19-04-2006

Graça Machel ia perdendo a vida nas vésperas do Acidente de Mbuzini

Tupolev presidencial de Samora Machel
Poucos dias antes do desastre de Mbuzini, a então primeira-dama, Graça Machel, por um triz não perdeu a vida quando o avião em que viajava se despistou ao tentar aterrar na aeroporto de Mocimboa da Praia. O avião em causa era o Tupolev presidencial pilotado na altura pela mesma tripulação que viria a envolver-se no desastre em que perdeu a vida o primeiro chefe de Estado moçambicano.
Graça Machel integrava uma delegação de alto nível que incluía funcionários das Nações Unidas, membros do governo central e da província de Cabo Delgado.

Leia em:
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20-02-2006

Mbuzini mexe com África do Sul

20 anos depois de Moçambique se preocupar

O «Sunday Independent», semanário da Cidade do Cabo, noticiou que “o antigo regime do apartheid teria pago uma indemnização ao navegador/piloto do avião sinistrado” em Mbuzini. O pagamento, acrescenta o jornal, “foi efectuado através da embaixada sul-africana em Moscovo, no início da década de 90”.
“Esta seria uma prova concludente do envolvimento do apartheid no caso” – sugere jornal.

(Maputo) Uma sondagem levada a cabo pela «News24», um serviço de notícias da África do Sul, revelou que 65% de um total de 1,500 pessoas inquiridas, opõe-se à reabertura do «dossier-Mbuzini» referente à tragédia que vitimou o fundador da primeira República em Moçambique. A sondagem foi efectuada na sequência das declarações feitas pelo presidente Thabo Mbeki, da África do Sul, segundo as quais o seu governo tenciona “desvendar o mistério” por detrás da morte de Samora. Para os inquiridos, “em vez de realizar o inquérito à morte do Presidente Machel, o governo devia solucionar os crimes ainda por resolver no nosso próprio país.” Apenas 6% dos inquiridos pela «News24» concordou que se devia reabrir o inquérito.

Nas investigações já efectuadas pela África do Sul, como Estado de ocorrência do desastre em que morreu Samora Machel, a tripulação do Tupolev presidencial foi responsabilizada pela ocorrência.

A imprensa sul-africana tem dado destaque ao anúncio feito pelo presidente Mbeki no início do corrente mês. O «Sunday Independent», semanário publicado na Cidade do Cabo, noticiou que “o antigo regime do apartheid teria pago uma indemnização ao navegador/piloto do avião sinistrado” em Mbuzini. O pagamento, acrescenta o jornal, “foi efectuado através da embaixada sul-africana em Moscovo no início da década de 90.”

“Esta seria uma prova concludente” – sugere o «Sunday Independent» – “do envolvimento do apartheid no caso”.

Só mecânico sobreviveu

Dados confirmados na altura do acidente, no entanto, referem que tanto os pilotos como o navegador do Tupolev presidencial pereceram. A tripulação soviética era composta de cinco membros. Apenas o mecânico de bordo, Vladimir Novoselov, sobreviveu.

O mesmo jornal afirma que “novos dados sugerem que agentes sul-africanos encontravam-se em Matsapha a proceder à instalação e testes de uma nova estação emissora VOR na noite em que ocorreu o desastre”.

Tanto Moçambique como a União Soviética, note-se, rejeitaram a hipótese do VOR de Matsapha ter estado na origem da volta prematura que o Tupolev transportanto Machel e a sua comitiva efectuou antes de colidir contra os Montes Libombos na região de Mbuzini, próximo da Namaacha. Num parecer apresentado à comissão de inquérito sul-africana, Moçambique alegou que o trajecto seguido pelo Tupolev presidencial não coincidia com o radial emitido pelo VOR de Matsapha. Já a União Soviética argumentou que o Tupolev não poderia ter sido capaz de interceptar tal sinal devido a obstruções causadas pela montanha de Bembegazi que faz parte da cadeia dos Libombos.

Desconhecem-se pormenores sobre a composição da nova comissão de inquérito ou se a mesma irá conduzir os seus trabalhos à porta-fechada, à semelhança do que aconteceu com as sessões da Comissão da Verdade e Renconciliação Nacional perante a qual depôs a ex-primeira dama moçambicana, Graça Machel.

É de prever que o antigo ministro da segurança de Moçambique, Sérgio Vieira, venha a ser convocado a prestar declarações perante a nova comissão de inquérito sul-africana para esclarecer a alegação por ele feita repetidas vezes de que os governos dos Estados Unidos e da Inglaterra estavam em posse de informações de que o antigo regime do apartheid fora o responsável pelo desastre de Mbuzini. Segundo Vieira – actual director-geral do GPZ e tido por algumas sensibilidades como o futuro PCA da HCB – tanto os Estados Unidos como a Inglaterra preferiram não vir a público com uma revelação desse teor pois uma tal postura ser-lhes-ia favorável às disputas que mantinham com o bloco soviético no âmbito da chamada «Guerra Fria».

