (PP)” é testemunho dessa época. O PP é originário do crioulo de Cabo Verde (badio). Esses escravos foram capturados pelos portugueses e vendidos para as Américas, aos Espanhóis, Ingleses,

Franceses, Holandeses, pela ROTA DA ESCRAVATURA, conhecida historicamente por “Atlantic Slave Trade do Black Cargo”. A desarborização para combustível, habitação e manutenção das caravelas causaria desertificação em Cabo Verde e é uma acusação silenciosa ao Tráfico de Escravos e à mestiçagem forçada oficializada.

CONCLUSÃO

A serem JUDEUS, os ditos negros, e muito mais claros de pele, olhos azuis ou verdes, o destaque seria outro e com Indemnizações e sem tentativas de minimizar essa tragédia a exemplo do recente Holocausto Judeu, apesar de ter havido também, alguns Judeus

coniventes” com os nazis alemães e fascistas italianos e franceses. A Alemanha Federal pós 2ª Guerra Mundial que nada tinha a ver com o nazismo e o Holocausto,

pagou chorudas indemnizações a Israel que nem existia na altura como um Estado Independente. Mas com coragem assumiu esse passado Histórico tenebroso.

África, sofreu uma “sangria” eterna e tentar atenuar a culpabilidade Histórica da Europa e Américas é tendencioso. Esse legado trágico ainda afecta as mentalidades de certos ditos brancos europeus na assumpção de uma superioridade em que se posicionam e em certos negros africanos nos complexos em se que auto-submetem pois foi-lhes negado um passado Histórico que não os remeta para uma dominação

colonial europeia “branca”. E nunca como agora em Portugal, a corrente de mentalidade colonial emergiu com tanta força, mantendo em Presença Silenciosa o

negro” com nacionalidade portuguesa, estimados em cerca de 1 milhão – 10% da população ou mais (dados não oficiais), continuando sem visibilidade. (Continua)

– Escravatura em Moçambique – caTembe (William Bolts), Inhambane, os Prazos do Zambeze e “Quilimani”.

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 08.03.2005

O macaco macaquinho e O macaco macacão e outros Contos Infantis

por João CRAVEIRINHA

                            joaocraveirinha@yahoo.com.br

Hoje escrevo para as crianças sempre esquecidas nos jornais em Moçambique. Nem a uma página infantil têm direito como nos nossos tempos infantes de onde provem parte da nossa bagagem cultural. Atendendo a pedidos de alguns leitores, de notícias da anunciada edição de 6 de meus livros (neste exacto momento 3 a saírem da gráfica), dou a conhecer excepcionalmente e em primeiríssima mão alguns extractos dos 6 Contos Infantis ilustrados, a colorir com lápis de cor e adaptáveis para Teatrinho Infantil, Rádio e Televisão. É um Livro para crianças de Homenagem Póstuma a minha Esposa Matulagy Aboobacar (1952/1983), Mãe de meus filhos, Economista sénior no Ministério das Finanças em Moçambique (vítima de acidente).

1. O MACACO MACAQUINHO & O MACACO MACACÃO… 

…ERA UMA VEZ…A noite já bocejara de sono e Heldinho de cinco anos de idade, no seu quarto, pedia à avó Fatuma que lhe contasse uma estorinha. A mãe desligara a televisão na sala, pois isso de telenovela brasileira era coisa pra gente grande. Mas de quando em vez, sorrateiramente, o Heldinho, filho único, sempre via qualquer coisa...Heldinho (deitado na cama no quarto). -...Vovó, porquê não posso ver a novela? - Vóvó Fatuma. -... Sabes meu netinho, tem lá coisas que os meninos pequeninos, como tu, não vão compreender e podem fazer mal às vossas cabecinhas. Quando cresceres, já podes ver, tá? - Mas, Vó, quando cresceres é quando? Leva muito tempo? É que as estórias que contam na escolinha não animam! Eu gosto de jogar os games e ver as novelas.- Vóvó Fatuma. -... Games? Heldinho, aonde encontraste os games? - Os outros meninos grandes levam para a escolinha. E eu vejo quando eles jogam e às vezes deixam eu jogar! - Vóvó Fatuma (dirigindo-se à filha na sala). -... Didinha, ouve lá o que o vosso filho diz... Vocês não têm tempo para o menino e ele vai recolhendo imagens daqui e dali... (excertos do livro).

3. INGONHAMA O LEÃO, FÍSSI A HIENA, O CAMALEÃO E SUNGURA A LEBRE…ERA UMA VEZ…Uma floresta governada por Físsi das quizumbas ou hienas, nomes para o mesmo animal. As quizumbas tinham uma chefe, a Físsi, quizumba muito Gorda de tanto comer que não conseguia fazer nada. Nas hienas quem mandam são as fêmeas. Fêmeas são as mulheres dos animais. A Físsi tinha um espião – conselheiro que era um Camaleão. Como ele podia mudar de cor andava por todos os lados a espiar os outros animais sem eles o verem. (…) As quizumbas, chefiadas por Físsi, tratavam muito mal os outros animais que não fossem quizumbas e viviam do suor e do trabalho desses animais… (idem, excertos do livro).

5. MAVINDJI e OS CHACAIS, O GALA-GALA POETA E BOKO O HIPOPÓTAMO…ERA UMA VEZ…Karingana uá Karingana…e os meninos responderam: Karingana uá Karingana…Começou então Vovô Mussa, antigo combatente pela Independência de Moçambique. Os meninos de olhos arregalados e os ouvidos bem atentos à espera de mais uma estorinha daquelas… que Vovô Mussa tão bem sabia contar e que também tinha sido contado pelo avô dele. Mas ele alterava um pouco a estorinha e metia coisas da História da luta pela Independência e mesmo depois da Independência de Moçambique. Mas os meninos não sabiam disso e mesmo que soubessem não se importariam pois o Vovô Mussa sabia contar com muita vida as estorinhas, assim, tipo teatro e mexendo muitos os braços gesticulando e mudando de voz... (ibidem, excertos do livro).

Termino com citações do meu agente literário alemão Guenter W. …” Neste seu primeiro livro infantil “O MACACO MACAQUINHO / O MACACO MACACÃO”, João Craveirinha, conta situações do convívio dos bichos africanos. (…) A obra traz uma série de animais africanos num diálogo verbal e visual, acções nobres ou más. Explicações da vida. Os contos do mundo dos bichos pretendem fazer parte de uma cultura viva baNto. São a expressão de medos e esperanças das crianças e da crença num mundo melhor em que a Solidariedade é a intenção primordial do autor superando o egoísmo, a intriga e a maldade. (…) A ideia inicial deste livro para pequenos leitores (crianças entre 3 e 8 anos) seria para distribuição pelas escolas primárias de África dos países de língua Portuguesa e Timor-leste extensivo ao Brasil e Portugal, num contexto de divulgação das várias culturas utilizando a língua portuguesa ao abrigo da Cooperação e Solidariedade. ”... (FIM)

(CORRIGENDA: Na crónica anterior, sobre a TVM (Cm 2024), vem inserida uma incorrecção: - O governo PSD Português esteve no poder em 1995 e não em 1996. Texto referente ao dirigente português, Dr. Luís Marques Mendes, nas negociações com Angola sobre a RTP e RDP em sinal aberto. Na altura Ministro-adjunto do  XII Governo Constitucional de Portugal (1991.10.31-1995.10.28), sendo 1º Ministro o Prof. Aníbal Cavaco Silva. As desculpas aos leitores.) JC.

O AUTARCA - 07.03.2005

04-03-2005

Ainda o caso Stélio

TRIBUNA EXTRA

Coluna de João CRAVEIRINHA

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

Ad Perpetuam Rei Memoriam (para perpetuar a memória do facto)

A César o que é de César! Stélio e Elisa não roubaram, não mataram, não “bateram” nenhum carro (BATEDOR=LADRÃO DE AUTOMÓVEIS), não desviaram fundos de nenhum donativo, não cometeram nenhum desfalque, ou outro crime de lesa Pátria. Já foram

demasiadamente punidos com a humilhação de se sentarem nos mesmos bancos onde criminosos e assassinos se sentam algemados para serem interrogados. Se não é perseguição ao Stélio será à Memória do Pai poeta José ou à família Craveirinha? Que desígnios se escondem por detrás deste caso?”…

O Treinador Stélio Craveirinha NA BARRA DO TRIBUNAL (3 Março 2005), processo esse que se arrasta desde Novembro 2000, referente à alteração da marca mínima de sua atleta Elisa COSSA em Espanha para presença nos Jogos Olímpicos de Sidney na Austrália em 2000 e não Barcelona 2001 como consta no Imparcial nº 2616.

Em relação ao … “móbil do crime –, A alteração da marca de (11,61) 11 segundos e 61 centésimos para 11,60. Marca alcançada (11,61) na prova dos 100m femininos, em Espanha, pela vice-campeã de África do salto em comprimento, Elisa Cossa (na altura). Em primeiro lugar, o coacher Stélio Craveirinha, não se deslocou a Espanha. A atleta Elisa foi a Espanha e voltou a Lisboa com os atletas portugueses com quem fora. Alegando a diferença mínima de 01 décimo de centésimo os atletas portugueses, “ingenuamente”, quiseram “ajudar” Moçambique, alterando o número.

O treinador Stélio, no seu gesto peculiar de encolher os seus elásticos ombros, em jeito de laisser faire (deixar fazer) ao deparar-se como um dado assumido não quis ser denunciante e o resto é o que está a dar e é imperioso esclarecer certos factos:

- O Estado moçambicano não comparticipou e não sofreu prejuízos materiais com a deslocação de Stélio e Elisa aos Jogos Olímpicos de Sidney. A deslocação foi comparticipada com fundos do COI – Comité Olímpico Internacional na Suíça; patrocínios privados geridos pelo COM – Comité Olímpico Moçambicano; donativo do COSA – Comité Olímpico Sul – Africano”... (in O CASO STÉLIO CRAVEIRINHA: PERSEGUIÇÃO OU RACISMO? João C. 2001).

E como mais velho dos Craveirinhas Moçambicanos não poderia ficar indiferente perante este “tortuoso” Processo, iniciado o Pai Poeta ainda em vida e que só por si já “desgastou” Psicologicamente, Stélio, e terá eventualmente destruído a carreira da atleta de Alta Competição – Elisa Cossa. Todavia sem querer isentá-los de algum erro de atitude há que ter em conta os Prós e Contras sem deixar “quod erat demonstrandum” – o que era preciso demonstrar, realçando o trabalho efectuado por Stélio Craveirinha, pelo Desporto de Alta Competição, projectando o nome de Moçambique no Mundo que sem dúvida há que fazer justiça ao labor efectuado por Stélio como Treinador Moçambicano conceituado no Mundo Internacional do Atletismo, cuja obra-prima ainda se encontra patente na Maria de Lurdes Mutola por ele burilada ao ranking de entre as 10 melhores do Mundo e Campeã de África na categoria, quando partiu para os Estados Unidos.

Pena é que sem ter estado envolvido (Stélio) em algo de que é acusado aliada à ”má fé” de atletas portugueses e a “ânsia” da Elisa Cossa, encontraria campo fértil na “ingenuidade” do coacher Stélio não contrariando os dados “viciados informaticamente” em Lisboa (Centro de Estágio de Desportistas da Cruz Quebrada), visando que Elisa Cossa permanecesse definitivamente em Portugal para glória do Desporto Luso e do “Leão” o que Stélio Craveirinha não concordou aliás ele próprio com possibilidades de se radicar em Portugal ou Espanha mas optando sempre o retorno à

Mãe Pátria – Moçambique. De salientar que Stélio Craveirinha é totalmente ignorante na utilização de computadores daí obviamente a impossibilidade de ter tido a iniciativa de alterar os resultados da sua pupila.

… “O futebol moçambicano causou danos morais e materiais em Harare no Zimbabué, África do Sul, Figueira da Foz em Portugal, Seicheles, Malaui, em alguns casos de crime de roubo, não houve esta intervenção do Ministério Público de Moçambique. Este caso é e será sempre estritamente desportivo que tem suas próprias regras disciplinares e sanções, aliás já aplicadas. Nem os casos de doping do canadiano Ben Jonson e outros que obrigaram a devolução das medalhas de ouro, foram casos de polícia. A César o que é de César! Stélio e Elisa não roubaram, não mataram, não “bateram” nenhum carro (BATEDOR=LADRÃO DE AUTOMÓVEIS), não desviaram fundos de nenhum donativo, não cometeram nenhum desfalque, ou outro crime de lesa Pátria. Já foram demasiadamente punidos com a humilhação de se sentarem nos mesmos bancos onde criminosos e assassinos se sentam algemados para serem interrogados. Se não é perseguição ao Stélio será à Memória do Pai poeta José ou à família Craveirinha?

Que desígnios se escondem por detrás deste caso?”…

Lembrem-se da Federação de Futebol da Guiné Conacri quando foi banida pela FIFA face à ingerência do Estado.

Atentos a ver vamos, até onde irá esta “telenovela” e ingerência do MP nos assuntos desportivos da alçada do COM – Comité Olímpico de Moçambique que se devia pronunciar categoricamente!

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 04.03.2005

27-02-2005

TVM – FINITA CAUSA, CESSAT EFFECTUS (fim da causa, cessa o efeito)

por João CRAVEIRINHA

joaocraveirinha@yahoo.com.br

A crónica de hoje para variar, começa por um aforismo –,  do
 grego “aphorismós” de definir, limitar, palavra mais tarde 
adoptada pelos romanos em latim para “aphorismu”. Este bolo 
dório todo para se dizer que esvaziada a CAUSA de Servir o 
Povo, CESSA essa ideia na Televisão em Moçambique transferida 
para um Serviço Público com eventual TAXA a doer para se ver 
Televisão que se quer com a mínima qualidade. A exemplo da RM 
que cobra Taxas nas facturas de energia mensalmente, em cada 
rádio vendido e anualmente em todas as viaturas.

 A sugestão seria uma Taxa única e uniformizada a repartir pela 
TVM e RM. Sozinha a RM facturará biliões que espero o Fisco e a 
Auditoria das Finanças controlem essas receitas milionárias. 

Compreende-se o “desespero” da TVM em querer que o Governo 
institucionalize uma TAXA para se poder usufruir de um Serviço 
Público de uma Televisão Estatal que em princípio não teria nada 
que depender de Taxas à semelhança do slogan do Banco espanhol 
“La Caja de Pensions catalã” (la Caixa) – O MELHOR 
INVESTIMENTO É A CULTURA – não penalizando e 
sobrecarregando o utente já de si de poucas  possibilidades financeiras.
 O Orçamento do Estado deve contemplar a TVM (e RM), como 
prioridades fundamentais no Desenvolvimento Cultural do Povo 
Moçambicano ampliando-lhes o horizonte na mudança 

de atitudes, melhorando mentalidades, o que sem dúvida traria benefícios
 comportamentais no sector produtivo económico. Que o Governo 
tivesse ponderado melhor sobre as autorizações de sinais abertos por 
exemplo da RTPÁfrica (e da Rádio RDPÁfrica), em território 
Moçambicano, fazendo concorrência desleal à TVM (e RM) em 
know how” e controlado de Lisboa “violando” diariamente em 
directo, 24 sobre 24 horas a “soberania mental” Moçambicana. Lá 
escreveu o Poeta Nacional José Craveirinha … Que para mim / todo 
o pão que me dás é tudo / o que tu rejeitas, Europa! / (in Xigubo). 

Perguntem aos Angolanos porque não aceitaram o sinal aberto em 1995 
quando o dirigente do Governo PSD português, Luís Marques Mendes, 
esteve em Luanda a discutir a questão das emissões da RDP e RTPÁfrica,
 continuando até hoje fechado esse sinal. Eles que até são mais 
Portugueses” que os Moçambicanos. Mas aí os Angolanos no jeito 
gingão responderão: “Não aceitamos por não haver reciprocidade. 

Somente por parabólica”. Quiçá se referindo à inexistência de igual sinal
 aberto da TPA / RNA (e TVM / RM) na Grande Lisboa, Algarve, 
Coimbra e Porto. E nós acrescentamos e por ser também a implantação
 de mais um “Padrão Português em África” com o pretexto da divulgação
 da Língua Portuguesa. É a obsessão do Império colonial perdido diria o
 Professor francês, Patrick Chabal, especialista em Lusofonia na 
Universidade de Londres. 

Em anexo a notícia de Quarta – feira, 23 Fevereiro 2005, retirada do 
ZOL – Zambézia On Line, único webjornal Moçambicano na Internet: 

http://www.zambezia.co.mz/index.php?option=com_content&task=view&id=608&Itemid=2

TVM ESTUDA INTRODUÇÃO DE TAXA   

   A Televisão de Moçambique TVM poderá propor ao governo a introdução de uma taxa de Televisão para enfrentar os "elevados custos de produção". Simão Anguilaze admitiu que a questão de alternativas de financiamento da TVM, incluindo a taxa de Televisão, está a dominar o processo de reflexão interna que o canal lançou por ocasião do seu 24º aniversário, que se assinala este mês. Justificando a provável opção pela introdução de uma taxa de Televisão, Anguilaze defendeu que o objectivo de fazer chegar o sinal do serviço público de Televisão a todo o país só será alcançado com a mobilização de mais recursos financeiros. Segundo Simão Anguilaze em entrevista à RM, esta é uma das alternativas, dentre de outros projectos em estudo. "A expansão da rede de Televisão pública e o desígnio de tornar o canal “mais Moçambique”, através de programas Moçambicanos, importa a captação de mais meios financeiros", sublinhou o director de informação da TVM.  Simão Anguilaze ressalvou que esta questão é da competência do Governo de Moçambique "independentemente das opções de financiamento que forem avançadas pela TVM nas suas discussões internas". Enquanto não houver directivas do Governo sobre a matéria, a TVM irá trabalhar com os seus parceiros internos e externos, para consolidar o seu estatuto de serviço público de Televisão.  Para assinalar o seu 24º aniversário, a TVM vai lançar na sexta-feira a nova grelha de programas para 2005, "com uma matriz profundamente Moçambicana", num evento em que serão também premiados os melhores programas e apresentadores, além de outras iniciativas de âmbito culturais. in ZOL”. (FIM)

Adenda: O Governo PSD Português esteve no poder em 1995. Nas negociações com Angola sobre a RTP e RDP em sinal aberto, o Dr. Luís Marques Mendes era na altura, Ministro-adjunto, do  XII Governo Constitucional de Portugal (1991.10.31-1995.10.28), sendo 1º Ministro o Prof. Aníbal Cavaco Silva. 

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 28.02.2005

23-02-2005

Uma sela sem estribos na república das bananas

O pensamento de:

João Craveirinha

Imprecação do Poeta JOSÉ CRAVEIRINHA

… Mas põe nas mãos de África o pão que te sobeja / e da fome de Moçambique dar-te-ei os restos da tua gula / e verás como também te enche o nada que te restituo / dos meus banquetes de sobras./

Que para mim /todo o pão que me dás é tudo / o que tu rejeitas, Europa! / ( in Xigubo)

Para tudo há limites (boundaries) incluindo em PUBLICIDADE. A Ética é que nos regula os comportamentos e o desrespeito é que desregula a sociedade.

A minha indignação que não é somente minha (pelas inúmeras “reclamações” recebidas), advém do facto de algumas empresas estrangeiras, aproveitando-se da “ingenuidade” de Moçambique e de alguns Moçambicanos tal qual o falecido ditador português, Antº de Oliveira Salazar, pensando que, ficar “orgulhosamente sós”, é mérito “Nacionalista”.

Todavia o Capital (muzuruco) não tem Nação e pior num País como Moçambique em que a tecnologia de ponta (e não só), é totalmente importada. Neste caso referimo-nos aos Telefones CELULARES da era dos Satélites.

Sem mais rodeios trata-se do facto de abusivamente se utilizar em Publicidade os nomes e imagens de figuras como SAMORA MACHEL e José CRAVEIRINHA, “residentes” no Panteão dos Heróis Moçambicanos. Existem parâmetros de utilização de imagens e símbolos em TÉCNICAS DE PERSUASÃO. As técnicas para a Promoção de um produto em Marketing para venda e lucro são as mesmas para a Política com a diferença que o produto é a mensagem e imagem do Partido e do líder y ou x a serem “vendidas” ao potencial eleitorado. Na essência tudo tem a ver com uma Acção Psicológica sobre a população alvo para o produto ser comprado por fútil que seja. Daí, mais vulneráveis as crianças e os jovens, levados facilmente “nas ondas” da moda para se estar numa “cena” de grupo maningue naice”, influenciados pelo “spot“ publicitário.

