O pensamento
Viriato Caetano Dias *
“Um castelo sem rei, uma ilha sem mar, uma ponte sem rio.”
Dito popular alentejano.
Quanto à Universidade Mussa Bin Bique o cenário é este: um reitor sem universidade, uma universidade sem instalações, um currículo sem alunos.
A presente reflexão surge de uma reportagem divulgada no Correio da manhã, na edição nº 3193 do dia 13/11/09, com o tema: “Caos na Universidade Mussa Bin Bique”. Uma reportagem que me fez recuar no tempo e no espaço – aquela província que eu amo em todos os sentidos e que faço dela a minha terceira base, depois de Maputo e Tete, esta última minha terra natal. A província de Nampula é, em si, um museu da História Nacional. Um museu a céu aberto que vale sempre a pena visitar. Um museu, diga-se de passagem, carregado de histórias más e boas (também não conheço outra finalidade de um museu de História Nacional que não seja a exposição de acontecimentos bons e maus). A História, aliás, não é mais do que o somatório de coisas boas e más. É também conhecida como a terra das “muthianas orera”, embora “muthianas orera” sejam todas as mulheres moçambicanas.
Lembro-me de como reagi quando me disseram que naquele “edifício” em minha frente – aquilo não é nenhum edifício, mas sim uma residência familiar em alto estado de usura – funcionava o campus da Universidade Mussa Bin Bique. Confesso que fiquei
profundamente indignado com a realidade que me tinham “obrigado” a aceitar. No mínimo, acho eu, qualquer cidadão tem o direito à boa vista, à boa estética. São princípios básicos do património e da arte. Mas esta é uma outra história e não quero maçar o leitor, será discutida ocasionalmente.
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