A Cimeira de emergência da SADC sobre o Zimbabué, que teve lugar a noite passada em Joanesburgo, apelou aos partidos rivais que formem um governo de unidade nacional sem demoras e que concordem em partilhar o controlo sobre a polícia.
A proposta da SADC, que sugere ainda que Zanu-PF e MDC nomeiem cada qual o seu ministro para a polícia foi rejeitada de imediato pelo líder da oposição Morgan Tsvangirai.
O líder do MDC insiste que o controlo conjunto da polícia não funcionaria e que se diz chocado e entristecido com a impotência da organização regional em lidar com o actual impasse no Zimbabué.
Dos 15 chefes de estado convidados a comparecer à reunião, apenas cinco compareceram enquanto que os outros se fizeram representar por outros governantes.
Impasse inabalável
Depois de oito semanas de negociações continua por se encontrar um acordo entre o MDC de Tsvangirai e a Zanu-PF do presidente Robert Mugabe relativamente à distribuição de pastas num eventual governo de partilha de poder.
Para o jornalista António Pina, que acompanhou a cimeira, reinou em Joanesburgo "uma tónica de cepticismo" relativamente à resolução da actual crise política.
à BBC, o jornalista explicou que as declarações "mais duras" do presidente sul-africano na passada semana, foram "mal-interpretadas", "de forma precipitada por alguns meios de comunicação e observadores ocidentais".
Não existe uma mudança relativamente à política do mediador e ex-presidente Thabo Mbeki, mas sim "pressa" em resolver a crise política no Zimbabué, clarifica Pina.
"Não há mudança de atitude relativamente aos parceiros negociais", diz. A crítica que se poderia esperar ao regime de Robert Mugabe "não aconteceu".
O jornalista acrescenta que "todos os indicadores continuam a mostrar que a África do Sul continua a tratar a Zanu-PF e o MDC praticamente da mesma forma, quase como parceiros que estivessem empatados nas eleições, quando na realidade o MDC saíu vitorioso das eleições de 29 de Março".
Contencioso
"Outra promessa não cumprida foi a da presença de vozes discordantes nesta cimeira" referiu António Pina à BBC, nomeadamente vozes como a do Botswana cujo presidente já havia apelado à repetição das eleições supervisionadas pela comunidade internacional, algo que não agradou às autoridades do Zimbabué.
A contenda quanto à distribuição de pastas permanece, em especial relativamente à pasta da administração interna, que controla a polícia.
O partido de Mugabe decidiu reter a pasta da defesa e o MDC pretende a da administração interna, área que a Zanu-PF pretende partilhar.
O MDC já veio entretanto sublinhar que não é só a pasta do interior que está a dividir as partes, mas 10 pastas em que existe um contenciosos ainda por ultrapassar.
Para o jornalista António Pina "não parece ter saído desta cimeira algum tipo de solução que seja praticável".
BBC - 10.11.2008
NOTA:
Infelizmente o que "nasce torto, tarde ou nunca se endireita".
Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE








