16-05-2006

Digressão do Grupo Eyuphuro

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Formado em 1981 e liderado originalmente por Omar Issa e pelo dueto de cantores-compositores Gimo
Remane e Zena Bacar, Eyuphuro (que em língua Macua significa Furacão) sempre se empenhou em
manter os ritmos tradicionais da província de Nampula, sua terra natal, tais como o tufo, namahandga, masepua, djarimane, morro e chakacha, embora também se inspirem em estilos mais cosmopolitas da Ilha de Moçambique, situada a norte do País e ligada por uma ponte de 3,5 Km. A música de Eyuphuro reflecte o papel da Ilha enquanto ponto de encontro das culturas africana, árabe e latina, desde o Séc. VIII, o que criou uma enorme fusão de influências musicais. Introduziram assim um novo Afropop, rico na guitarra acústica, harmonia vocal e ritmos 12/8 com um distinto swing moçambicano. Em 1989-91 gravaram "Mama Mosambiki", uma das melhores gravações alguma vez produzidas na região; um álbum que foi um dos primeiros lançamentos da Real World, editora do Peter Gabriel e que contou com tournées na Europa e EUA. Quase dez anos depois, após uma interrupção na carreira da banda, apresentam "Yellela", colocado em segundo lugar na tabela da World Music em 2001. Nos anos seguintes os Eyuphuro gravaram novos temas para o álbum "25 anos" e para o álbum "Watana". No regresso de uma extensa tournée que comemorou os seus 25 anos, a banda convida o cantor Ali Faque que agora também integra a formação em palco.
A digressão do grupo Eyuphuro (one of Africa's most distinctive bands, Folk Roots) pela Europa, agendada para 8 de Junho - 11 de Julho de 2006, inclui 2 shows em Portugal.
O primeiro concerto da digressão vai ter lugar no dia 8 de Junho no Festival Cineport (FESTIVAL DE CINEMA DE PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA) em Lagos, Portugal.
Além deste concerto o grupo vai participar num Seminário no dia 9 de Junho no Salão Nobre dos Paços do Concelho sobre o lema: PARCERIAS PARA A COOPERAÇÃO CULTURAL NO ESPAÇO DA CPLP.
No dia 9 de Julho os Eyuphuro vão actuar no AFRICA-FESTIVAL LISBOA, Portugal. O Africa Festival, é o mais importante festival dedicado apenas à musica Africana em Portugal. O Festival irá decorrer no jardim da torre de Belém em Lisboa nos proximos dias 6, 7, 8 e 9 de Julho de 2006. Cabe aos Eyuphuro a grande honra de encerrar este magnifico festival com chave de ouro, que já contou no ano passado com a presença de um outro conjunto Moçambicano: Mabulu.
Durante a digressão a Pro Music vai produzir um DVD, incluindo imagens dos concertos no MONTREUX JAZZ FESTIVAL, no AFRICAFESTIVAL em Portugal e na Ilha de Moçambique, terra natal da "voz de ouro de Moçambique", Zena Bacar.
Para mais informações: http://www.mozambique-music.com/

ILHA DE MOÇAMBIQUE: FINALMENTE, NA ROTA DA SUA VOCAÇÃO TURÍSTICA !

Vasco Fenita
Desta vez parece que será mesmo de vez.
Ao contrário do que sucedeu no passado, com organizações que se proclamavam predispostas a desencalhar a Ilha de Moçambique do profundo marasmo em que, penosamente, se encontra mergulhado. E que, afinal, não eram senão meros simulacros.
Aliás, por inerência das funções que exercia, na altura , eu mesmo fui compelido a assumir o cargo de presidente do Conselho Fiscal da primeira dessas instituições, a Associação dos Amigos da Ilha de Moçambique. De que, entretanto, me viria a resignar (lógicamente), pouco depois, quando me apercebi que, afinal, não passava de uma instituição fantoche e que nós, os membros dos diversos órgãos constituintes éramos, reflexamente, uns simples títeres. Porque da profusão dos donativos provenientes, principalmente, do exterior do país, apenas uma parte insignificante era drenada para a nossa gestão, na Ilha de Moçambique (destinatária legítima). A “parte de leão” era extraviada, sem qualquer explicação plausível, algures na capital do país.
À Associação dos Amigos da Ilha de Moçambique, sucederam-se muitas outras agremiações congéneres, aparentemente imbuídas do mesmo espírito solidário (ou “altruísta”), que, naturalmente, acabaram, também, por soçobrar acossadas pelas mesmas deformidades.
Porém, as notícias chegadas, há dias de Lisboa, revestem-se de perspectivas bastante animadoras porquanto dão-nos conta de foi constituída uma parceria bastante consistente para resgatar a histórica cidade, constituída por representantes de Portugal, Moçambique, Suiça, Banco Africano e UNESCO, Os quais voltarão ainda a encontrar-se no final deste ano, já em território moçambicano (previsivelmente, na própria Ilha de Moçambique), com a finalidade de definir o plano estratégico destinado a pôr cobro à totalidade dos problemas que inibem a vetusta cidade de se adequar ao estatuto de Património Cultural da Humanidade, que lhe foi outorgado, em 1991, pela UNESCO.
A reunião da capital portuguesa, a que esteve presente o nosso ministro da Educação e Cultura, Aires
Aly, pressupõe, pois, que tudo se conjuga para que, desta feita, a Ilha de Moçambique seja contemplada com um manancial de requisitos que, finalmente, viabilizarão a assunção plena da sua vocação intrínseca para o turismo industrial.
Entretanto, está prevista para Agosto próximo a conclusão das obras de reabilitação da ponte longelínea
(de 3.800 metros) que estabelece o hífen entre a Ilha de Moçambique e o continente fronteiriço (Lumbo). Foram já substituídos cerca de 200 pilares dos 500 que se encontravam em avançado estado de degradação.
Observe-se que, inaugurada em 1967, aquela ponte nunca beneficiou do processo de manutenção recomendado pelo respectivo engenheiro, de nacionalidade portuguesa, Edgar Cardoso, aquando da sua deslocação a Moçambique, a convite de Samora Machel.
WAMPHULA FAX – 16.05.2006

09-05-2006

Reunião em Lisboa analisa desenvolvimento da Ilha de Moçambique

Representantes de Portugal, Moçambique, Suíça, Banco Africano e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) estiveram hoje reunidos em Lisboa para estudar uma parceria visando o desenvolvimento sustentado da ilha de Moçambique.
Com esta parceria, os vários intervenientes no encontro pretendem responder à globalidade dos problemas existentes e evitar os erros cometidos no passado, disse à Agência Lusa o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português, João Gomes Cravinho.
O governante português referia-se às casas construídas na Ilha de Moçambique que ficaram desabitadas, não só por não terem água canalizada, mas também por não existirem infra-estruturas para a fixação de pessoas, nomeadamente empregos.
Na reunião de hoje, realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, foram identificados os principais problemas existentes e decidida a criação de um grupo de trabalho para fazer um plano estratégico de desenvolvimento sustentado da ilha, classificada em 1991 pela UNESCO Património Cultural da Humanidade, acrescentou João Gomes Cravinho.
Segundo João Gomes Cravinho, o objectivo é "casar o património histórico com os processos de desenvolvimento sócio-económicos", para criar condições na Ilha de Moçambique para receber turistas.
Ao mesmo tempo, tira-se proveito da "ilha para desenvolver o Norte de Moçambique", sublinhou.
O plano estratégico será apresentado no final do ano, em data a anunciar, numa reunião que irá decorrer na Ilha de Moçambique.
Presentes na reunião de hoje estiveram, além de João Gomes Cravinho, o ministro da Educação e Cultura de Moçambique, Aires Aly, a presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, Ruth Albuquerque, o administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, Marçal Grilo, e representantes da UNESCO, do Banco Africano de Desenvolvimento, da Organização Internacional do Trabalho e da Agência de Cooperação para o Desenvolvimento da Suíça.
NOTÍCIAS LUSÓFONAS - 08.05.2006