O 1º Presidente de Moçambique, Samora Machel, nunca utilizou um celular e muito menos José Craveirinha (que abominava o celular) e pior Fany Mpfumo que morreu de fome na Machava. Que os vivos como a Atleta Lurdes Mutola vendam” a sua imagem a troco de contratos comerciais e benefícios monetários e mesmo o Pintor Malangatana, o problema é deles desde que o façam com alguma dignidade. Contraditoriamente, não é o caso de figuras falecidas e imortalizadas em Heróis que em vida se pautaram pela Dignidade com que se assumiam exemplarmente contra a alienação cultural e contra… “à manipulação por novos métodos e processos ocultos”…como bem o enfatizou James A. C. Brown, especialista em Psiquiatria pela Universidade de Edimburgo e pioneiro no estudo das técnicas e consequências da Publicidade Comercial à Propaganda Política, Conversão Religiosa, Guerra Psicológica, à “Lavagem Cerebral” e outros tipos de indução dolosa na aceitação de um “produto”. Neste caso há uma banalização gritante de Figuras Nacionais que exigia uma intervenção do Conselho Superior da Comunicação Social, GABINFO ou do próprio Conselho de Ministros. Não se trataria de censura mas de exigência de RESPEITO retirando essas 3 imagens e slogans. Em todo o Mundo existem regras de conduta. Ao contrário do que disse o Vimaró (Tomás Vieira Mário), no seu, com justiça indignado, artigo no jornal Notícias de 09.02.05, reforçamos a ideia que há Figuras “Sagradas” e ao banalizá-las ao nível de um vulgar anúncio, tipo calcinha fio dental para as moças exibirem a figura “com muito orgulho” ou de celular na mão, será uma atitude ICONOCLASTA –, isto é; derrubadora de “ídolos” neste caso de valores da Nação Moçambicana cada vez mais sem símbolos patrióticos que sirvam de exemplo na sociedade. E os poucos que há são banalizados.

Apeados “coercivamente” do pedestal para apoio de campanhas publicitárias em “guerrinhas” de concorrência. E pouco importa que algum familiar tenha autorizado (o que duvido), mas acontece que os símbolos já não pertencem a um grupo ou família mas à Nação e é por isso que Samora Machel e José Craveirinha, cada um na sua dimensão, se encontram “em território sagrado” e por tal motivo guardados dia e noite por soldados do MD e só devidamente autorizado se pode lá ir prestar homenagem. Não brinquemos com coisas sérias. Pois é como escreveu o Poeta Nacional… “e verás como também te enche o nada que te restituo”… Me despeço, com um ramo perfumado de flores de açucenas, símbolos da ingenuidade. “HOYÊ”!

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 22.02.2005

O KRAAL, O AVIÁRIO

Por João CRAVEIRINHA

“All animals are equal, but some animals are more equal than others.“

INTRODUÇÃO:

Tradução do subtítulo: “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que outros”. Diz o Mandamento final de 7 violando os princípios de Igualdade no –, Animal Farm (1945), título no original do Livro do escritor socialista Inglês, George ORWELL (Eric Arthur Blair). Enredo de uma revolta de Animais contra os Humanos na Quinta de Mr Jones seu dono humano que é expulso. Os Animais decidem dirigir a Quinta em bases de igualdade seguindo o exemplo de Boxer e Clover os Cavalos –, esforçados trabalhadores sem reclamar. A revolta é liderada pelos Porcos e após a morte de Old Major, seu ideólogo, um deles, Napoleon, assume o poder instalando uma ditadura total protegido pelos Cães e imitando e exagerando o “luxo e conforto” dos antigos donos, estilo de vida que tinham criticado antes de ter o Poder. O Porco Snowball cheio de ideias é expulso da Quinta por enfrentar o grande líder. Mais tarde, devido às dificuldades na gestão da Quinta e depois de muitas execuções de Animais os Porcos manipulam uma reconciliação com o antigo dono Mr Jones. Se procurarem encontrarão, Lenin, Stalin, Trotsky e a sacrificada Classe Operária. Os intelectuais pensadores personificados talvez em “Benjamim” o Burro não tão burro pois sempre crítico silencioso, sobreviveu, porque desde o princípio se apercebeu de que o Poder demasiado, utiliza e abusa da boa vontade dos outros, para aumentar esse Poder. Como se pode ver é uma sátira dura e polémica à antiga URSS – União Soviética. Em 1955 foi adaptado ao cinema e hoje é considerado um Clássico Moderno da Literatura Mundial …”and presented a socialist viewpoint: the system is good, but the individuals are corruptible”. (tradução: …e apresentando o ponto de vista socialista: o sistema é bom, mas os indivíduos podem se corromper). Ler mais em Literatura na Internet:

http://www.online-literature.com/orwell/animalfarm ...

Este livro somente seria publicado em 1945 após ter sido rejeitado em 1944 em Londres por T.S. Eliot, grande poeta e editor americano, naturalizado britânico. Thomas Stearns Eliot (T.S.Eliot), nascido em 1888 nos EUA e estudante da Universidade de Harvard (considerada a melhor do Mundo). Em 1910 deixa os EUA e estuda em Paris na Universidade da Sorbonne talvez devido ao conservadorismo da sociedade norte-americana. Em 1914 fixa-se na Inglaterra. Recebe o Prémio Nobel de Literatura em 1948 e morre em Londres em 1965.

DESENVOLVIMENTO DO TEMA:

Antes de mais um pequeno glossário elucidativo do título: - KRAAL; do latim popular currãle = “garagem” das carroças puxadas por bestas; curru = carros em latim vernáculo ou ainda lugar onde se guarda e se guardava o gado bovino e caprino nas antigas chefaturas e domínios africanos. Deu Kraal em holandês e inglês e mesmo português do sec. XIX.

AVIÁRIO; do latim aviarǐu…viveiro de aves. Portanto um local onde se criam aves como Frangos –, filhos da Galinha que ainda não chegaram a Galos. Também podemos ter Patos –, aves da família dos anatídeos de hábitos aquáticos. Mas atenção à relação Patos e a Bilharziose (schistosoma) e os Caracóis que provocam essa doença. Os Patos protegem-se no constante “splash”, sujando com frequência onde se encontrem. Mas ainda temos outros Patos –, os ingénuos que se deixam enganar.

FAQUIR; do árabe faqir…pobre, desgraçado, mas na Índia um penitente religioso, um encantador de serpentes, um Sadhu, homem santo. Temos ainda (no texto), a palavra inglesa Crash, do alemão KRACH …desastre financeiro na Bolsa ou bancarrota, falência…

CONCLUSÃO

Num Kraal de Cabritos sem o xiPongo, o Bode, de tipo cansado com os “túbaros” reprodutores bem desenvolvidos e pendentes, o Cabritismo ficará órfão. Um verdadeiro KRACH. Que fazer, entramos na era da preferência pelas Aves.

È possível ainda tentar criar Perdizes da família dos fasianídeos. Todavia mais difíceis de serem domesticadas pois são rebeldes e podem andar em bandos de 10 a 20 e muito barulhentas em grupo. Mas cuidado com os Pangolins da espécie dos manídeos que rondem a capoeira principal querendo variar a ementa de térmitas. Poderão “roubar” os ovos chocados por outras espécies. As cobras também são perigosas perto dos Aviários sobretudo as Mambas. Mas as verdadeiras, “os” da Selecção de Futebol de Moçambique são fraquitos e com esse nome (mambas) não vão a lado nenhum. Contratando o Faquir das cobras e do turbante, talvez acertem na bola para alegrar o Povo. Quem sabe um dia, o Faquir do turbante branco, chega lá com resultados! (FIM)

Cm de Moçambique - 21 Fevereiro 2005

17-02-2005

SE EU FOSSE PRESIDENTE (3/3)

Dialogando

por João CRAVEIRINHA*

Finis Coronat Opus

(Tradução do Latim: O Fim Coroa a Obra…ou por outra, o que sair deste Governo corresponderá ao seu começo)

“Se Eu fosse Presidente ou se fosse o Leitor”, talvez considerasse:

POSITIVO – no MOPH para Ministro das Obras Públicas e Habitação – Felício Zacarias. A ver se recupera a Cidade da Beira de onde saiu (se o deixarem).

NEUTROMCAA; Ministro para a Coordenação da Acção Ambiental – Luciano de Castro. Um Ministério a ser repensado visto ninguém respeitar os estudos de Impacto Ambiental em Moçambique para ”inglês” ver e alimentar muitos projectistas. Pelo menos isso. Talvez a criação de uma Secretaria de Estado do Ambiente directamente na Presidência; SEMA.

NEUTRO MAE; Ministro da Administração Estatal – Lucas Chomera. Director RH na Saúde – MS e de Governador a Ministro, trocaria com a Vice-ministra da Administração Estatal – Carmelita Namashulua, de família da luta armada anti-colonial, passando a Ministra. Cargo de Vice a substituir por Director – geral da Função Pública despolitizada. Formação em Itália.

NEUTROMIC; Ministro da Indústria e Comércio – António Fernando. A ver se é desta que se reabilita a INDÚSTRIA do CAJU (+ 20 mil empregos) e o PARQUE GRÁFICO para apoiar o livro Escolar (+ 5 mil empregos) e se reconstrói uma IMPRENSA NACIONAL necessária com urgência. Vice – ministro da Indústria e Comércio – Alfredo Namitete. Cargo excedente aproveitando melhor as capacidades de A.N., noutro sector, “exempli gratia” num Instituto da Indústria Gráfica a sério.

Muito NEGATIVOMT; Ministro do Turismo – Fernando Sumbana. O Turismo de que Moçambique precisa não são Hotéis de 5 estrelas mas sim Turismo Ecológico – cinegético e Histórico – Cultural. Milhares de mini – projectos bem feitos pela costa e interior e não poucos mega projectos apesar de “compreensíveis” por renderem mais (!?). Bons turistas de Países desenvolvidos não procurarão Moçambique pelos Hotéis de 5 estrelas e Ar Condicionado pois tem melhores nos seus países de origem. Procurarão MEIO AMBIENTE Limpo e Ar NATURAL em SEGURANÇA. E os Nacionais também seriam motivados a fazer Turismo na Terra. Para Vice – ministro do Turismo – Rosário Mualeia. Cargo excedente.

NEUTRO MP; Ministro das Pescas – Cadmiel Muthemba. Continuidade numas Pescas com sinais de “exaustão” na biodiversidade marinha na Costa de Moçambique por falta de uma Polícia Marítima (vedetas rápidas, catmarans ou hovercrafts e helicópteros), que previnam a “pirataria” nas águas territoriais nacionais e rios. Vice-ministro das Pescas – Victor Manuel Borges. Cargo excedente a substituir por uma forte e competente Direcção – geral de Pescas e Fiscalização.

POSITIVOME; Ministro da Energia – Salvador Namburete.

POSITIVOMRM; Ministra dos Recursos Minerais – Esperança Bias. Muito NEGATIVO – Vice-ministro dos Recursos Minerais – Abdul Razak. Cargo excedente e lugar de Médico é no Hospital a tratar doentes e na Medicina Preventiva. A questão do alegado “TRÁFICO DE ÓRGÃOS HUMANOS” será um dossier “cheio de cacimba” na sua passagem por Nampula como Governador, com contornos de Racismo “white’s against black’s” (brancos contra negros), à escala Local e Nacional. Temos ainda o silêncio sobre o alegado CORREDOR DA DROGA DE NACALA / NAMPULA (Maputo) proveniente do Paquistão.

Grosso modo, seriam eliminados 6 Ministérios: (Dois em 1 excluídos no total 5), a saber –, os Ministérios: 1. MDP – Desenvolvimento e Planificação (a integrar nas Finanças). 2. MMAS – Da Mulher e Acção Social (integrar no do Trabalho). 3. MCAA – Coordenação da Acção Ambiental transformado em SEMA – Secretaria de Estado do Meio Ambiente com mais poder funcionado directamente com o Presidente na Presidência. 4. MPAP – Ministérios na Presidência para os Assuntos Parlamentares – 5. MPAD – na Presidência para os Assuntos Diplomáticos. Fundir num MINISTÉRIO DE ESTADO NA PRESIDÊNCIA, MEP, com dois Departamentos: Assuntos Parlamentares e Diplomáticos. 6. MJD – Juventude e Desportos passaria a Secretaria de Estado no MEC.

A extinguir os Cargos de 12 Vice – Ministros: - 1 do MNEC…M.I… MTC… MA… MT…1 do MEC… MS... MAE… MIC… MT… MP… MRM…Sobrariam apenas 3 vices – 1 no MNEC, 1 no MEC e a criar no MF (PD).

Aliviava-se a máquina Ministerial actual, tornando-a menos pesada. De 25 Ministérios ficar-se-ia com 20 e respectivos Ministros, 3 vices e 2 Secretários de Estado. De 40 dirigentes do Governo teríamos 25. Menos 15 (Mercedes) sem contar a Primeira-ministra e os Governadores.

O Presidente Armando Guebuza nomeou igualmente os novos governadores das 10 + uma, Províncias de Moçambique: -

Maputo Cidade – Rosa da Silva / Maputo Província – Telmina Pereira / Gaza – Djalma Lourenço/ Inhambane – Lázaro Vicente/ Manica – Raimundo Diomba / Tete – Idelfonso Muanatapha / Sofala – Alberto Vaquina / Zambézia – Carvalho Muária / Nampula – Filipe Paúnde / Cabo Delgado – Lázaro Mathe / Niassa – Arnaldo Bimbe. De saudar a nomeação das duas primeiras Governadoras Moçambicanas desde sempre e MAPUTO duplamente no Feminino. (FIM)

*muana Orripa – joaocraveirinha@yahoo.com.br

O AUTARCA - 17.03.2005

14-02-2005

SE EU FOSSE PRESIDENTE (2/3)

DIALOGANDO

por muana Orripa João CRAVEIRINHA

joaocraveirinha@yahoo.com.br

Cum Grano Salis (Tradução do Latim: sopesar como grão de sal, distribuir com parcimónia)

Oyéé! E gente de Nampula em peso no elenco. Mas continuemos a reflexão, “Se Eu Fosse Presidente”! É um bom exercício cerebral transmigrar nossa mente para a Ponta Vermelha como inquilino e pensarmos: “Se Eu fosse Presidente” o que faria? Não é moleza não. Sai – se com uma “baita” dor de cabeça.

De cerca dos 40 membros do Governo teríamos 25. Menos 15 sem contar os Governadores. Possível ainda reduzir-se para 15 Ministérios funcionais dos 25 actuais. Uma máquina menos pesada.

Mas talvez a classificação fosse:

POSITIVOMTC; Ministro dos Transportes e Comunicações – António Francisco Mungwambe. Vice-ministro dos Transportes e Comunicações – Ernesto Augusto. Abolição do cargo de vice para Direcção – geral e respectivo Director.

POSITIVO MA; Ministro da Agricultura – Tomás Mandlate. De Governador para a Agricultura. Why not? Pelo menos conhece o meio rural. Vice-ministra da Agricultura – Catarina Cássimo. Um cargo existente mas excedente. Direcção – geral de Agricultura seria suficiente.

POSITIVOMT; Ministra do Trabalho – Helena Taípo, vinda de Nampula. Vice-ministro do Trabalho – Soares Nhaca. Cargo excedente a ser transformado em Inspecção-geral do Ministério.

Muito NEGATIVOMEC; Ministro da Educação e Cultura – Bonifácio Aires Aly. Situações de mau relacionamento – família, escola, professores e das questões de terrenos em Inhambane versus Turismo. POSITIVO – Vice-ministros da Educação e Cultura – Luís Covane e Antónia da Costa Xavier. Antónia C. Xavier para Ministra (conhece os dossiers da Educação e o ”eterno” vice da Cultura – o Historiador Moçambicano de renome mundial Luís Covane. B. Ayres Aly seria remetido para a reserva de quadros do Partido. De salientar a boa medida de fundir a Educação com a Cultura regressando ao antigo MEC – dos livros escolares todos feitos atempadamente e impressos em Moçambique coordenados pelo INDE.

Ministro da Juventude e Desportos nomeado é – David Simango e Vice-ministro da Juventude e Desportos – Carlos Castro de Sousa. O MJD Seria Integrado no MEC. Portanto teríamos um MEC (JD). Os jogos escolares, a base da iniciação desportiva, têm sido um êxito mas dirigido pelo Ministério da Educação. No lugar do MJD uma Secretaria de Estado adstrita ao MEC ou Direcção – geral mais prática com Carlos Castro de Sousa no lugar e David Simango para reserva no Partido.

MEIO POSITIVO MCT; Ministro da Ciência e Tecnologia – Venâncio Massingue. Faltou acrescentar ou o Ensino Superior ou melhor: INVESTIGAÇÃO – ICT –, a base de todo o Desenvolvimento sustentado. V. Massingue – o homem da Informática –, no lugar adequado. Retirado o Ensino Superior talvez para não entrar em conflito com o Reitor seu chefe na UEM.

NEGATIVOMS; Ministro da Saúde – Paulo Ivo Garrido. Vice -ministra da Saúde – Aida Libombo. Cargo de Vice excedente. Negativo não pelas suas capacidades mas pelo desperdício de qualificações médicas em lugares “burocratizados e políticos”. Lugar de Médico é a exercer medicina, praticar, investigar e fazer carreira a tempo inteiro em prol da Humanidade e no seu aperfeiçoamento próprio científico. É o que “reza” o “esquecido” Juramento do Médico grego Hipócrates (460 a.C/ 377ª.C), autor do Tratado (estudo) de Medicina –, “Corpus Hippocraticum” sobre as doenças e sintomas do corpo humano. Ministro da Saúde moderno é Gestor Hospitalar de formação ou um Economista que estagiou em Hospitais com ampla visão política do sector. Há que investir na formação desses quadros e liberar os médicos da política e da burocracia. Aplica-se também para outras áreas como lugar de Empresário é gerir empresas, gerar riqueza e emprego e não na Política. Enfim nada é perfeito.

NEUTRO MAC; Ministro dos Antigos Combatentes – General Feliciano Gundana. Atenção não haja confusões; - conceito de Antigo Combatente refere-se à luta armada contra o colonialismo português.

NEUTROMMAS; Ministra da Mulher e Acção Social – Virgília Matabele. Continuidade mas o Ministério devia se fundir com o do Trabalho e intitular-se – MINISTÉRIO da SOLIDARIEDADE SOCIAL, da FAMÍLIA e do TRABALHO. A estrutura social de uma Nação é a FAMÍLIA –, Mãe, criança e o Pai com emprego (se possível também a Mãe).

NEUTROMPAP; Ministra na Presidência para os Assuntos Parlamentares – Isabel Manuel Nkavandeka. MPAD; Ministro na Presidência para os Assuntos Diplomáticos – Francisco Madeira. Dois Ministérios excedentes. Estes cargos são de assessores do Presidente. No mínimo um Ministro de Estado na Presidência. (Termina no próximo número).

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 15.02.2005

09-02-2005

RENAMO U.E. – A CONTRADIÇÃO

DIALOGANDO e Tribuna Livre

por muana orripa João CRAVEIRINHA

joaocraveirinha@yahoo.com.br

Est Modus in Rebus (…Latim: Em tudo há uma medida... um conselho à moderação…in Sátiras de HORÁCIO - 66 a.C. / 8 a.C.)

Na Fábula O Velho moleiro, o Menino e o Burro, do francês Jean De La Fontaine, a MORAL da “Estória” era que não se podia agradar a todos. Mesmo, era decidir pela nossa cabeça.

Esse Velho e seu Menino, o Filho, vão em jornada a uma Feira rural para venderem um Burro. No início andavam todos a pé de igual com o Burro (para não o cansarem e venderem-no por maior preço). Por onde passam o Povo vai reclamando, chamando-os de mais burros que o Burro. O Velho coloca o Menino na garupa do Burro e o Povo mais adiante também reclama contra o Velho –, porque sendo o mais velho devia ser ele a ir montado e o Menino mais jovem e forte devia ir apeado…e seguindo essa opinião acusam-no de falta de carinho pelo Menino a pé e o Velho montado, e, indo os dois sentados no Burro …era o coitado do animal com o peso de duas pessoas…dizia “outro” Povo… ora os dois a pé era por que poupavam demais o Burro…

Finalmente cansado de tanta desorientação “popular”, o Velho recua, assume o erro e corrige pela sua cabeça tirando o melhor benefício da situação. Eventualmente o Burro, menos cansado, com melhor aspecto saudável, seria vendido por bom preço. (Ver Fábula de Jean De La Fontaine,  1621 / 1695 - Le Meunier, son Fils, et l'Âne…http://www.jdlf.com/lesfables/livreiii/lemeuniersonfilsetlane).

Enfim, não se pode agradar a todos mas uma coisa é certa, ao se tomarem decisões das duas, uma: - ou se recua e se recomeça tudo de novo, recusando abertamente o que se afirmou antes, assumindo o erro, ou então se segue em frente, doa a quem doer.