Numa edição recente, o «África Monitor» afirmou que a versão que apresenta o acidente como tendo sido resultado de uma conspiração “nunca mereceu aceitação da CIA ou do SIS (britânico).” Aquela publicação editada a partir de Lisboa por um analista de referência sobre assuntos relacionados com países africanos de língua oficial portuguesa, Xavier de Figueiredo, refere que “quanto às suspeitas de que a África do Sul através de sofisticados sistemas de intercepção, teria provocado interferências nos sistemas de comunicação do avião, dando-lhe uma rota errada, a análise da CIA é a de que Pretória não só não tinha nenhum interesse na queda do avião (nele viajavam alguns dos seus melhores interlocutores moçambicanos, como Fernando Honwana, Aquino de Bragança e até o próprio Samora Machel), como, em tal caso, evitaria sempre que o avião caísse no seu território.” (Redacção)

CANAL DE MOÇAMBIQUE – 20.02.2006

07-02-2006

20 anos depois - África Sul quer divulgar este ano investigação à morte de Machel

O governo sul-africano vai tentar divulgar este ano as conclusões da investigação à morte de Samora Machel, o primeiro presidente moçambicano, ocorrida num acidente aéreo, em 1986, assegurou o ministro da Segurança sul-africano, Charles Nqakula.

A garantia foi dada no fim-de-semana, em Maputo, durante a cerimónia que marcou o 25º aniversário do assassínio de 12 membros do Congresso Nacional Africano (ANC), na cidade da Matola, durante um ataque realizado da força aérea sul-africana do regime do "apartheid". "O presidente sul-africano, Thabo Mbeki prometeu tentar resolver o assunto (sobre a morte de Samora Machel) durante o presente ano", disse Nqakula, que acrescentou ser necessário "descobrir quem é que cometeu este vil crime". "Esta é a dívida que temos com o povo moçambicano. É uma dívida que vamos pagar", sublinhou o governante.

Na sexta-feira, o presidente sul-africano Thabo Mbeki, fez inesperadas referências ao desastre aéreo de Mbuzini que matou Machel, durante o discurso que proferiu sobre o estado da nação, em Pretória. Na ocasião, Mbeki referiu-se à "misteriosa queda do avião" de Samora Machel, na zona de fronteira entre os dois países e reiterou que o caso "continua a exigir uma explicação satisfatória".
Machel morreu quando o avião em que seguia, transportando outras 33 pessoas da comitiva presidencial, embateu contra os montes Libombos, na região de Mbuzini, na África do Sul, no regresso de uma reunião na Zâmbia.

As causas do desastre foram atribuídas ao regime do "apartheid", mas resultados preliminares de um inquérito efectuado, à margem, por peritos russos, que cederam a aeronave ao governo moçambicano, indicam o envolvimento de moçambicanos na morte de Machel.

Graça Machel, viúva do ex-presidente moçambicano, também acusou, há anos, que "do lado de Moçambique, alguém facilitou o processo" que conduziu ao desastre do avião "Tupolev"-134A. Após a tomada de posse, no ano passado, o presidente moçambicano, Armando Guebuza, que chefiou a comissão de inquérito da parte moçambicana, assegurou a publicação dos resultados, mas não avançou qualquer data.

LUSA - 07.02.2006

23-12-2005

Desastre de Mbuzini - Piloto quer que Sérgio Vieira seja ouvido pela PGR

por Azarias Mabunda

Está difícil, da parte da Frelimo, obter uma posição clara sobre as causas do desastre de Mbuzini. Julgava-se que com a publicação do livro, A Morte de Samora Machel, em que o autor apresenta todos os dados relacionados com o desastre, as autoridades deste país viessem a público rebater ponto por ponto. Em vez disso, fecharam-se em copas. Quem cala, consente, ou talvez não, se se tomar em linha de conta a posição sempre polémica de um Sérgio Vieira.

Contudente como sempre, reduziu a obra, A Morte de Samora Machel, a uma peça de ficção e a uma invenção da História, pese embora o facto de a não ter lido e de nem ter a certeza da sua existência. Pelo menos é o que se depreende quando afirma, às claras, não estar certo da existência do livro em questão. Transcrevo da lavra do próprio: “Parece que saiu um novo opúsculo em Maputo”, para logo a seguir alegar que a obra em referência contem a versão do apartheid e que se funda em especulações e camuflagens. Também meteu no mesmo saco a PIDE e a Rodésia.

