19/06/2008

Em 01Set74 – Tropas da Frelimo tomaram conta de NANGADE

Sabendo-se que os Acordos de Lusaca foram em 7 de Setembro de 1974, por que motivo “Tropas da Frelimo tomaram conta de NANGADE” em 1 de Setembro de 1974?
Este assunto nunca vi debatido e daí ter escrito o texto abaixo, que caso concorde, solicito divulgue no seu site.
Para além do caso já muito divulgado de Omar, verificando alguns documentos e depoimentos anteriores constatei o seguinte sobre o BCaç 5013:
Segundo extracto da História do Batalhão
“II - ACTIVIDADES NT RMM, NO PERÍODO DE:
01 SETEMBRO 1974 A 30 SETEMBRO DE1974
Em 01Set74 – Tropas da Frelimo tomaram conta de NANGADE.”
Como todos sabemos só em 7 de Setembro de 1974, foram assinados os famosos Acordos de Lusaca, digo Acordos porque foram assinados dois acordos, um político amplamente divulgado e outro militar ao que parece secreto, pois ainda não é conhecido.
O aprisionamento da Companhia de Omar deu-se em 1 de Agosto de 1974. Desta Companhia estava ausente o seu comandante. Porquê?
Antes de 1 de Agosto já tinha sido emitida a mensagem 71 65/P da 5a Repartição, divulgada pela mensagem 2008/OI/74 do Comando Sector B, à Companhia de Omar, que se transcreve parcialmente: “... Devem todos os comandos tentar criar condições locais passíveis de conduzir ao cessar fogo na sua ZA. Para o efeito lançarão campanha de panfletos, cartas deixadas no mato, e acima de tudo servir-se como intermediários, bem como todos os meios achados convenientes. Só deve ser prometido respeito e confiança mútuos e desejo para a paz. Todos os militares serão esclarecidos destes acontecimentos e finalidades, tendo em vista evitar quaisquer incidentes ou atitudes inconvenientes e todos os resultados alcançados serão comunicados a este Comando...”
Em 15 de Agosto de 1974, decorriam negociações entre Portugal e a Frelimo, onde foi apresentada a famosa “cassete” que dizem alguns ter feito chorar Spínola.
O aquartelamento de Nangade que foi entregue à Frelimo em 1 de Setembro de 1974, era um dos mais importantes de Cabo Delgado, situado junto ao Lago Nangade e perto do Rio Rovuma e base da famosa operação “Fronteira”. Nestas instalações estavam, pelo menos, o Comando e a CSS do BCaç 5013 e a sua 2ªCCaç, portanto mais de 300 militares.
E a questão é esta quem ordenou ao BCaç 5013 a entrega de NANGADE à Frelimo, antes dos Acordos de Lusaca?
Quem era o seu comandante?

Talvez alguém possa esclarecer esta situação que à luz dos documentos conhecidos me parece justificada.
Vítor Baião

24/12/2006

Oiçam os combatentes de Omar!

O título é bem sugestivo: "Traição de Omar fez correr lágrimas em Spínola" [PÚBLICO, 28.11](...). O senhor jornalista transcreve o texto do dr. Almeida Santos, do 2.º volume das Quase Memórias, págs. 66 a 68. Deu uma imagem truncada daquilo que o autor escreveu acerca do tema. O preclaro advogado confirma que o inquérito elaborado pelo, hoje, tenente-general Sousa Meneses diverge da entrega voluntária e desejada dos combatentes de Omar. E conclui, citando Norrie Mac Queen: "Os pormenores da questão de Omar continuam a ser algo vagos."
Leia em:
Download ouam_os_combatentes_de_omar.doc
Veja:
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2006/11/traio_de_omar_f.html

28/11/2006

"Traição de Omar" faz correr lágrimas em Spínola

Na véspera da partida da delegação portuguesa que ia iniciar em Dar-es-Salam as negociações com uma representação da Frelimo [em 15 de Agosto de 1975], recebeu-se em Lisboa a notícia, de fonte militar, de que uma companhia das Forças Armadas portuguesas havia sido "emboscada e aprisionada" por forças da Frelimo, em Omar, no Norte de Moçambique, junto à fronteira com a Tanzânia.
Justamente indignado, o Presidente Spínola exigiu que, antes de dar início às negociações, e como condição desse início, a delegação da Frelimo apresentasse desculpas à delegação portuguesa, por essa traiçoeira atitude das suas forças.
Assim fizemos. Mas, com surpresa nossa, Samora Machel começou por pretender desconhecer do que estávamos a falar:
- Emboscada de Omar?! Uma companhia aprisionada?!...
Por fim fez-se luz no seu espírito:
- O quê? Aquela "entrega" dos vossos soldados?
E voltando-se para um qualquer assessor da sua delegação:
- Traz a cassete...
Cassete? Íamos de surpresa em surpresa. Mas a verdade é que a misteriosa cassete veio, foi por nós ouvida, e ouvi-la ficou a constituir uma das maiores humilhações por que terá passado a delegação de um país.
O que nós ouvimos foi o registo sonoro de uma "entrega", não apenas voluntária, mas insistentemente solicitada.
- Vocês quem são?
(Veio a identificação.)
- E querem entregar-se porquê?
- Porque é hoje o dia! Porque vocês são os libertadores da nossa Pátria! Queremos entregar-vos as nossas armas!
Não garanto a exactidão das palavras - cito de memória -, mas asseguro o sentido delas.
Seguiram-se os abraços, o "pega lá a minha arma, meu irmão", etc., etc. É claro que não havia lugar a exigência de desculpas. Limitámo-nos a pedir uma cópia da cassete para em Lisboa documentarmos isso mesmo.
Mal chegados, a primeira coisa que o Presidente Spínola quis saber de nós foi se a Frelimo tinha ou não apresentado desculpas.
- Lamentamos informar que não era caso disso. Trazemos aqui uma cassete...
- Uma cassete?!
- É verdade! Uma cassete!
Logo se pediu um leitor de cassetes. Mas pouco depois de ter começado a ouvi-la, o Presidente mandou abruptamente desligar a maquineta. Manifestamente perturbado. Não sei se invento dizendo que vi brilhar, por detrás do seu inseparável monóculo, uma lágrima de comoção. Ou de raiva? Se aquilo era para ele o que era para mim, inveterado paisano, o que não seria para o lendário cabo-de-guerra?... (...)
(Excertos, 2.º volume, pp. 66-70)
PÚBLICO - 28.11.2006
NOTA:
Se Almeida Santos ouviu o que transcreve acima, a cassete apresentada a Spínola é "montagem". O próprio Alferes Costa Monteiro já o desmentiu. Mais, repito que é mentira, como se pode deduzir que só a 14 de Agosto aqui(em Portugal) se soubesse da "entrega" da Companhia de Omar.
Veja:
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2006/10/excomandante_da.html
Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE

11/10/2006

A chamada «traição de Omar»

Para melhor compreensão das afirmações do Comandante Interino de Omar, o então Alferes Costa Monteiro, transcrevo do livro de Almeida Santos "Quase Memórias" o capítulo intitulado "A chamada "traição de Omar"":