Na questão da RENAMO – U.E, em tomar posse na A.R. – Assembleia da República, das duas, uma, ou assumindo a derrota eleitoral tomando posição desde o princípio como oposição, participando em todos os actos públicos inerentes, ou, por outro lado, mantendo-se por coerência, fechada, numa oposição inflexível rejeitando os resultados, não legitimando um Partido e um Governo que não se reconhece vencedor por mérito eleitoral, devido à Fraude como a RENAMO U.E, afirma. Mas aí não se toma posse na A.R. Dentro destes pressupostos, a RENAMO U.E, ao tomar posse na A.R., não só legitima a FRELIMO como Poder, vencedor, reconhecendo “ipso facto”, pelo próprio facto de “conivente” mas outrossim contraditório pela ausência na tomada de Posse do novo Presidente da República, eleito, por não o reconhecer oficialmente. Todavia, a mesma RENAMO U.E, aceita ir à A.R., tomar posse (com os salários respectivos e outras regalias e imunidades de deputado), em paralelo. Refugiando-se no seu “bunker”, temos irredutível de novo, o Líder dessa oposição auto – sequestrado, não dando a cara para o debate no Parlamento, liderando a sua bancada como DEPUTADO CHEFE quando necessário e enfrentando a FRELIMO directamente, aliás tarefa de um líder da oposição.

Resumindo: - Não se reconhece a FRELIMO como vencedora nem o novo Presidente porque razão se aceita tomar posse na A.R., e no Conselho de Estado? Haja coerência e que se assumam os actos de uma vez por todas sem hesitações e deixem-se de culpar os outros pelos próprios erros de estratégia política. Na realidade a RENAMO U.E, aceita nos benefícios e rejeita nos seus próprios erros de atitude. Infelizmente mais uma vez a RENAMO U.E, deu um tiro no próprio pé. Diga-se em sentido figurado! (FIM)

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 09.02.2005

06-02-2005

IN MEMORIAM de meu BABA MEDÓGO

Por João Craveirinha

JOSÉ CRAVEIRINHA 28.05.1922 / 06.02.2003

(Pela Segunda vez Órfão)

Nas tradições africanas, como as dos “baNto”, não existia o conceito de tio, tia, primos e avós. O avô é o Pai grande – o ancião – e a avó é a Mãe grande. O pai é simplesmente chamado de pai (baba). O tio é o pai pequeno (baba medógo). Os irmãos e primos são todos irmãos. Aliás, a cultura suhaíli serve de paradigma.

Dentro deste contexto posso dizer que fiquei órfão pela segunda vez em 6 de Fevereiro de 2003, do meu baba medógo Sontinho, José (porque nasceu num Dominguinho). Seria o maior Poeta de uma família de poetas e artistas natos e desportistas. Da primeira vez fiquei órfão em 4 de Julho 1997, aquando do desaparecimento físico em Portugal, de meu baba (bava), pai genético Mapilene, João (23.11.1920), o Segundo Poeta da família. Até em Latim Poemetos de Amor escrevia e aluno de vintes da Primária ao Liceu 5 de Outubro. O Primeiro Poeta conhecido da família, foi o Baba meculo (Pai grande), o algarvio José João, de mãe holandesa e de pai João Fernandes, judeu imigrado de Marrocos – um Sefardim, portanto. Na oriental praia moçambicana, nasceriam dois filhos do Baba meculo, José João Fernandes (o da amásia da “craveirinha”- local de cravos - flores - em Aljezur, Algarve), e de uma mãe meTombazana – rapariga – muRonga, a nossa avó Mangachane, rebaptizada de Carlota, filha dos maFumo de Bokisso e do Sabié, em caMpfumo. Nos registos consta ter nascido nas terras do chefe muLengue vulgo chope, Intchai-tchai (Xai-Xai), nos princípios do século XX. A Mamã grande, Mangachane, separada, teve um filho de um muRonga, que faleceu emigrante na África do Sul.

Os dois “mulatinhos”, João (1920 – 1997) e José (1922-2003), nasceriam no CHAMANCULO, na antiga estrada onde 40 anos antes, passavam os guerreiros do temido Zixaxa (pai de nuãMatidjuana desterrado nos Açores), quando avançavam no séc. XIX, para atacarem a cidadela de Lourenço Marques – xiLunguíne, na baixa. O local existe ainda hoje, defronte da antiga padaria do português Serrano.

Na adolescência, os dois irmãos, iriam viver para o bairro Arcas (vizinhos do Poeta Rui de Noronha), perto da Mafalala de adopção mais tarde e imortalizado no Mundo por José CRAVEIRINHA apesar de ter nascido no CHAMANCULO. Nesse local de nascimento passava a Estrada do Zixaxa que ia para o Xipamanine pelo campo de Futebol do Mahafil Issilamo. Entre essa Estrada e o minKadjuíne situa-se o grupo desportivo João Albasine, do Zagueta, 1º. Clube nacionalista africano de Moçambique (1915 / 20). Nesse Clube, o Poeta José Craveirinha conhecido por Intsilana (cavalo marinho), começaria em 1936 / 40, a prática do Futebol Federado da AFA – Associação de Futebol Africano, além do famoso Rondeu, irmãos Lucas da Fonseca –, Manuna, Matateu e Vicente e ainda Coluna de Magude, etc., e tal, nos tempos do racismo do branco em Moçambique, sem misturas sociais só sexuais, sempre com a “coitada e servil” da negra por baixo. O nome da Estrada do Zixaxa (Zihlahla) seria mudado nos anos 1950 / 60 e ainda permanece o nome de Rua dos Irmãos Roby “heróis coloniais portugueses” de Angola.

Na minha adolescência, O meu Baba medógo, JOSÉ, me repetia: - Na vida é preciso fazer tudo com nível. Nas Artes e Letras, no Desporto, Comer à Mesa, no Vestir e no Amar uma Mulher. O nível podia ser intelectual ou físico. O Pai (pequeno), JOSÉ, fazia tudo com nível. Bem, com nível não. Fazia tudo com ALTO NÍVEL ESTÉTICO.

Em vésperas do meu embarque à Europa (fins 2001), meu Pai (pequeno) me disse: - Sabes, agora eu sou o teu Pai. O meu Irmão e teu Pai, já partiu. Só me tens a mim. Além do Hélder teu irmão (em Lisboa), tens da minha parte o Stélio (Newton), o Júnior (Zeca) e a Carla (Soverano) em Madrid, são teus irmãos. Vocês têm de estar unidos e tu és o Mais Velho. Aproximam-se tempos mais difíceis, sobretudo para o STÉLIO Newton desprotegido.

JOSÉ CRAVEIRINHA, o POETA e ESCRITOR da Modernidade moçambicana, não morrerá jamais. A sua dimensão ultrapassara a dimensão do País Moçambique muito antes do Prémio português Camões, em 1991. Ele próprio era um País, na Universalidade da sua capacidade filosófica de (re) interpretar a vida, com a sua visão premonitória na esperança de um amanhã melhor, ainda por acontecer...

... A emoção do momento me embarga a criatividade bloqueando a continuidade deste modesto apontamento IN MEMORIAM de meu BABA MEDÓGO, e, me fico por aqui... (FIM)

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 07.02.2005

03-02-2005

Moçambique – Feitiços, Cobras e Lagartos

Jcraveirinha_instcamoes1_1 Da esquerda para a direita: Adido Cultural e Embaixador de Portugal em Moçambique. Vice – Ministro da Cultura de Moçambique Luís Covane, Dona Edite da Minerva Central e o autor João Craveirinha Feitic02_1 Comentário por Luís COVANE na apresentação do Livro Moçambique; Feitiços, Cobras e Lagartos· O Dr. Luís COVANE é Historiador e vice – Ministro da Cultura de Moçambique na África Oriental do sul em 2003. Em 14 de Março de 2003 fez a (re) apresentação de um livro de João CRAVEIRINHA… no Instituto Camões, em Maputo por ocasião do 95º aniversário da 1ª Livraria portuguesa na África Austral. Contou com a presença do Embaixador e do Adido Cultural de Portugal na República de Moçambique. Apresentação do Livro por Luís Covane: …É para mim uma grande honra e privilégio proceder à apresentação deste livro, embora seja pela 2ª vez, uma vez que tive a oportunidade de assistir ao 1º lançamento onde uma personalidade das letras moçambicanas fez uma sábia e eloquente apresentação desta obra, intitulada: “Moçambique: Feitiços, Cobras e Lagartos! Crónicas Romanceadas.” Este lançamento, integra-se nas celebrações do 95º aniversário da Minerva Central, casa que ao longo de quase um século, acarinhou os estudantes, professores, estudiosos e amantes da leitura em Moçambique. Aproveito esta oportunidade para felicitar a Minerva Central pelo seu aniversário e formular votos para que continue a prestar a sua valiosa contribuição na luta pela elevação do nível sócio-cultural e cientifico dos moçambicanos através da disponibilização do livro. João Craveirinha é um investigador, escritor, amante da história e cultura moçambicanas que dispensa apresentação. A modesta biografia que nos é apresentada na obra, permite visualizar a grandeza do homem, do investigador e incansável trabalhador na busca do esclarecimento do passado, do presente e dos desafios da sociedade moçambicana. O livro de Craveirinha é muito especial. A sua leitura não é cansativa. Não é preciso ler todo o livro para compreender a história; cada texto é uma história completa e sem qualquer tipo de ligação com o anterior ou o seguinte. A história da sua produção justifica a sua natureza. Este livro é uma brilhante colectânea de textos. A obra é composta por vinte e quatro textos, sendo dez dos quais caracterizados por uma grande componente de história e etno-história e os restantes por aspectos sócio-culturais e económicos que marcaram e marcam a sociedade moçambicana. As partes que tratam da história ou etno-história confirmam que João é um profundo conhecedor dos arquivos, dos documentos e escritas sobre o passado longínquo e recente de Moçambique. A maneira como ele aborda algumas peças da história pré-colonial de Moçambique, principalmente sobre os processos ocorridos na 2ª metade do sec. XIX, lança sérios desafios aos historiadores e estudiosos moçambicanos. Para os que terão a oportunidade de ler este livro, chamo à atenção para as dificuldades de conferência ou verificação das fontes consultadas, resultante da opção que ele tomou de explicitar algumas e deixar a maioria na penumbra. A decisão de não revelar todas as fontes parece um convite para a pesquisa. É um convite para visitarmos os acervos documentais do Arquivo Histórico de Moçambique, do Instituto de Investigação Sócio-cultural (ARPAC) e outros. Confesso que a quantidade de dados é impressionante. Nomes, datas, locais e episódios emprestam às partes históricas da obra um rigor discursivo de qualidade invejável. A obra de Craveirinha ofereceu detalhes inéditos sobre o crescimento da cidade de Maputo. É impressionante o tratamento dos conflitos entre os portugueses e os reinos e as chefaturas vizinhas da Baía, bem como as guerras entre o Estado de Gaza e as formações políticas do sul e centro de Moçambique. A origem e o desenvolvimento dos bairros da Mafalala, Chamanculo e Munhuana nos são historiados de uma maneira igualmente bastante detalhada. Temos informações muito interessantes sobre os conflitos luso-britânicos pela posse de Lourenço Marques que culminaram com a arbitragem do Presidente Mac-Mahon em 24 de Julho de 1875 a favor dos portugueses. Quero manifestar a minha concordância com o autor quando cita o Prof. Dr. Tito Lívio “A história é uma reconstituição da realidade que contém mais que a realidade, o que não está nos documentos: a contribuição do espírito”. Acredito que muitos dos que tem trabalhado na arte da escrita da história reconhecem que no penoso processo cognitivo as divergências entre os historiadores não surgem na identificação e categorização dos factos históricos, mas exactamente na sua interpretação. É na construção do discurso histórico que os elementos subjectivos, como muito sabiamente reconhece o autor, ao citar o Prof. Lívio, onde surgem os posicionamentos, os objectivos e as motivações dos sujeitos do conhecimento. Isto significa que por mais profundo que seja o conhecimento ele nunca é igual ao objecto do conhecimento. O conhecimento é, sim, produto da interacção entre o sujeito e o objecto do conhecimento. Com Craveirinha encontramos fundamentação suficiente para dizermos que a história não é igual ao passado. Temos elementos para dizermos que o elemento subjectivo é incontornável na produção de textos históricos. Sentimos em cada parágrafo dos seus textos que o historiador é um ser social que vive intensamente o seu tempo e o seu meio social, que o influenciam sobremaneira. O historiador escreve para audiências bem definidas. O texto histórico visa influenciar e/ou moldar atitudes, comportamentos no presente e na previsão do futuro. Craveirinha está muito presente nesta obra como um homem e como agente activo na luta pela transformação da sociedade em que vive. Não me parece relevante discutir as convicções e opiniões do homem João Craveirinha aqui expressas. O importante é a sua contribuição que nos permite revisitar o passado recente e remoto da nossa sociedade. O desejo de moldar atitudes e comportamentos, principalmente de amor à pátria, justifica que governos e instituições canalizem recursos para a investigação e ensino da história. Programas de história são concebidos para que o cidadão, desde a sua tenra idade, se apetreche não só de conhecimentos dos factos do passado, mas essencialmente para desenvolver o espírito patriótico e de pertença a um povo com tradições e valores que o tornam diferente dos outros. A história tem um papel a desempenhar na afirmação de uma sociedade e de um povo. No nosso caso, a história oferece os alicerces da moçambicanidade. É muito interessante a citação extraída de uma publicação colonial referente à posição de Manicusse em relação ao comércio dos escravos: “Aquele que vende seu semelhante merece com justiça ser perseguido e caçado mais do que os leopardos e leões...”. Esta declaração do 1º Imperador de Gaza ajuda a esclarecer a natureza dos poderes africanos antes da conquista colonial e permite fazer uma avaliação diferenciada dos interesses e fontes do poder. Ficamos a saber que nem todos os aristocratas africanos viam no comércio de escravos uma forma importante de acumulação de riqueza e de reforço do seu poder e prestígio. Aprendemos igualmente que a justificação dos europeus para a prática do comércio de escravos não era por razões humanitárias. Os ideólogos europeus da última fase do capital mercantil em África sustentavam que a transformação do homem em mercadoria era para salvar os cativos das infinitas guerras sangrentas que caracterizavam a África Negra. Agora ficamos a saber que era mentira! Eram os europeus que instigavam as guerras intra e inter estados, reinos e chefaturas como forma de produção de escravos. É impressionante como o autor diagnostica o estado de saúde da capital do país e propõe alternativas para se sair da crise. O autor regista nesta obra seis espaços que poderiam ser eleitos para acolher a capital do país: Gurué, Morrumbala, Nampula, Nacala, Ilha de Moçambique e Lichinga. É uma opinião! Ele identifica as cidades que já foram capitais de Moçambique e discute, alguns exemplos de países cujas capitais não são cidades costeiras nem portuárias. Uma coisa que Craveirinha não esgota é porque é que muitas pessoas falam sempre mal da capital, mas que ninguém a quer abandonar. Nesta obra ele faz desfilar as mulatas Safirana de Chamanculo, Saira da Matola 700, Gabriela da Mafalala e a sogra para nos mostrar os perigos da degradação do tecido social em Maputo. Nesta viagem somos obrigados a fazer paragens múltiplas para pensarmos no dia a dia pouco dignificante de algumas vizinhas ou filhas de vizinhos e das jovens desconhecidas que vemos na rua. Os comportamentos condenáveis representados por estas personagens, encontram em João Craveirinha explicação no nosso complexo sócio-cultural. Os maus espíritos e a feitiçaria explicam quase tudo. O autor dispensa o recurso a causas de natureza económica e política na explicação da actual situação de Moçambique. O espaço que hoje se chama Moçambique foi delimitado numa situação colonial. Antes da imposição do domínio colonial coexistiam em “Moçambique” várias unidades políticas, umas centralizadas, outras de carácter linhageiro. É neste espaço outrora caracterizado por uma grande fragmentação política que hoje estamos a construir uma nação una e indivisível, que reconhece a diversidade étnica sócio-cultural e histórica. Isto quer dizer que as histórias locais do período pré-colonial devem ser investigadas, divulgadas e respeitadas, sem que no entanto esse exercício concorra ou contribua para minar a nossa unidade em permanente construção. Para terminar, gostaria de dizer que foi bastante gratificante ler a obra de Craveirinha. Este livro é mais um testemunho de que o homem, como ser social, é dialogante, tendo necessidade de interagir constantemente com os seus semelhantes. Crónicas Romanceadas é um instrumento de troca de ideias, opiniões, conhecimentos e convicções. A escrita é a forma que Craveirinha elegeu para o diálogo, sempre necessário, sobre o nosso passado, presente e perspectivas do futuro. Parabéns Craveirinha! Parabéns por este livro de 24 livros! Muito obrigado! - Maputo, 14 de Março de 2003 Para mais informações sobre a obra –, Moçambique – Feitiços, Cobras e Lagartos ver nos seguintes saites: Moçambique: Feitiços, Cobras e Lagartos – João Craveirinha: - http://www.macua.org/livros/feiticos.html - www.me.co.mz – autores pag. 4 - http://maputo.co.mz/article/articleprint/375/1/54 - http://www.ccpm.pt/r31_p69.htm - www.TE.pt ou www.MEDIABOOKS.pt e ver...À conversa com…outras entrevistas Breve Bibliografia – - História da África Negra de Joseph KiZerbo e de John Fage - Os Negros em Portugal – Uma Presença Silenciosa … José Ramos Tinhorão - Os Pretos em Portugal colecção Pelo Império edição anos 1930 - Navios Negreiros : http://www.segal1945.hpg.ig.com.br/navio.htm - Chronological References: Cabo Verde / Cape Verdean American : Raymond Almeida : http://www.umassd.edu/specialprograms/caboverde/cvchrono.html (…”historians Sena Barcelos, Antonio Carreira, and Daniel Pereira, ethnographers Felix Monteiro and Luis Romano, official U.S. Customs records, the research of Richard Lobban, Deidre Meintel, Marilyn Halter, George Brooks, and other contemporary American scholars, interviews with Cape Verdean-American community scholars”…) - Companhia de Moçambique - http://companhiademocambique.blogspot.com/ - Mártires de Massangano – autor Capitão Pereira Galante – Imprensa Nacional 1945 – Lourenço Marques (edição proibida pelo governo colonial por se referir às humilhantes derrotas portuguesas contra o Bonga de Tete durante 35 anos) - Augusto de Castilho na Zambézia – autor Dr Victor Santos, colecção Pelo Império nº 125 – Lisboa 1952 - A República Militar da Maganja da Costa 1862-1898 – autor José Capela, edições Afrontamento. Porto 2ª edição. (1ª edição Maputo 1988) - Escravismo Colonial em Moçambique – autor José Capela, edições Afrontamento. Porto 1993 - Glórias e Martírios da Colonização Portuguesa – autor General Ferreira Martins, colecção Pelo Império nº 56 – Lisboa 1939 - Caldas Xavier – autor Manuel Múrias, colecção Pelo Império nº 90 – Lisboa 1943 - Neutel de Abreu – autor Manuel Ferreira, colecção Pelo Império nº 116 – Lisboa 1946

01-02-2005

Quo vadis Moçambique e os Colonialismos obstinados

TRIBUNA LIVRE

Coluna de João CRAVEIRINHA

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

AOS SERVIS / Do meu inconformismo/ não ambicionem/ a constância. / Na ignóbil assunção do asco / é mais heróico o dom / do servilismo. / (Poema inédito de

JOSÉ CRAVEIRINHA em 1995)

A liberdade de expressão não pressupõe a falta de respeito a dirigentes de Moçambique por mais incompetentes que possam ser ou não. Todavia em certa CSM – Comunicação Social Moçambicana, de amiúde, são publicadas atordoadas fora de contexto e do tempo, revelando uma total falta de amor-próprio como Moçambicanos, dos próprios articulistas, fazendo o jogo sujo dos racismos pós-coloniais não exorcizados pela maioria dos Portugueses “brancos”, dentro e fora de Moçambique. Parecem órgãos de informação criados para “dizer mal” de tudo que é Moçambicano, africano e do “preto”, justificando assim a pretensa falta de capacidade congénita desse mesmo “preto” para se auto-governar. Ao fim ao cabo esses editores e escribas “pretos” revelam uma atitude de servilismo e de “molequismo” no seu mais abjecto anti-eu aceitando que sejam tratados com menoridade intelectual por reflexo.

Portugueses elogiando políticos Angolanos da oposição, apologistas “do paraíso perdido do período colonial” (para quem?), em detrimento da Independência e extrapolarem isso para Moçambique é pura demagogia perigosa e alienatória, reflectindo, uma miopia analítica, pois mais uma vez os Portugueses que tal escrevem não percebem nada do contexto político africano de África e em particular de

Moçambique. Sempre um olhar com olhos superiores de antigo capataz português do antigamente, em que o bom “preto” é o bom rapaz (boy) ingénuo (naïve) que aceita saguates de restos e servil “sorri feliz” porque o “patrão branco” está satisfeito com ele e dá palmadinhas nas suas costas. Mas que não pise o risco, senão…”porrada se refilares”. Como dizia o Poeta nacional de Angola.

