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A remoção rápida usando métodos indecentes da parte dos sem rosto contra o actual Presidente do Conselho de Administração (PCA) dos Correios de Moçambique, Benjamim Pequenino virou um campo de batalha entre a empresa e o ministério de tutela.
Como medida de precaução, Pequenino entregou, pessoalmente, em Julho último, ao ministro dos Transportes e Comunicações, António Munguambe, uma carta denunciando um ambiente de intrigas que perigam as reformas em curso na empresa que já encaixam lucros significativos. O ministro nega ter recebido tal carta e empurra responsabilidades para o seu chefe de gabinete.
- Versão do ministro
Questionado sobre o assunto à margem da inauguração do novo serviço “payshop”, António Munguambe negou, na última Sexta-feira ter recebido a carta enviada a 22 Julho de 2005 pelo Presidente do Conselho de Administração, Benjamim Pequenino.
Com nervosismo, Munguambe disse: “estamos na inauguração de um serviço que vai trazer benefícios para o País e não para este assunto. Ainda não me chegou a tal carta”.
Pequenino diz numa das passagens da mesma que “os protagonistas de tais esquemas por iniciativa ou a mando de alguém, vão envenenando o ambiente laboral na empresa fomentando o boato e intrigas, claramente para provocar anarquia e desordem cujo objectivo é culpabilizar o PCA e a sua administração”.
Como medida de precaução, o CA solicita ao pelouro que “no mais urgentemente possível sejam comunicados os trabalhadores e à administração em semelhante fórum, as constatações e conclusões da comissão de inquérito, culpabilizando ou ilibando a minha administração”.
Sobre o inquérito há muito esperado, Munguambe disse que todas as empresas ligadas ao seu ministério apresentam uma boa gestão e sublinhou que a carta poderá ter chegado na sua instituição, pois o seu chefe de gabinete é que está melhor informado sobre ela.
Perante o pronunciamento do ministro, Pequenino confirmou que a carta foi recebida no gabinete do ministro.
“Porque tratava-se de um assunto delicado, preferi entregar pessoalmente. É triste o que está acontecer numa altura em que a reforma do sector público é pela tramitação célere do expediente e não só”, disse.
Afirmou que estranho é, até agora o ministro não ter recebido a carta, uma vez ter feito questão de informar aos outros membros do Conselho de Administração que a subscreveram.
“A questão da cor partidária não deveria transcender aquilo que é a vontade de pôr as coisas a funcionar como deve ser”, disse Pequenino, acrescentando que nenhum trabalhador deverá escudar-se no facto de ser membro de partido político ou de sindicato, para envenenar o ambiente laboral, espelhando intriga e cometer irregularidades.
Várias “operações” foram desenhadas por indivíduos sem rosto para promover a queda rápida do actual PCA, sendo uma delas a desautorização por parte da direcção do ministério de um contrato de arrendamento de um espaço sem motivos claros e roubo de computadores centrais da empresa.
Nelo Cossa - ZAMBEZE - 08.12.2005
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