QUASE MEMÓRIAS (2º VOLUME) – Almeida Santos

A chamada «traição de Omar» (pág. 66)

Na véspera da partida da delegação portuguesa que ia iniciar em Dar-es-Salam as negociações com uma representação da Frelimo, recebeu-se em Lisboa a notícia, de fonte militar, de que uma companhia das Forças Armadas portuguesas havia sido «emboscada e aprisionada», por forças da Frelimo, em Omar, no Norte de Moçambique, junto à fronteira com a Tanzânia.
Justamente indignado, o Presidente Spínola exigiu que, antes de dar início às negociações, e como condição desse início, a delegação da Frelimo apresentasse desculpas à delegação portuguesa, por essa traiçoeira atitude das suas forças.
Leia em:
Download a_traio_de_omar_asantos.doc
Veja:
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2006/10/excomandante_da.html

Ex-comandante da Base de Omar desmente Almeida Santos e chama-lhe traidor

Diaboout200601
Almeida Santos está na mira de tiro dos militares portugueses que, em Agosto de 1974, caíram nas mãos dos terroristas da Frelimo, em Omar (Moçambique). No centro da polémica está o segundo volume do livro «Quase Memórias», há dias publicado, onde o dirigente socialista acusa de «traição» os homens da l.a Companhia de Cavalaria-Batalhão 8421. A versão relatada por um dos principais responsáveis pela trágica «descolonização exemplar» é rejeitada liminarmente por quem viveu «in loco» os acontecimentos. Chocado e indignado, mais de trinta anos depois o ex-alferes miliciano Costa Monteiro, à altura comandante interino da Base de Omar, dispôs-se a abrir a «gaveta» das memórias em nome da verdade. De «traição à Pátria» o antigo militar acusa Mário Santos, Melo Antunes, Otelo
Saraiva de Carvalho e o próprio Almeida Santos

Leia em:
Download excomandante_de_omar.doc
Veja tudo em:
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/omar_01081974/index.html

24/10/2005

Almeida Santos não diz a verdade

Porque será que, tantos anos depois, continua Almeida Santos a não querer dizer a verdade, misturando factos não acontecidos, com outros mal contados.

Peço-vos para atentarem neste pequeno video antes de continuarem:

Download sicalmsantos.wmv

São dois pequenos excertos de um programa da SIC  "Marcelo Caetano, A corda na garganta" apresentado em 1999.

Na primeira parte pode-se ouvir Almeida Santos a dizer que já se não ia tranquilo à Nammacha ou ao Bilene. Se bem me lembro, só depois de Setembro de 1974 tal aconteceu. Mas ainda há milhares de testemunhas vivas para desmentirem o Dr. Almeida Santos.

No segundo trecho resume a história da Companhia de Omar, contando uma história em que teria sido entregue à delegação portuguesa uma cassete que depois trouxe e entregou ao General Spínola.

A verdade é que Almeida Santos esteve em Dar-es-Salam apenas a 15 de Agosto de 1974, quando, na realidade,  a cassete foi entregue ao Major Melo Antunes a 2 de Agosto, tendo sido ele que a trouxe para Portugal e entregue ao General Spínola na realidade na companhia de Almeida Santos.

Vê-se assim que em 1999 ainda se branqueava a ida de Melo Antunes a Dar-es-Salam de 31 de Julho a 2 de Agosto de 1974.

E o segredo só foi desvendado quando o Comandante Almeida e Costa o relatou em 2004.

Veja em

http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2005/08/1_de_agosto_de__2.html

e faça depois o seu juízo.

Será que tudo isto virá no seu livro? Em que termos?

Fernando Gil

11/09/2005

1 de Agosto de 1974 - Companhia de OMAR entrega-se à FRELIMO(4)

Vozcombatente_87_2005

Alferes_monteiro_2005          OMAR - 1 DE AGOSTO DE 1974

Em 5 de Março de 2005, os prisioneiros de Ornar, alguns acompanhados de suas esposas e filhos, pela primeira vez reuniram em convívio, em Leiria.

Compareceu uma delegação da nossa associação, presidida pelo Vice-Presidente Eng.° Neto, que em comissão imediatamente anterior serviu como furriel em Ornar.

       Combinámos entrevistar o antigo alferes miliciano José Carlos Monteiro que comandava interinamente a Companhia no dia 1 de Agosto de 1974.

O entrevistado, depois do serviço militar, fez a sua carreira Profissional nos correios, onde é hoje responsável de zona.

VC- Qual a denominação local de estacionamento Batalhão e tempo de permanência da sua Companhia em Omar? Caracterize operacionalmente a zona nessa época?

AM- 1a Companhia de Cavalaria Batalhão 8421 Base de Omar Província de Cabo Delgado.

Estacionada nesta Unidade de 18.08.1973 a1.08.1974.

Zona 100% operacional, cuja missão era impedir a entrada e saída da Frelimo para a Tanzânia e impedir os reabastecimentos que eram efectuados via Rio Rovuma.

VC – Quais as bases de guerrilha da Frelimo que existiam na

área de actuação da Companhia?

AM - Havia a base Limpopo e outras pequenas bases avançadas que serviam de passagem para esta base.

        VC – Como foi acolhida a notícia da ocorrência do 25 de Abril em Portugal? A vossa actividade operacional continuou ou houve alterações?

          AM - A guerra entre o Exército Português e a Frelimo é apresentada como a principal premissa no contexto do Movimento das Forças Armadas. Iniciam-se conversações no sentido de acabar com um confronto entre dois povos. Trabalha-se para um cessar fogo em Moçambique, objectivo para o qual o Exército Português imediatamente caminhou, deixando de efectuar operações de carácter ofensivo e acordando em restabelecer diálogos a nível local, com elementos da Frelimo. As emissoras de rádio, de Moçambique, frequentemente anunciavam ostensivamente esses contactos. Houve inicialmente urna fase em que o cepticismo e a vontade de alcançar objectivos mais complexos levaram a Frelimo a não compreender claramente a boa vontade e o espírito colaborador do Exército Português. Passados algumas semanas, porém, o endurecimento iluminou as forças emancipalistas moçambicanas, altura a partir da qual se começou definitivamente a caminhar para a paz.

          V C  -  Recebeu algumas instruções para entabular negociações de cessar fogo com a Frelimo? De quem?

AM - A mensagem 2008/OI/74 do Comando Sector B transcreve a mensagem 71 65/P da 5a Repartição: «... Devem todos os comandos tentar criar condições locais passíveis de conduzir ao cessar fogo na sua ZA. Para o efeito lançarão campanha de panfletos, cartas deixadas no mato, e acima de tudo servir-se como intermediários, bem como todos os meios achados convenientes. Só deve ser prometido respeito e confiança mútuos e desejo para a paz. Todos os militares serão esclarecidos destes acontecimentos e finalidades, tendo em vista evitar quaisquer incidentes ou atitudes inconvenientes e todos os resultados alcançados serão comunicados a este Comando...»

Dentro do mesmo espírito e baseado nesta mensagem, o Comando Militar de Mocímboa do Rovuma elaborou um comunicado, com o fim de ser distribuído durante os patrulhamentos efectuados por forças do BCAV 8421:

- «O Governo Provisório Português está seguindo uma política ditada pelo Movimento das Forças Armadas que visa o seguinte: a paz entre os portugueses de todas as raças e credos em Moçambique e restantes províncias ultramarinas; Conceder a independência a Moçambique a curto prazo, bem como nas restantes províncias ultramarinas... Todos sabemos que a Frelimo e as Forças Armadas Portuguesas têm forças para continuar a lutar por muitos anos, porém, agora é imoral e desumano continuar a fazer mais mortos e feridos de ambas os partes. Os nossos Presidentes já começaram o diálogo franco e aberto, que vai continuar, e só este poderá conduzir a paz que todos desejamos. As Forças Armadas estão dispostas a não atacar o povo da Frelimo, se esta não atacar as picadas e quartéis portugueses. Vamos cessar fogo em conjunto, aguardando que na mesa das negociações seja negociada a paz com vista à independência de Moçambique. Enquanto não houver paz, as Forças Armadas continuam em Moçambique para segurança de todas as populações, raças e credos. Só em paz será possível construir um Moçambique melhor.

Aguardamos a vossa resposta por escrito ou emissário que será bem recebido».

VC - Descreva-nos os acontecimentos de Ornar a 1 de Agosto de  1974 e todos os posteriores até à data da vossa libertação em 19.09.1974.

AM - Na madrugada do dia 1 de Agosto de 1974, na orla da mata do estacionamento ouviram-se vozes de megafone, dizendo: « Atenção aquartelamento de Omar, nós não estamos contra vocês, lutamos contra o fascismo e o colonialismo, e esses terminaram no dia 25 de Abril. Queremos falar com vocês. Mandem um mensageiro à pista, pois nós estamos sem armas. Queremos apenas falar convosco, não queremos mais derramamento de sangue».

        Perante estas palavras o soldado Joaquim da Silva Piedade ofereceu-se voluntário para ir à pista como mensageiro. Todo o restante pessoal continuou nas valas e em diversas posições de fogo. Quando o referido mensageiro ia a chegar à pista, novas vozes de megafone se ouviram, pedindo para que o Comandante viesse também à pista. Perante isto, o comandante do aquartelamento, alferes miliciano José Carlos da Silva e Costa Monteiro, acedeu em ir também à pista juntamente com o referido soldado Piedade.

Surgiram então cerca de 8 a 10 indivíduos desarmados, munidos com gravadores portáteis, máquinas de filmar e máquinas fotográficas. Quando o alferes Monteiro se encontrava a falar com o comandante deste pequena força ele repetiu as palavras já ditas pelo megafone e pedia para falar com os soldados da Companhia na pista. Perante esta insistência o comandante do aquartelamento de Omar alvitrou que poderia entrar e falar com a Companhia dentro do aquartelamento, o que lhe foi contestado, alegando medo de qualquer reacção das nossas tropas ou da força aérea.

Perante isto, e como não se notava qualquer presença de indivíduos armados, foi aceite que parte Companhia fosse para a pista. Ficaram nas posições as secções de obuses 8,8 morteiros e postos de sentinela.

Quando se encontravam na pista, houve uma força de cerca de 100 indivíduos, que pela porta de armas traseira, que dava saída para a lixeira, entraram de assalto, tomando as nossas posições dentro do quartel. A reacção das secções de obus não era possível, e como tal, a força que entrou obrigou o pessoal das restantes posições a abandonar e sair. No mesmo momento em que a força toma o quartel, há uma outra força emboscada na orla da mata da pista que cerca todo o pessoal que nela se encontrava.

A partir daí não foi possível qualquer reacção. Imediatamente o Comandante de Omar e outros graduados perguntam ao comandante da força invasora o que é que se passava, no que ele respondeu que iriam falar com o Comandante Joaquim Chipande no meio da mata. Foram levados para uma base avançada de Frelimo onde se encontraram com os Chefes Silésio e Alberto Joaquim Chipande. Aí pernoitaram, dormindo à volta duma fogueira.

No dia 2 iniciaram a marcha até nova base da Frelimo onde ficaram dois dias. Aí os graduados tiveram a primeira reunião com uma comitiva da Frelimo chefiada por Joaquim Chipande. Foi-lhes lido todas as conversações de Lusaca às quais Chipande havia estado presente. Explicou este Chefe que uma das razões porque tinham tomado OMAR era pelo facto de não só ser uma base de importância vital, mas também porque já haviam escrito uma carta ao Comandante do Sector B/AV (Mueda) Tenente Coronel Andrade Lopes, onde a Frelimo punha como condições a retirada de determinados quartéis e reunião dos mesmos em Mueda. Não o quiseram fazer e a Frelimo sabia, pelo barulho de rebentamentos e por um mainato civil, que fugiu da nossa Companhia, que Omar estava a destruir os materiais. Esta reunião terminou cerca das 10H00 e aí os graduados iniciaram a marcha para se irem juntar aos restantes soldados que já se encontravam numa outra base da Frelimo.

No dia 5, seguiram para o distrito de M’Napa onde pernoitaram.

No dia 6 seguiram com destino à base Limpopo, onde foi distribuído arroz e sopa aos militares. Daqui avançaram em direcção ao Rio Rovuma, onde chegaram cerca das 18H00. às 00H30, os últimos homens encontravam-se em território da Tanzaniano.

No dia 7, foi distribuído o fardamento da Frelimo a todos os militares portugueses, tendo estes entregue a roupa que levavam vestida. À tarde, iniciou-se o transporte de todo o pessoal em viaturas do exército tanzaniano para Newala, onde se pernoitou numa prisão em construção.

No dia 8, dá-se o primeiro encontro com o Presidente da Frelimo, Samora Machel, bem como a restante comitiva. Aí, Machel falou a todos os militares, tendo cumprimentado todos um por um. Nessa tarde seguiram ao longo da Tanzânia até Nashinguwea onde ficaram instalados num quartel do exército tanzaniano. Aí ficaram até à libertação que se processou em 19.09.1974.

Enquanto permaneceram como prisioneiros, não houve qualquer mau trato a ninguém. Funcionava uma enfermaria dia e noite, com um sargento enfermeiro da Tanzânia, pronto para qualquer serviço. Um médico da Frelimo ia frequentemente dar consultas a quem queria, tendo feito inclusivamente o tratamento de uma anemia, com transfusão de sangue, a um soldado artilheiro português. Receberam diversas visitas, entre elas, a de Samora Machel três vezes, Chefe do Estado Maior do Exército Tanzaniano, Ministro da Agricultura da Tanzânia, diversos dirigentes do partido Tanu, muitos jornalistas e fotógrafos.

VC – Li algures que Spínola, então Presidente da República, terá visto uma reportagem da rendição de Omar e se terá declarado muito incomodado. Entende que poderia ter tido outro comportamento? Estás arrependido das suas decisões?

AM – O General Spínola deve ter ficado incomodado foi por ter dado determinadas ordens ao Major Otelo e ao Dr. Mário Soares para as conversações de Lusaca e eles terem alterado tudo o que havia sido combinado!!! Todas as reportagens foram feitas sobre Omar não correspondem à verdade, pois os actores principais nunca foram ouvidos, e ao fim de 31 anos é a segunda vez que conto a verdadeira história.