07-05-2006

Funcionários em greve na Ilha de Moçambique

POUCO mais de 50 funcionários do Conselho Municipal da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, estão desde quarta-feira última a observar uma greve laboral, reivindicando dois meses de salários em atraso, relativos a Março e Abril do presente ano.
Na sequência desta greve, os funcionários paralisaram os serviços urbanos locais, assim como a cobrança de taxas nos mercados em funcionamento, para além de outras actividades. Informações colhidas a partir daquela cidade secular do país, indicam que a greve, embora pacífica, surge do facto de os funcionários estarem de costas voltadas com o presidente do município, Gulamo Mamudo, que, mesmo depois de ter conhecimento das reivindicações apresentadas em tempo oportuno, os abandonou para acompanhar o líder da Renamo, Afonso Dhlakama que quarta-feira terminou uma visita à província de Nampula.
NOTÍCIAS - 05.05.2006

27-04-2006

Mais um museu na Ilha de Moçambique

Foi inaugurado, Segunda-feira, 24, na Ilha de Moçambique, província de Nampula, o Centro de Conservação Marítima.
A empresa Arqueonautas tem como objectivo identificar, localizar e proteger bens culturais naufragados em águas territoriais moçambicanas, formar quadros locais, preparando especialistas para áreas profissionais ligadas à exploração oceânica e a exposição dos objectos recuperados.
O administrador delegado da “Arqueonautas Worldwide S.A, Niki Sandizell,” disse na cerimónia de inauguração do museu que “os nossos objectivos só poderão ser considerados concretizados quando a população da Ilha de Moçambique, da província de Nampula e os turistas que visitam esta ilha puderem ver expostos esses
objectos no Museu da Ilha de Moçambique, nomeadamente no Museu da Marinha”.
Por seu turno, Jacinto Veloso, Presidente da Património Internacional referiu na cerimónia que contou com a presença de diversas personalidades, com particular destaque para o administrador da Ilha de Moçambique, presidente da Associação dos Amigos da Ilha de Moçambique, director do Museu da Ilha de Moçambique, entre outras.
Celso Ricardo, na Ilha de Moçambique
ZAMBEZE - 26.04.2006

Para lembrar:
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/files/como_alguns_patriotas_moambicanos.doc

15-03-2006

Ilha: Capela da Nossa Senhora do Baluarte

A pequena capela de Nossa Senhora do Baluarte é a primeira instalação cristã na Ilha de Moçambique e, portanto, em todo o Moçambique. Singela é certo, é o primeiro (e único, diz-se) exemplar do estilo manuelino na África Oriental. Está lá bem na ponta da ilha, até para além da fortaleza, pequeno promontório. Olhando/orando (a)o mar.
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Acompanhando a degradação da cidade de "pedra-e-cal" a capela foi-se deteriorando. Há cerca de 10 anos foi recuperada, um financimento da Comissão dos Descobrimentos portugueses, como antes informava uma placa, entretanto retirada (eu sorrio. Se tivesse sido um qualquer financiamento "sueco" e ninguém se lembraria de arrancar a placa, mas isso são outras histórias). De meu conhecimento as instituições portuguesas financiaram até hoje esta recuperação (por via da importância do manuelino, creio; e do simbólico, a primeira igreja em Moçambique, o extremo norte da ilha) e uma intervenção no Palácio de S. Paulo, actual Museu da Ilha. Pouco, muito pouco, para um Estado e uma sociedade tão ligados a este património mundial.
Quanto à capelinha não posso deixar de resmungar. O pobre coitado que teve a ideia de a recuperar (por catolicismo? por lirismo?) esqueceu-se de prever o seu futuro acompanhamento, de o desenhar, de o associar a um enquadramento institucional. Deve ter sido arranjar o financiamento, cortar a fita e ficar contente, ufano ... Saberia ele, não teria ele obrigação de saber?, da necessidade de caiar a capela todos os anos (pelo menos, correcto, correcto, será duas vezes por ano)? E de acompanhar o seu estado?
Como chega essa gente aqui?
Bem, templo vandalizado é templo importante, isso é universal. Este apontamento não está como denúncia, mas como sinal da vida da zona. Foi quebrada na crença de se encontrar ouro. Como tal não aconteceu as outras sepulturas ficaram intactas. Já o mesmo não poderei dizer do desaparecimento das ossadas que habitavam a sacristia, em caixa aberta. Os que recuperaram, os que acompanharam a recuperação, terão eles achado por bem deixar ossos "à mão de semear"?]

Retirado do blog Ma-Schamba http://maschamba.weblog.com.pt/
Releia:
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2005/11/moambique_turst.html

07-03-2006

ILHA DE MOÇAMBIQUE - Onde está o dinheiro?

Mo1
Como todos sabem sou natural da Ilha de Moçambique, único lugar do mundo onde todos os habitantes eram amigos. Amigos sem distinção de cor ou credo. Esta é a verdade!

Visitei-a em Novembro passado (agora resido em Portugal) e os amigos que lá tinha continuaram a ser os amigos que lá tenho. Isto é, os poucos que lá ficaram.
Foi com tristeza que verifiquei que pouco ou nada ainda se havia feito para a reabilitação de tão ímpar lugar. Reabilitação física e humana, continuando a suportar uma carga excessiva de população residente.
E lembrei-me desta notícia aqui publicada em 16 de Junho de 2004:

"A fortaleza de São Sebastião, na Ilha de Moçambique, vai ser recuperada graças a um projecto da UNESCO financiado pela cooperação japonesa e pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).
A fortaleza foi construída para defender o caminho marítimo para a Índia.
O projecto está orçado em 1,6 milhões de dólares, sendo um milhão financiado pela cooperação japonesa e 600 mil (500 mil euros) pela UCCLA que assina hoje, em Lisboa, o contrato com a UNESCO."

Foi-me garantido que até hoje nem um metical ali havia chegado.

Será que alguém o tem a render? Que afinal não foi doado? Quem explicará?
Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE

28-11-2005

FRONTEIRAS PERDIDAS

Sal e esquecimento
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

Carlos Escuder vendeu facilmente as fotografias que fez na Ilha. Eram todas elas muito boas. Publicou-as numa conhecida revista madrilena.
Só as vi, porém, no mesmo dia em que, por uma dessas incríveis coincidências que fazem com que, tantas vezes, a vida pareça menos verosímil do que a literatura, li a notícia da morte de Mauro. Na revista madrilena havia uma foto dele, extraordinária, contemplando absorto a Fortaleza de São Sebastião.