… “É preciso não esquecer que tivemos no passado problemas de racismo. E agora parece que voltamos a esse passado, que pensávamos que já fazia parte da nossa História. Mas creio na capacidade analítica dos moçambicanos, e iremos entender e lutar contra esta nova vaga de racismo. Há formas disfarçadas de racismo”, disse insistentemente Simão”... (in Leonardo Simão

em Londres, em Março 2001, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação).

Não se gostar da FRELIMO não dá o direito de insultar os seus dirigentes. O mesmo se aplica para com os da RENAMO e outros. O facto de terem acontecido arbitrariedades cometidas pela FRELIMO não lhe retira o papel e o peso e valor Histórico de ter

conquistado a Independência como em menor grau lutou o COREMO, destruído pela FRELIMO em conivência com as autoridades Portuguesas de então (1974), Tanzânia e do Malauí (Malawi) e abandonado pelos EUA (CIA), Zâmbia, Egipto e China Popular que

os apoiaram (ao COREMO).

Regressando ao tema de hoje, conjecturo porque razão essa Comunicação Social Moçambicana, também já agora, não “ataca” os dirigentes políticos Portugueses pelo “amordaçamento” dos cidadãos Portugueses de ascendência negra africana, residentes em Portugal? País de adopção onde não tem visibilidade por impedimento cívico de ordem vária em termos de participar na vida sociopolítica e empresarial

portuguesa. Nem um Deputado Negro na Assembleia da República em Lisboa. (Salazar pelo menos disfarçava e tinha lá uns tantos a fazer de conta representando Moçambique, Angola, Stº Tomé, Cabo Verde e Guiné). Nas Televisões, nem pensar. São cerca de 1 milhão de negros portugueses e são tratados como cidadãos de 3ª mas são portugueses. Cerca de 10% de uma população total de 10 milhões. Uma presença silenciosa. Para as cadeias tem visibilidade em desproporção. (Nos Futebóis não conta por não ser actividade intelectual e não haver muito melhores).

E em Moçambique essa Comunicação Social, reflectindo um complexo colonial (re) publica textos insultuosos, enviados por Portugueses, contra os seus dirigentes Moçambicanos. Impensáveis serem aceites textos do género, pelos editores Portugueses nas edições de seus jornais em Portugal, caso um jornalista Moçambicano, enviasse artigos a maldizer dos dirigentes Portugueses. Então que haja reciprocidade e deixemos de colonialismos culturais e mentais. Ou então que se tenha mais orgulho em ser Moçambicano!

Quo Vadis Jornalismo em Moçambique? É mesmo de se perguntar –, para onde caminhais escribas da terra?

Roupa suja lava-se em casa. Mais dignidade, por favor!

CORREIO DA MANHÃ (Maputo) – 01.02.2005

30-01-2005

COMBATE DE MARRACUENE GUAZA MUTHINE – 2 FEVEREIRO 1895

DIALOGANDO especial

Foto Legenda por João CRAVEIRINHA

Uma Imagem Vale Mais que Mil Palavras! (Provérbio Chinês)

COMBATE DE MARRACUENE

    GUAZA MUTHINE – 2 FEVEREIRO 1895

    Combmarracuene       

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Mpfumo_2

Pedrobaessa_1

Caldas_xavier

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Ao alto o Combate de Marracuene em Guaza Muthine, Moçambique, em 2 de Fevereiro de 1895 sem vencedor definido. Em baixo à esquerda, imagem de 16 de Abril  de 1899, nos Açores, do chefe da revolta anti - colonial  nesse Combate, o príncipe ronga nuãMatidjuana caZixaxa Mpfumo. Traído pelo Imperador de Gaza, Gungunhana, seria desterrado para os Açores, onde constitui família açoriana. No centro o caboverdiano Pedro Baessa, intérprete dos portugueses nesse Combate, chefiado pelo major Caldas Xavier, na foto ao lado. Mais tarde Baessa passaria por Tete e fixa-se em Nampula onde deixaria descendentes aos dias de hoje. (FIM)

02 Fevereiro 2005 joaocraveirinha@yahoo.com.br

COMBATE DE MARRACUENE

GUÁZA MUTHINE – 2 FEVEREIRO 1895

«…Fambane pambene va-landííí – nhimpííí»…

(tradução: para a frente gente da terra – guerra – ataque; voz de comando de nuãMatidjuana)

Uma Imagem Vale Mais que Mil Palavras. Assim reza um Provérbio Chinês. Era este o subtítulo que me veio à ideia quando montava uma Foto Legenda para a efeméride do Guáza Muthine, utilizando uma pintura colonial do Combate de Marracuene, Moçambique, em 2 de Fevereiro de 1895 sem vencedor definido.

Em baixo da pintura à esquerda, coloquei uma imagem de 16 de Abril de 1899, tirada nos Açores, do chefe dessa revolta anti – colonial, o príncipe ronga nuãMatidjuana caZixaxa Mpfumo. Seria entregue aos portugueses em Chissano, Gaza, pelo Imperador Gungunhana que o traiu. Nuã – Matidjuana desterrado para os Açores constitui família açoriana e ironicamente ficaria no cativeiro com o homem que o entregou quando exilado em seu território de Gaza anos antes. No centro dessa minha montagem coloco o caboverdiano Pedro Baessa (sénior), intérprete dos portugueses nesse Combate chefiado pelo major Caldas Xavier, na foto a seu lado. Mais tarde, P. Baessa, passaria por Tete e fixa-se em Nampula onde deixaria descendentes aos dias de hoje. Um seu filho, de mãe moçambicana, também Pedro Baessa (júnior), falecido em Fevereiro de 1985, chegaria a Presidente da CM Nampula em 1964.

Mas afinal o que se teria passado em Guáza Muthine? - No meu livro Moçambique – Feitiços, Cobras e Lagartos, da página 147 à página 156, tentei descrever de uma forma quase de “ guião cinematográfico”, este combate em Guáza Muthine –, o célebre Quadrado colonial de Marracuene…”Muthine quer dizer lugar de, em língua xi-ronga, e Guáza significa trespassar”…com a lança. Esta efeméride é festejada por muita gente mesmo sem saber ao certo o que aconteceu…”Quem diria hoje que a festa de Guáza Muthine fora proibida de 1975 (na transição) a 1994 pelo poder político revolucionário instalado em Moçambique?”…Outra das confusões é querer conotar com Gungunhana esta revolta dos vaRonga devido aos registos coloniais não admitirem que para além do Império de Gaza outras chefaturas no centro e sul de Moçambique também não se submetiam aos portugueses…”Num discurso em 14 de Março de 1942 “Marcello” Caetano disse: - «Teoricamente possuíam os portugueses na costa oriental extenso domínio, por virtude da utilidade do litoral. Mas, tirando pequena parte da Zambézia e da Ilha de Moçambique, a soberania portuguesa era nominal e os potentados negros e mulatos escarneciam-na impunemente. De maneira que a ocupação efectiva, subjugar potentados, vencer rebeldias, instalar autoridades representativas da soberania portuguesa e assegurar aos colonos o livre trânsito, a segurança e a paz, foi uma nova aquisição das colónias africanas ao fim do século passado (XIX).»…idem in pag. 28, Capítulo II de Terra dos Mpfumos a Lço Marques, Cidade-Capital.

Os eventos seguintes ao Combate de Marracuene…”Meses mais tarde, nuãMatidjuana e Mahazul (chefe dos Magaias) reorganizam-se a norte de Marracuene em Magul, onde se dá novo confronto com o exército colonial, chefiado por Freire de Andrade. Os va-ronga saem derrotados em 7 de Setembro de 1895. Os portugueses espalham o terror na região incendiando as povoações obrigando os chefes locais a prestar-lhes vassalagem. Gungunhana não quis intervir mais uma vez em auxílio aos seus aliados rongas. Aguardava”…ibidem, Moçambique – Feitiços, Cobras e Lagartos, pág. 154.

Guaza Muthine é caracterizado por ser um local sagrado de espíritos dos cerca dos 66 guerreiros vaRonga onde …”mortos no local foram enterrados e os feridos eliminados amontoados e cremados com petróleo, deixando um cheiro nauseabundo no ar”…idem.

Que este ano a 2 de Fevereiro de 2005, não seja de novo “o Ano da fúria de todos os espíritos da floresta de Marracuene” como nos anos anteriores, sobretudo em 2000 e 2001, com inúmeros acidentes de viação num total de dezenas de mortos e feridos conotados com esta efeméride devido ao excesso de bebidas alcoólicas e má condução…”Que os espíritos sagrados do Bosque da árvore do canhoeiro em Marracuene nos perdoem e nos protejam!!!”…(FIM)

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 31.01.2005

28-01-2005

Achega ao Angolano Guilherme GALIANO da RDP/África

Crónica Semanal

por João CRAVEIRINHA

Na semana passada numa amena e animada conversa radiofónica David BORGES (director da RDPÁfrica) e Guilherme GALIANO (ambos de Angola obviamente), dissertavam sobre a origem da Raça Humana ser proveniente de África ou não face aos dados científicos existentes ou melhor à informação mais ou menos abalizada de cada um. Conhecimento maior ou menor de causa. Bem, David Borges perorava sobre a Origem Africana de toda a Raça Humana ao contrário de G. Galiano que aventava a hipótese de ser Asiática. A propósito e em conformidade surge a ideia desta achega para elucidar segundo as últimas “aportaciones”: Eis alguns elementos reportados em 19 Janeiro 2005, fonte BBC, Londres: … “Amazing hominid haul in Ethiopia”…(Extraordinário achado na Etiópia por caçadores de Fósseis trabalhando no local desenterram restos de pelo menos 9 hominídeos primitivos datados entre 4.5 milhões a 4.3 milhões de anos de idade. Os fósseis encontrados pertencem à mesma espécie dos – Ardipithecus Ramidusdescritas há dez anos. São partes de mandíbula, dentes e de mãos e pés). …”It is a very important finding”... (É uma descoberta muito importante porque confirma que os hominídeos andavam erguidos de pé definitivamente a 4.5 milhões de anos – afirmação do investigador Sileshi Semaw do Instituto do Artesanato da Idade da Pedra na Universidade de Indiana em Bloomington nos EUA. Outro especialista, Professor Tim White da Universidade da Califórnia, Berkeley, considerou plausível este achado do “A. Ramidus” ser antepassado dos últimos hominídeos conhecidos. O “Ardipithecus Kadabba” outro fóssil mais antigo da mesma espécie teria vivido entre 5.54 a 5.77 milhões de anos também na Etiópia).

Detalhes da descoberta encontram-se na última revista “nature.com – the world’s best science on your desktop; 433, 301 – 305 (20 Jan 2005). Esta nova descoberta, segundo nossa busca de mais informação, aconteceu na região norte etíope de AS DUMA em GONA na escarpa ocidental de ARFAR parte da enorme Fenda (Rift) do Vale Etíope. Zona de sedimentações de lavas vulcânicas. Chade, Etiópia e Quénia são as regiões de onde poderão ter surgido uma evolução para o “Australopithecus”.

Como se devem recordar os mais famosos fósseis “Australopithecus” foram da chamada “Lucy” (datada em 3.18 milhões de anos) e encontrados pelos especialistas de Paleontologia – antropológica, Donald JOHANSON e Tom GRAY em HADAR na Etiópia, em 30 Novembro 1974, lançando mais pistas sobre a evolução humana. Nome de “Lucy” porque na noite da descoberta do esqueleto quase completo, celebraram bebendo, cantando e dançando a canção dos Beatles, “Lucy num Céu de Diamantes” e sem darem conta LUCY foi o nome escolhido…”Later in the night of November 30th, there was much celebration and excitement over the discovery of what looked like a fairly complete hominid skeleton. There was drinking, dancing, and singing; the Beatles' song "Lucy in the Sky With Diamonds" was playing over and over. At some point during that night ­ no one remembers when or by whom ­ the skeleton was given the name "Lucy." The name has stuck”... (http://www.asu.edu/clas/iho/lucy.html#name).

Estudos Genéticos Comparativos, Biomoleculares, sugerem ter existido um antepassado comum entre os modernos macacos chimpanzés e humanos há cerca de 6 milhões de anos. (http://www.nature.com/dynasearch/app/dynasearch.taf).

É o melhor, “the best”, da Antropologia de Investigação Científica no terreno, em marcha. Hoje e cada vez mais tudo indica –, o Berço da Humanidade ser África, até prova em contrário. Pois é maninho Guilherme Galiano, o “big brother” está de ouvido atento e “observa – te”! E não estamos no Planeta dos Macacos! Eheheheheh !! (Fim)

O AUTARCA - 28.01.2005

24-01-2005

A PROPÓSITO DA ALMA

por João Craveirinha

APRÈS  MOI  LE  DÉLUGE

(in Rei Louis XV de França)

         O rei francês Louis XV (1710-1774), amante dos prazeres e de Madame Pompadour, teria dito que: …”DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO”… Referia-se à queda  iminente da monarquia francesa.

Depois dele, com o eclodir da Revolução Francesa, o seu sucessor o rei Louis ou Luís XVI seria preso, condenado e a cabeça cortada na guilhotina em Paris a 21 de Janeiro de 1793. A França mergulharia em convulsões e guerras até à queda de Napoleão Bonaparte. Isto vem a PROPÓSITO da ALMA e da queda dos valores na sociedade. É o novo DILÚVIO.

Uma tarde deparei com um texto interessante do escritor luso, Alçada Baptista, dissertando sobre a Alma citando Simão – o Mago gnóstico (sábio) de Alexandria do 1º século (?!) da era Cristã… teria cometido a “HERESIA GNÓSTICA” ao afirmar que a Alma é uma pequena chama que ao nascermos é colocada dentro de nós, se desenvolve ou fenece se apagando.

Outra das citações refere-se ao Padre jesuíta, José Anchieta (1534 - 1597) quando na Amazónia no Brasil, pediria a uns índios que lhe transportassem a bagagem para um local muito afastado e se apressassem. Depois de cerca de dois dias de caminhada rápida os índios teriam parado para descansar. O Padre Anchieta impaciente perguntaria aos índios a razão da paragem se ainda não tinham chegado ao destino? Ao que os indagados retorquiriam: …”É que nós viemos depressa demais e a nossa alma ficou lá para trás. Temos que esperar aqui que ela chegue”…Bem, com esta introdução, António Alçada Baptista, emérito intelectual português, desenvolveria o tema de na sociedade moderna se andar muito acelerado numa vida agitada e por tal se tornando ela cada vez mais sem ALMA, desumanizada, desatenta aos valores humanos…”desalmada”…É um texto interessante sobre a perda de valores éticos na sociedade livre onde os jovens seriam o fruto ou vítimas da falta de crença nos altos valores porque a geração anterior (a dos pais) não acreditava em nada – a geração dos pais seria a geração dos “anarcas” das revoluções contestatárias, sem Deus sem religião – dizemos nós. Hoje a sociedade estaria a pagar com o reflexo dos comportamentos anti-sociais…”puseram-se a dizer que a juventude é que sabia (…) ela é que conhecia os valores que iriam fazer o futuro (…) não é a juventude que sabe, mas tem a obrigação de aprender quais os valores que nos regem e aqueles que nos hão-de reger”…diz o escritor luso.

Finalizando Alçada Baptista reforça esta análise com o facto da imagem que nos teria sido transmitida da ALMA…” e da sua relação com a transcendência espiritual era uma coisa muito triste e que isso talvez nos tenha afastado da ALMA e de todas as solicitações que ela nos devia trazer”…Alçada Baptista continua no entanto que talvez a ALMA não fosse assim tão triste. Teriam era nos ensinado a vivê-la no seu lado mais cinzento e …” do lado da angústia em vez de a procurarmos do lado da alegria e do êxtase”…Evidentemente que o escritor se referia, paradoxalmente, à educação religiosa da geração dos pais dos actuais adolescentes que pecava pelo “excesso de castigos celestes”, acabando por não desenvolvermos a ALMA com optimismo. Resumindo Alçada Baptista enfatiza: …” Mas Simão, o Mago, tinha razão: NEM TODOS TEMOS ALMA”…Até à próxima! –

(Pedimos desculpas aos nossos leitores pela ausência desta coluna, sem aviso prévio na semana passada, devido a problemas técnicos cibernéticos).

24 Janeiro 2005 – O Autarca da Beira  e ZOL

23-01-2005

Tempo de mudar a capital de Moçambique

TRIBUNA EXTRA

Coluna de João CRAVEIRINHA

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

O Presidente da República Armando GUEBUZA e a Nova Legislatura, confirmados vencedores das últimas polémicas eleições, têm a árdua tarefa de manter a Unidade territorial geográfica Moçambicana no imaginário colectivo da mentalidade do cidadão a norte do rio Save. Tendências “a la etarras separatistas Bascos de Espanha” em Moçambique, numa altura destas, é de se bradar aos Céus. Venham essas vozes étnico – separatistas do alagado e malárico Bairro da Munhava na cidade da Beira – Aruângua kuSena, venham de Maringoé, da Gorongosa, ou de Quelimane ou mais acima ou mais abaixo em Mambone (da feitiçaria) em Govuro – Inhambane; o facto é que o discurso da RENAMO de uma vez por todas terá de mudar pela positiva caso queira algum dia governar Moçambique. Não há dois Moçambiques e o País não pode parar. Todavia, em nossa opinião, a Nova Legislatura terá também de projectar a curto prazo uma solução visando estar mais perto do Centro e do Norte “fisicamente” –, isto é, provisoriamente por etapas avançar para a Mudança DEFINITIVA da Capital do País, “libertando” a cidade de Maputo/caMpfumo. É muito mais importante do que se julga. A questão de custos financeiro – económicos avultados, para essa mudança, não serve de base pois tarde ou cedo estará em causa a integridade geográfica face ao descontentamento em crescendo, das populações a norte do rio Save ao Lúrio e o preço a pagar poderá ser muito mais caro. Esse Projecto passaria por 3 fases:

01. Curto Prazo: De imediato mudar a Capital (Sede do Governo) para a Matola ou melhor ainda para as Mahotas – Albasine, potenciando o Desenvolvimento nessa direcção aliviando a pressão sobre a edilidade da Cidade de Maputo ou subalternização do respectivo Conselho Municipal perante o Governo Central em “choque” de competências.

02. Médio Prazo: Entretanto preparar-se-ia a cidade da Beira/Aruângua (corrigindo o nome) para ser a capital provisória de Moçambique dentro de UM ANO, esvaziando qualquer sentimento político de exclusão ou de antagonismo regionalista fomentado só o diabo sabe por quem para uma obtenção de poder político a todo o custo mesmo desgovernando o país sacrificando uma vez mais o POVO para além do limite.

E que o Palácio da Ponta Vermelha seja um Museu Colonial da memória histórica Moçambicana, aberto ao público, rompendo os actuais senhores com a arrogância ou alienação axiomática, obsessiva, de fazer questão de ocupar o espaço físico luxuoso deixado dos antigos senhores do colonialismo. Que se construa outro Palácio de raiz noutro local se for o caso.

03. Longo Prazo: Mudar a Capital para a ZAMBÉZIA no Fim desta Legislatura que começa, conquistando definitivamente as gentes da Zambézia para o Desenvolvimento e fixação do jovem à sua Província na próxima Legislatura de 2010/2015 porque se a RENAMO alguma vez ganhar as eleições “nunca” colocará a Capital de Moçambique na Zambézia por falta de coragem em sair da Beira que considera sua “propriedade especial” porque “lutamos 16 anos”.

A FRELIMO dizia também ser “dona” de Moçambique porque “lutamos 10 anos” e deu no que deu.

CORREIO DA MANHÃ (Maputo) – 24.01.2005

10-01-2005

O embaixador inglês, o de Ghana, a salada e o frango no churrasco e anexo - ACHEGA A BASTONÁRIO

TRIBUNA LIVRE

Coluna de João CRAVEIRINHA

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Anedota Verídica contada em Dar-es-Salaam (1970), por Shafrudin Mahomed Khan, Veterano da Luta Armada de Libertação de Moçambique. Foi adicionado mais tempero na narrativa romanceada. (Em 24 de Dezembro de 1996, Shafrudin Khan em funções

como Embaixador Plenipotenciário Moçambicano, foi torturado e assassinado em sua casa em Zâmbia por um esquadrão da morte enviado de Maputo).