O que há de “invenção da História” no livro, A Morte de Samora Machel?

O que tem a ver a PIDE com o acidente de aviação que vitimou o Presidente Samora Machel?

Se a Rodésia de Smith passou à história muito anos antes de Mbuzini, qual a relação entre uma coisa e outra?

Sou piloto profissional. Li o livro de João Cabrita, compreendi os pareceres de todas as partes tal como contidas em vários capítulos. Acompanhei o debate sobre Mbuzini organizado pela STV e tirei minhas conclusões objectivas. Ficou claro que a história do envolvimento dos sul-africanos e do VOR falso tem sido mal contada.

Foram não apenas sul-africanos, mas também moçambicanos e soviéticos que recolheram os factos sobre o desastre. São dados que revelam, de forma insofismável, que o avião presidencial estava a ser pilotado uma tripulação desleixada e descuidada. Uma tripulação que se abandalhou e baldou. Os tripulantes do Tupolev não efectuaram um plano de voo como mandam as leis da aviação em vigor no nosso país. Eles não abasteceram o avião convenientemente, não cumpriram com as regras basilares de descida e aproximação a uma pista, desrespeitaram as instruções dadas pelo AFIS de Maputo, ignoraram o sinal de alarme dado pelo GPWS do próprio avião e continuram a descer, às escuras, sem saber exactamente onde estavam. E por isso colidiram, causando a morte do Presidente Samora Machel e de muitos que o acompanhavam.

Pode-se varrer todos estes factos para debaixo da carpete para de seguida se lançarem as culpas sobre terceiros?

Todos esses factos foram extraídos das caixas negras do Tupolev. Pelos três países. Longe da África do Sul. Num país neutro (Suíça) e na própria União Soviética. Excluída está a hipótese dos sul-africanos terem viciado o conteúdo das caixa negras.

Sérgio Vieira afirma que há outros dados, outros relatórios, e pede ao estado moçambicano para que sejam “republicados”. Republicar significa publicar de novo. Em que data é que foram publicados pela primeira vez? Nunca os li antes. Apenas tomei conhecimento dos dados do acidente de Mbuzini e dos pareceres de Moçambique e da ex-União Soviética aravés do livro de João Cabrita. O que têm de diferente esses dados quando comparados com os dados recolhidos pelas três partes? Só Sérgio Vieira

pode explicar.

E porquê só falar agora desses novos dados e de novos relatórios?

Quem está, afinal, a proceder a uma “invenção da História”?

Vi, no debate da STV, o autor de A Morte de Samora Machel, a afirmar, sem rodeios, que a embaixada soviética em Maputo havia exercido pressões sobre o Comandante Sá Marques, piloto do voo TM 103 da LAM, que voava em direcção ao aeroporto do Maputo quando se deu o desastre do Tupolev presidencial, para que ele fosse mentir à comissão de inquérito, dizendo que o seu Boeing 737 também havia sido desviado da rota por acção do dito VOR falso.

Se os russos tinham tanta certeza de que houve um VOR falso porque necessitaram de recorrer à mentira para provar a sua existência?

O autor de A Morte de Samora Machel foi posteriormente citado como tendo dito que as pressões da embaixada da União Soviética sobre o Comandante Sá Marques haviam sido exercidas por intermédio do Ministério de Segurança moçambicano, e que pelo facto dele, Sá Marques, se ter recusado terminantemente a mentir à comissão de inquérito teve de abandonar Moçambique.

Sérgio Vieira era quem tutelava o Ministério da Segurança na altura. Terá sido ele o intermediário?

Seja como for, ele era o ministro e como tal deve ser solidário para com os actos praticados pelos seus subordinados.

Mentir a uma comissão de inquérito é tão grave como mentir a um tribunal. Constitui obstrução à justiça.  Segundo o Código de Direito Penal trata-se de um crime de perjúrio. É punível com prisão maior.

Como jurista que é, o antigo ministro da segurança moçambicano certamente que não desconhece tais preceitos legais. Pode não ter praticado tais actos, pode não ter tido conhecimento prévio das demarches da embaixada soviética, e pode não ter consentido que alguém sob sua jurisdição os praticasse. Mas em última instância deve responder pelas acções praticadas ao nível do seu ministério. Em abono da verdade e da transparência. É assim que funcionam as democracias. Os cidadãos deste país, sem excepção, têm de prestar contas. Nínguem pode estar acima da lei.