Cheguei à ilha na companhia de Escuder, jovem fotógrafo catalão, que se propunha construir, para uma tese de mestrado, um portfolio sobre o esquecimento. Carlos lera no Le Monde uma reportagem com o título, não muito original, convenhamos, "A Ilha Esquecida", e fora isso que o trouxera até ali. A mim trouxera-me a poesia de Rui Knopfli:

"A fortaleza mergulha no mar / os cansados flancos / e sonha com impossíveis / naves moiras. / Tudo o mais são ruas prisioneiras / e casas velhas a mirar o tédio. / As gentes calam na / voz / uma vontade antiga de lágrimas / e um riquexó de sono / desce a Travessa da Amizade. / Em pleno dia claro / vejo-te adormecer na distância, / Ilha de Moçambique, / e faço-te estes versos / de sal e esquecimento".

Estava sentado a uma das mesas do restaurante África Blues, na área internacional do aeroporto de Joanesburgo, e tinha nas mãos "A Ilha de Próspero", com fotografias do próprio Knopfli, quando Carlos me abordou: "Vai para a Ilha?"

Fizemos juntos a viagem de avião para Maputo, e de Maputo para Nampula. Em Nampula alugámos um taxi. O motorista era um velho seco, frágil, de cabelo inteiramente branco e o rosto sulcado por fundas rugas, mas um sorriso intacto, luminoso, que parecia ter sido estreado naquele mesmo dia. Chamava-se Ben, diminutivo de Benigno, Benigno Meigos, o que me pareceu um bom presságio, sabendo-se que a palavra meigo provém do grego magikós, pertencente à magia, aquele
que encanta.

A Ilha, que foi capital de Moçambique até 1898, está ligada ao continente por uma estreita e compridíssima ponte, ferrugenta, como uma corrente a prender um barco ao cais. O abandono não me surpreendeu. Era o que eu esperava: velhos casarões atordoados sob um sol feroz. Um lento cerco de praias, um mar cor de esmeralda, as enormes árvores fatigadas, cobertas de poeira. Havia também jovens à sombra jogando ntchuva, ou simplesmente imóveis, silenciosos, de
braços cruzados. Mais tarde, nas varandas, vi mulheres, em capulanas coloridas, alongadas sobre esteiras (algumas delas com o telemóvel pousado junto à cabeça). Naturalmente, já não encontrámos riquexós.

Benigno parou o carro junto a um largo portão - uma pousada -, recebeu o que lhe era devido e prometeu regressar à tarde, para nos levar a conhecer a Ilha, e uma praia, no continente, que era a única, assegurava, onde nos convinha tomar banho. O proprietário da pousada, Mauro, um italiano ruivo, de meia idade, trazia vestida uma t-shirt cor de laranja na qual se podia ler - "Deus acredita em mim". Não
fiquei muito convencido. A cabeleira ruiva, desordenada,  dava-lhe  um  ar meio atónito, implausível. O próprio Deus, vendo-o assim, talvez o colocasse em dúvida.

"Esta ilha é um sumidouro", disse, num português triunfante, depois que nos sentámos diante dele, à sombra lilás de um caramanchão coberto por buganvílias. Mandou que nos servissem um sumo de caju, muito fresco, e continuou:

"Vejam bem, os estrangeiros vêm para esta Ilha para esquecerem algo, ou alguém, ou para serem esquecidos. O poeta Tomás António Gonzaga, por exemplo, e os seus companheiros da inconfidência mineira. As pessoas chegam a este lugar e são esquecidas e depois elas próprias se esquecem de quem foram. Gonzaga esqueceu-se da bela Marília.
Talvez até se tenha esquecido do Brasil. Deixou descendentes aqui, sabiam?"
"E o senhor?", perguntei-lhe: "veio para esquecer ou para ser esquecido?"
O italiano sacudiu a áspera cabeleira ruiva:
"Ambas as coisas."
Carlos quis saber se lhe poderia fazer um retrato, ali mesmo, sentado à mesa, sob aquela luz de fantasia. Mauro assustou-se:
"Não, não! Fotografias não!..."

A veemência com que se recusou a ser fotografado irritou Carlos.

"Não é italiano", assegurou-me nessa noite, enquanto passeávamos pela Ilha: "é basco. Disfarça o sotaque, talvez tenha passado alguns anos em Itália antes de vir para aqui, mas de vez em quando distrai-se e então volta a ser basco. E também não é ruivo, não percebeste?, pinta o cabelo."
No dia seguinte, ao almoço, Mauro bebeu um pouco para além da conta. Bebemos todos. Abraçou-se a mim:

"Numa outra vida fiz muitos disparates, muita confusão."
Repetiu a palavra confusão. No geral é uma palavra que agrada aos estrangeiros que vivem, ou visitam, Angola ou Moçambique.
Kapuscinski, na sua delirante reportagem sobre a independência de Angola, "Mais um dia de vida", dedica-lhe vários parágrafos.

"É isso", insistiu Mauro: "fiz maning confusão. Mais tarde arrependi-me. Arrepender-me foi a parte pior. Agora só quero esquecer, ser esquecido. Espero consegui-lo..."

Quando li a notícia da sua morte soube que não o conseguira. Um homem branco montado numa moto, dizia o jornal. Passou diante da varanda onde Mauro descansava, estendido numa rede, e disparou um único tiro.
Depois desapareceu.

PÚBLICO - 27.11.2005

06-09-2005

ALEGADA MÁ GESTÃO DE FUNDOS ORIGINA PARALIZAÇÃO DE OBRAS DE REABILITAÇÃO

De Jardim da Ilha de Moçambique

- Edilidade queixa-se falta de recursos Humanos

Os dois órgãos municipais da Ilha de Moçambique encontram-se de costas voltadas em consequência da falta de transparência na aplicação de um fundo monetário de 327 milhões de meticais financiado pelo Estado para o projecto de reabilitação de um dos dois jardins públicos locais.

Informações colhidas pelo nosso jornal referem que as obras de reabilitação do referido jardim deram início nos meados do ano passado, tendo sido interrompidas poucos meses sem um esclarecimento convincente do órgão executivo.

Armindo Marcelino Gove, chefe da bancada parlamentar da FRELIMO naquela autarquia, disse ao Wamphula Fax que o processo de reabilitação em causa não chegou sequer a iniciar-se, tendo-se limitado na acumulação de algumas pedras sobre o pavimento degradado do jardim. E sublinhou que o incumprimento do projecto resulta do desconhecimento das leis que regem a construção das obras do Estado.

Isto é o resultado de se querer dirigir o município sob o prisma partidário ou como se estivesse a gerir um quiosque privado, abstraíndo-se ostensivamente do cumprimento rigoroso das leis. Observou, agastado, Armindo, acrescentando que o seu elenco na Assembleia Municipal irá a todo custo exigir responsabilidades do executivo com vista a evitar-se que situações do género se repitam no futuro.

Por outro lado, o nosso entrevistado afirmou que a edilidade agiu de má fé ao apresentar um suposto relatório de uma auditoria efectuada por uma equipa do governo, em relação ao processo de reabilitação do Jardim em causa, que não apresentava a assinatura de qualquer responsável ,o que pressupõe alguma manobra orquestrada pelo executivo de Gulamo Mamudo, com a finalidade de “tapar a boca” aos autarcas.