INTRODUÇÃO

Em 1957 Ghana seria o primeiro País da chamada África Negra a ficar Independente. O colonialismo britânico, foi a antiga potência colonial de Ghana cujos diplomatas a princípio não eram bem aceites, como colegas, pelos diplomatas europeus ainda com colónias em África, agastados pelas intervenções nacionalistas africanas de “Kuame” Nkrumah (1909), primeiro Presidente de Ghana. Em 1966 seu governo sofre um “Coup d’État” (golpe militar) acusado de ditadura e de culto da personalidade. Vai para o exílio e morre em 1972 em Bucareste, Roménia, deixando o sonho de uns “Estados Unidos de África”. Em vida foi um dos fundadores da OUA em 1963 e árduo apoiante da Libertação de África do colonialismo e do apartheid num espírito Pan-Africano.

Excluindo a Etiópia e mais a norte os países arabizados do Marrocos, Líbia, Tunísia, Egipto e Sudão, não havia mais diplomatas Africanos de Países Independentes. A África do Sul “branca” não contava devido ao apartheid racista contra o negro e afins

apoiada pelos vizinhos coloniais portugueses (Angola e Moçambique) e da Rodésia também “branca”.

A DIGNIDADE DO DIPLOMATA NEGRO – AFRICANO

Nesta mini-história em “black and white” o cenário situa-se nas Nações Unidas em Nova Iorque num almoço entre diplomatas de vários países em fins da década de

1950. Na enorme mesa defronte do Embaixador de Ghana encontra-se o Embaixador Inglês a comer uma salada com garfo e faca –, alface, orégão, pimento, bacon, etc…O Embaixador Ghanês “devora” com deleite um frango no churrasco agarrando com os dedos o infeliz galináceo à “boa maneira” tradicional africana.

O diplomata “British” (Britânico), sentia-se incomodado pela quebra da etiqueta na mesa, do seu ex-colonizado.

Indignado não se contendo tenta humilhar o africano e diz:

-. “ Caro Colega, na minha terra (Grã-Bretanha), quem come frango agarrando com “os dedos” são os cães.”

Forma-se um silêncio de cortar à faca. Os diplomatas europeus e americanos, presentes, esboçam um sorriso cúmplice de superioridade sem contar com a resposta

do Ghanense.

O diplomata Ghanês, interrompe a delicada operação mandibular e responde com o mesmo cinismo acrescido de “fair play”:

-. “Beg your pardon, Sir?” (desculpe Senhor, não percebi) – Ãh… Tem piada… na minha Terra os cães comem salada !!”

Os diplomatas afro-árabes, asiáticos, latinoamericanos e europeus nórdicos e do leste irrompem em gargalhadas. O protocolo é rompido. O gelo derretido.

Os europeus com colónias e os diplomatas norteamericanos ficam mudos e estupefactos talvez pelo “atrevimento do preto”.

O nosso diplomata Britânico, envergonhado, atira com o guardanapo para a mesa e retira-se da sala antes de terminar o almoço.

Numa boa, o diplomata Ghanense continua a “massacrar” o frango no churrasco (anteFim).

Nesse tempo de facto os nossos diplomatas africanos eram de uma personalidade…vou-vos contar!

Pobres financeiramente mas de cabeça erguida! ¦ (FIM)

ACHEGA A BASTONÁRIO

… “A LÍNGUA É O MAIS LÍMPIDO ESPELHO DA ALMA DE UM POVO”… citação na GRAMÁTICA CHANGANA do Missionário Português de S. Vicente de Fora, Padre Armando Ribeiro, das edições Evangelizar, impressa em Kissuri – Uganda, pela Marianum Press em 1965.

Por tal raciocínio, serão os países Lusófonos, da CPLP (exceptuando Portugal), de EXPRESSÃO PORTUGUESA, na ALMA? Sendo portanto todos Portugueses? Reflexão a propósito do tema principal de hoje em pequena achega ao Bastonário da Ordem dos

Advogados de Moçambique, Dr. Carlos CAUIO, a quando da sua visita recente a Lisboa: - Uma pessoa pode se expressar bem (comunicar) em uma Língua sem ser a sua (materna) mas um País não pode ser de expressão de uma cultura de outro País. Por tal Moçambique, Angola, Stº Tomé e Príncipe, Guiné, Cabo Verde, Brasil, (Goa? - Índia), Macau e Timor-leste, podem ser falantes de uma língua oficial europeia neste caso, portuguesa, mas “sui generis”, peculiar, própria, por adoptada não podendo serem de expressão portuguesa, devido à idiossincrasia linguístico – cultural da ALMA Portuguesa, exclusiva de Portugal. Doutra forma tem um nome: Trata-se de ALIENAÇÃO colonial “ipsis verbis” –, assim mesmo, textualmente. Presumimos que não seja o caso mas sim um lapso político “rabular” da parte do ilustre Bastonário causídico da nossa praça.

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 11.01.2005

Se o Tsunami tivesse chegado a Moçambique?

TRIBUNA EXTRA

Coluna de João CRAVEIRINHA

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… “Enquanto o Mundo se preocupa com a Hecatombe no afro-asiático Oceano Indiano, ou Índico para os Portugueses, a nossa Oposição Moçambicana não se conforma com o escrutínio eleitoral sancionado, quase desejando que aconteça outra desgraça mas em Moçambique e de crise e de instabilidade permanente. E no Norte em Nampula, ferindo como balas, circulam boatos de movimentações de grupos armados na costa em Memba – Mazua e no interior em Mecubúri, Ribaué, Lalaua e Malema”… (João Craveirinha, 06.01.05)

Mas recuemos no tempo. Ano 1968, Nachingueia, Tanzânia. O Professor Dr. Eduardo MONDLANE enfatiza numa reunião, com Quadros da Frente de Libertação de Moçambique, dois temas principais: Um IDIOMA NACIONAL africano para todo o Moçambique e a MUDANÇA da CAPITAL após a INDEPENDÊNCIA. (Oportunamente abordaremos a questão da necessidade urgente de UMA Língua Oficial Nacional baNto em Moçambique, como factor de Identidade Africana.

Aspecto linguístico – cultural sem esquecer as línguas regionais na dinamização local de onde são historicamente originárias. O idioma ÊMHAKÚÁ padrão de Nampula/ uaMpulah para Língua Oficial, seria a proposta sugerida pelo líder da Frente de Libertação, diplomata da ONU e antropólogo, Eduardo MONDLANE -, pronúncia aproximada “MOND. LHANE”). Nesta crónica, no entanto, a questão da mudança da Capital surge de novo a propósito do TSUNAMI. Ora analisemos: Se as chuvas torrenciais que inundam as nossas cidades e vilas costeiras provocam cheias cada vez mais catastróficas (sarjetas e esgotos entupidos de lixo), o que será com um CICLONE (estamos na zona), ou pior, com um TSUNAMI? Seriam varridas do Mapa de Moçambique, engolidas pela fúria das marés e lodo cobrindo a parte baixa da Cidade Capital, Maputo, a começar pelo novo Ministério dos Negócios Estrangeiros, a marginal (Miramar), bairro Triunfo. Mais para cima Inhambane, Machanga, Nova Sofala, Beira – (Aruângua ku sena) da Ponta Gêa, Chiveve, inundando para os bairros. No Rio Zambeze o Chinde. Quelimane, Angoche, Muhipiti (Ilha), Nacala e Pemba até Quionga no Rovuma. Não esquecendo as inúmeras povoações costeiras e outras ilhas. Talvez a ajuda viesse tardia por Moçambique não estar no roteiro do turismo paradisíaco do mundo ocidental e pelas suspeições de corrupções no desvio dos donativos, quem sabe? Este texto não pretende ser alarmista escatológico do Fim do Mundo nos últimos dias de uma hecatombe anunciada. Pretende ser um ponto de reflexão tendo em conta que o colonialismo Português, sensivelmente há 200 anos, por uma questão de segurança militar, foi edificando as suas povoações costeiras em PANTÂNOS Ligados ao MAR (acesso rápido aos navios) porque os naturais africanos desprezavam esses locais doentios para a saúde. Tais foram os casos de Lourenço Marques na baixa (Maputo) em terras dos Mpfumos. Mas os portugueses mandaram plantar eucaliptos para drenar as águas subterrâneas além do aterro com areias das barreiras. Inhambane nas terras dos Nhambes é outro exemplo menor. Aruângua (Beira) na terra dos Senas. Quelimane na terra dos Tchuabos. António Enes (Angoche) na terra dos mestiços Kôtís (mouros), ramo macua miscigenado com árabe. Fernão Veloso (Nacala-a-Velha). Porto Amélia (Pemba) na parte baixa. Dentro deste quadro, o problema se agrava ano após ano com o crescimento populacional descontrolado nesses centros costeiros como se regredissem para um passado colonial nos seus inícios, sem condições sanitárias e de saneamento básico e de falta de segurança mínima baseada numa prevenção ambiental minimizando as inevitáveis calamidades naturais. É aqui que nos lembramos da preocupação do DR Eduardo Mondlane (Mondlhane) na sugestão da mudança da Capital de Moçambique para a ex-Vila Junqueiro – GURUÉ…” de bom clima fresco e espaço para crescer saudavelmente numa Zambézia mais ao Centro do País”…segundo o saudoso Pai da Unidade Moçambicana.

Aproveitando este balanço (ritmo) poderia citar pessoas que eventualmente nos contariam paradigmaticamente como era a vida social na Vila Junqueiro colonial. Ao acaso surge-nos o nome de um filho Zambeziano do Gurué. Trata-se do Engº Carlos Mesquita actualmente ligado aos Portos e Caminhos-de-ferro da Beira e honorariamente à Holanda. Só para citar um caso a despropósito.

Contudo, nos parece que já chegou a hora de se estudar a mudança da Capital de Moçambique de Maputo no Sul para a Zambézia e longe da Costa Marítima e do Rio Zambeze. Tremor de Terra no fundo do Mar vulgo Maremoto e Cheias é muita desgraça junta para Pobre. Nova Capital lá para os verdes Montes Namúli do GURUÉ do Chá ou em MORRUMBALA quase no Centro Geográfico de Moçambique –, o SONHO de Eduardo Mondlane (Mondlhane) continua válido e à espera!

CORREIO DA MANHÃ (Maputo) – 10.01.2005

02-01-2005

Carta fechada a sua excelência o Presidente do CM da Beira (PCMB)

Joao01 TRIBUNA EXTRA

Coluna de João CRAVEIRINHA

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(Sff não se dê ao incómodo de responder em público)

“Muana Orripa Kirrina Aya”

…provérbio Macua (Filho da Terra (negro) não tem vergonha) …

Talvez para os assessores do PCMB Deviz SIMANGO (da oposição), aos jornalistas Moçambicanos se aplique o supracitado aforismo, adágio ou preceito moral, na língua Moçambicana mais falada em Moçambique –, o Êmákúá, a confirmar-se a crispação contra os jornalistas na edilidade da Beira ou melhor ARUANGUA ku SENA. Crispação de lamentar visto neste momento Moçambique possuir uma das mais livres Imprensas – CS, do Mundo, ocupando muitas vezes o papel de uma oposição construtiva, ironicamente, face ao vazio deixado cada vez mais pela demissão de uma verdadeira oposição em sede própria… com o seu reverso na BEIRA, onde a FRELIMO na Assembleia Municipal imitará uma RENAMO (ausente de ideias) no Parlamento em MAPUTO. Afinal dói ser oposição na BEIRA!

O Presidente Deviz SIMANGO não se deve lembrar aqui deste paisano escriba da TRIBUNA do Correio da manhã, que tem apreciado o seu trabalho como Chefe da edilidade beirense, remando contra a maré de certeza e sofrendo mesmo pressões da coligação maioritária da RENAMO, em certas questões, que o nosso Presidente da Beira gostaria de decidir com mais independência, suponho eu. (Se o Engº Deviz SIMANGO perguntar ao irmão Luthero também engenheiro, informá-lo-á quem é ou foi (o mais correcto), este escriba Joãomuana orripa, companheiro do início de infortúnio de seu Pai e Mãe em Janeiro de 1975/76 em Nachingueia e em Niassa; Mitelela (Nova Viseu). Devido a esse background, o Engº Deviz SIMANGO, terá o dever de chamar a atenção de seus colaboradores directos para uma compostura consentânea com um espírito mais democrático em relação à Comunicação Social. Que não se faça da CS Moçambicana na BEIRA (e do resto do País), de bode expiatório de uma PERDIZ talvez arrependida de o ser e confinada a uma capoeira do jogo político internacional com um PANGOLIM nas redondezas sem se saber ao certo qual o seu papel e todos ao som do BATUQUE e da Maçaroca como ração e outros orando Oxalá a Pim Pam PIMO.

No entanto há que se inferir e ter em conta que o POVÃO não é burro e se apercebeu do que tem estado em jogo desde o dito multipartidarismo –, as mordomias de um lado e de outro…do espectro político partidário Moçambicano cujos líderes não aceitam dar satisfações a quem os elegeu quando no PODER ou

mesmo na OPOSIÇÃO. NÃO TERÁ SIDO POR AUSÊNCIA DE EDUCAÇÃO CÍVICA A ABSTENÇÃO EM MASSA NAS ELEIÇÕES. Mas pela noção popular do compadrio não ser exclusividade da FRELIMO. Muda o disco e toca o mesmo. A ver vamos agora com outro General líder de Moçambique e outro ainda na chefia da oposição.

(Temos mais Generais que equipamento militar moderno). Daqui a pouco imitamos a Nigéria nas muitas estrelas nos ombros, contraditoriamente, em relação à qualidade de governação mas com Petróleo –, o ouro negro maldito. Nós com os donativos e o Camarão.

POST-SCRIPTUM: Quando a abstenção acontece em massa nos países Nórdicos qual é o critério?

Consciência cívica e desmotivação intelectual a mais porque são europeus avançados? E nós em Moçambique terá de ser sempre uma análise por baixo de uma menoridade intelectual? Tenham dó com esses complexos coloniais. O Moçambicano sempre teve muita consciência política quando necessário! E agora provou isso!

E por estarmos em época de Início de Ano, do calendário gregoriano Cristão, desejo Boas Entradas a todos os leitores para o ANO 2005, independentemente de gostarem ou não, da TRIBUNA. ______________________________________________________

Notícia Breve Exclusiva: No passado mês de Dezembro, 16.12. 04, o pintor e autor literário moçambicano, João Craveirinha, assinou com Editora luso-brasileira contratos para edição de seis livros seus a serem distribuídos em Moçambique, Portugal, Brasil, Angola e Alemanha, no primeiro trimestre deste 2005. Trata-se dos seguintes livros: 1.Contos Infantis; 2. Romance; 3. Teatro; 4. In Memoriam do Poeta; 5. Crónicas do Mundo; 6. Histórias do Futebol. Os referidos livros encontram-se em fase de execução gráfica.

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 03.01.2005

NOTA: É com alegria que recebemos a confirmação de brevemente termos estas obras em nossas mãos.

Fernando Gil

Cinema, África portuguesa e alienação colonial na RTP

TRIBUNA

Coluna de João CRAVEIRINHA

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The lion and the calf shall lie down together but the calf won’t get much sleep”…in WOODY ALLEN 

(O leão e o vitelo podem deitar - se juntos mas o vitelo não conseguirá adormecer) in WOODY ALLEN 

Sábado dia 20 de Setembro 2003. São 15,08’ horas em Moçambique… Noticiário das 14,08’ na RTP emitindo de Lisboa…O locutor de serviço da RTP em 2003 comete

uma “gafe” política...

– Fala com saudade e diz … ÁFRICA PORTUGUESA… para dizer… lusófona… Tem no estúdio o realizador de cinema português José Carlos Oliveira (que nunca tinha estado em Moçambique antes) e da actriz Cristina Homem de Mello. Falam a propósito do filme de J. Carlos Oliveira intitulado “ PRETO E BRANCO” rodado em Moçambique…e com pretensão de… “filme catarse”… da guerra colonial…Não confundir o título com o do filme francês “PRETO E BRANCO A CORES” de décadas atrás…por sinal muito bem feito exorcizando fantasmas do colonialismo francês em África…No filme francês foi dada muita dignidade às personagens africanas oprimidas, dentro do realismo brutal, da colonização francesa na costa ocidental de África…

Com humor mas realismo ficcionado e não fantasias tentando dar uma imagem errada do que foi esse facto histórico…Não são suficientes os fantásticos efeitos especiais, alta tecnologia digital, criatividade, bom casting, para se contar uma boa história em cinema ou televisão…É preciso conhecimento dos factos reais como base da narrativa a ficcionar...do argumento, e não nos podemos basear na propaganda de um lado ou de outro. A obra sai muito artificial e forçada. Rodeia-se para omitir. Falta de liberdade criativa. Condicionalismos políticos sobrepõem-se.

Inventa-se o que nunca poderia ter existido. Há balizas para a ficção histórica.

No entanto de amiúde surgem em Portugal, a beiramar plantado, tentativas de “fazer qualquer coisa” no CINEMA como neste caso (FILME PRETO E BRANCO), ou em TELEVISÃO como por exemplo a aberração de argumento da TELENOVELA “A JÓIA de

ÁFRICA” da TVi de Lisboa. Não confundir o título com o de “JÓIA DA COROA” seriado da BBC sobre o colonialismo britânico na então “British India”. A JÓIA DE ÁFRICA filmada em Moçambique – história absurda situada na Zambézia talvez no Chinde das “Donnas mas filmada em Inhambane que de comum… só os coqueiros…Nem os actores moçambicanos são de características étnicas dos da Zambézia para não falar dos usos e costumes e pronúncia idiomática quer do português quer da língua e dialecto locais…Depois não venham falar das dissimetrias – Sul… Norte…Até para se fazer um filme de referências da Zambézia no Norte do Rio Zambeze…filma-se em Inhambane no Sul do Rio Save…Não venham falar de dificuldades logísticas acrescidas caso a Produção se instalasse na cidade de Quelimane, capital da Zambézia…Foram para lá direccionados…Mais perto de Maputo.

Voltando ao Cinema –, é de surpreender que alguns actores e técnicos moçambicanos no recente filme português “PRETO E BRANCO”, sendo do Partido FRELIMO, da nova, e talvez por isso, não se tenham apercebido do anacrónico papel que lhes coube no

filme em que foi escamoteado o aspecto fundamental da luta anti-colonial rumo à Independência Nacional – principal motivo da guerra de libertação para os moçambicanos e guerra colonial para os portugueses…

Não é por serem recitados slogans de “consciência política” ou de “suavizar” aquilo que foi o racismo colonial português em Moçambique que se “exorciza” o que de perverso teve o colonialismo português, em termos de MENTALIDADE COLONIAL perdurando aos dias de hoje, em Portugal, na Europa, no Mundo… e em Moçambique… Muito moçambicano padece de complexo colonial de inferioridade…porque em relação 

aos europeus … dentro da anormalidade é normal que tenham complexo colonial de superioridade no comportamento do dia a dia, no relacionamento com o moçambicano de pele mais escura ou morena … ou também olhando de cima para baixo mas com paternalismo colonial…Muitos dos políticos moçambicanos contribuem para isso com o seu servilismo perante aos europeus e indianos… associados ao dinheiro, negócios e quejandos…Então quando vão ao estrangeiro? …Dá pena… Mas que fazer!?...”Nã vale a

pééna!”(É mesmo nã, com dois és e acento. Expressão à povo moçambicano)…

A antestreia do filme “PRETO E BRANCO” teve lugar no dia 20 de Setembro de 2003, na cidade do Porto no Teatro Rivoli. Contou com a presença inaugural do Presidente cessante Joaquim CHISSANO. Cerca de 70% dos técnicos e actores, foram moçambicanos. É uma co–Produção da RTP com a Marginal Filmes. No feliz dizer de José Alberto, pivot da RTP – Televisão pública portuguesa, no telejornal da noite do dia 20 de Setembro, … ” o filme troca algumas cores da guerra”…

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 28.12.2004

NOTA: Visite http://www.macua.org/temp/pretobranco.html

RIDENDO CASTIGAT MORES (A rir se corrigem os hábitos)

TRIBUNA

Coluna de João CRAVEIRINHA

Dominico, o arlequim (palhaço) da antiga comédia italiana tinha pintado no pano de fundo de seu teatro –, Ridendo Castigat Mores –. Pois a rir se criticam os usos e costumes da sociedade. Hoje para variar, a crítica vai para a COMUNICAÇÃO SOCIAL – os mass media – ou meios de comunicação de massas (não me refiro a “máli”($), dinheiro, cobre) nem a massas spaguetti. Massas, massificação, pessoas, baNTO. Porque tem a sua piada e serve para reflexão eis o papo furado. Mas atenção…é tudo FICÇÃO adaptada… IMAGINEM QUE SE DESCOBRIA QUE O MUNDO IA ACABAR AMANHÃ…Estes poderiam ser os TÍTULOS dos vários JORNAIS E REVISTAS de Moçambique e dos que nos chegam do Brasil, de Portugal e do Mundo: MOÇAMBIQUE; NOTÍCIAS DE MAPUTO: O Mundo vai acabar. O governo não comenta. Aguarda o desenrolar dos acontecimentos!