A Procuradoria Geral da República deve arrolar João Cabrita, o Comandante Sá Marques, Sérgio Vieira, a embaixada russa e demais testemunhas para que esclareçam exactamente o que se passou com essa questão da tentativa de prestação de falsas  declarações a uma comissão de inquérito que investigava a morte de um chefe de estado moçambicano. Em última análise, deve-se apurar quem pretendeu fabricar provas e criar obstáculos ao curso normal da justiça, e com que objectivo. Teria sido apenas para ilibar o país que forneceu a tripulação ao estado moçambicano, como diz o autor de A Morte de Samor Machel? Parece haver algo ainda mais sinistro no meio de tudo isto.

Não à invenção da História, sim. Mas também não a obstruções à justiça. A democracia não se compadece com a mentira.

ZAMBEZE - Maputo, 15 de Dezembro de 2005 pág. 6

18-12-2005

Sérgio Vieira Considera “A MORTE DE SAMORA MACHEL” Livro Inspirado pela PIDE

Semanário Domingo (Maputo, 4 Dez 05 p. 8)

Carta a Muitos Amigos - por Sérgio Vieira

Na invenção da História, parece que saiu um novo opúsculo em Maputo com a versão do apartheid sobre o assassinato de Samora Machel e dos seus colegas. Funda-se na versão do apartheid e em especulações e camuflagens proporcionadas por elementos ligados no passado à PIDE e aos serviços rodesianos e sul-africanos. Veja-se, para comprovar, a lista dos agradecimentos que o autor endereça.

Penso que o estado Moçambicano, para que não se sufoquem os factos, deveria republicar o relatório moçambicano e o soviético assim como os dados das chamadas caixas negras. Igualmente, deveria publicar a comunicação que o presidente Chissano fez à II Legislatura da Assembleia da República.

Um abraço à verdade quando se trata de História e não de ficção.


Autor de  “A MORTE DE SAMORA MACHEL” Responde a Sérgio Vieira


Semanário Domingo (Maputo, 18 Dez 05 p. 9)


Ex.mo Senhor Jorge Matine
Ilmo Director do Semanário Domingo

[email protected]

Na edição do dia 4 do corrente, o V/colaborador, Sr. Sérgio Vieira, proferiu
uma série de alegações francamente difamatórias, lesivas da minha dignidade,
e que merecem o seguinte reparo, no âmbito do direito de resposta consagrado
na Lei de Imprensa em vigor no país:

1. O livro, A Morte de Samora Machel, de minha autoria, não contém a "versão
do apartheid" sobre o acidente de aviação de Mbuzini, mas sim os pontos de
vista dos países que integraram a respectiva Comissão de Inquérito,
nomeadamente a África do Sul, Moçambique e a extinta União Soviética.

2. O livro fundamenta-se no relatório elaborado por aquela comissão, o qual
inclui, entre outros, dados comprovativos dos erros flagrantes cometidos
pela tripulação do Tupolev presidencial e que viriam a causar o acidente.
Tais dados foram recolhidos por investigadores dos três países acima
mencionados.

3. As individualidades a quem, no livro, agradeço o apoio prestado, apenas
me auxiliaram na interpretação de inúmeros pormenores técnicos constantes do
relatório em causa, para além de terem facilitado entrevistas com diversas
fontes, todas elas, aliás, devidamente identificadas.

4. A responsabilidade pelos pontos de vista e interpretação de determinados
factos mencionados no livro é inteiramente do autor, não reflectindo nenhuma
outra posição, tanto oficial, como particular.

5. É, portanto, gratuita, a insinuação feita pelo Sr. Sérgio Vieira de que o
livro, A Morte de Samora Machel, contou com o apoio de antigos agentes da
PIDE e das suas congéneres rodesiana e sul-africana, e isso é facilmente
comprovado pelo facto do V/colaborador, como lhe é peculiar, não ter
fundamentado a atoarda ora propalada e não o poderia ter feito pois nem
sequer havia lido o livro, conforme ele próprio admite.

Sem outro assunto a tratar, creia-me

De V.Exa

Atenciosamente

João M. Cabrita

Recorde em:

http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2005/11/no_escrever_a_h.html