VC – Que influência terão tido os acontecimentos de Omar nas conversações de Lusaca, já que o acordo foi assinado mais de que um mês depois, a 09.09.1974?

AM – Pode ter servido para haver moeda de troca em termos de prisioneiros, pois só nós e um pelotão de açoreanos é que estávamos vivos e visíveis para a comunicação social. Onde estão os homens do navio Angoche?

VC - O Sr, era o Comandante Interino da Companhia. Alguma vez a hierarquia militar ou o poder político o incomodaram ou molestaram pela responsabilidade dos acontecimentos?

AM – Não.

VC - Quando foram libertados e após o regresso a Moçambique, como foram tratados pelos comandos militares. Quem vos recebeu e o que vos disseram? Que apoio receberam?

AM – Fomos recebidos em Nampula pelo Coronel Travassos, na altura Comandante do Sector B. Fomos bem recebidos e dados novos fardamentos e dinheiro.

VC – Trinta e um anos depois dos acontecimentos, o que sente? Em relação aos subordinados, aos superiores e aos guerrilheiros da Frelimo?

AM – Relativamente aos acontecimentos, não tenho qualquer ideia definida, tão somente a satisfação por ter regressado a Portugal com todos os meus homens, sãos e salvos, e creio termos tido um comportamento digno, pois soubemos dignificar a missão para a qual fomos solicitados: saber fazer a paz é tão dignificante como ganhar uma guerra.

Veja:

http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2005/08/1_de_agosto_de__2.html

01/08/2005

1 de Agosto de 1974 - Companhia de OMAR entrega-se à FRELIMO(3)

Complementando as duas locais sobre este mesmo título, relembro que Melo Antunes se encontrava em Dar-es-Salam, no quarto 602 do Hotel Quelimanjaro, quando a 1ª CCAV/BCAV8421 foi capturada.

Sobre esta estadia, mantida secreta durante muitos anos, transcrevo o artigo publicado no Diário de Notícias de 21.04.2004, sob o título NO QUARTO 602 DO HOTEL QUELIMANJARO:

"A. R.
Das 163 companhias que existiam Moçambique em 1974, 158 eram comandadas por milicianos. Foi com este dado bem presente que o então comandante Almeida e Costa desembarcou em Lisboa um mês depois da Revolução dos Cravos, tentando obter aquilo que não lhes chegava de Portugal: instruções e directivas. Isto quando a situação se degradava diariamente no território, com a população a exigir a extinção da PIDE, o direito à greve e o levantamento da censura. «Quando ainda havia guerra», recorda.

Mas em Lisboa reinava a confusão total. Dois meses depois, Almeida e Costa é informado que devia acompanhar Melo Antunes a Dar-es-Salam. Como intérprete, tarefa que já desempenhara antes, quando Costa Gomes se encontrou, na Beira, com uma delegação de militares rodesianos.

«É um encontro secreto», explicou-lhe o então número dois da JSN. «Não vão negociar nada, só conversar», dando-lhe a entender que os encontros de Lusaca e de Amesterdão tinham fracassado.

A partida, no entanto, foi sendo sucessivamente adiada. Até que Melo Antunes explica a Almeida e Costa ser preciso convencer Spínola, que mudava de opinião conforme as circunstâncias. A lei n.º 7/74 e o discurso de 27 de Julho mudam tudo. «Fiquei a saber», revela Almeida e Costa, «que elas eram condições sine qua non para a nossa partida». Finalmente embarcam. «Seguidos pela sombra de Aquino de Bragança». Primeiro para Madrid - «Melo Antunes achava que era seguido pela CIA» - e depois Roma, Nairobi e Dar-es-Salam, aonde chegam na tarde de 31 de Julho.

Pouco habituados a estas missões, Melo Antunes e Almeida e Costa só então descobrem que estão isolados e não conseguem comunicar com Lisboa. Além disso ficam em hotéis separados. «Não sei porquê, mas ficámos. Julgo que Melo Antunes aproveitou para falar com muitas pessoas. Sobretudo de Angola. Sei disso porque ele me convidou para um encontro com Agostinho Neto».

A primeira sessão de trabalho realizou-se no dia da chegada: entre as 19.30 e as 21.15. Uma vez que não havia necessidade de um intérpete, Almeida e Costa tornou-se, por iniciativa própria, num note-taker. Por aí se percebe que o segundo dia foi o mais violento. Não só pelas três sessões de trabalho mas, sobretudo, pelo teor das surpresas que os esperam. A começar pela notícia de que a Frelimo tinha capturado uma companhia inteira de militares portugueses em Omar, no norte de Moçambique. Como se isso não bastasse, Samora insistiu que se ouvissem as gravações e as entrevistas feitas com os soldados capturados, apelando à rendição das forças portuguesas. «Foi muito confrangedor», explica Almeida e Costa. Incluindo para o terceiro-mundista Melo Antunes, que não resistiu a um desabafo: «Merda, assim não se pode fazer nada».

A partir daí, concentram-se no teor do memorando que Melo Antunes e Almeida e Costa deverão trazer. Uma tarefa que se prolonga noite dentro, terminando já de madrugada no quarto de Almeida e Costa, onde Chissano - «com uma garrafa de cognac na mão» -, Monteiro e Rebelo se instalam.

Nessa altura, já os dois portugueses tinham percebido que pouco havia a fazer, e que o melhor que conseguiriam trazer estava relacionado com a resolução de questões práticas: a designação de um alto-comissário ou de um presidente de uma junta governativa; a composição do Governo de transição, a criação de uma comissão militar, as empresas, a questão da nacionalidade e a sorte dos moçambicanos que integravam as forças coloniais. Tudo menos Cahora Bassa, que Samora decidira que ficava para Portugal. «Isso é um muro que vocês construíram».

O terceiro e último dia foi preenchido com a leitura do memorando que Chissano, Monteiro e Rebelo tinham escrito na véspera, no quarto 602 do Hotel Kilimanjaro. É então que se dá um pequeno incidente entre Samora e Almeida e Costa, que resolve protestar com o galicismo do termo «engajar» que a Frelimo utiliza profusamente. «Passei pela vergonha de Samora Machel me explicar que a expressão existia. Nunca me esquecerei do que ele disse: Oh, Almeida - nessa altura já nos tratávamos todos por tu - vais ter de habituar que o português já não é só vosso, é de todos».

De regresso a Lisboa, Melo Antunes estava assustadíssmo com a ideia de ter de ir ao Buçaco e de ter de mostrar o memorando da Frelimo ao general Spínola. «E que não era nada daquilo que fora combinado».

Um nervosismo para o qual, ainda hoje, Almeida e Costa só encontra uma explicação. «Intelectualmente superior, corajoso e muito inteligente, Melo Antunes era também um militar. E mesmo ministro sem pasta, não deixava de ser um tenente-coronel que, naquela ocasião, se preparava para ir falar com um general. Sei que isto é muito subjectivo, mas é como eu vejo a situação».