PUNGUÉ (Beira): A FRELIMO elogia a gestão do actual Presidente Municipal da Beira (da oposição), recomendando reforço orçamental para a edilidade!

WAMPHULA FAX (Nampula): Finalmente a Ilha de Moçambique volta a ser Muhipiti e programada a destruição da ponte que a liga ao continente, para voltar à sua vocação de Ilha –, porção de terra rodeada de água por todos os lados, promovendo ainda o eco-turismo criando latrinas públicas! SAVANA (Maputo): Governo anuncia o Fim do Mundo ao contrário do que afirmará o jornal oficioso Notícias! BOLETIM DA RENAMO: Fim do Mundo aproxima-se. A Província de Gaza finalmente vai ser nossa! BOLETIM da FRELIMO: Última sondagem feita por brasileiros confirma: A esmagadora Maioria das populações do Centro e Norte de Moçambique com o Partido numa percentagem de 80% do rio Save ao rio Rovuma! VERTICAL (Maputo): Última oportunidade: Saiba toda a verdade na 1ª pessoa directamente do Canadá sobre a fuga de “Amebazinho”! AUTARCA da BEIRA: Leia em directo como vai ser o Fim do Mundo na Beira, Chimoio, Tete e Quelimane! FIM-DE-SEMANA (Maputo): Psicopata mata a mãe, degola o pai, viola a irmã e fuzila o irmão com uma AKM ao saber que o Mundo vai acabar! DIÁRIO ECONÓMICO: Inflação em Moçambique nos 2% e a Banca oferece juros bonificados nos empréstimos à iniciativa privada! DN – Diário de Notícias (Maputo): Novo Presidente da República confirma combate à corrupção com medidas drásticas!

O CAMPEÃO (recuperado): Nem o fim do Mundo consegue parar o Ferroviário de Nampula! EXPRESSO: O Mundo lixou-se! Acabou tudo! CORREIO DA MANHÃ (Maputo): Exclusivo – Entrevista com sua excelência o Diabo: a) Porque demorou tanto o Apocalipse? Resposta: Leiam a Bíblia! b) Especialistas indicam como encarar o fim do Mundo. O que tem V.Excia a comentar? Resposta: Leiam a Bíblia! DOMINGO: O Fim do Mundo é uma estorieta inventada pelos reaccionários! IMPARCIAL: Na aproximação do Fim do Mundo, finalmente, a FRELIMO reconhece a fraude e deixa o Poder à RENAMO. Segundo nossos analistas o Fim do Mundo é uma manobra da FRELIMO! MEDIAFAX: Saiba o nome do mandante dos crimes de colarinho engomado e a sua Confissão! Semanário DEMOS: A última reestruturação do jornal! Semanário ZAMBEZE: Detalhes da máfia paquistanesa em Moçambique! ZOL – Zambézia On-line: Finalmente a UNESCO financiará o ZOL que assim poderá pagar a seus colaboradores e ao próprio administrador! PORTUGAL: Revista Maria: Conheça o melhor sexo do Fim do Mundo! Jornal 24 Horas: Escândalo de Pedofilia – “Pipí” conta tudo em detalhes íntimos! A BOLA: Fim do Mundo é manobra de “Galo” da Costa presidente do Futebol Clube do Porto! Revista Exame Informática: 100 dicas para aproveitar o seu Windows até ao Fim do Mundo! ÁFRICA do SUL: Cosmopolitan: Faça o Teste: O seu namoro vai acabar antes do fim do Mundo? INGLATERRA: Revista Gossip (Fofoca): Rainha Isabel II anuncia que vai abdicar do trono! ITÁLIA: Revista Ragazza: As meninas choram! Leonardo Di Caprio anuncia que não vai fazer mais Filmes! ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA: The Washington Post: Finalmente; Bin Laden entrega-se amanhã! Boletim da Microsoft News: Criado Windows XP-G for ghost groups (para grupos de fantasmas – xipócués). BRASIL: Revista Manter a Linha: Tenha um fim light (laite – leve)! Leia aqui as melhores dietas de emagrecimento para o fim do Mundo! TV Record / Miramar: Exclusivo: O fim do Mundo em directo na Cidade Alerta!

Bem minha gente, pelo menos sorrir um pouco.

Não vale a pena zangar. A vida são dois dias. E quem sabe amanhã… o nosso Fim do Mundo individual? Mas até lá… há que sobreviver! Aquele abraço, from John…e sinta a MÚSICA e mensagem de Wazimbo em; http://www.malhanga.com/wazimbo/nwahulwana.wmv.

Balada às moças que se perdem na vida nocturna.

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 22.12.2004

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

16-12-2004

Viva Emílio, viva Moçambique, aliás, viva Emiliano Zapata, viva México

TRIBUNA EXTRA

Coluna de João CRAVEIRINHA

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

ESPECIAL ELEIÇÕES 2004

… “Há breves momentos que os homens precisam de uma esperança fraudulenta, antecedendo a longa noite de trevas que se aproxima”… dito em 1885 pelo místico muçulmano, Chéé Muhammad Ahmad ibn as Sayyid Abd Allah

– El Mahdi do Sudão, antes da queda iminente de Cartum e da derrota da coligação turca – inglesa e morte em combate do lendário britânico Major General Charles “Chinese” G., ou simplesmente Gordon “Paxá”…

De novo com as eleições Moçambicanas insistindo eu num paralelo com o México malgrado na Televisão SIC – notícias a 27 e 28.11.04 ter sido rejeitada essa

análise. Talvez axiomático entre os jornalistas portugueses em reduzir a política africana à sua condição menos universal numa redundância comparativa incorrecta de Moçambique com Angola.

Debate a ver em http://www.macua.org/temp/ siceleicoes2004.html. É que de facto se repararmos a História recente do México desde as revoluções aos dias de hoje temos um quadro que nos faz lembrar Moçambique. Ora vejamos: A Resistência do rei Azteca Montezuma no século XVIII contra o colonialismo espanhol de Hernando Cortez e a ocupação francesa no século XIX à Independência e as invasões do vizinho

Estado – unidense. Sucessão violenta de líderes desde Miguel Hidalgo y Costilla em 1810. Benito Juarez, 1861. Porfírio Diaz, 1910. Pancho Vila, 1913.

Francisco Madero e EMILIANO ZAPATA em 1919.

Assassinatos, traições, intrigas à Mexicana. Da Frente de vários Partidos ou Movimentos desde 1929 destaca-se o PNR – Partido Nacional Revolucionário. 1938 PRM, Partido Revolucionário Mexicano e finalmente o PRI – PARTIDO REVOLUCIONÁRIO INSTITUCIONAL absorvendo todos os outros. 70 Anos ou mais de herança de Poder Político. Mercê de reformas se perpetua. Depois de muita luta pelo Poder desde 1910, o Partido que chamar-se-ia PRI, transforma o México na primeira

República Socialista das Américas e de PARTIDO ÚNICO. (Saudação partidária estilo Mussolini, Hitler, Franco, Salazar). Poder consecutivo de 1946 a 2000.

O Partido passa então a dominar tudo e todos desde Funcionários Públicos, Sindicalistas e Associações de Trabalhadores e de Empresários, controlo do Congresso, legitimandose em eleições fraudulentas segundo observadores independentes. Depois de 54 anos “larga” o Poder. Justificada a derrota eleitoral pela mudança da estrutura partidária iniciada por Miguel de la Madrid em 1982 e terminada por Ernesto Zedillo em 1994.

Ora aí está a mudança iniciada por Samora Machel secundada por Joaquim Chissano. Comparem tirem ilações. Vão mais fundo na análise. O regime Mexicano

teve acusações graves de beneficiar dos barões da droga, corrupção financeira e bancária, assassinatos políticos ocasionando fracturas no Partido e em 1988 e 1994 acusação do PRI ter manipulado os resultados das eleições. O escritor peruano, Mário Vargas LLOSA, teria classificado o regime Mexicano como:

…“A DITADURA PERFEITA”… O actual Presidente do México, Vicente Fox, é o 1º a não sair do PRI desde a Revolução de 1910. Coloca-se a questão se a perda das eleições de 2000 pela parte do PRI não se deva à “traição à revolução” ou por se ter adaptado aos novos tempos. Até mesmo a Igreja Católica perseguida durante o processo mais revolucionário, com a abertura ser-lhe-ia devolvida a liberdade de expressão…”Portanto, a cara do PRI modificou-se radicalmente durante as décadas de 80 e 90. Tudo o que havia existido de combativo foi superado, tudo o que havia de corrupto, violento e inescrupuloso foi multiplicado e o México voltou à sua condição

“original” de irmão pobre e dominado indiretamente pelos EUA”...é só mudar alguns nomes de países e estamos em Moçambique nesta citação de um artigo interessante de Gabriel Passetti da USP – Brasil, intitulada… “México, da “Ditadura Perfeita”, à

“Democracia Americana” e prosseguindo…”1 – O caso mais escandaloso foi o de 1988, quando Carlos Salinas de Gortari (PRI), Cuauhtémoc Cárdenas (FDN) e Manuel Clouthier (PAN) disputaram a presidência do país. Durante a apuração dos votos na noite de 06.07.1988, Cárdenas vencia com ampla vantagem quando “misteriosamente” o sistema de computadores saiu do ar. Todos aqueles que estavam na sala foram retirados e a apuração foi retomada somente no dia seguinte, com o candidato do PRI

tendo uma ampla vantagem sobre qualquer outro candidato. Os números oficiais atestam uma vitória de Salinas (50,4%), com Cárdenas em segundo (30,9%) e Clouthier em terceiro (16,7%). Segundo Igor Fuser, em México em Transe, “Carlos Salinas de Gortari, o presidente que prometeu levar o México aos umbrais do Primeiro Mundo desenvolvido, democrático e civilizado, chegou ao poder através da fraude mais escandalosa da história política do Ocidente” (p. 25). A insegurança paira ainda no México com uma guerrilha de Resistência do Exército Zapatista de Libertação Nacional – EZLN… Digam lá, se Moçambique e México, são realmente assim tão diferentes?

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) – 13.12.2004

29-11-2004

ARQUIVOS IMPLACÁVEIS DE CRIMES DE GUERRA

por João CRAVEIRINHA

…”Doesn't someone like Dhlakama deserve to be punished just as much as Milosevic?”… (Não merece alguém como Dhlakama ser punido tanto como Milosevic?) …citação de Helena Cobban no The Christian Science Monitor   – EUA. http://www.csmonitor.com/

O subtítulo é um excerto de um texto publicado em 14 de Fevereiro de 2002 e agora republicado, me chamou a atenção. Está num jornal Cristão americano Independente que trata de Direitos Humanos. Faz a comparação de CRIMES DE GUERRA na ex. JUGOSLÁVIA e em MOÇAMBIQUE, comparando em particular o actual presidente da RENAMO, Afonso DHLAKAMA, com o antigo Presidente Jugoslavo, SLOBODAN MILOSEVIC, a ser julgado no Tribunal Internacional da ONU em Haia – Holanda, desde 12 Fevereiro de 2002. …”To get at roots of war crime, prosecution isn't enough; By Helena Cobban, Charlottesville, Va. “…(tradução: Para as raízes do Crime de Guerra, o julgamento não é suficiente). Este é o título do tema no jornal diário Cristão norte-americano, The Christian Science Monitor. http://www.people.virginia.edu/~hc3z/Hague-Milosevic.html. Desenvolvendo o tema Helena Cobban questiona: …”But before getting carried away with the prospects for the growing venture of international criminal justice that now has Mr. Milosevic in its grasp, consider for a few moments the contrast between his "case" and that of Afonso Dhlakama. Afonso who? Afonso Dhlakama is the head of a political movement in

Mozambique

called Renamo, which between 1975 and 1992 maintained a bloody insurrection against the central government. An estimated 1 million Mozambicans lost their lives to that war, and many of these deaths were truly atrocious. Torture, mutilation, sex-slavery, forced relocations, forced starvation, and enslavement were just some of the means that Renamo used in its warmaking.” (…”Tortura, mutilações, escravatura sexual, deslocados forçados, morte pela fome e escravatura, seriam alguns meios utilizados pela Renamo no seu estilo de Guerra”…)

…”Renamo was generously backed by

South Africa

's apartheid regime - and also got some help from the Reagan administration”... Resumindo a articulista tece considerações sobre a origem da RENAMO com apoio da África do Sul do apartheid e algum apoio da administração Reagan (obviamente apoios em dinheiro da CIA e da DIA americanas e do DINFO do Ministério da Defesa de Portugal – nosso reparo). Helena Cobban cita ainda a sangrenta rebelião com um saldo de cerca de 1 milhão de mortos…” many of these deaths were truly atrocious”… muitas dessas mortes verdadeiramente fruto de atrocidades… (continuando) …refere o exaustado governo central Moçambicano acabar por se sentar à mesa das conversações para a Paz com a RENAMO em 1992 aceitando a via eleitoral e os dois lados concordando com uma MANTA DE AMNISTIA PARA TODOS OS ACTOS COMETIDOS DURANTE A GUERRA. Na sua análise, Helena Cobban, questiona que abordagem para uma melhor solução para os milhões de traumatizados de guerra e compara o contraste das duas diferentes regiões: JULGAMENTO EM 1993, como seguiu a antiga JUGOSLÁVIA, ou AMNISTIA, como seria escolhido em 1992 em MOÇAMBIQUE? Questões pesadas a abordar… e segue adiante …Mas a sabedoria – ao contrário de muitos analistas – diz-nos que toda esta matéria não é somente sobre indivíduos bem posicionados, não obstante seus actos horríveis e odiosos, mas sim ser o mais abrangente possível na busca do melhor para as comunidades afectadas. Nestes casos o papel dos julgamentos podem ter lugar mas de resultados muito limitados muito mais do que muita gente pensa nos Movimentos dos Direitos Humanos. A nossa articulista traça ainda o exemplo do Julgamento dos líderes Nazis alemães em Nuremberga logo depois da 2ª guerra Mundial em que os aliados nunca viram em 1945 o Julgamento como panaceia – remédio para os vários e complicados males e problemas do pós – guerra na reconstrução da destruída Alemanha. Prosseguindo Helena Cobban pergunta em que medida este esquema se encaixa nos países que fizeram parte da ex. Jugoslávia em que a comunidade Internacional espera um Futuro melhor para as suas comunidades e em quê se aplica neste projecto o Julgamento de Milosevic? Com algum fatalismo a articulista enfatiza que independentemente das enormes resmas de papel utilizadas em matéria legal produzida pelos altamente bem pagos advogados em Haia senão houver realmente um praticável Plano de Paz para a Bósnia e Herzegovina, para a Croácia, Kosovo e para o resto da Sérvia, para a Macedónia – todas estas regras legais não contarão para nada. No fim a Lei terá de ser para ajudar o povo a viver em conjunto. Caso não seja possível que se procurem outras soluções noutro lado finaliza Helena Cobban.

E nós em MOÇAMBIQUE já superamos tudo? Traumas e ressentimentos? Ou a memória é curta?

NB. Helena Cobban é uma jornalista veterana e autora de cinco livros sobre assuntos internacionais.(FIM)

CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 30.11.2004

18-10-2004

Uria SIMANGO, a INDEPENDÊNCIA E A TEORIA DA CONSPIRAÇÂO! (1/2)

TRIBUNA - Coluna de João CRAVEIRINHA
email: craveirinhajoao@mail. pt
Achega à s Eleições 2004
Os que esquecem o passado estão condenados a repetí-lo - escreveu George Santayana (1863-1952), filósofo espanhol/ norte-americano...

Nas vésperas da Independência, de 11 a 12 de Maio 1975, Samora Machel, Presidente da FRELIMO, recebia os Presidentes da Tanzânia, Julius K. Nyerere, e Keneth Kaunda, da Zâmbia, em Nachingweia (Nachingueia); Quartel-general da Frente de Libertação na Tanzânia. Desse encontro ficariam registados para a História os discursos dos quais transcrevemos alguns excertos proferidos pelo Presidente do Movimento de Libertação moçambicano, Samora Moisés Machel, no dia 12 de Maio de 1975:
...Antes de vocês falarem (camaradas Kaunda e Nyerere), gostava de vos mostrar um batalhão de
agentes (...), quadros que se transformaram em agentes do inimigo...
...Joana Simeão Presidente do GUMO (...) e protegida das forças imperialistas do mundo (...) Joana Simeão (...) amiga de Rebelo de Sousa e do Caetano, representava os macuas, mas não representava a mulher moçambicana...
... Adelino Guambe fundador da FRELIMO por ser Presidente da UDENAMO, um dos três movimentos que se fundiram para formar a FRELIMO. Queria ser Presidente da FRELIMO...
... Narciso Nbule fundou um Partido no Quénia para se opor à  FRELIMO. Desde 1963 que se opõe à FRELIMO. Preso na Zâmbia fez-se de maluco e conseguiu baixar ao Hospital dos malucos...
... Também estão aqui soldados da COREMO (Comité Revolucionário de Moçambique). Nem sequer sabiam onde era Moçambique, viviam em florestas em volta de “Lussaca” como bandos de ladrões (roubando carros, arrombando lojas, atacando os homens das farmas). Viviam nas florestas e foi o Governo da Zâmbia que os enviou para a FRELIMO aqui em Nachingweia.
As suas ideias são as de bandidos e assassinos...
... Paulo Gomane, Presidente da COREMO, agente do imperialismo para se opor à  FRELIMO...
... Uria Simango foi Vice-Presidente da FRELIMO (...). Como Vice-Presidente tentou várias vezes retirar o apoio que nos dava a Tanzânia (...).TEMOS CORAGEM PARA MUITO, MAS NÃO TEMOS CORAGEM DE MATAR O CRIMINOSO SIMANGO...
... Pedro Mondlane, agente da PIDE e de Spínola...
... Manuel Lumumba permitiu que a bomba passasse de Mbeya para Dar-es-Saalam para o assassínio de Mondlane...

No mês seguinte, a 25 de Junho de 1975, Moçambique tornava-se Independente da administração
colonial portuguesa depois de 10 anos de luta armada.
Logo de início há indícios de vir a constituir-se numa República Popular de inspiração comunista, mescla do modelo chinês de Mao Tsé Tung e soviético estilo Estaline. Modelo polí­tico adoptado que esmagaria qualquer possibilidade de liberdade de expressão ou de associação política independente e democrática.
Para os iluminados mentores dessa revolução impunha-se inventar (!?) uma nova ordem política,
social e económica. Toma corpo a teoria da conspiração contra a revolução socialista. A FRENTE de LIBERTAÇÃO transforma-se em Partido único não aceitando a alternativa democrática no Poder. O dogma do Culto da Personalidade assente numa ideologia de ditadura substitui o dogma das religiões entretanto perseguidas violentamente e vistas como... ópio do povo...
O regime instala-se com um aparelho repressivo cruel apoiado numa polí­cia política SNASP e de outros sectores da Contra Inteligência militar – secção de Fuzilamento do Ministério de Defesa dependendo do Departamento de Defesa e Segurança do Partido FRELIMO do qual o seu Secretário e chefe viria a ser, mais tarde, o coronel Sérgio Vieira que em conjunto com Óscar Monteiro dirigira entre Janeiro/Abril 1975 os interrogatórios e torturas em Nachingueia aos quadros que se transformaram em agentes do inimigo...

A corroborar esta teoria da conspiração surgem as ofensivas contra o regime moçambicano vindas
dos vizinhos da Rodésia e da África do Sul últimas trincheiras do Poder branco em África. Alguns sectores de Portugal juntam-se aos inimigos da FRELIMO. Desde a Transição à  Independência de 1974 que muitos colonos portugueses e alguns moçambicanos abandonam o futuro País indo para a África do Sul, Portugal e Brasil. Outros o fariam a partir de 1976.
Moçambique esvai-se com a fuga desses quadros da função pública, empresá¡rios, técnicos, sobretudo brancos que se sentiriam inseguros e assustados pela entrada triunfante dos guerrilheiros da FRELIMO vindos do mato impondo novos hábitos de vida. Outros por puro racismo vão para a África do Sul após o fracasso da caça ao preto...ao turra (terrorista) ” do 7 de Setembro de 1974 e da consequente reacão popular descontrolada com o seu apogeu a 21 de Outubro.
A partir de 1976/1978 inicia-se uma sangrenta guerra civil em Moçambique que duraria cerca de 16
anos. O conflito seria apoiado do exterior pelos bastiões do apartheid rodesiano, sul-africano e de sectores portugueses e norte-americanos... (continua).