29-11-2005

A Morte de Samora Machel, na televisão moçambicana

Foi a 22 de Novembro à noite, que assisti na STV, um canal de televisão independente em Maputo, à transmissão de um debate sobre o desastre de Mbuzini. Conduzido por Felisberto Langa, o debate teve como participantes João Cabrita, autor do livro recentemente publicado, A Morte de Samora Machel, e Paul Fauvet, um jornalista britânico radicado em Moçambique desde os anos 80. Os erros da tripulação do Tupolev presidencial, que Fauvet pretendeu subestimar, dando realce ao factor destabilização movido pelo antigo regime de Pretória contra os Estados membros da SADC, foram defendidos por Cabrita como a causa do desastre que vitimou o Presidente Machel. A certo passo, Cabrita foi peremptório: “Os que defendem a tese de sabotagem têm de encontrar uma outra explicação porque a história do VOR falso não pega.” E para demonstrar o seu ponto de vista, Cabrita fez uma revelação: “A Embaixada da União Soviética aqui em Maputo exerceu pressões sobre o Comandante Sá Marques das LAM para que ele mentisse à comissão de inquérito, dizendo que a sua aeronave, um Boeing 737, que seguia da Beira para Maputo quando se de seu desastre, também havia sido desviada da rota por acção do alegado VOR falso. Por se ter recusado a mentir à comissão de inquérito, o Comandante Sá Marques teve de abandonar Moçambique em face das pressões de que foi alvo.” Cabrita disse-me mais tarde, quando me encontrei com ele no hotel onde eu estava hospedado, que as pressões sobre Sá Marques foram exercidas por intermédio do Ministério da Segurança, na altura chefiado por Sérgio Vieira.
Fernando Gil

25-11-2005

ENTRE AS DUAS FACES DE UMA HISTÓRIA, UM PÉSSIMO SERVIÇO DE PAUL FAUVET

Por Benedito Marime

Na edição de 28 de Outubro último, vem inserida uma entrevista do Reverendíssimo Dom Jaime Pedro Gonçalves, Arcebispo da Beira, o qual, a determinada altura, lembrando os sinuosos caminhos ideológicos da Guerra Fria, com manifestos reflexos no imediato do nosso pós-independência, refere a recusa do falecido Presidente Samora Machel em visitar o Vaticano, para aí se encontrar com o Papa, quando da sua visita à Itália.

Cerca de um mês depois, em edição de 18 de Novembro seguinte, o Centro de Documentação Samora Machel reage em carta ao mesmo Savana, juntando uma fotografia do mesmo falecido Presidente junto do também já falecido Papa João Paulo II, dizendo pretender com esse gesto “repor a verdade, contribuindo assim para o alcance dos objectivos para o qual este centro foi criado, que são a preservação do legado de Samora Machel”.

De posse deste dado, Paul Fauvet, jornalista afecto à AIM, não perdeu tempo: foi, pressuroso, a correr, para as páginas da edição do mesmo dia 18 de Novembro do boletim da AIM, em língua inglesa, insultar e vilipendiar o Arcebispo, sob o sugestivo título de “Archbishop of Beira lied about Samora Machel” ( Arcebispo da Beira mentiu sobre Samora Machel) .

Sem bases para o tema que se propõe, Paul Fauvet agarra-se a velhos estereótipos de serviço, ora rotulando Dom Jaime como o corifeu do imobilismo conservadorista da Igreja Católica em Moçambique, ora acusando-o de ter mentido sobre as relações  entre o Governo de Machel e o Vaticano.

Diz depois que estas relações, afinal anteriores à  Independência, datariam da audiência de Paulo VI a Marcelino dos Santos, em 1970, facto este que ele pretende por muitos anos inédito, a julgar pela forma como o coloca no seu texto, no qual diz que “Samora Machel mencionou este facto em Dezembro de 1982, no encontro que ele dirigiu com os representantes de todas as denominações religiosas do país, incluindo Dom Jaime, então o Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique”. Ainda sobre este encontro, diz Paul Fauvet que, na circunstância, Samora Machel fez referência a eclesiásticos que em Moçambique se posicionaram contra as atitudes colaboracionistas da hierarquia, em cuja “lista de honra se não encontra o nome de Jaime Gonçalves”.

Como um dos estudiosos dos episódios que Paul Fauvet aqui se permitiu baralhar, sinto ser meu dever esclarecer quanto segue.

É um facto histórico que, na sua primeira visita à Itália, o Presidente Samora Machel se recusou a ir ao Vaticano ver o Papa. E fê-lo, por razões ideológicas que nunca escondeu.

