Os "Reis da Rádio" estão de volta com a edição do segundo volume desta compilação que reúne êxitos das décadas de 1950 e 1960, uma edição discográfica que reúne, entre outros, Maria Clara, Calvário e Simone.
Escutar este CD é voltar a ouvir as rádios portuguesas de há cerca de 50 anos atrás, com canções que fizeram os "tops" da época, como "A fonte das sete bicas" (Artur Ribeiro) por Maria Clara ou "Nostalgia" (Jerónimo Bragança/Joaquim Luís Gomes) por António Calvário.
Num tempo em que grande parte da música popular era produzida em casas de fado e no teatro de revista, "a rádio foi rainha", constituindo até um padrão ao reivindicar para si a formação dos cantores através do Centro de Preparação de Artistas, diz à Lusa o editor David Ferreira da EMI-Music Portugal, que chancela o CD "As vozes eram afinadas, os compositores bons", disse David Ferreira, que qualificou as composições da época "entre as referências portuguesas, os clichês internacionais e a paixão latino-americana".
A mais antiga gravação é de 1957, "Recado a Lisboa", sendo a mais recente "Maria Rita", de 1969.
Este CD reúne 20 temas por outros tantos intérpretes, alguns bisam a presença, relativamente ao primeiro volume da colectânea, editado em Agosto de 2002.
São os casos de António Calvário, Maria Clara, Tony de Matos, Carlos Ramos, Fátima Bravo, Rui de Mascarenhas, Maria de Lourdes Resende, Max ou Simone de Oliveira.
Novidades são Maria José Valério com "Menina dos telefones" (Eduardo Damas/Manuel Paião), Duo Ouro Negro, "Maria Rita" (Raul Aires Peres), Fernanda Batista, "Tudo isto é fado" (Aníbal Nazaré/Fernando Carvalho) ou João Villaret, "Recado a Lisboa" (J.Villaret/Armando da Câmara Rodrigues).
Estes nomes fizeram vibrar clubes de fãs e ocasionaram renhidas eleições de reis e rainhas da rádio num Portugal "ainda pacato, depois de os anarquistas e os republicanos deixarem de ser uma ameaça permanente ao regime e antes do efeito conjunto da guerra de África e da influência da nova música popular da Europa e América", como disse à Lusa David Ferreira.
Maria Clara, Tony de Matos, Artur Ribeiro, António Calvário, Tristão da Silva, Francisco José, Simone de Oliveira ou Rui de Mascarenhas subiram ao trono de reis da rádio, foram aplaudidos e receberam troféus, tendo cada um clubes de fãs que procuravam aumentar a sua popularidade.
Cantoras e cantores procuravam uma interpretação própria.
Muitos "abusavam do soletrar das sílabas, afastando-se do falar do homem da rua, outros eram arrebatados e vibravam", diz David Ferreira.
Os anos da rádio em Portugal começam definitivamente na década de 1930, quando surgem o Rádio Club Português e a Emissora Nacional, e iriam durar, segundo David Ferreira, até à realização do primeiro Festival da Canção da RTP, em 1964.
O CD reúne, entre outros temas, "A minha casinha" por Milú que o cantou no filme "Costa do Castelo", e também do cinema, "Canção da costureirinha" por Maria de Fátima Bravo, além de "Dizer adeus" por Helena Tavares, "Pauliteiros do Douro" por Rui de Mascarenhas, "Não, não e não" por Maria de Lourdes Resende, "Bons tempos" por Carlos Ramos, "Senhora da Nazaré" por Alberto Ribeiro, ou "Fúria de viver" por Simone de Oliveira.
NL. - LUSA - 29.01.2005

Gostei muito deste blog, pois também tenho em minhas preferências musicais o fado. Também tenho um blog onde recordo artistas e cantores da Era do Rádio - décadas de 1930 a 1960, do rádio brasileiro e português. Um abraço
Posted by: Thais Matarazzo | 24-05-2009 at 19:11