É isso que explica a presença de Almeida Santos, «que tinha o condão de acalmar o general. Como Mário Soares». Melo Antunes recorre ao titular da Coordenação Interterritorial. Foram de helicóptero. Mas Spínola não reage. Limita-se a ler o memorando e a pedir que lhe deixem ficar um exemplar. "

NOTA PARA MEDITAR: Factos tão importantes como estes, não são relatados no livro MELO ANTUNES - O SONHADOR PROGRAMÁTICO, constando apenas uma alusão à sua visita a Dar-es-Salam, na seguinte frase: " tinha ocorrido o tal encontro entre mim e a Frelimo, no mês de Julho, que clarificara posições de um lado e de outro"(pág.112) e nenhuma referência à captura da companhia de OMAR. Porquê, tantos anos depois, pois a edição do livro é de 2004.

Do livro de Clotilde Mesquitela " Moçambique - 7 de Setembro", retiro ainda:

"19 —CONTACTOS  DIRECTOS  COM  SPÍNOLA.  A SUA  FRASE GERADORA  DO SETE DE SETEMBRO

        Anunciam os jornais que os dirigentes da FICO se iriam deslocar a Lisboa, a fim de se encontrarem com Spínola. Velez Grilo, Pires Moreira, Gomes dos Santos e Quinaz Pires seguem de Lisboa, num carro da Presidência da República, com destino ao Buçaco, onde Spínola os recebe com a maior simplicidade e até simpatia. Expõem-lhe o que já levavam preparado, e que se resume em 6 alíneas:

a)    A Frelimo   representa,  quando  muito,  20%   da população total de Moçambique.

b)   Não é com armas na mão que se pode  impor uma nova ordem democraticamente estabelecida.

c)   Os elementos mais marcantes da Frelimo são Changanes, o que pode originar uma luta tribal de extermínio.

d)    Moçambique tem confiança absoluta nas palavras do gene­ral Spínola, no programa das Forças Armadas, nas repe­tidas declarações do general Costa Gomes; mas discorda totalmente da orientação tomada nos últimos tempos, que prevê a anulação do referendo, propondo a assinatura de um acordo, sem que o povo, entretanto, seja consultado.

e)    Moçambique insiste na salvaguarda, a todo transe, de pessoas e bens da minoria branca, devendo a Metrópole assegurar, caso a política não mude, os meios de trans­porte bastantes à disposição dos que desejem sair. Nessa evacuação devem ser incluídos os soldados pretos do Exército, especialmente dos GE, GEP, e FLECHAS, que queiram ir para Portugal.

f)     O povo espanta-se perante a ineficácia e inoperância do Exército português, considerando, sobretudo, muito grave a sua incapacidade para manter a ordem».

Spínola, contaram  eles  no regresso, ouviu-os   impressionado. 

         Garantiu-lhes todo o apoio, encorajou-os em persistirem, afirmando-

-Ihes que se sentia traído pelo Exército. Pela primeira vez se ouve dizer (e pela boca de Spínola) que existe um papel com as con­dições estabelecidas para um acordo a celebrar em Lusaka. Disse-Ihes algumas das condições já estabelecidas e garantiu-lhes que as iria estudar melhor. Anunciou-lhes que brevemente seguiria para Moçambique um alto-comissário, para defender intransigentemente, os direitos dos portugueses. Nessa altura, já se tinha ouvido falar em que seria Melo Antunes. Quis esta delegação obter a confir­mação se, de facto, seria ele. Ao ouvir a pergunta, Spínola indignado e descontrolado, grita: «Esse é um comunista, não tenho já dúvidas a esse respeito» Spínola acrescenta ainda: «Se isso acontecer, há que abatê-lo. Têm 3 dias para lhe darem um tiro na cabeça». Estava tão descontrolado o general que acabou por chorar. Este diálogo levou a transferir para o dia seguinte o resto das conversas. Quando ao fim de 24 horas voltam ao Buçaco, Spínola está outro. Diz-lhes que, de momento, já lhe não é possível fazer nada. Mas acon­selha-os também: «Vocês têm que fazer alguma coisa lá, que eu possa daqui apoiar. A Província tem que demonstrar a sua posição».

Vieram convencidos que ele tinha aceite... o tal papel... de Lusaka. Mas ainda com as ilusões de que, mostrando a Província o que desejava, Spínola a apoiaria.

Costa Gomes também os recebeu em Lisboa, no palácio da Cova da Moura. Esteve muito tempo com eles, tomou muitos aponta­mentos, mas nem um só compromisso assumiu, e falou muito pouco. Outros oficiais (Saraiva de Carvalho, Sanches Osório e não sei se mais alguns, também os ouviram na Junta de Salvação Nacional. Encontraram-se ainda também com Victor Crespo, que, antes de os ouvir, procurou fazer o maior elogio à Frelimo. Acabaram por ter que lhe dizer que sabiam muito bem o que era a Frelimo e que tinham vindo numa missão anti-Frelimo, por considerarem esta incapaz de se tornar partido único, e muito menos ainda, para governar, só, Moçambique. A estas entrevistas se referiu, tempos depois, o semanário «Tempo Novo» na sua edição de 13 de Setembro de 1974."

Aliás, Iain Christie, no seu livro "SAMORA - UMA BIOGRAFIA" escreve a páginas 136 e 137:

"Em meados de 1974 o poder imperial português em Mo­çambique estava em visível derrocada. Colonos abandonavam o país, soldados desertavam, recusavam-se a combater ou pediam à Frelimo cessar-fogos locais, sem autorização do seu governo.

      As conversações programadas para Julho de 1974 em Lusaka não se realizaram.

Nesse mês, no entanto, Samora decidiu que tinha chegado o momento de demonstrar como era fácil para a Frelimo tomar as guarnições do exército português ao longo da fronteira com a Tanzania, as mesmas em relação às quais Lázaro Nkavandame tinha vociferado uns anos antes. Soldados da Frelimo cercaram o posto de Namatil (também conhecido como Omar), perto do rio Rovuma, e, usando megafones, disseram aos portugueses que ou se rendiam ou morriam. Todos os 140 portugueses saíram do posto com as mãos no ar mas três conseguiram fugir antes de serem presos.

...

Samora ignorou-os. Ele tinha um diligente enviado, Aquino de Bragança, farejando nos corredores do poder, em Lisboa, e informando sobre quem realmente tinha peso na administração portuguesa. Bragança sabia que Melo Antunes, um oficial do exército anticolonialista, que tinha sido um dos dirigentes do golpe de 25 de Abril, era uma figura-chave. Antunes era o poder por detrás do trono e sabia que era o momento de Portugal acabar com os prejuízos e sair de África. O exército não ia com­bater.

Embora as conversações marcadas para Julho não tenham ocorrido, os portugueses contactaram a Frelimo e chegaram a acordo que deveriam ser realizados novos contactos. Essas con­versações foram realizadas secretamente em Dar-es-Salam, em Agosto, e desta vez a delegação portuguesa era dirigida por um membro do Movimento das Forças Armadas. Mais tarde, no princípio de Setembro, Samora foi a Lusaka onde se encontrou com uma delegação, dirigida por Melo Antunes, que era minis­tro sem Pasta. Mário Soares tinha sido relegado para número dois da delegação.