Na verdade, para além de diversos pronunciamentos anteriores à volta da Igreja Católica em Moçambique e de como não apreciava a ligação desta ao Vaticano e ao Papa, quando da oitava sessão da Assembleia Popular, de 6 a 9 de Outubro de 1981, Samora Machel deteve-se, na recepção de encerramento, em conversa com uma delegação da igreja Católica , na  circunstância representada pelo Presidente da CEM (Conferência Episcopal de Moçambique), Dom Jaime Pedro Gonçalves, pelo Arcebispo do Maputo, Dom Alexandre José Maria dos Santos e pelo Padre Joaquim António Mabuiangue, Vigário Geral da Arquidiocese do Maputo. Do teor dessa conversa, exarado em “Breve relatório da participacao da Igreja Católica na oitava sessão da Assembleia Popular”, distribuído, como documento reservado, aos Bispos e Superiores(as) dos Institutos, transcrevo o seguinte:

  • “Sabe, Dom Jaime, eu vou à Itália. Saio daqui no dia 13 e estou lá no dia 14. Vou visitar o povo e o governo italianos. Mas não vou visitar o Papa. Não vou ao Vaticano. Tenho o escritório cheio de cartas que me aconselham a ir falar com o Papa. Falar o quê? Alguns italianos estão aqui, foram enviados para me convencer a ir ter com o Papa. Dizem que seria bom ir ter com o Papa, dada a compreensão e a aproximação da Igreja e do Estado em Moçambique. Eu não estou a aproximar-me do Papa, mas sim dos Bispos moçambicanos. Os nossos problemas devem ser resolvidos aqui. Se eu for ao Vaticano, como e onde me vai receber o Papa? Na Igreja? Na Biblioteca? Vou beijar o anel? Como vai ser isto?”

Retomando a palavra, depois de mandar calar um alto dignitário que tentara pôr água na fervura, Samora Machel  rematou:

  • Não vou falar com o Papa. Eu sou Chefe de Estado, Presidente da República Popular de Moçambique. O Comité Político Permanente da Frelimo nomeou-me Marechal de Moçambique. O Comité Central constituiu-me Comandante em Chefe das Forcas Armadas de Moçambique. Acima de mim só está Deus, se ele existe. Repito, acima de mim está Deus, se existe”.

Aqui interveio um veterano, a sossegar o Presidente, dizendo-lhe “E como ele não existe...” Animado, o Presidente prosseguiu:

  • “Acima de mim, só está Deus, se ele existe. Portanto, não vou falar com o Papa. Estarei na Itália uma semana, mas não vou falar com ele. Que é que vou dizer? Eu quero resolver os problemas com os Bispos moçambicanos. Depois poderão ir ter com ele, tendo já a cara lavada. Somos um povo independente e livre. Bem, assim como em 25 de Junho brindei com o Bispo de Pemba, vou agora brindar com os Bispos que estão aqui (...)”.

E foi assim que Samora Machel se recusou a ir ao Vaticano. Quero acreditar – e é natural que assim seja – que era a este episódio que Dom Jaime se referia, até pelo facto de, para a segunda visita, o episcopado ter sido, naturalmente, ouvido para a aceitação da visita ao Papa pelo Chefe de Estado Moçambicano, como é da praxe da diplomacia do Vaticano.

De qualquer forma, a ida ao Vaticano quando da segunda ida à Itália não anula o desconfortante episódio que antecedeu a primeira visita à Itália, podendo tão só corrigi-la, o que é bom – só os loucos é que nunca mudam, e Samora Machel não era louco nenhum, quaisquer que tenham sido os seus erros.

Aliás, Samora Machel acabaria cumprindo o que prometera.

  • Em 1982 autorizou, pela primeira vez, os Bispos moçambicanos a efectuarem a sua primeira visita “ad sacra limina apostolorum” (com a periodicidade de cinco anos, destina-se à prestação comum de contas ao Vaticano) e a convidarem o Papa a visitar Moçambique.

  • Não obstante, e por ocasião da tal reunião de Dezembro de 1982 com as confissões religiosas, menosprezou o Delegado Apostólico nela presente, reafirmando alto e bom som que na Itália reconhecia apenas um Governo, não entendendo o papel do Vaticano ali e, ainda menos, o de um Representante deste em Moçambique. O empenho institucional e a paciência do visado (Monsenhor Francesco Colassuono), por um lado, e o tacto diplomático não menos brilhante nem paciente de Joaquim Chissano, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique e o início do “glasnost”soviético (portador, este, de distensão generalizada, mesmo nos níveis ideológico e diplomático), por outro, acabariam, porém, aplainando o terreno e foi assim que Samora Machel esteve no Vaticano em finais de 1985, a essa visita se referindo a foto publicada no Savana.

Só é de lamentar que um centro de documentação tenha levado tanto tempo a localizá-la e a reagir, aparentemente ignorando a anterior visita, à qual se refere a declaração de Dom Jaime.

Não posso terminar estas linhas sem me insurgir, uma vez mais, contra Paul Fauvet. Sempre que se lhe aparece alguma oportunidade de vilipendiar a Igreja Católica, fá-lo sempre com manifesto gosto e ódio, escrevendo, a despropósito, das baixarias mais reles que, só não ofendem, por virem de quem vêm – de uma trânsfuga que precisa, a todo o custo, de se manter em Moçambique, país que, infelizmente e cada vez mais se vai transformando em guarita de toda a espécie de bestas, de entre eles os piores biltres lá das estranjas.

