O PRESIDENTE do Zimbabwe, Robert Mugabe, criticou ontem as acusações proferidas sábado pela chanceler alemã, Angela Merkel, considerando-as “arrogantes”, uma vez que são provenientes do “bando dos quatro”.
Maputo, Segunda-Feira, 10 de Dezembro de 2007:: Notícias
Mugabe, que falava na sessão plenária do segundo e último dia de trabalhos da II Cimeira Europa/África, que terminou ontem em Lisboa, aludia às intervenções não só da chanceler alemã, como também dos líderes políticos da Suécia, Dinamarca e Holanda.
“Nós não temos uma democracia há 100 anos. Tivemos de lutar por ela no nosso país. As críticas são arrogantes e provêm do bando dos quatro”, afirmou Mugabe.
Pouco antes, o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa e Segurança Comum, Javier Solana, confirmou à agência noticiosa alemã DPS que as críticas de Merkel foram feitas em nome de “todos os estados” da organização europeia.
Solana, que também interveio na sessão plenária, afirmou que a UE está pronta a normalizar as suas relações com o Zimbabwe desde que o governo de Harare dê sinais de começar a respeitar os direitos fundamentais.
“A UE não tem sanções económicas contra o Zimbabwe, porque os 27 Estados membros são, de longe, os maiores contribuintes” para Harare, sustentou.
Segundo Solana, a UE e o Zimbabwe “tiveram sempre boas relações, mas as coisas mudaram a partir de 2002, quando os direitos fundamentais começaram a ser ameaçados no país”. ”A UE está pronta para normalizar as suas relações com o Zimbabwe assim que este país cumpra alguns objectivos”, frisou Solana.
Sábado, o Presidente senegalês, Abdoulaye Wade, afirmou que a intervenção de Merkel foi baseada em “informações erradas” sobre o Zimbabwe, numa referência ao discurso crítico da chanceler alemã durante a primeira sessão da Cimeira.
Merkel “recebeu más informações, informações falsas”, afirmou Wade, que procurou aproximar as posições de Londres e Harare numa recente deslocação sem sucesso ao Zimbabwe. Acrescentando que “respeita muito a chanceler alemã, que fez muito pelo Senegal”, o chefe de Estado senegalês sublinhou que é preciso ter “uma boa informação” sobre o Zimbabwe para que se possa fazer esse tipo de comentários.
Wade considerou que a controvérsia entre Reino Unido e Zimbabwe perturbou a relação entre dois continentes, “o que não é justo”.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, recusou-se a participar na cimeira de Lisboa no mesmo dia em que Robert Mugabe confirmou a sua presença na reunião.
Em declarações aos jornalistas à margem da cimeira de Lisboa, Abdoulaye Wade acrescentou sábado que existe “o bloco europeu e o bloco africano”, numa alusão à união de vários países africanos para que Robert Mugabe estivesse presente na Cimeira.
Ontem, na sua intervenção, Mugabe queixou-se de uma “grande incompreensão” de Estados-membros da UE face à África e, em particular, em relação ao seu país, dizendo que muita gente do seu povo “morreu a lutar pela democracia”.
“Há uma grande incompreensão em relação a África e ao Zimbabwe. Fala-se aqui na Europa em direitos fundamentais e democracia, mas esquece-se que houve gente do meu povo que morreu lutando pela democracia e pela independência nacional”, declarou.
Mugabe sustentou que no Zimbabwe, neste momento, há um regime de “um eleitor e um voto” e está a sofrer com adversidades económicas e precisa da ajuda internacional.
Sobre o diferendo existente entre o Reino Unido e o Zimbabwe, Mugabe sublinhou tratar-se de “um problema sobre a propriedade da terra que está a ser resolvido, nada mais adiantando sobre o assunto.