Anexo: Rebelo de Sousa, governador-geral e pai do (ex)-cronista de TV, Marcelo R. S. Caetano também Marcelo e substituto de Salazar. Pedro Mondlane primo/irmão de Eduardo Mondlane. GUMO Partido de Máximo Dias.
[NB. João Craveirinha, o cronista desta coluna, encontrava-se no grupo desses condenados de Nachingueia aqui referenciados e mais tarde transferidos via Lago Niassa para Mitelela ex - campo militar colonial de Nova Viseu].
CORREIO DA MANHÃ(Maputo) - 19.10.2004

24-09-2004

ESPECIAL – 25 de Setembro 1964

DIALOGANDO
por João CRAVEIRINHA
joaocraveirinha@yahoo.com.br

A Propósito de Chai ou Onda de Ressentimento Colonial?

Much Ado About Nothing – Tanto Tumulto por Nada (peça de William Shakespeare, Poeta e dramaturgo inglês – 1564/1616)

Ultimamente em Moçambique e em certos meios portugueses em Portugal (obviamente) e no mundo, tem surgido o questionar da veracidade do início da luta armada de Libertação Nacional em 25
Setembro 1964 como que a retirar toda a legitimidade Histórica da efeméride. A questão nos moldes em que tem sido abordada torna-se perigosa em termos de identidade nacional sobretudo para as
gerações das crianças moçambicanas futuros adultos da Nação.
Todos sabem que os americanos apoiaram o colonialismo português dentro da perspectiva do combate ao dito “terrorismo” africano. Por tal se torna insuspeita qualquer análise militar americana quando esta confirma o ataque a CHAI. As Forças Armadas americanas através da sua espionagem militar estavam informadas pelo próprio exército português do que se passava no terreno…” Atentamente a D.I.A – Defense Intelligence Agency – a contra inteligência militar norte – americana (e o G.R.U – contra inteligência militar soviética dos russos) …acompanhavam os movimentos de libertação africanos devido à movimentação de armamento de guerra para Tanzânia e Zâmbia. São as ligações perigosas dos tempos da guerra-fria (quente)!”…in DOSSIER (5) TOUPEIRAS NA FRELIMO; A PIDE, A CIA, O MI 6, O KGB – crónica publicada em 2003/2004, de autoria de João Craveirinha.

No texto de hoje temos uma fonte insuspeita de um analista militar – o Major Lance S. Young da USAF (Força Aérea norte - americana) no seu estudo “Mozambique's Sixteen-Year Bloody Civil War - CSC 1991”-, Os Dezasseis Anos da Sangrenta Guerra Civil de Moçambique (em inglês americano): …”On 25 September 1964, FRELIMO solders, with logistical assistance from the surrounding population, attacked the administrative post at Chai in Cabo Delgado Province. This raid marked the beginning of the armed struggle against the colonial regime. FRELIMO militants were able to evade pursuit and surveillance by employing classic guerrilla tactics: ambushing patrols, sabotaging communication”… (5:84)”… - AUTHOR Major Lance S. Young, USAF - CSC 1991, (link)…
…http://www.globalsecurity.org/military/library/report/1991/YLS.htm

Tradução livre: (Em 25 Setembro 1964, soldados da FRELIMO, com assistência logística da população vizinha, atacaram o posto administrativo de Chai na Província de Cabo Delgado. O ataque marcou o início da luta armada contra o regime colonial. Os militantes da FRELIMO foram capazes de levar a cabo acções de reconhecimento, perseguição, evasão, empregando tácticas de guerrilha clássica: emboscando patrulhas, sabotando comunicações)
… Mais adiante: …” and making hit-and-run attacks against colonial outposts before rapidly fading into accessible backwater areas”... (e efectuando ataques de bate-foge contra os postos avançados coloniais e rapidamente desaparecendo por entre as terras acessíveis em água) … Mais adiante o “military report” enfatiza que: -
…”At the war's outset, FRELIMO had little hope for a military victory; its hope lay in a war of attrition to compel a negotiated independence from Lisbon. The goal of FRELIMO was to make the war so costly that eventually Portugal would withdrawl, a goal made difficult by loans from the United States and West Germany and arms from NATO to Portugal.(4: 187)”…
Tradução: (No princípio da guerra, A FRELIMO tinha pouca esperança numa vitória militar; a sua esperança residia numa guerra de desgaste compelindo Lisboa a negociações para a independência.
O objectivo da FRELIMO era o de tornar a guerra tão dispendiosa forçando eventualmente Portugal a retirar-se, um objectivo difícil de atingir devido aos empréstimos [financeiros] dos Estados Unidos e da
Alemanha [Federal] e em armas através da OTAN a Portugal). O relatório realça o facto de apesar de não ter havido derrota militar, os custos muito elevados financeiros e em vidas, custaria a guerra a
Lisboa. …” But the expense in blood and treasure, notmilitary defeat, cost Lisbon the war; its army was never destroyed on the battlefield, although some of its officers were converted to FRELIMO's revolutionary social goals for Portugal.(4:187&188)”…e termina afirmando que o exército [português] nunca foi derrotado no terreno, no entanto, alguns de seus oficiais convertem os objectivos da revolução social da FRELIMO para Portugal”...(fim de tradução).
Num “saite” foi encontrado este texto proveniente de um ex – soldado colonial indígena de Portugal, utilizando o pseudónimo de Salimo… (refere-se a artigo na Internet que questiona a versão oficial do 25 Setembro 1964 em CHAI e do relatório do ARPAC) … Excertos sem correcção do português …”Alô malta. Este artigo é oportuníssimo. A mim não me surpreende nada, absolutamente nada. Aliás, não surpreende a ninguém, sobretudo a quem esteve a prestar serviço militar nas zonas de guerra ou guerrilha, como lhe queiram chamar.
Por acaso estive na zona de Macomia, Salima, Muaguide, etc., etc., junto à Serra Mapé, quando fui militar. Fui operacional e sei do que falo, fazia em média 3 operações por mês e várias picagens
(detectação de minas) por mês. (Por pura coincidência, no próximo dia 04 vai haver, em Évora, [Portugal] um encontro dos militares que estiveram em Muaguide). A Frelimo, militarmente, não era grande coisa, não fossem as minas (....) A Frelimo, militarmente, tendo em conta os apoios dos Russos e Chineses (incluindo homens e mulheres no território) e a boa qualidade deequipamento militar que possuía, além de conhecerem muitíssimo melhor o "terreno que pisavam" e da habituação do clima, tinha por obrigação de ter feito
muito mais do que fez. A meu ver, respeitando opinião contrária, a Frelimo como força militar era umZERO. Não havia militar que se aproveitasse, a começar pelos generais da Frelimo e a acabar nos
guerrilheiros. Se em 1964no tal ataque que a Frelimo diz ter morto "meio-mundo" e que afinal, segundo o relato de quem lá esteve, mesmo que com a idade de 8 anos, não morreu ninguém e que só houve uma rajada e a fuga, … Salimo” (?!)… (Tanto disparate! SEM
COMENTÁRIOS! FIM).
VERTICAL-24.09.2004

03-09-2004

Crónicas do Reino de MuêneMutapa

joao01Escrito por João Craveirinha

Quinta, 02 de Setembro de 2004
Por: João Craveirinha
ENFº BALTAZAR da COSTA “CHAGONGA”
Herói Esquecido e co-fundador da FRELIMO
Caríssimos - Donnas e Muênês

Esta é uma nova Coluna periódica no jornal ZAMBÉZIA On – Line. Tem o nome simbólico do Império de Muenemutapa (Senhor das Minas de Ouro) que abrangia o actual Zimbabué, Tete, Manica, Sofala e parte da Zambézia (vale do rio Zambeze)......

http://www.zambezia.co.mz/index.php?option=content&task=view&id=56

Crónicas do Reino de MuênêMutapa
escrito por João Craveirinha

Sexta, 03 de Setembro de 2004
Dossier para colecção (2)
Em Ghana – Accra, nasceu a ideia da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) …Mondlane veio depois
- Kwame Nkhrumah Versus Julius Nyerere -
Caríssimos – Donnas e Muênês

Em declarações atribuídas ao fundador da UNAMI – o Enfermeiro Baltazar da Costa “Chagonga”......

http://www.zambezia.co.mz/index.php?option=content&task=view&id=63

Nota: Para acompanhar no Zambézia On Line
http://www.zambezia.co.mz/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

24-08-2004

METELELA - URIA SIMANGO E OUTROS

Textos todos publicados em Maputo em Dezembro 2003

Semanário DEMOS

CONFIDENCIAL

(ÀS TERÇAS FEIRAS)

Coluna de João CRAVEIRINHA

email: joaocraveirnha@yahoo.com.br

DOSSIER (7)

NA FRENTE DE LIBERTAÇÃO

A CLARIFICAÇÃO TOTAL

O Hospital da Frente de Libertação encontrava-se localizado no sul de Tanzânia, em Mutuara (Mtwara), na direcção de Cabo Delgado, região nortenha de Moçambique para além do rio Rovuma. Nesse Hospital em situação anterior à sua expulsão (1968), o médico Hélder Martins, “ in extremis”, seria salvo por Manuel dos Santos (de Tete), de uma iminente agressão de uns guerrilheiros (muito irritados) de Cabo Delgado que se encontravam a receber tratamento de ferimentos em combate, por não aceitarem alta hospitalar e as ordens de regresso ao interior dadas pelo médico e responsável da Saúde da Frente, Hélder Martins. Estaria (entre outros) criado o cenário propício para as expulsões à posteriori depois dos distúrbios, de Maio de 1968, no escritório da Frente em Dar-es-Salaam e da revolta dos estudantes no Instituto Moçambicano em “Kurassini”. No entanto, muito após o assassinato de Eduardo Mondlane (1969), seria rectificada a situação com a autorização do regresso pela parte tanzaniana.

Provisoriamente uma “troika” substituiria Mondlane: - Samora Machel, Marcelino dos Santos e Uria Simango que se antecipara evocando os estatutos e distribuíra cartões de visita com o título de “acting President” – Presidente em exercício até às eleições do Congresso. Os acontecimentos precipitam-se. Uria Simango sente-se inconfortável ladeado pelos seus pares e tenta “ dar a volta” em vão. Encontra-se “espartilhado” sem margem de manobra. Seus apoiantes declarados são detidos ou o abandonam mudando de campo. Os detidos enviados a Cabo Delgado são executados depois de torturados na Base Central. Entre eles o tesoureiro da Frente de Libertação – Silvério Nungo; - A 18 de Julho de 1969 seria torturado (ainda mais), durante toda noite até ao amanhecer. Devido às coronhadas de espingarda recebidas na cabeça estas provocariam fracturas expostas, com partes abertas do crânio, por onde escorreria líquido da matéria encefálica, conduzindo-o, a uma morte lenta e muito dolorosa, debaixo de soluços roucos infra – humanos, de dor. Seria morto depois de uma agonia de cerca de 8 dias até a essa fatídica noite.

Em finais de 1969, o reverendo Uria Simango, distribui um Manifesto de 13 páginas intitulado “Gloomy Situation in Frelimo” – Situação Tenebrosa na Frelimo, onde acusa os seus camaradas e a viúva de Eduardo Mondlane, Janet. É a gota de água que transborda o copo. Em Novembro de 1969, Uria Simango é oficialmente expulso da Frente de Libertação. Após ouvir o reverendo U. Simango, o preocupado Presidente Nyerere, não intervém. A situação torna-se insustentável em Dar-es-Salaam para Uria Simango. Refugia-se no Cairo – Egipto onde (re) adere a uma nova Udenamo e posteriormente à COREMO – Comité Revolucionário de Moçambique, fundada em 1965 em “Lussaca” – Zâmbia. A Coremo, presidida por Paulo Gomane, combatia o exército português em Tete com o apoio da Zâmbia, China Popular e de elementos sedeados nos Estados Unidos. Era um movimento oficialmente pró-maoísta mas contraditoriamente de ligações norte-americanas. Colaborava com o PAC da África do Sul, a UNITA de Angola, ZANU da Rodésia e SWANU da Namíbia. (Uria Simango surgiria em Moçambique depois de Junho de 1974).

Em finais de 1969, Samora Machel, admirador confesso do maoísmo, passa a presidir abertamente à Frelimo e o veterano Marcelino dos Santos, relegado para segundo plano, é o vice-Presidente.

Tem início uma nova era na Frente de Libertação de Moçambique. (Contrinua)■■■

Dia 26 Dezembro 2003 – 472 palavras ou sexta feira 19 de Dezembro

TRIBUNA

(SAI ÀS SEXTAS FEIRAS)

Coluna de João CRAVEIRINHA

email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

ARQUIVOS IMPLACÁVEIS(10)

CAMPO DE REEDUCAÇÃO DE MITELELA OU CAMPO DE CONCENTRAÇÃO?

(VAE VICTIS – AI DOS VENCIDOS!)

3ª Parte (Fim da 1ª Fase)

Em 1975 – Novembro (?!), João Craveirinha e mais elementos são transferidos (detidos) de Nachingueia (Tanzânia) para Niassa oriental, via Lago. São enviados para o campo de concentração da FRENTE em Mitelela, no antigo quartel português de Nova Viseu, deixado pelos militares lusos, todo minado ao redor e com garrafas partidas enterradas nas instalações. Entre os detidos e transferidos encontravam-se muitos nomes conhecidos do nacionalismo africano como Adelino Guambe fundador da FRELIMO, o reverendo Uria Simango, sua esposa Celina, Paulo Gomane, Narciso Inbule, antigos comandantes de élite entre eles, Pascoal Almeida Nhapulo, Pedro Simango (2), Januário Napulula e Chéés-padres muçulmanos (sheiks), curandeiros, etc. Entre os presos, ainda, Lázaro Kavandame, Verónica, o ex-representante da Frente no Cairo, Judas Honwana, o médico Dr. João Unhai(Unyai), o engenheiro Marqueza, o Prof. Dr. Kambeu de Direito Internacional, a Dra. Joana Simeão da FRECOMO (anteriormente do GUMO do Dr. Máximo Dias), o primo de 1º grau do Prof. Dr. Eduardo Mondlane – Pedro Mondlane, e muitos outros. O campo de Mitelela de máxima segurança encontrava-se numa região lamacenta muito isolada e de fauna bravia – leões, leopardos, elefantes, cobras. Os felinos e as cobras eram “visitas” normais. No campo encontravam-se também, antigos agentes moçambicanos da Pide como Leonel Soleimane Motty, o 1º em Moçambique (1972), a ter uma empresa privada de segurança com uma rede bem montada nas principais empresas e 3 “chóferes” privados à disposição e respectivas viaturas novas. Leonel Motty, natural de Quelimane, provinha da Polícia Judiciária onde se formara em Lisboa e tinha acesso aos arquivos da PIDE na Casa Algarve em Lourenço Marques. Acumulava com a tarefa de Inspector do Trabalho e de empresário de ligações com as representações da Volkswagen e da BMW. Teve tempo e dinheiro para fugir para a África do Sul, mas ingenuamente, ofereceu-se para trabalhar para a FRELIMO em 1974. Muito mais tarde, prisioneiro com tuberculose e maus-tratos, sucumbiria em Niassa nos anos 1980 (?!). Talvez, L. Motty, pensasse nos chefes da Gestapo alemã de Hitler que se ofereceram para trabalhar para os russos em Moscovo na iminência da queda do 3º Reich em 1945. É o caso do director Müeller da mesma polícia secreta nazi. Não só seria poupado como integraria os serviços secretos soviéticos, na formação. Os russos aproveitaram a sua experiência. Existe uma cultura comum nas polícias secretas a serviço de qualquer poder político. São instrumentos e a experiência conta. Da rede piramidal total, montada por Motty em Moçambique, quem poderá saber se eventualmente muitos desses elementos que nunca seriam detectados, teriam integrado os grupos dinamita…dores, digo, dinamizadores de tão triste memória da Frelimo? Quiçá alguns poderiam ter subido na hierarquia da própria estrutura política de bairro da Frelimo aos dias de hoje. A muito longo prazo – o acesso a serem empresários de sucesso, mostrando a verdadeira face, renegando a Frelimo que lhes deu o ”escadote” para subirem e quem sabe à custa de acusar os outros de serem reaccionários, na era de Samora Machel, enviando-os aos fatídicos campos de “reeducação”? Era preciso mostrar serviço para serem de confiança política. Poderá estar aí o embrião da conspiração e do oportunismo actualmente patente no nosso país!

A terminar esta 1ª fase dos ARQUIVOS IMPLACÁVEIS coloca-se uma questão de fundo: Sempre houve infiltrações (ou tentativas) descobertas na Frelimo e em qualquer Movimento de Libertação e em toda a História da Humanidade sempre houve e haverá espionagem no campo do inimigo. Mas a questão de fundo é maior. Saber se a nível da cúpula, na Frelimo, terá havido uma Grande Toupeira ou várias?

A PIDE, em Lourenço Marques, na Costa do Sol, queimou todos os nomes, dados, e documentação dos seus arquivos, no campo de futebol do Benfica de LM, hoje CDCS. A Torre do Tombo não tem esses dados. Há só indícios. Havia um grande infiltrado ou mais a nível da cúpula? Mas quem? E que percurso? Chegaram a ministros e a membros do Comité Central? Estiveram entre os 10 mais poderosos de Moçambique na era de Machel? Se existiram, agora onde andarão esses super agentes da PIDE? Serão empresários ou deputados ou ministros? Presumo que para sempre será um mistério!

E sobre, João Craveirinha, PRESO POLÍTICO (voluntário), na FRENTE de LIBERTAÇÃO, em Nachingueia(Nachingwea) e Niassa…Um dia, será contada e publicada a história depois da sua morte! ●

06-08-2004

ANIBALZINHO NO CANADÁ

Vertical nº 629 de 06.08.2004
DIALOGANDO por João CRAVEIRINHA
joaocraveirinha@yahoo.com.br
às Quartas & Sextas-feiras desde DEZEMBRO 2000

QUE DIREITO DE ANIBALZINHO NO CANADÁ
INVOCAR O JUS GENTIUM OU SERÁ ALGO MAIS
(JUS GENTIUM : latim - Direito Romano das Gentes vulgo DIREITO INTERNACIONAL DAS PESSOAS)

O interregno às pesquisas sobre o Crime via Internet, no Dialogando de hoje, tem a ver com o aguardar de respostas a demarches feitas a duas instituições policiais europeias e uma africana e à organização FraudWatch International Fraud Alert para a confirmação de vários dados em nossa posse obtidos directamente de uma fonte, presumivelmente, ligada a uma rede internacional, sofisticada, de crime de Fraude e de Falsificações de documentação Bancária na Internet.

Entretanto contactamos uma das nossas fontes no Canadá sobre o dossier Anibalzinho. Foi-nos informado que existe um total black-out (silêncio) oficial sobre este facínora, condenado em Moçambique como o executor – mor do assassínio do jornalista Carlos Cardoso em 2000 e fugitivo por duas vezes da cadeia de máxima segurança (para os outros) –, a última das quais culminando com uma espectacular fuga para o Canadá –, um dos países no Mundo com uma política benevolente a quem invoque o estatuto de exilado ou perseguido político por razões de violações dos Direitos Humanos ao abrigo do JUS GENTIUM – Direito Internacional do Indivíduo. Anibalzinho aguarda decisão final das autoridades canadenses e beneficia por enquanto desse pressuposto e por tal protegido pela lei canadense do refugiado, apesar dos pedidos da Polícia moçambicana para a extradição ao país de procedência – Moçambique.

Todavia, importa questionar que SEGREDO transporta consigo Anibalzinho que tenha sido possível ser providenciada a sua fuga da prisão de máxima segurança – na realidade o é para uns mas não para os Anibalzinhos. Sim que SEGREDO??

Talvez a resposta possa estar não só no segredo do conhecimento do nome ou dos nomes dos mandantes do crime somente dele conhecidos – facilmente descartável essa hipótese pois Anibalzinho poderia ser abatido numa encenada fuga e silenciado definitivamente. Não é só no cinema que vemos isso. Mas deverá haver algo mais por detrás – A SUPERSTIÇÃO!? Os “tigódos ou mutovanas” (amuletos) e vacinas, “benzidos” com sangue de gente de preferência de crianças virgens depois de rituais canibais diabólicos!? Não nos esqueçamos que somos africanos BANTÓFONOS em 1º lugar e para além de todas as alienações europeias maiores ou menores de amiúde o verniz estala e a psicose colectiva da crença na MAGIA dos ESPÍRITOS vem ao de cima. Nesse momento não há conceitos Democráticos ou de Direitos Humanos e mesmo de Lusofonias que sobrevivam! Entramos no campo da etno – psicologia e em alguns casos no da etno – psiquiatria quando se atinge o paroxismo, o auge da interiorização (delírio) de se “sentir” estar possuído por algum djin – espírito a mando de alguém que protege e castiga e dá POWER- Poder, imunidade e infunde MEDO aos demais. E o mais grave é que para além dos Mercedes Benzes e BMW’s, casas alcatifadas com ar condicionado e aparelhagens sofisticadas, computadores e Internetes, golden cards bancários, a condição humana retrocede a um passado ancestral africano em que a religião era a ancestrolatria – invocação, chamamento dos espíritos dos antepassados falecidos para auxílio. Só um africano ou africanizado pode sentir ao contrário do europeu de mentalidade e de tentar entender o que não se pode compreender racionalmente. Somente sentir assumindo esse aspecto étnico – cultural. Este dado adquirido, da espiritualidade sem questionar, por um lado e contraditoriamente esta dicotomia, é a base da enorme força da Cultura Africana e o seu ponto fraco. Não será por acaso que em diversas Universidades de prestígio do mundo, os seus departamentos de Psicologia Aplicada e Experimental (Division of Applied Science), estudam e observam com particular atenção estes fenómenos da possessão de espíritos cada vez mais na “MODA”. Em Moçambique nem se fala e ultrapassa igualmente qualquer humanismo.