Já escreveu cobras e lagartos contra a Igreja Católica, e até, de viva voz, no recente seminário comemorativo dos 30 anos da Rádio Moçambique, em resposta a uma intervenção do Padre João Carlos Nunes, o indesejável imigrante se deu ares de intervir, não sobre a matéria do seminário, mas sobre a Inquisição e outras coisas que não eram para ali chamadas.

Mais uma vez se saiu mal. Se tem ouvidos para ouvir, e cabeça para pensar (que a careca seja só por fora e não para o interior do couro cabeludo), procure informar-se bem antes de escrever, até para não embaraçar quem finge que quer ajudar. Antes, porém, e como prova da sua integridade, desafio-o a traduzir este meu texto para o Inglês, a inseri-lo em próximo número da edição nessa língua, como forma de dar a conhecer a outra face da estória, nomeadamente a sua desastrada intervenção jornalística neste caso.

SAVANA - 25.11.2005

Não escrever a história a partir dos restos do apartheid!(2)

"Será bom também enfatizar que um avião que aterrou no Maputo antes do Tupolev (Cmdt. Ramiro) não sentiu qualquer VOR que tivesse tentado desviá-lo da rota pretendida. Mais do que isso, o voo 103, que pretendia aterrar no Maputo logo a seguir ao Tupolev, ( Cmdt. Sá Marques) afirmou reiteradamente que também não se apercebeu de qualquer frequência estranha ( de VOR ou outra) que pretendesse desviá-lo da rota pretendida. Pergunta-se se uma emissão rádio pode afectar uma aeronave sem afectar todas as outras nas suas  imediações.
Pode também ficar a saber que este último Cmdt. foi mais tarde pressionado pelos soviéticos (através da segurança do Maputo) para dizer que também ele havia detectado esse suposto VOR. Esta chantagem foi de tal maneira intensa que ele se viu obrigado a sair de Moçambique."
Veja:

09-11-2005

Não escrever a história a partir dos restos do apartheid!

Mbuzini

Não escrever a história a partir dos restos do apartheid!

Por Paul Fauvet*

Duvidar sobre a versão oficial de acontecimentos dum passado recente pode ser uma atitude saudável para um jorna­lista.  Mas o artigo sobre a tragédia de Mbuzini de Luís Nhachote (nas páginas centrais do Savana de 21.10.05) rejeita  a versão “oficial” moçam­bicana, só para abraçar a versão oficial do regime do “apartheid”!

É espantoso que não só Nhachote, mas, também, o jornal Zambeze e mesmo a televisão STV declaram que o livro do propagandista

pró-Renamo João Cabrita, com o título “A Morte de Samora Machel”, é alguma coisa nova, espectacular, nunca vista antes.

A obra de Cardoso e Mbu­zini

Na realidade, Cabrita simplesmente re-edita as alegações de 1986/87 do regime então vigente em Pretória. Essas alegações, incluindo o suposto plano para invadir o Malawi, tiveram na altura a resposta das autoridades e da imprensa moçambicanas.

E Luís Nhachote deve saber que o jornalista que mais escreveu sobre Mbuzini foi o nosso colega Carlos Cardoso, na altura director da AIM.

Em vez de escutar fontes moçambicanas, em vez de ler, por exemplo, os artigos que Cardoso escreveu em 1986/87, Nhachote preferiu fazer a sua história a partir da lata de lixo do apartheid.

Para os seus artigos sobre Mbuzini Cardoso gan­hou o prémio sobre o jorna­lismo investigativo da Orga­nização Nacional de Jorna­listas (ONJ). É pena que nos dias de hoje esses artigos  tenham caído no esqueci­mento.

É indicativo da baixa qualidade do livro de Cabrita que Carlos Cardoso e a AIM não sejam citados como fontes — embora sejam, de longe, as fontes mais impor­tantes devido à sua tese de que o desastre foi provocado pelos militares do apartheid.