Abdul Rahim Abdul Satar, vereador para área de Administração e Finanças no Município da Ilha de Moçambique, confrontado pela nossa reportagem acerca do projecto de reabilitação do Jardim confirmou a paralisação das obras supostamente por não dispor, no momento, de recursos humanos com capacidade para o seu prosseguimento. Afirmou que o dinheiro alocado para o efeito ainda existe e a reabilitação será reatada no mês em curso, já sob a direcção de dois funcionários que beneficiaram de formação em construção civil na vizinha Tanzânia, sublinhando que o projecto não tem prazo estipulado e é de administração directa do Conselho Municipal..

Entretanto, observou que a paralisação das citadas obras foi, também, originada pelo cancelamento do apoio concedido pela Ascali Comercial, para remuneração dos operários envolvidos, e que, depois, de haver desembolsado 56 milhões de meticais, entre Setembro do ano passado e Abril último.

WAMPHULA FAX – 06.09.2005

13-05-2005

Moçambique. A Ilha a Preto & Cor

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Moçambique. A Ilha a Preto & Cor é uma exposição fotográfica, trabalho de Luís Abélard e Sérgio Santimano. Estará patente na Fortaleza de Sagres até Junho próximo, actividade integrada nas animações do Faro Capital Nacional da Cultura 2005.

De Abril a Junho de 2005.

Depois, espera-se, será apresentada em Moçambique. Talvez ainda este ano. Até lá, portanto.

08-04-2005

REQUERIMENTOS SÃO APROVADOS NA DELEGAÇÃO DA RENAMO

Submetidos ao Conselho Municipal

- Denunciam populares na Ilha de Moçambique

Requerimentos submetidos ao Conselho Municipal da Ilha de Moçambique para efeitos de construção e oficialização de talhões são posteriormente encaminhados à delegação da RENAMO para a respectiva apreciação e aprovação.

O facto foi denunciado por Abdulremane Abahassane, Américo Armando e Emílio Sualehe, num encontro popular orientado pelo governador da província, Filipe Paúnde, aquando da sua recente visita àquela histórica cidade.

De acordo com os referidos munícipes, todo o expediente que dá entrada no Conselho Municipal deve, antes, ser analisado pelos responsáveis da "perdiz", que, supostamente, têm a competência decisória.

Nós da Frelimo, sofremos muito aqui no Município da Ilha de Moçambique. Disse Américo Armando.

Aqueles populares acusaram, igualmente, o presidente do Município, Gulamo Mamudo, de ter criado um ambiente de instabilidade política na instituição , ao transferir duas funcionárias afectas ao seu gabinete de trabalho para o sector de limpeza, alegadamente por serem membros da FRELIMO.

Acusam-no, igualmente, de ter fomentado calúnia aquando da visita àquele município, da Primeira Dama do país, Maria da Luz Guebuza. Ele é apontado de ter afirmado na sede distrital da RENAMO que a Primeira Dama procedera a devolução de todas as ofertas recebidas, embora não tivesse fundamentado as causas. Na Ilha de Moçambique reina um ambiente de especulação no seio dos membros da Renamo que afirmam que o Chefe de Estado, Armando Guebuza, esteve todo o mês passado a padecer de grave enfermidade e, por tal motivo, impossibilitado de prosseguir a sua recente digressão pelo país.

Abordado a propósito, Gulamo Mamudo negou que documentos dos munícipes estejam a ser apreciados na delegação do seu partido, mas reconhece que grande parte dos trabalhadores foram movimentados.

Refutou igualmente que tivesse afirmado que a Primeira Dama devolveu as ofertas, considerando isso uma manobra política.

Entretanto, o governador da província instou, na ocasião, as pessoas para trabalharem de forma unida, independentemente da sua “camisola” política.

Paúnde vincou, ainda, a necessidade de serem denunciados prontamente todos aqueles que pretendem criar um ambiente de instabilidade política na cidade. Não podemos colocar os interesses políticos acima dos interesses da população. Concluiu.

Wamphula Fax – 08.04.2005

11-03-2005

Ponte da Ilha de Moçambique

Mo24 OBRAS PÚBLICAS AMEAÇA CANCELAR CIRCULAÇÃO DE VIATURAS

A direcção provincial de Obras Públicas e Habitação em Nampula (OPH), afirma que poderá, a qualquer momento, cancelar a circulação de viaturas na ponte que liga o continente à Ilha de Moçambique, alegadamente para assegurar o normal funcionamento das obras de reabilitação em curso daquela infra-estrutura.

Segundo soube o nosso jornal, a situação deriva da inobservância por parte dos automobilistas utentes em relação às normas impostas para a circulação das viaturas naquela ponte enquanto decorrem os referidos trabalhos.

António Mahave, director provincial das Obras Públicas e Habitação em Nampula, que facultou a informação, sublinhou que a situação está a assumir contornos assustadores nos últimos dias, comprometendo o bom curso das obras.

O mesmo responsável observa que a violação das normas estabelecidas para o tráfego automóvel naquela ponte tem concorrido para a inconcretização da reparação dos pilares e o consequente desabamento da ponte.

Reconhecemos que a medida poderá influenciar negativamente na vida económica e social do município, por isso admitimos a hipótese de cancelar provisoriamente a circulação de todo o tipo de viaturas. Observou Mahave.

Num outro desenvolvimento, aquele dirigente frisou que prevê-se para Agosto próximo o término das obras de reabilitação daquela importante infra-estrutura, salvo eventuais constrangimentos.

WAMPHULA FAX – 11.03.2005

04-02-2005

How to develop an Island off the coast of Mozambique

Mo20  The rights to prosper - Mozambique

The prospects of one Island could offer a lesson for the rest of the country

VISITORS are charmed by the narrow streets and shady squares of Moçambique Island, a remote town that is part of northern  Mozambique and sits, just off the coast, in  Indian Ocean. With several hundred elegant and brightly-coloured stone houses built by Portuguese colonists centuries ago, when Moçambique was their capital, it has some of Africa's most striking architecture. A whitewashed church, one of 14 old religious houses, may be the oldest still standing in the southern hemisphere. The town is a UNESCO world heritage site. A 16th-century Portuguese fort stares out over it all.

But walk on the sandy beaches to watch the sailing dhows, and the charm evaporates. Between heaps of broken glass and rusting railings lie mounds of rubbish and human faces. Squatters light fires among blackened tumble-down, piles of rubble. Fig trees sprout from gaping cracks in roofs and walls.

All of Mozambique suffered during nearly two decades of civil war that ended in 1992, Refugees overwhelmed the town, tripling Its population to 42,000 Even with peace they refuse to go back to villages that lack electricity, schools or piped water. After 300 years of gentle decline, it took just three decades for the old capital to rot almost beyond rescue.

State donorsNorwegian, American, Japanesehave offered to chip in. But Gulamo Mamudu, the town council's head, says private money is needed to help drive renovation, "Many people are interested in investing here. But a fundamental problem is the state housing agency." Most buildings were nationalised on independence in 1975, Private ownership is now allowed in theory, but few have papers to prove it. Few maintain their homes: getting a loan to mend your house from the island's only bank is impossible without a title deed.

