Luiz veste uma camisete laranja e uma corrente de cor prata que tem como detalhe uma letra que não é a inicial do seu nome. Tímido, só à primeira vista, este adolescente de 13 anos se mostra muito atento aos detalhes e quando sua mãe diz a idade dela, no caso 30, ele a corrige : “É 33. Estás a mentir a idade, mãe?”
Celeste, 16 anos, usa um brinco cor de bronze em apenas uma orelha. Preocupada em sempre responder correctamente o que é questionada, ela chega a engasgar-se com a falta de ar. Tudo isso por conta da grande ansiedade. O primeiro mora com a mãe e com os tios na Aveninda Joaquim Chissano, em Maputo, e a segunda com os pais e um irmão no Bairro da Liberdade, na Matola. Ele está na oitava e ela na décima classe. Apesar das várias diferenças, Luiz e Celeste que nem se conhecem têm algo em comum: querem ser médicos pediatra a ter três filhos.
Luiz queria ser engenheiro e Celeste jornalista. Ela até já se arriscou na profissão, quando trabalhou como produtora de um programa da Rádio Moçambique sobre saúde sexual e reprodutiva, o Mundo Sem Segredos Porém, ambos mudaram de ideia e agora só querem saber da possibilidade de ajudar outras crianças. O que eles não sabem, talvez, é que a influência que tiveram para pensar em ser médicos é a mesma. Assim como as aulas de vôlei para o Luiz e as de canto coral para a Celeste, as consultas de pediatria no Hospital Central de Maputo passaram a fazer, nos últimos anos, parte da programação quaotidiana deles. Luiz está em tratamento antiretroviral (TARV) há cerca de dois anos e meio e celeste há três .
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