Neste encontro Portugal concordou com a entrega do poder em Moçambique à Frelimo. Os Acordos de Lusaka sobre a independência de Moçambique foram assinados no sábado, 7 de Setembro, apenas por Samora Machel, por parte da Frelimo, e por Melo Antunes e mais sete colegas, entre militares e civis, por parte de Portugal."

De "O País sem Rumo" do General António de Spínola, transcrevo (pág.300 e seguintes):

"Entretanto, depois de um conturbado interregno de Governo de cerca de mês e meio, tomava posse, em 11 de Junho, o novo Governador-Geral, Dr. Henrique Soa­res de Melo (11), a quem foram claramente definidos os novos rumos da política ultramarina em ordem à auto­determinação das populações pela via do sufrágio uni­versal, fórmula que foi incumbido de preparar. Infeliz­mente, a sua acção viria a ser totalmente ultrapassada pela dinâmica do processo revolucionário conduzido pela esquerda militar e exercida em clima instável de transição para novas estruturas de Governo.

      Efectivamente, no curto lapso de um mês, era anun­ciada a constituição de Juntas Governativas para Angola e Moçambique, numa altura em que o MFA local se havia já apoderado do comando da situação e tomado a iniciativa de lançar um apelo à FRELIMO para cessar fogo, apelo que difundiu numa circular enviada a todas as unidades, aos jornais, às estações de rádio e ao próprio Governador-Geral, ao mesmo tempo que, numa acção concertada com as forças políticas frelimistas, incenti­vava a realização de comícios de confraternização e pro­paganda do adversário nas regiões da Beira, Vila Pery e Tete, e que entre António Enes e Nampula provocava o levantamento dos nativos contra os fazendeiros com vista a criar um quadro fictício de conotação da FRE­LIMO com a população negra que, na sua maioria, frontalmente se lhe opunha.

Paralelamente, estabeleciam-se, ao nível das unidades do interior, os primeiros contactos com os chefes regio­nais da FRELIMO e efectuavam-se reuniões de confra­ternização, ao mesmo tempo que se lançavam, de avião, sobre as áreas de refúgio das guerrilhas, prospectos alu­sivos à colaboração daquele Movimento na preparação e no desenrolar do «25 de Abril» e «posters» com as armas dos seus guerrilheiros ensarilhadas com as dos nossos soldados e destes confraternizando com os inimigos de ontem.

       A partir daí a situação militar agravou-se em ritmo preocupante. Algumas unidades negaram-se terminante­mente a cumprir quaisquer missões operacionais, che­gando ao extremo de numa companhia o comandante ter sido preso por sargentos e soldados, e de estes terem resolvido abandonar a localidade que ocupavam; idêntica atitude fora tomada por outra unidade que, anteci­pando-se à ordem de retirada, fez a evacuação em táxis aéreos; e outras ainda, embora permanecessem nos locais superiormente determinados, transformaram-se em centros de propaganda antiportuguesa, afixando nos seus aquartelamentos e imediações cartazes atentatórios da digni­dade das Forças Armadas, instigando à entrega imediata e sem condições de Moçambique à FRELIMO. Unidades acabadas de chegar da Metrópole, altamente politizadas, recusaram-se a «entrar em sector» e incitavam as uni­dades do interior a abandonar as localidades e posições que defendiam, algumas havendo que foram intimadas pela força a render as unidades em final de comissão; os quadros e soldados do Comando de um Batalhão sediado em Vila Paiva de Andrade prenderam o Coman­dante e ameaçaram abatê-lo se este os obrigasse a sair em serviço operacional antes de o cessar-fogo ser oficial­mente anunciado (12). O panorama completava-se com o espectáculo do «desfile» das colunas de viaturas mili­tares, que retiravam dos seus aquartelamentos, com sol­dados empunhando dísticos impondo o fim da guerra, o regresso imediato à Metrópole e laureando a acção libertadora da FRELIMO.

       Em princípios de Julho, iniciava-se a retracção do dispositivo das nossas forças, precisamente na altura em que o Quartel-General de Nampula promovia a difu­são de uma circular anunciando que o cessar-fogo seria em breve assinado e proibia a publicação de um telex noticioso da Reuter que divulgava a afirmação de Samora Machel de que «não haveria qualquer cessar-fogo enquanto o Exército Português não fosse completamente derrotado». Era evidente que a FRELIMO não estava interessada, apenas, na independência de Moçambique, mas preten­dia, acima de tudo, o poder absoluto do novo Estado, poder que Samora Machel, embora não ignorasse ser bem difícil de obter por referendo e não ter força para o conquistar pelas armas, estava seguro lhe viria a ser ofe­recido pela via da traição dos elementos marxistas das Forças Armadas Portuguesas.

     É assim que o Governador-Geral de Moçambique, em 23 de Julho, informa o Ministro da Coordenação Interterritorial  de que as comissões regionais do MFA se haviam reunido em Nampula, «tendo as comissões de Cabo Delgado e de Tete anunciado que as tropas estacio­nadas nos referidos distritos impunham um cessar-fogo unilateral se até fins de Julho não fosse estabelecido um acordo global de cessar fogo com a FRELIMO, data a partir da qual o pessoal dos helicópteros se recusaria a abastecer as tropas terrestres.»

      Na verdade, caminhava-se para um fim trágico. Esta­vam criadas as condições que conduziriam uma Compa­nhia a entregar-se, sem luta, à FRELIMO em l de Agosto, no desenvolvimento de um plano maquiavelicamente con­cebido e eficientemente conduzido ao nível do Estado--Maior do Quartel-General de Nampula, então profun­damente infiltrado pela esquerda militar revolucionária.

É de notar que isto tudo se desenrolou numa altura em que ainda havia ampla margem para defender à mesa das negociações, com dignidade e justiça, os interesses nacionais, porquanto está hoje comprovado, por decla­rações insuspeitas dos próprios chefes da FRELIMO, que a força desta era fictícia e só tinha sido possível ampliá-la, em termos de larga dimensão, com a ajuda da autoridade das Forças Armadas Portuguesas, que impuseram os seus inimigos da véspera às populações que afirmavam defender.

Completando este quadro de alta traição a Portugal e às populações de Moçambique, o Major Melo Antunes, então Ministro sem Pasta, deslocou-se, sem meu conhe­cimento, a Dar-es-Salam para, à margem de qualquer política concertada com a Presidência da República ou com os Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Coor­denação Interterritorial, estabelecer um plano de entrega de Moçambique à FRELIMO, plano que viria a concre­tizar-se numa proposta inicial a que ele desde logo aderiu e que representava a abdicação total perante o inimigo por nós próprios tornado poderoso. A aceitação desse documento por um membro do Governo Português retirou às forças políticas as poucas possibilidades que ainda tinham de defender os interesses nacionais.

Assim, quando em 15 e 16 de Agosto, a Delegação Portuguesa (13) se sentou à mesa das negociações em Dar--es-Salam, a facção predominante do MFA, ali repre­sentada pelo Major Melo Antunes, já estava ao lado do chamado Movimento de Libertação e, para que ainda se retirassem às forças políticas todas as possibilidades de soluções razoáveis, recorreu-se a formas de pressão impen­sáveis e só possíveis num quadro de alta traição.

