Por Edwin Hounnou
Alguns dirão que o momento que vivemos não talvez seja oportuno apelar à desconfi ança de quem, sempre, nos andou a roubar. Aclaramos que o ladrão procura nos surpreender quando menos esperamos.
Entra pela janela quando estamos a dormir ou, com o pé de cabra, levanta a porta, usando todas as forças que tem, incluindo infundindo medo e terror. Por vezes, inventa estórias das mais bizarras como segredo de Estado, guerra ou presença de inimigos nas proximidades para nos extorquir.
O recurso às calamidades naturais e intempéries podem ser aproveitadas para encher os bolsos de quem tem vindo a roubar ao povo, ao longo desses anos todos. Vale a pena estarmos de olho para reduzirmos, ou terminarmos, a impunidade de quem anda a roubar e exige, por cima, que seja tomado como herói ou mesmo um pequeno deus. Temos que desconfi ar a todo o momento porque, de outro modo, acordamos cobertos de penúria . Eles não brincam mesmo ao serviço. Eles comem tudo e não deixam nada, como muito bem cantava e alertava o trovador luso, Zeca Afonso.
Sobre o INGC, agência governamental que faz a gestão das ajudas que chegam de todos os quadrantes do mundo em apoio aos afectados pela calamidade, recai a nossa desconfi ança que esteja a discriminar às vitimas de acordo com as suas opções políticas.
A autarquia da Beira está a sofrer uma dupla calamidade de ciclones – Idai e outro chamado Frelimo. Até à altura em que produzimos este artigo, todas as ajudas que chegam à Beira, não benefi ciam aos munícipes do Chiveve. A cidade da Beira alberga a maior parte das infraestruturas danifi cadas pelo ciclone Idai para além de que cerca de 85 porcento das vítimas desta calamidade natural se localizarem naquela cidade.
O governo, mesmo assim, decidiu seguir outros critérios que desconhecemos, em absoluto, para deixar a autarquia da Beira fora dos apoios que são, intensamente, mobilizados em seu nome. Continuaremos a desconfi ar que os beirenses estejam a ser castigos devido à sua irreverência política em ralação ao partido Frelimo que sempre marginalizou e odiou aquela gente.
Outra explicação razoável não encontramos. É justo a discriminatória do governo seja denunciada junto às pessoas singulares, colectivas e à comunidade internacional que a Beira não entra nas contas de ajuda do governo. Os que forem à Beira terão observado a degradação acelerada em que a urbe se encontra e isso não se deve à negligência das autoridades municipais, mas à ausência de investimentos que são desviados para outras cidades, a mando do governo.
O pouco que acontece na Beira é trabalho de imobilização de investimentos que o seu edil tem feito. Se tivesse que esperar pelo governo, a Beira, hoje, seria um montede ruínas. As obras do canal do Chiveve, que deixam meio mundo boquiaberto, são o produto da mobilização do seu edil e o governo só se preocupa em cortar fita e proclamar que não apanha sono porque anda à procura de fundos para Beira.
A mentira do governo veio à tona ao não prestar ajuda à Beira apesar de todo o mundo se comover com os estragos que o ciclone provocou. O único que não se deixou comover foi o governo da Frelimo.
Louvamos a nobreza do antigo chefe de Estado, Joaquim Chissano, que se deslocou à Beira para prestar homenagem aos beirenses. Graça Machel, mulher de fibra, foi ao Chiveve para dizer que está pronta para lutar ao lado dos beirenses.
Que venham mais apoios de solidariedade porque a Beira precisa, porém, de olho aberto sobre o INGC!
CM – 04.04.2019