Só esperamos que o dossier Anibalzinho com recorrência a feitiçarias ou não –, que venha a ter o seu desfecho justo.
JUS EST ARS BONI ET AEQUI – o Direito é a Arte do Bem e do Justo e não seja – jure de facto – posse efectiva “legal” de algo neste caso de ILEGAL, SECRETO e HEDIONDO que impeça a continuidade da Justiça.
(sobre História e Feitiçaria ler livro: Moçambique: Feitiços, Cobras e Lagartos. adquirir no www.me.co.mz em autores pag. 4 e ver saite http://www.macua.org/livros/feiticos.html ) - FIM.

12-06-2004

CAMPO DE REEDUCAÇÃO DE MITELELA OU CAMPO DE CONCENTRAÇÃO?

DEMOS - Dezembro 2003
CONFIDENCIAL

Coluna de João CRAVEIRINHA
email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

DOSSIER 10

CAMPO DE REEDUCAÇÃO DE MITELELA OU CAMPO DE CONCENTRAÇÃO?

(VAE VICTIS – AI DOS VENCIDOS!)

3ª Parte (Fim da 1ª Fase)

Em 1975 – Novembro (?!), João Craveirinha e mais elementos são transferidos (detidos) de Nachingueia (Tanzânia) para Niassa oriental, via Lago. São enviados para o campo de concentração da FRENTE em Mitelela, no antigo quartel português de Nova Viseu, deixado pelos militares lusos, todo minado ao redor e com garrafas partidas enterradas nas instalações. Entre os detidos e transferidos encontravam-se muitos nomes conhecidos do nacionalismo africano como Adelino Guambe fundador da FRELIMO, o reverendo Uria Simango, sua esposa Celina, Paulo Gomane, Narciso Inbule, antigos comandantes de élite entre eles, Pascoal Almeida Nhapulo, Pedro Simango (2), Januário Napulula e Chéés-padres muçulmanos (sheiks), curandeiros, etc. Entre os presos, ainda, Lázaro Kavandame, Verónica, o ex-representante da Frente no Cairo, Judas Honwana, o médico Dr. João Unhai(Unyai), o engenheiro Marqueza, o Prof. Dr. Kambeu de Direito Internacional, a Dra. Joana Simeão da FRECOMO (anteriormente do GUMO do Dr. Máximo Dias), o primo de 1º grau do Prof. Dr. Eduardo Mondlane – Pedro Mondlane, e muitos outros. O campo de Mitelela de máxima segurança encontrava-se numa região lamacenta muito isolada e de fauna bravia – leões, leopardos, elefantes, cobras. Os felinos e as cobras eram “visitas” normais. No campo encontravam-se também, antigos agentes moçambicanos da Pide como Leonel Soleimane Motty, o 1º em Moçambique (1972), a ter uma empresa privada de segurança com uma rede bem montada nas principais empresas e 3 “chóferes” privados à disposição e respectivas viaturas novas. Leonel Motty, natural de Quelimane, provinha da Polícia Judiciária onde se formara em Lisboa e tinha acesso aos arquivos da PIDE na Casa Algarve em Lourenço Marques. Acumulava com a tarefa de Inspector do Trabalho e de empresário de ligações com as representações da Volkswagen e da BMW. Teve tempo e dinheiro para fugir para a África do Sul, mas ingenuamente, ofereceu-se para trabalhar para a FRELIMO em 1974. Muito mais tarde, prisioneiro com tuberculose e maus-tratos, sucumbiria em Niassa nos anos 1980 (?!). Talvez, L. Motty, pensasse nos chefes da Gestapo alemã de Hitler que se ofereceram para trabalhar para os russos em Moscovo na iminência da queda do 3º Reich em 1945. É o caso do director Müeller da mesma polícia secreta nazi. Não só seria poupado como integraria os serviços secretos soviéticos, na formação. Os russos aproveitaram a sua experiência. Existe uma cultura comum nas polícias secretas a serviço de qualquer poder político. São instrumentos e a experiência conta. Da rede piramidal total, montada por Motty em Moçambique, quem poderá saber se eventualmente muitos desses elementos que nunca seriam detectados, teriam integrado os grupos dinamita…dores, digo, dinamizadores de tão triste memória da Frelimo? Quiçá alguns poderiam ter subido na hierarquia da própria estrutura política de bairro da Frelimo aos dias de hoje. A muito longo prazo – o acesso a serem empresários de sucesso, mostrando a verdadeira face, renegando a Frelimo que lhes deu o ”escadote” para subirem e quem sabe à custa de acusar os outros de serem reaccionários, na era de Samora Machel, enviando-os aos fatídicos campos de “reeducação”? Era preciso mostrar serviço para serem de confiança política. Poderá estar aí o embrião da conspiração e do oportunismo actualmente patente no nosso país!

A terminar esta 1ª fase dos DOSSIERS CONFIDENCIAIS coloca-se uma questão de fundo: Sempre houve infiltrações (ou tentativas) descobertas na Frelimo e em qualquer Movimento de Libertação e em toda a História da Humanidade sempre houve e haverá espionagem no campo do inimigo. Mas a questão de fundo é maior. Saber se a nível da cúpula, na Frelimo, terá havido uma Grande Toupeira ou várias?

A PIDE, em Lourenço Marques, na Costa do Sol, queimou todos os nomes, dados, e documentação dos seus arquivos, no campo de futebol do Benfica de LM, hoje CDCS. A Torre do Tombo não tem esses dados. Há só indícios. Havia um grande infiltrado ou mais a nível da cúpula? Mas quem? E que percurso? Chegaram a ministros e a membros do Comité Central? Estiveram entre os 10 mais poderosos de Moçambique na era de Machel? Se existiram, agora aonde andarão esses super agentes da PIDE? Serão empresários ou deputados ou ministros? Presumo que para sempre será um mistério!

E sobre, João Craveirinha, PRESO POLÍTICO (voluntário), na FRENTE de LIBERTAÇÃO, em Nachingueia(Nachingwea) e Niassa…Um dia, será contada e publicada a história depois da sua morte! ●

NA FRENTE DE LIBERTAÇÃO - A CLARIFICAÇÃO TOTAL

TRIBUNA Dia 5 Dezembro 2003
Coluna de João CRAVEIRINHA
email: craveirinhajoao@mail. pt

ARQUIVOS IMPLACÁVEIS(7)

NA FRENTE DE LIBERTAÇÃO - A CLARIFICAÇÃO TOTAL

O Hospital da Frente de Libertação encontrava-se localizado no sul de Tanzânia, em Mutuara (Mtwara), na direcção de Cabo Delgado, região nortenha de Moçambique para além do rio Rovuma. Nesse Hospital em situação anterior à sua expulsão (1968), o médico Hélder Martins, “ in extremis”, seria salvo por Manuel dos Santos (de Tete), de uma iminente agressão de uns guerrilheiros (muito irritados) de Cabo Delgado que se encontravam a receber tratamento de ferimentos em combate, por não aceitarem alta hospitalar e as ordens de regresso ao interior dadas pelo médico e responsável da Saúde da Frente, Hélder Martins. Estaria (entre outros) criado o cenário propício para as expulsões à posteriori depois dos distúrbios, de Maio de 1968, no escritório da Frente em Dar-es-Salaam e da revolta dos estudantes no Instituto Moçambicano em “Kurassini”. No entanto, muito após o assassinato de Eduardo Mondlane (1969), seria rectificada a situação com a autorização do regresso pela parte tanzaniana.

Provisoriamente uma “troika” substituiria Mondlane: - Samora Machel, Marcelino dos Santos e Uria Simango que se antecipara evocando os estatutos e distribuíra cartões de visita com o título de “acting President” – Presidente em exercício até às eleições do Congresso. Os acontecimentos precipitam-se. Uria Simango sente-se inconfortável ladeado pelos seus pares e tenta “ dar a volta” em vão. Encontra-se “espartilhado” sem margem de manobra. Seus apoiantes declarados são detidos ou o abandonam mudando de campo. Os detidos enviados a Cabo Delgado são executados depois de torturados na Base Central. Entre eles o tesoureiro da Frente de Libertação – Silvério Nungo; - A 18 de Julho de 1969 seria torturado (ainda mais), durante toda noite até ao amanhecer. Devido às coronhadas de espingarda recebidas na cabeça estas provocariam fracturas expostas, com partes abertas do crânio, por onde escorreria líquido da matéria encefálica, conduzindo-o, a uma morte lenta e muito dolorosa, debaixo de soluços roucos infra – humanos, de dor. Seria morto depois de uma agonia de cerca de 8 dias até a essa fatídica noite.

Em finais de 1969, o reverendo Uria Simango, distribui um Manifesto de 13 páginas intitulado “Gloomy Situation in Frelimo” – Situação Tenebrosa na Frelimo, onde acusa os seus camaradas e a viúva de Eduardo Mondlane, Janet. É a gota de água que transborda o copo. Em Novembro de 1969, Uria Simango é oficialmente expulso da Frente de Libertação. Após ouvir o reverendo U. Simango, o preocupado Presidente Nyerere, não intervém. A situação torna-se insustentável em Dar-es-Salaam para Uria Simango. Refugia-se no Cairo – Egipto onde (re) adere a uma nova Udenamo e posteriormente à COREMO – Comité Revolucionário de Moçambique, fundada em 1965 em “Lussaca” – Zâmbia. A Coremo, presidida por Paulo Gomane, combatia o exército português em Tete com o apoio da Zâmbia, China Popular e de elementos sedeados nos Estados Unidos. Era um movimento oficialmente pró-maoísta mas contraditoriamente de ligações norte-americanas. Colaborava com o PAC da África do Sul, a UNITA de Angola, ZANU da Rodésia e SWANU da Namíbia. (Uria Simango surgiria em Moçambique depois de Junho de 1974).

Em finais de 1969, Samora Machel, admirador confesso do maoísmo, passa a presidir abertamente à Frelimo e o veterano Marcelino dos Santos, relegado para segundo plano, é o vice-Presidente.

Tem início uma nova era na Frente de Libertação de Moçambique.■■■

ENFº BALTAZAR CHAGONGA

TRIBUNA
Coluna de João CRAVEIRINHA
email: craveirinhajoao@mail. pt


ARQUIVOS IMPLACÁVEIS (1)

ENFº BALTAZAR CHAGONGA, HERÓI ESQUECIDO e CO-FUNDADOR da FRELIMO

Nesta nova Coluna periódica no CORREIO da MANHÃ a partir da “minha TRIBUNA”, inicio uma série de comentários sobre a consulta feita a arquivos e de testemunhos pessoais relacionados com a luta anti-colonial dos moçambicanos contra o colonialismo português…Iniciamo-la com um dos fundadores da Frente comum de Libertação de Moçambique…Trata-se do Enfermeiro “Baltazar Chagonga” nascido na cidade de Tete em 6 de Janeiro de 1905 e falecido em Maputo em 25 de Setembro de 1988. Outro Herói do nosso tempo…

Foi preso político da PIDE em Lourenço Marques depois de raptado em Malaui em Março de 1965 para Milange na Zambézia… Em Junho de 1974 era enfermeiro no Posto de Socorros nº 2 da Soberana Ordem de Colombo no bairro da Munhuana. Este Posto como muitos outros de solidariedade social no campo da saúde pública, seriam extintos ou nacionalizados pela Frelimo ao tomar o poder. Chagonga em 1961 foi um dos líderes das manifestações anti-coloniais em Tete contra as brutalidades e torturas praticadas pelos administradores coloniais portugueses sobre as populações, em particular a do Administrador do Concelho de Moatize, Edgar Nazi Pereira, cronista na Rádio Clube de Moçambique. Várias décadas mais tarde deixaria escrito o livro “Mitos, Feitiços e Gente de Moçambique”, editado em 1998 pela Caminho de Portugal associada da Ndjira de Maputo. Na altura o seu nome escrevia-se Nazi com Z. Depois do 25 de Abril de 1974 mudou para Nasi…”Mudam-se os tempos mudam-se as vontades – O Tempora – O Mores”…Lá dizia o velho advogado romano, Marco Túlio Cícero, muitos anos antes de Cristo.

Voltando a “Chagonga” este seria preso em 1961 em Moatize – Tete e libertado por ordem do Governador-geral. Funda na clandestinidade em Tete a UNAMI – União Nacional Africana de Moçambique Independente… Continua a ser perseguido pelo administrador Nazi Pereira. Foge para a então Niassalândia onde é protegido pelo médico e líder político – Inguazi, Dr. Kamuzu Banda, futuro Presidente do Malaui da ex- Niassalândia…Ainda em 1961 é enviado por Banda a Dar-es-Salaam …Note-se Malaui (Malawi), Zâmbia e Tanzânia ainda não estavam Independentes… Os líderes nacionalistas de Tanzânia – Julius Kambarage Nyerere e Rashid Kauaua(Kawawa), da TANU, instalam-no no Princess Hotel. Na cidade de Dar-es-Salaam instalar-se-iam outros movimentos políticos de Moçambique : - a UDENAMO de Adelino Guambe e de Machuza (Mahluza), fundada na Rodésia (gente do centro – sul de Moçambique) e a MANU de predominância maconde de Mola e Vanomba de ligações a Tanzânia e a Mombaça – Quénia. Dos três, a UNAMI era o único movimento político fundado em Moçambique e na clandestinidade. Em 1962 Chagonga e outros nacionalistas moçambicanos assistem à Conferência da PAFMECA em Adis- Abeba, na Etiópia do Imperador Hailé Selassie. Orientou a Conferência o então secretário-geral Mbyu Kuinangue. Após a reunião Baltazar Chagonga e outros nacionalistas regressam a Dar-es-Salaam…A PAFMECA era a Pan – African Freedom Movement for East and Central Africa …é mais ou menos isso – Movimento Pan – Africano de Libertação da África Central e Oriental...mais tarde da África Austral…No início era composto por Tanganhica(Tanganyika), Quénia, Uganda, Rodésia do Norte(Zâmbia) e Niassalândia( Nyasaland – Malawi)…De Moçambique além da UNAMI de Chagonga tínhamos a UDENAMO – União Democrática NAcional de Moçambique e a MANU – posteriormente Mozambique African National Union antes MAkonde National Union…decalque da TANU de Tanganhica anterior à Independência de 09.12.1961. No ano seguinte, em 25 de Junho de 1962 é criada a FRE.LI.MO em Dar-es-Salaam. O Uganda Independente em 09.10.1962…Zanzibar a 10.12.1963. Fusão de Tanganhica com Zanzibar em 27.04.1964 passando a Tanzânia. Malaui Independente em 06.07.1964 e a Zâmbia a 24.10.1964…

O Enfermeiro independista, José Baltazar da Costa, conhecido por Chagonga – outro Herói esquecido pela história moçambicana, assistiria como observador convidado a 3 dessas Independências africanas – a do Tanganhica; do Malaui e da Zâmbia que seriam muito importantes para o futuro de Moçambique… □□□

29-05-2004

28 MAIO 1922 / 2004-POETA JOSÉ CRAVEIRINHA

DIALOGANDO
Por JOÃO CRAVEIRINHA
email: joaocraveirinha@yahoo.com.br
Às quartas e sextas – feiras desde Dezembro 2000
28 MAIO 1922 / 2004
POETA JOSÉ CRAVEIRINHA
(A Poesia é a essencialidade da escrita: in JOSÉ CRAVEIRINHA)

Meu pai JOÃO (sénior) – hoje é o aniversário de teu irmão ZÉ ! Vou reler excertos do poema que já conheces de cor e salteado melhor do que eu. Sim do poema que teu irmão escreveu quando estava preso
pela Pide, em 68, em Lourenço Marques: - …

…REFLEXÕES NO DIA DOS MEUS ANOS

Faço anos. /
Quantos já não interessa…/

…no meu bairro da Munhuana /
no preciso dia do meu aniversário /
lá com certeza o dia amanheceu…(in JOSÉ CRAVEIRINHA - 1968)

Pois é meu pai João (sénior) … quem diria ter chegado aonde chegou o teu irmão caçula, o tiZé? Agora, quase que vos vejo a recordarem a vossa infância. Quase que vejo quando o Pai grande (meu avô) – o chefe de polícia – algarvio e judeu poeta, José João Fernandes, vosso Pai, a querer punir o cascabulho ou trinta diabos, teu irmão Zézinho irrequieto e tu meu Pai João, a te colocares no meio, pedindo ao vosso Pai para não bater no teu irmão. Quase que vos vejo já sem o vosso Pai, português algarvio (falecido), e a residirem com vosso pai pequeno ou tio, guarda-fiscal, o António João Fernandes, já Craveirinha e também algarvio. Residiam na mesma rua do Poeta Rui de Noronha, mais velho que vocês.
Lembras – te? O local encontrava-se situado nas proximidades da actual av. Acordos de Lusaka com a Av. Marien Ngouabi. É verdade, não muito antigamente eram as Avenidas Craveiro Lopes e a Av. Caldas Xavier.

Hoje quase que vos vejo, meu Pai, tu a dares explicações de língua portuguesa a teu irmão José, com os livros de vosso Pai tão familiares, desde que ele vos recolhera após a morte de vossa mãe (minha avó), Carlota Mangachane Mafumo de Michafutene e tu o João (Mapilene), com sete anos e o José (Sontinho), com cinco.
Autores portugueses como Guerra Junqueiro, João de Deus, Ramalho Ortigão, Alexandre Herculano, Camilo, Eça e outros, eram lidos em voz alta pelo vosso Pai e, vocês atentos.
Sei meu Pai João, que até fazias versos em latim e sabias grego, inglês, francês e alemão e sabias desenhar e foste sempre de verdade, irmão de teu irmão, Zézé.

Sei também que não foste estudar Medicina com uma bolsa de estudo para a Universidade de Coimbra (em 1938 estudante e 1945 funcionário público), para não deixares desamparado teu irmão Zé.
Tua média no Liceu 5 de Outubro era sempre de 19 / 20 valores. Alí... onde está hoje o Instituto Comercial, defronte da Pastelaria Cristal...claro que te recordas.

Até, mais tarde, quando transferido em Abril de 1943 por motivos de serviço (Fazenda – Finanças), foste para o norte, Nampula e Ilha (Muhipiti), cuidaste de teu irmão e família. É por isso que sinto meu Pai, que cuidarás de teu irmão, meu tio Zé, Poeta Maior da família e de Moçambique e da afro – Lusofonia. Sei que cuidarás de teu irmão com a mesma preocupação de sempre. Preocupação que, para com ele tiveste, até fechar os teus olhos cinza – verdes, mulatos. Sei que nessa dimensão transcendental, onde se encontram, orientarás teu irmão mais novo, o Zé, no reencontro de vossos Pais, Carlota e José João e a outra vossa mãe, a enfermeira parteira Maria do Carmo, portuguesa de Lisboa vossa madrasta nome que ela detestava pois para ela eram filhos. Vocês eram o sangue do José João dela e não os filhos da preta como jocosamente, diziam, na sociedade colonial dos anos 1920 / 30 quando ela orgulhosamente passeava de mão dada com os mulatinhos, vocês, um de cada lado e – retorquia agastada:...”O SANGUE DE MEU JOSÉ JOÃO É MEU SANGUE”...

É papá João…como o tempo passa…e onde anda o teu irmão?
Queria lhe parabenizá-lo no dia de hoje… Ah, aí está o nosso Poeta.
Sabes papá tiZézé…sei que não gostas que te dêem os parabéns… já te conheço não insisto…mas tenho curiosidade em saber do teu encontro com o VATE LUIZ DE CAMÕES…eheh heheh…de que sorrio? Ele, o velho Camões não te cobrou nada? Nem uma percentagem? De quê? Então os 55 mil dólares ou 10 milhões de escudos antigos, do PRÉMIO, que recebeste com o nome dele em 1991? Já nem te lembras? Não te zangues estou a brincar…herdei de vocês a ironia nas coisas sérias. Ok…vou me embora. A vossa malta vos chama para festejar. Até à próxima e parabéns… (FIM)