      No regresso da delegação a Lisboa, foi-me comuni­cado que o Major Melo Antunes, na sequência da acção secreta anteriormente realizada, ao chegar a Dar-es-Salam entrara imediatamente em contacto com o Presidente Nyerere e com a delegação da FRELIMO sem conheci­mento dos outros membros da delegação portuguesa, certamente com o objectivo de acertar os pontos de vista que defendeu na reunião oficial realizada na tarde do mesmo dia, numa chocante atitude de defesa declarada dos' interesses da FRELIMO em detrimento dos de Portugal.

Na mesma ocasião fui informado de que aquela reunião havia sido aberta com a audição de uma fita gravada da «rendição» de uma companhia metropoli­tana no Norte de Moçambique, num cenário concertado com as cúpulas marxistas do MFA e conhecido pela «traição de Omar» (14), gravação que ficará a assinalar uma das páginas mais vergonhosas da História do Exér­cito Português ao oferecer a Samora Machel, na mesa das negociações, uma arma decisiva. As afirmações pro­duzidas no «acto da rendição», designadamente as sau­dações à FRELIMO, como libertadora de Moçambique e do próprio povo português, constituíram prova irrefu­tável do índice de prostituição moral a que haviam che­gado alguns militares portugueses.

Não encobrindo a minha indignação por tudo o que se havia passado na reunião de Dar-es-Salam, recusei-me a ouvir a referida gravação bem como a aceitar que tão vergonhosa «rendição» traduzisse o espírito das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique(15). Tomei nessa ocasião conhecimento das exigências da FRELIMO e do projecto de acordo em discussão. Sabia que os entendimentos secretos entre os representantes daquele Movi­mento e os mandatários da facção dominante do MFA haviam diminuído sensivelmente a nossa capacidade de manobra e de argumentação à mesa das negociações. E também não ignorava que o ultimato do MFA de Moçambique de 23 de Julho, já em parte concretizado com a «rendição de Ornar», se traduzia numa ameaça constante do colapso militar. A FRELIMO estava cons­ciente de que o seu poder residia essencialmente não nas suas .estruturas, mas na força da traição da esquerda militar portuguesa, disposta a apoiá-la e a impô-la ao povo moçambicano, proporcionando-lhe a organização político-militar que nunca conseguira alcançar antes do «25 de Abril».

    Apesar destas circunstâncias, neguei-me terminante­mente a aceitar algumas cláusulas do texto proposto e sugeri a passagem de outras para um documento reser­vado anexo ao Acordo, numa derradeira tentativa de salvaguardar perante o Mundo o que ainda restava da Dignidade Nacional. Tinha plena consciência de que era já irreversível o desenvolvimento do processo no sen­tido de uma transferência de poderes para a FRELIMO, mas queria que esta assumisse as obrigações de modo a que os interesses portugueses e os da população moçam­bicana fossem devidamente acautelados."

Em entrevista ao PÙBLICO em 11 de Abril de 2004, afirma o Dr. Almeida Santos:

"...Houve uma companhia, no Norte de Moçambique, em Omar, que se entregou. Esse tal telegrama dizia: "Até ao fim do mês." No fim do mês uma companhia entregou-se à Frelimo. E veio outro telegrama a dizer que a companhia tinha sido objecto de uma emboscada, tinha sido involuntário da parte dos nossos. E antes de irmos para Lusaca, para as negociações, o general Spínola disse-me que, como condição de começarmos a discutir, eles tinham de apresentar desculpas pelo que se passou em Omar. Assim fizemos, dissemos: "Temos instruções de não começar a negociar sem vocês justificarem o que se passou em Omar." Eles apresentaram uma cassete que mostrava que tinham sido os nossos que se tinham entregado. Na cassete diziam: "É hoje, peguem lá as nossas armas." ...

   

“Melo Antunes e Almeida e Costa. E, de facto, acordaram com a Frelimo as bases do futuro acordo. O essencial estava lá: a dispensa da consulta popular, fosse referendária, fosse directa; o reconhecimento da Frelimo como único e legítimo representante do povo de Moçambique; a existência de um governo de transição com a composição assim ou assado - estava basicamente tudo discutido. Portanto, não venham dizer que os culpados sou eu e o dr. Mário Soares, quando depois começamos a discutir, naquela base, em Lusaca. Também eu aí absolvo absolutamente o dr. Mário Soares. Não estou a defender-me a mim, pela razão simples que ele negociou perante situações de facto: primeiro, sem cobertura militar; segundo, com uma negociação prévia em que não tinha intervindo. Ele não teve culpa nenhuma. O acordo de Lusaca, apesar de tudo, é um acordo hábil. Tenho um grande papel na redacção do acordo; os acordos foram praticamente todos redigidos no essencial por mim, mas na prosa, não nas soluções. "

Termino esta pequena série de transcrições com o desabafo final, na entrevista concedida ao Diário de Notícias, em 20 de Abril de 2004, do Alferes Comandante da Companhia que se rendeu em OMAR:

"Ainda hoje", diz José Carlos Monteiro, "estou convencido que a Frelimo precisava de prisioneiros para trocar em Lusaka e não os tinham. Fomos nós"

      

Ficam aqui algumas pistas para os estudiosos e historiadores sérios se dedicarem mais profundamente a este capítulo da História comum de Moçambique e de Portugal no período pré-independência, com mais de trinta anos já passados.

Como aconteceu e porque aconteceu?

Fernando Gil

1 de Agosto de 1974 - Companhia de OMAR entrega-se à FRELIMO(2)

Depois do relatório do BCAV8421 aqui parcialmente divulgado, veja a reportagem publicada pela revista MOZAMBIQUE REVOLUTION, nº 60, Julho/Setembro de 1974, da tomada do quartel português de OMAR (NAMATIL), em 1 de Agosto de 1974:

http://www.macua.org/temp/omar.html

1 de Agosto de 1974 - Companhia de OMAR entrega-se à FRELIMO

Passa hoje mais um aniversário do dia em que a 1ª Companhia do Batalhão de Cavalaria 8421 estacionada em OMAR(Namatil) se entrega à Frelimo e é levada para a Tanzânia.

História ainda mal contada, 31 anos depois. Porquê?