Those eager to invest - mainly rich foreigners - are mostly barred by the state housing agency. One South African, who bought and restored a house dating from 1550, first half to form a Mozambican company and make a local friend its boss. "Foreign investors are looked on as second-class." he complains, "All these land regulations keep people away." He knows of many outsiders who come to the island, keen to set up hotels and tourist firms. Most leave frustrated and confused by hostile property rules and demands for bribes.

The country’s newly elected president, Armando Guebuza, who took office this week, is a businessman keen to lure foreign investors, even though his ruling Frelimo party is still socialist in name. A useful first step would be to simplify and relax those property rules. That might be risky politically: many Mozambicans mutter that foreigners, especially South Africans, try to buy up everything. But he could declare an experiment on Moçambique Island, letting foreigners buy title deeds so they can bring in private capital. If investment and jobs followed, it might be a model for the rest of Mozambique.

The Economist  - 05.02.2005

25-01-2005

FORTALEZA DE SÃO SEBASTIÃO ESTÁ A RUIR

Mo11 Em Estado Avançado de Degradação

- Fundos destinados à sua reabilitação demoram a chegar

A Fortaleza São Sebastião, localizada na cidade da Ilha de Moçambique poderá, a qualquer momento desabar, devido ao seu estado acentuado de degradação.

O Wamphula esteve há dias naquele que é considerado património da humanidade e constatou que parte significativa da sua estrutura arquitetónica começou já a ruir paulatinamente. Capim e arbustos variados também tomaram parte das imediações do edifício, cujo tecto e paredes encontram-se parcialmente destruídas, a reclamar um trabalho urgente de reabilitação.

Abdul Rahimo, vereador para área de Construções e Finanças, abordado pela nossa reportagem, distanciou-se do assunto, justificando que o processo de reabilitação daquele imóvel está sob a responsabilidade do Ministério de Cultura.

De acordo com Naimo, a preocupação do seu executivo incide essencialmente sobre a demora que se regista no desembolso do dinheiro prometido pelo governo Japonês, para a reabilitação dos monumentos.

A reabilitação da Fortaleza São Sebastião não consta no nosso plano de governação, porquanto fomos informados que beneficiará de uma administração directa. Disse aquele responsável municipal , acrescentando que na devida altura deslocar-se-à à Ilha uma equipa técnica para o efeito.

Refira-se que o vice-ministro da Cultura, Luís Covane, revelou há dias ao Wamphula Fax, que foram assegurados 1.2 milhões de dólares americanos para a reabilitação integral da Fortaleza. O dinheiro resulta de um financiamento do governo do Japão através da UNESCO.

É preocupação do governo reabilitar a Fortaleza de São Sebastião, que constitui uma importante componente cultural e , consequentemente, um contributo para o desenvolvimento do turismo na região. Aliás, irá também proporcionar um maior incremento

ao processo sócio-económico do município. Observou, a concluir, o governante moçambicano.

WAMPHULA FAX – 25.01.2004

MUNICIPIO ESTÁ A SAQUE

Ilha de Moçambique

- Presumível rombo de 500 milhões de meticais

O Conselho Municipal da Ilha de Moçambique, província de Nampula, está a saque, por parte dos membros da edilidade local, segundo denúncias da bancada da Frelimo e do UPI, Unidos Pela Ilha, na Assembleia Municipal local, que referem a existência de um rombo de cerca de 500 milhões de meticais das contas da edilidade, proveniente do erário público.

Soubemos que o governo desembolsou o ano passado um montante estimado em pouco mais

de 783 milhões de meticais. A edilidade decidiu investir pouco mais de 327 milhões, daquele montante, para financiar a execução de obras de reabilitação de um alpendre localizado num jardim do centro da cidade.

O montante em questão foi levantado à boca da caixa da dependência do Banco Internacional

de Moçambique (BIM) na Ilha, pelo vereador do pelouro da administração e finanças, Abdul Rahimo Satar.

De imediato, Satar terá iniciado a compra de materiais de construção, nomeadamente ferro, pedra

e cimento na cidade portuária de Nacala, procedimento que fere o disposto no artigo 34, alineas A

e F, secção V, referente a Obras e Serviços, da lei das autarquias locais, que refere que a execução de obras públicas na autarquia deve ser precedida da elaboração de um projecto e lançamento de concurso público.

A Assembleia Municipal local, dominada pela Renamo-União Eleitoral, com 10 mandatos de um total 17, recorreu à ditadura de voto para aprovar o plano de reabilitação do referido alpendre, numa sessão realizada em meados de Novembro do ano passado. Contudo, o valor destinado a suportar os custos da execução da obra foi levantado no mês de Setembro.

De acordo com Armindo Gove, chefe da bancada da Frelimo na Assembleia Municipal da Ilha de

Moçambique, outros 97 milhões de meticais foram levantados da conta da edilidade para a compra de computadores, que até ao momento ainda não estão disponíveis, muito menos os respectivos justificativos.

Por outro lado, soubemos que o ano passado, o Conselho Municipal admitiu doze funcionários sem que se tenha obedecido às regras, chegando até a admitir três funcionários com mais de 60 anos. O ingresso nos quadros da edilidade, obedece ao regime de admissão do Aparelho do Estado, ou seja o candidato a provimento de vaga não deve ter mais de 35 anos e deve gozar de boa saúde.

O presidente do Conselho Municipal da Ilha de Moçambique, Gulamo Mamudo, reagiu às acusações da Frelimo e UPI na AM, referindo que tudo não passa de uma difamação.

Adiantou que todos os justificativos referentes aos dinheiros gastos encontram-se na contabilidade.

Contudo, o vereador da administração e finanças, Abdul Rahimo Satar, disse à nossa reportagem que os justificativos dos 327 milhões de meticais gastos na compra de materiais de construção ainda não estavam reunidos, prometendo que nos próximos dias faria a entrega dos mesmos à

contabilidade.

Disse que recorreu a pessoas com idade acima do limite para preencher vagas de técnicos com que o Conselho Municipal se debatia, porque os anteriores foram transferidos para a administração do distrito numa atitude do governo para dificultar o desempenho da edilidade.

WAMPHULA FAX – 25.01.2005

08-01-2005

Série Mundo Em Português

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Ilhapalacio_1 Ilha de Moçambique

Todas as águas do Índico

A Ilha de Moçambique conserva a sua condição de encruzilhada de culturas, continuando a acolher diferentes religiões e etnias. Essa nota de multiculturalidade e o legado arquitectónico português são factores que, explica Humberto Lopes (texto e fotos), proporcionam à Ilha de Moçambique um estatuto único em toda a África Oriental.

É noite na ilha. Mal desponta, no céu, uma claridade tímida que deixa ver o volume impressivo das muralhas do Forte de S. Sebastião, mas não as raízes vorazes que as estrangulam com uma paciência de séculos. À volta do forte apenas se ouve o ténue murmúrio das ondas apaziguadas sobre a areia, enquanto uma brisa cálida vem soprando, hesitante, do coração do Índico, acariciando os restos da pérgola que espera os prometidos dias de restauro. Ao bonançoso recanto, e à linha litorânea que se prolonga em jeito de fazer uma meia-lua, se deu o maior crédito, cinco séculos atrás, por plurais razões. "A pequena e quase insignificante Ilha de Moçambique seria de muito pouca, ou de nenhuma importância (...) se não fosse enriquecida duma espaçosa enseada e um porto, que é, sem contradição, o melhor, o mais seguro e mais cómodo, que se acha em toda esta dilatada costa", cronicou Frei Bartolomeu dos Mártires, logo acrescentando que "os navios são obrigados a passar muito perto, e quase junto à fortaleza de S. Sebastião, que pela sua bem escolhida posição local na entrada, e boca do porto, o põem a coberto de qualquer insulto hostil".

O valor estratégico daquelas paragens foi intuído pelos navegadores portugueses, que por ali se quedaram algumas semanas, esperando melhores ventos para prosseguir viagem. A ilha tornar-se-ia, a partir de então, escala obrigatória para a famosa carreira das Índias, "a maior e a mais árdua de todas as que se conhecem no mundo", tal como a definia C. R. Boxer, estudioso do colonialismo português. A estância representava, sobretudo, um compasso de espera imprescindível para lidar com o regime das monções, trazendo os cascos das naus que entravam no porto memória de todas as águas do Índico. "A qual povoação de Moçambique tomou tanta posse de nós, que em nome é hoje a mais nomeada escala de todo o mundo, e por frequentação a maior que têm os Portugueses", escrevia João de Barros em 1552. E também Camões, que na ilha viveu, provavelmente entre 1567 e 1569, se refere a tão importante préstimo: "Esta ilha pequena, que habitamos, / É em toda esta terra certa escala / De todos os que as ondas navegamos...".

Um sincretismo de séculos

Álvaro Velho o conta: as coisas não foram fáceis para os recém-chegados. Os árabes já por ali andavam há muito, descendo a costa africana desde a Arábia e dando fundação a numerosas feitorias. Na narrativa de Álvaro Velho sobre os primeiros encontros das naus de Vasco da Gama com as populações locais dá-se bem conta da riqueza do comércio local: "E, nas almadias, achámos muitos panos de algodão, finos; e ceiras de palma; e uma talha, vidrada, de manteiga; e redomas de vidraça, com águas; e livros, de sua lei; e um cofre, com meadas de algodão".

Na primordial troca de palavras, para se saber quem estava e ao que iam os que chegavam, o interlocutor local era um natural do reino de Fez, o que revela a variedade de gentes, predicado da terra. E bárbaros não eram, certamente, a avaliar pelos registos do diário de Vasco da Gama: "Os homens desta terra (...) falam como mouros; e as suas vestiduras são de panos de linho e de algodão, muito delgados, e de muitas cores, de listras, e são ricos e lavrados. E todos trazem toucas na cabeça, com vivos de seda lavrados com fio de oiro". O capitão da nau S. Gabriel pôde constatar logo ali a dimensão do comércio que os antecedia, espelhada na carga dos quatro navios árabes ancorados: oiro, prata, tecidos, cravo, pimenta, gengibre, pérolas e outra pedras preciosas. A descrição de um missionário da Companhia de Jesus, lavrada um pouco mais tarde é, também, capital, para descortinar o panorama social do sítio: "A maior dificuldade é dar notícia desta gente, assim no número como na qualidade, que habita esta ilha, porque quando íamos desembarcando, vi tanta diversidade nas praias (...), tanta diversidade nas modas...".

E a todo esse mosaico de gentes e feições de viver se acrescentou a contribuição portuguesa, que levou a ilha a um apogeu de prosperidade, dela fazendo ponto de partida para a exploração do Monomotapa, elegendo-a entreposto para o comércio de panos, missangas, ouro, escravos, marfim e pau-preto, para a deixar cair, depois, em cintilante decadência que guarda múltiplos sinais de uma síntese que resiste à corrosão do tempo. Essa contribuição representa, no dizer de Alexandre Lobato, historiador e afeiçoado da ilha, a contracorrente de uma visão nacionalista e epopeica da aventura expansionista, um "sincretismo de séculos, feito com as vidas dos simples, dos comuns, dos idealistas, e também com as dos vagabundos, dos miseráveis, dos aventureiros e dos náufragos, que com os mercadores ricos de roubos, os clérigos sátrapas de pecados e os nobres déspotas de poder, andaram a espalhar Portugal por toda a parte e de qualquer maneira, amando, servindo, sofrendo, guerreando e roubando - ladrões de almas, ladrões no mar, ladrões na terra - homens, afinal, todos".

A capela solitária

Ao amanhecer, solta-se dos rochedos, nos flancos da fortaleza, uma frágil e esguia canoa que se atira em direcção à rosácea luz do oriente, que se ergue para lá da Ilha de Goa. O pescador acena de longe, porventura estranhando o viajante que madruga. As muralhas vão ganhando figura e cor com a aurora, e com elas a capela de Nossa Senhora do Baluarte, única celebração do manuelino em terra moçambicana. É um templo quase secreto, que os versos de Rui Knopfli evocam em apurada filigrana: "Erecta e incólume ao desafio áspero do vento e da areia, / de tudo e todos oculta, menos do mar, breve / milagre alvinitente à flor da rocha em espuma, / se te fita, o sol deslumbra e resvala pelas linhas / puríssimas do teu rosto...". Erguida sobre um baluarte solitário uma vintena de anos depois da primeira passagem das naus (a fortaleza só seria construída quarenta anos mais tarde), a capela devia assemelhar-se a uma sentinela audaciosa e parecer um insolente desafio aos olhos dos árabes. Foi a primeira de uma série de edificações que fazem hoje parte de um núcleo classificado pela UNESCO como Património da Humanidade e que têm vindo a ser objecto de restauro (ver caixa).

Tudo quanto fica aqui escrito é acanhado face ao lugar, e tem o gosto, como disse Luís Carlos Patraquim, outro poeta moçambicano tomado pelo feitiço da Ilha, de um "acidulado último gomo das retóricas inúteis". Limitado o verbo, por natureza, para certos cometimentos, é preciso lá ir, senti-la e mergulhar na sua carne intemporal. Porque, sobretudo, "... não é da Europa que se vê a dimensão humana e histórica do Portugal que sempre emigrou, pela miséria do Reino e as extorsões dos grandes, tendo como objectivo as miragens ultramarinas como remédios mágicos, a procurar nas Áfricas, nas Índias, nos Brasis". Palavras de Alexandre Lobato no prefácio a "A Ilha de Próspero», belíssimo livro de fotografias e versos de Rui Knopfli sobre a ilha que deu nome a um país.

Texto 2

Dum tempo antigo que aqui ficou

Vale a pena fazer o périplo da ilha a pé, começando na ponta onde estão o forte e a antiga pousada, convertida em hotel de cinco estrelas pelos Caminhos de Ferro de Moçambique e pela Promotur, um organismo do Ministério da Cultura. Nos últimos anos tem sido restaurado algum do património edificado da ilha, quer por iniciativa de particulares, que projectam novos alojamentos a pensar no desenvolvimento do turismo cultural, quer da cooperação europeia, quer, ainda, da Diocese de Nacala.