Fernando Gil

Este é o relatório oficial sobre o acontecimento:

"- Em 01AG074 - Ataque ao aquartelamento de OMAR seguido de golpe de mão. Na madrugada do dia 01AG074 na orla da mata do estacionamento ouviram-se vozes de megafone dizendo: “Atenção aquartelamento de OMAR, nós não lutamos contra vocês lutamos contra o Fascismo e Colonialismo e esses terminaram no dia 25 de Abril. Queremos falar com vocês. Mandem um mensageiro à pista pois nós estamos sem armas. Queremos apenas fa­lar convosco, não queremos mais derramamento de sangue." Perante estas palavras o sold. JOAQUIM DA SILVA PIEDADE ofereceu-se voluntário para ir à pista como mensageiro. Todo o restante pessoal continuou nas valas e em diversas posições de fogo. Quando o referido mensageiro ia a chegar à pista novas vozes de megafone se ouviram, pe­dindo para que o comandante viesse também à pista. Perante isto o co­mandante do aquartelamento, Alf. Milº. JOSÉ CARLOS DA SILVA E COSTA MONTEIRO acedeu em ir também à pista juntamente com o referido sold. PIEDADE. Surgiram então cerca de oito a dez indivíduos desarmados, munidos com gravadores portáteis, máquinas de filmar e máquinas fotográ­ficas. Quando o Alf. MONTEIRO se encontrava a falar com o comandante desta pequena força, ele repetiu as palavras já ditas pelo megafone e pedia para falar com os soldados da companhia, na pista. Perante esta insistência, o comandante do aquartelamento de OMAR alvitrou que podia entrar e falar com a companhia dentro do estacionamento o que lhe foi contestado alegando medo de qualquer reacção das NT ou da força aérea. Perante isto e como não se notava qualquer presença de indivíduos ar­mados foi aceite que parte da Companhia fosse para a pista. Ficaram nas posições as secções de obuses 8,8, morteiros e postos de sentine­la. Quando se encontravam na pista houve uma força de cerca de 100 in­divíduos, que pela porta de armas traseira que dava saída para a licheira, entraram de assalto tomando as nossas posições dentro do quar­tel. A reacção das secções de obus não era possível e como tal a força que entrou, obrigou o pessoal das restantes posições a abandonar e sair. No mesmo momento em que a força toma o quartel há uma outra força emboscada na orla da mata da pista que cerca todo o pessoal que ne­la se encontrava. A partir daí não foi possível qualquer reacção. Imediatamente o comandante de OMAR e outros graduados perguntaram ao co­mandante da força invasora, o que é que se passava ao que ele respon­deu que iriam falar com o comandante Joaquim Chipende no meio da mata. Foram levados para uma base avançada da Frelimo onde se encontraram com os chefes Silésio e Alberto Joaquim Chipende. Aí pernoitaram dormindo à volta de uma fogueira. No dia 2 iniciaram a marcha até nova base da Frelimo onde ficaram dois dias. Aí os graduados tiveram a pri­meira reunião com uma comitiva da Frelimo chefiada por Joaquim Chipen­de. Foi-lhes lido todas as conversações de Lusaka às quais Chipende havia estado presente. Explicou este chefe que uma das razões porque tinham tomado _QMAR era pelo facto de não só ser uma base de importância vital mas também porque já haviam escrito uma carta ao comandante do Sector B/AV (MUEDA) - Tenente-Coronel Andrade Lopes, onde a Frelimo punha como condições a retirada de determinados quartéis e reunião dos mesmos em MUEDA. Não o quiseram fazer e a Frelimo sabia pelo barulho de rebentamentos e por um mainato civil que fugiu da nossa Compa­nhia que OMAR estava a destruir os materiais. Esta reunião terminou cerca das 10,00 horas e aí os graduados iniciaram a marcha para se ir­em juntar aos restantes soldados que já se encontravam numa outra base da Frelimo. No dia 5 seguiram para o distrito de M'NAPA onde pernoita­ram. No dia 6 seguiram com destino à base Limpopo onde foi distribuí­do arroz e sopa aos militares. Daqui avançaram em direcção ao rio Rovuma onde chegaram cerca das 16,00 horas. Às 00,30 horas os últimos homens encontravam-se já em território tanzaniano.

No dia sete foi distribuído fardamento da Frelimo a todos os milita­res portugueses tendo estes entregue a roupa que levavam vestida. À tarde iniciou-se o transporte de todo o pessoal em viaturas do exér­cito Tanzaniano para NEWALA onde se pernoitou numa prisão em construção. No dia oito dá-se o primeiro encontro com o presidente da Freli­mo, Samora Machel bem como restante comitiva. Aí, Machel falou a todos os militares tendo cumprimentado todos, um por um. Nessa tarde seguiram ao longo da Tanzania até NASHINGUWEA onde ficaram instalados num quartel do exército Tanzaniano. Aí ficaram até à libertação que se processou em 19 de Setembro de 1974.

Enquanto permaneceram como prisioneiros não houve qualquer mau trato a ninguém. Funcionava uma enfermaria dia e noite com um sargento en­fermeiro da Tanzania pronto para qualquer serviço. Um médico da Frelimo ia frequentemente dar consultas a quem queria tendo feito, inclusivanente, o tratamento de uma anemia com transfusão de sangue a um soldado artilheiro português. Receberam diversas visitas entre elas a de Samora Machel mais três vezes, chefe do Estado Maior do exército Tanzaniano, ministro da Agricultura da Tanzania, diversos dirigentes do partido TANU, muitos jornalistas e fotógrafos.

Refere-se a seguir o resumo dos resultados obtidos pelo IN após a tomada do aquartelamento de OMAR.

- Foi levado o cofre da companhia com todos os valores que tinha.

- Foram levados todos os artigos de cantina existentes no armazém do Bar do Soldado e no bar propriamente dito.

- Foram levados todos os víveres que existiam no depósito de géneros, todos os medicamentos do posto de socorros, todos os combustíveis e lubrificantes que havia no parque auto, todos os documentos e arquivos da Companhia e todo o material à carga da Companhia e pertencente a todas as unidades controladoras.

- Todos os militares foram espoliados de todos os seus bens e haveres incluindo o fardamento militar.

  O pessoal ficou, bastante afectado psiquicamente pela situação vivida, cansado e em más condições de saúde em virtude da vida que viveu com falta de água e má alimentação.

  Em face do ocorrido ficou a 1ªCCAV sem todo o material à carga e pertencente a todas as entidades controladoras.

A acção teve cabimento em virtude de ter surgido numa altura em que se procurava o estabelecimento de contactos com elementos da Frelimo. Recebeu esta Companhia diversas mensagens dando directivas para o ca­so de surgirem elementos da Frelimo, para iniciarem contactos. O pró­prio RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, na noite de 31 de Julho de 1974 deu una notícia no " Jornal Sonoro " acerca de um cessar fogo na zona de MUEDA entre elementos da Frelimo e do Exército Português. Salienta-se a acção dos militares abaixo mencionados que lograram fu­gir ao controle do IN:

- sold. JOSÉ ANTÓNIO CABDOSO GONÇALVES apresentado em NANGADE em 02AG074.

- sold. JOAQUIM SILVA DA PIEDADE apresentado no mesmo dia também em NANGADE.

- sold. VASCO PONDA apresentado juntamente com os camaradas anterior­mente citados no mesmo dia e na mesma localidade.

- Também em NANGADE se apresentaram os solds., LAQUINE PUANHERA e SUMAIL AIUPA, em 03AG074.

- Finamente em MOCIMBOA DO ROVUMA em 05AG074 apresentou-se o sold.MÁRIO ANDRADE MOITEIRO.

No dia 19 de Setembro foram os militares da 1ªÇCAV libertados e repa­triados para NANGADE donde partiram no mesmo dia em aviões especiais para NAMPULA, com escala em MOCIMBOA DA PRAIA, onde ficaram instala­dos no Batalhão de Manutenção de Material. No dia 20 de Setembro pe­las 06,00 horas partiram do BMM/NAMPULA para a ILHA DE MOÇAMBIQUE on­de ficaram até ao seu regresso à Metrópole."

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