É na chamada cidade de pedra, cujo traçado tomou forma no final do século XVIII e no princípio do século XIX, que encontramos algumas das construções mais emblemáticas do tempo da ocupação portuguesa, como a Igreja da Misericórdia (séc. XVI) a antiga Alfândega (séc. XVIII) e o Palácio de São Paulo, uma ampliação do antigo Colégio de S. Francisco Xavier, que acolhe um espantoso acervo de arte indo-portuguesa. O baldaquim da capela ostenta uma mescla de barroco e de elementos de arte oriental. Na área localizada entre Rua do Arco e a Igreja da Misericórdia podemos observar significativos exemplos de arquitectura colonial: casas térreas, sobrados e alguns palácios ou feitorias.

No outro extremo da baía está a Igreja de Santo António, de raiz quinhentista, reconstruída a partir da antiga capela do fortim. Também a Capela de S. Francisco Xavier, perto da ponte que faz a ligação ao continente, tem o rosto renovado, assim como a Capela de Nossa Senhora do Baluarte, restaurada já há alguns anos pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Quase metade da ilha ocupa essa cidade em pedra erguida, "de casas brancas dum branco rosa / dum tempo antigo que aqui ficou" (Alberto de Lacerda, poeta ilhéu), cidade de sombras que parecem durar há séculos, reservada e indiferente à vertigem do mundo. Será, talvez, como a viu Knopfli: "Não vem sequer / da tua voz a opressão que cerra / as almas de quantos de ti / se acercam. Não demonstras, / não afirmas, não impões. / Elusiva e discretamente altiva / fala por ti apenas o tempo".

Como ir

A TAP e as Linhas Aéreas Moçambicanas (LAM) asseguram voos regulares entre Lisboa e Maputo. A LAM tem vários voos semanais para Nampula, que fica a cerca de duzentos quilómetros da costa. Para fazer este último percurso, é possível alugar uma viatura em Nampula. A viagem pode ser, com vantagem, previamente organizada em Maputo junto de uma agência. A SET - Soc. de Exploração Turística, Lda. (tel. 2581307307, fax 2581422369, e-mail [email protected]), organiza expedições a esta e a outras regiões de Moçambique

Onde ficar

Para dormir, há alguma oferta de qualidade variável, mas a melhor opção é o Hotel Omuhitipi, situado junto ao forte de S. Sebastião (tel. 002586526351, fax 002586526356).

Onde comer

Para comer, aconselham-se o restaurante do Omuhitipi e o Restaurante Relíquias.

FUGAS - PÚBLICO - 08.01.2005

08-11-2004

RECUPERADOS QUATRO CANHÕES

Impnacilha Roubados Nos Museus da Ilha de Moçambique

PRM ainda no encalço de outros bens

Refira-se que para além dos mencionados objectos, foram também roubados alguns acessórios de locomotivas, carris, entre outras peças pertenças dos Caminhos de Ferro de Moçambique, os quais se encontravam, na ocasião, aprovisionados na estação ferroviária do Lumbo, região continental da Ilha de Moçambique.

A referida estação deverá ser transformada em complexo turístico, no âmbito dos projectos âncora previstos na área geográfica do “Corredor de Desenvolvimento de Nacala”.

WAMPHULA FAX - 09.11.2004

Entretanto, de acordo com Gulamo Mamudo, edil da primeira cidade capital do país, ainda não foi possível recuperar o equipamento da primeira tipografia com mais de um século de idade, que igualmente foi surripiado por desconhecidos no interior das instalações da escola de artes e ofícios.

A fonte referiu que são remotas as possibilidades de recuperação do referido equipamento, pois, informações colhidas pela Policia da República de Moçambique naquela cidade, indicam que o mesmo terá sido retalhado com vista a facilitar o seu escoamento para fora da Ilha, o que dificultou a sua descoberta.

Gulamo Mamudo referiu que a recuperação dos quatro canhões, três dos quais roubados no átrio do fortim de São Lourenço e o último na fortaleza de São Sebastião, contou com a colaboração dos munícipes daquela cidade que denunciaram ao comando local da PRM o local onde teriam sido vendidos por desconhecidos como sucata.

Frisou que a edilidade e o comando distrital da PRM, prosseguem os esforços visando recuperar outros bens valiosos metálicos surripiados do interior dos museus, monumentos e outros lugares históricos da Ilha e que posteriormente foram vendidos às empresas estrangeiras que se dedicam à comercialização de sucata na região do Lumbo.

24-10-2004

"Ilha de Moçambique. A Venda de Objectos Arqueológicos é Legal"

EM MOÇAMBIQUE, ROUBA-SE EM TERRA E NO MAR!
Leia esta impressionante sequência de textos e veja como em Moçambique se rouba e exporta "legalmente" o seu património.
Conheça a Arqueonautas
Click aqui e leia:
Download como_alguns_patriotas_moambicanos.doc

Veja-se o exemplo de Macau em relação ao petrimónio herdado e como o rentabiliza
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2004/10/macau_fala_port.html
E como em Moçambique se delapida o património
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2004/10/objectos_valios.html

14-08-2004

REABILITAÇÃO DA PONTE DA ILHA DE MOÇAMBIQUE CUSTA 7,5 MILHÕES DE EUROS

O governo moçambicano avaliou em cerca de 7,5 milhões de euros o custo da reconstrução integral da ponte que liga o continente à Ilha de de Moçambique, com uma extensão de 3,8 quilometros.
O ministro das Obras Publicas e Habitação (MOPH), Roberto White, anunciou que o governo está a tentar angariar fundos para a execução da obra que dá acesso à Ilha de Mocambique, classificada como património cultural pela UNESCO e capital colonial de Moçambique até 1898.
NOTICIAS, 13/08/04 ECONOMIA E NEGOCIOS

10-08-2004

Museu da Ilha de Moçambique terá estatuto próprio

Notícias Lusófonas - 14-Jul-2004 - 16:59

O Governo de Moçambique aprovou terça-feira a criação do Museu da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, que passa a ter estatuto e fundos próprios e nível de instituição nacional.

O Museu da Ilha de Moçambique funcionava "nos mesmos moldes dos da época colonial, dependendo da administração provincial de Nampula pelo que se tornou necessário atribuir-lhe um estatuto próprio que permita a nomeação de director e de curadores e atribuição de fundos autónomos", disse à Lusa a directora-geral de Património Cultural, Maria Ângela Nhambiu Kane.

O Museu da Ilha de Moçambique integra três núcleos: Museu Palácio de São Paulo, Museu de Marinha e Museu de Arte Sacra.

Com a sua elevação a museu de nível nacional, o Museu da Ilha de Moçambique junta-se aos museus Nacional de Etnologia, igualmente em Nampula, e Nacional de Arte, em Maputo.

Actualmente decorrem negociações com o Ministério da Cultura português para o apoio ao Museu de Marinha, integrado no Museu da Ilha de Moçambique, no sentido da sua reabilitação permitindo a exposição do seu espólio e dos artefactos de arqueologia sub-aquática entretanto recuperados ao largo da Ilha.

Qualificada como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, a Ilha de Moçambique, onde Vasco da Gama chegou em 1498, foi até 1898 a capital da presença portuguesa na África Oriental, posição que perdeu para Lourenço Marques, actual Maputo.

A Ilha de Moçambique foi, desde o século X com os navegantes árabes, um porto central na rota de comércio na costa oriental de África e tornou-se entre 1750 e 1840 um dos principais centros de tráfico de escravos na região.

12-07-2004

RESTAURO CONTINUAMENTE PROTELADO!

KHOMALA!
ILHA DE MOÇAMBIQUE REIVINDICA RESTAURO CONTINUAMENTE PROTELADO!
WAMPHULA FAX – 13.07.2004
Por Vasco Fenita

Proclamada pela UNESCO em 1992 com o merecido e honroso título de Património da Humanidade, em cuja tabela classificativa figura em 250º posição, a mítica Ilha de Moçambique continua, entretanto, a exemplicar a imagem fiel e acabrunhante de um imponente barco encalhado (plagio a designação, com a devida vénia, da novela do mesmo nome do escritor Álvaro Belo Marques), e em iminência de um trágico e irreversível naufrágio. E, consequentemente, obstruído de perseguir o seu vocacionado destino histórico-turístico. A Ilha-Museu continua inelutàvelmente a assumir o retrato acabado de um abominável arremedo da cidade magnificente que outrora concitava a avidez infrene de turistas dos mais variados quadrantes do globo. A vetusta Ilha continua a configurar a pungente realidade das promessas demagógicas e dilatórias, vertidas em enxurradas, desde a 1ª Reunião Nacional de Museus e Antiguidades (efectuada em 1979), e que jazem na mais absoluta inércia. Muito embora sejam resgatadas, de quando em vez, com intenções paliativas como parecem sugerir as festividades em desusado espiral recentemente levadas a efeito.
Pois que, não obstantes o decurso de cerca de uma dúzia de anos sobre a distinção outorgada pela UNESCO, a Ilha de Moçambique permanece sem qualquer usufruto atinente, sem haver logrado algum benefício concreto que a resgatasse do penoso adernar em que esbraveja inglòriamente há já vários anos.
Facto que indicia uma manifesta ausência de sensibilidade de quem de direito.
Entretanto, ao longo dos anos, várias i n s t i t u i ç õ e s p a r c e i r a s (essencialmente, internacionais) têm perfilado na disponibilização de apoios tendentes a obstar a deprimente situação com que se tem debatido aquela preciosa jóia incrustrada em pleno Oceano Índico. Foram, oportunamente, formuladas
promessas, delineadas perspectivas, identificados projectos e, até mesmo, assegurados investimentos.
Aliás, já na altura da criação da Associação dos Amigos da Ilha de Moçambique, em 1982, a cuja presidência do Conselho Fiscal fui, então, catapultado, tive a oportunidade de constatar um sem número de incongruências em que muitos dos donativos drenados pelas comunidades internacionais para a agremiação, esvaíam misteriosamente, sem nunca aportarem ao legítimo destino.
Seria, pois, conveniente que os eventos de grande expressão sócio cultural e lúdico, a exemplo dos cariz do que se realizaram recentemente e que converteram a Cidade de Pedra e Cal no pólo fulcral das festividades comemorativas do 29º aniversário da Independência Nacional ao nível da província de Nampula, tivessem, de facto, o condão de despertarem a consciência, não apenas nacional, mas, também e sobretudo, internacional no sentido de se aglutinarem, com a devida celeridade (agora mais do que nunca), os meios necessários com vista a estancar-se concreta e definitivamente o elevado estado de degradação física que flagela aquela que, de 1818 a 1887, ostentou a privilegiada titularidade de primeira cidade capital moçambicana.
Com efeito, urge que os sinos atroam a rebate, num alerta para a importância do investimento e da preservação do reduto generoso e singular de génese histórico-cultural e de miscigenação étnica, que é a Ilha de Moçambique.
Decididamente. Vigorosamente. Obstinadamente.

16-06-2004

PROJECTO DA UNESCO RECUPERA FORTALEZA

fortalezailhaCORREIO DA MANHÃ - 2004-06-14 00:00:00
Património: Ilha de Moçambique

A fortaleza de São Sebastião, na Ilha de Moçambique, vai ser recuperada graças a um projecto da UNESCO financiado pela cooperação japonesa e pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).
d.r.

A fortaleza foi construída para defender o caminho marítimo para a Índia
O projecto está orçado em 1,6 milhões de dólares, sendo um milhão financiado pela cooperação japonesa e 600 mil (500 mil euros) pela UCCLA que assina hoje, em Lisboa, o contrato com a UNESCO.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da UCCLA, Paulo Miraldo, afirmou que, além de permitir a reconstrução da fortaleza, o projecto prevê cumprir o objectivo de “desenvolver a economia da ilha e assim beneficiar a população local”. “A reconstrução será um exemplo a ser seguido até pelas empresas privadas, uma vez que vai permitir o desenvolvimento de infra-estruturas como as do turismo se os empresários quiserem aproveitar os seu benefícios”, frisou.

O responsável realçou que o “novo dinamismo” da UCCLA foi impulsionado pelo presidente da Comissão Executiva, Pedro Santana Lopes, também presidente da Câmara de Lisboa, tendo como “orientação de princípio” garantir que “os projectos tenham algum significado para as cidades e para a população”. Neste sentido, o objectivo da UCCLA é “promover o desenvolvimento sustentado” e, de uma forma mais abrangente, “a língua portuguesa”.

Paulo Miraldo adiantou que a instituição pretende ter, “num futuro próximo”, capacidade para realizar projectos próprios, recorrendo a fundos comunitários, e continuar a apostar na cooperação, quer entre Estados, quer com diferentes instituições.

Construída em 1507, a fortaleza foi a primeira fortificação portuguesa no Índico para assegurar a defesa do caminho marítimo para a Índia. A Ilha de Moçambique, Património Mundial da Humanidade desde 1991, situa-se no Norte do país, tem apenas cerca de um quilómetro quadrado e 12 mil habitantes, cujas principais actividades são a agricultura e a pesca.

27-05-2004

PONTE DA ILHA DE MOÇAMBIQUE

Dscn0147aOBRAS ARRANCAM ESTA SEMANA
Wamphula Fax – 28.05.2004
Arrancam esta semana as obras de reabilitação da ponte que estabelece ligação entre a Ilha de Moçambique e o continente, que neste momento se encontra em avançado estado de degradação.
Elias Paulo explicou a este jornal que os trabalhos consistirão na reparação de pelo menos 118 pilares,
dos 990 existentes, para além de outras obras de melhoramento.
O nosso interlocutor disse que as obras orçam em 1.5 milhões de dólares americanos e estão a cargo
da Rundel Constrution, uma empresa sul-africana, que ganhou o concurso que teve a participação de três empreiteiras.
A ponte tem cerca de três quilómetros e foi construída nos finais da década sessenta, pelo falecido engenheiro português Edgar Cardoso.
Entretanto, ao longo do período em que durar a reabilitação, continuará em vigor o condicionamento
do trânsito para viaturas pesadas, imposto desde a altura em que se constatou o agravamento da degradação.
De referir que o Primeiro Ministro das Mauricias, que se encontra de visita ao País, vai escalar hoje a Ilha de Moçambique.WF