Para preencher essa lacuna, nada melhor que voltar ao ano distante de 1986, voltar ao trabalho de Cardoso. Na recente bio­grafia de Cardoso, da minha autoria, conjuntamente com Marcelo Mosse, nos capí­tulos sobre Mbuzini, consta o seguinte:

“A primeira indicação de que poderia ter sido uma sabotagem electrónica veio  de onde menos se esperava. Sérgio Vieira recorda que, quando chegou a Koma­tipoort, a caminho de Mbuzini, a 20 de Outubro, o Comis­sário Johann Coetzee, da Polícia sul-africana, depois de apresentar condolências, soltou esta informação: ‘Mi­nis­tro, sabe o que diz a minha tripulação? Tem de se procurar um emissor de radio por ali’. E apontou na direcção das montanhas. Assim, os pilotos de heli­cóptero da polícia, menos de 24 horas após o de­sastre, acreditavam que o Tupolev tinha sido induzido a sair da rota por um rádio-farol pirata....”

As manobras sul-africa­nas

A 21 de Outubro recebi uma chamada do escritório da UPI (agência noticiosa americana) de Joanes­burgo. O correspondente da UPI achava que a AIM devia saber que ele tinha recebido uma chamada anónima de um homem identificando-se como ofi­cial da força aérea sul-africana que alegava saber que a Força Aérea sul-africana tinha colocado um falso rádio-farol algures na região da fronteira e que isso causara a queda do avião.

Fernando Lima ligou dos Estados Unidos. Disse que um oficial da força aérea americana afirmava que isso era possível, usando equipamento elec­trónico em terra, de modo a desviar um avião da sua rota es­tando o piloto con­vencido que seguia a rota certa.

Este oficial disse que conhecia bem o Tupolev 134 e sabia que os militares sul-africanos tinham a tec­no­logia para interferir no sistema de navegação do Tupolev. Usando esta tec­nologia podiam criar uma falsa rota que podia induzir o piloto em erro.

Assim, diferentes fon­tes, a milhares de quiló­metros de distância, tinham tido a mesma suspeita de que não se tratava de um simples caso de erro do piloto, mas que o avião tinha sido deliberadamente atraí­do para fora da sua rota.

O Governo sul-africano sem dúvida que se com­portou como alguém que tinha algo a esconder. A dada altura, Pik Botha anunciou que havia álcool nos corpos dos membros da tripulação soviética. Tecnicamente, a afirmação era correcta, uma vez que o álcool é um dos sub­pro­dutos da decomposição dos corpos. Mas o que Botha queria sugerir é que o avião se despenhara porque os pilotos estavam bêbados....

Mas a manobra de di­versão mais efectiva foi a súbita divulgação de um documento alegadamente retirado do local do de­sastre. Pik Botha convocou uma conferência de im­prensa, afirmando que o documento era a prova de uma conspiração de Mo­çambique e do Zimbabwe para derrubar o governo do Malawi.

Quando as notícias desta conferência de im­prensa chegaram à AIM, Cardoso telefonou imedia­tamente a Teodato Hun­guana (o então ministro de informação). Esta era a primeira vez que Hunguana ouvia falar das afirmações de Botha.

“É uma tentativa grosseira de transformar a vítima em réu, fazer do agredido agres­sor, fazer do invadido invasor, apresentar o desestabilizado como desestabilizador”, ex­cla­mou para Cardoso. Não tinha a menor ideia sobre se o documento apresentado vinha ou não do avião e declarou: “Alertámos a comu­nidade internacional para um facto extremamente grave – a África do Sul está a fazer tudo para impedir o normal procedimento da investi­gação às causas da morte do Presidente Samora Machel”.

Pouco depois as palavras de Hunguana percorriam o mundo através de um des­pacho da AIM. Hunguana recordou este incidente como um dos exemplos do profis­sionalismo de Cardoso: a pronta reacção de Cardoso à conferência de imprensa “ajudou a neutralizar os planos da África do Sul”.

Investigações da AIM

De facto, em cada estágio a AIM estava em cima da notícia, e Pretória concluiu que não podia fazer decla­rações sem a resposta de Maputo...

Uma das áreas-chave investigada pela AIM foi o sistema de radar sul-africano. Porque a pergunta óbvia era: porque é que não foi usado o sistema de controlo aéreo para avisar o piloto que o Tupolev estava fora da rota e em risco de entrar no espaço aéreo sul-africano? Os sul-         -africanos menosprezaram isto dizendo que o avião estava a voar a tão baixa altitude que saiu dos moni­tores do radar e os con­troladores aéreos assumiram portanto que tinha aterrado em Maputo.

Pik Botha afirmou a 1 de Novembro que o Tupolev “simplesmente desapareceu dos monitores. Ninguém em controlo do radar podia ou teria imaginado que hou­vesse alguma coisa anormal nisso”.   Botha pintou um qua­dro que dava o sistema de radar como primitivo ou ineficiente, moni­torado por pessoal desatento.     Mas uma investigaçãozinha da AIM, usando fontes sul-africanas publicadas, de­monstrou que Pik Botha estava a mentir. Mais de dez anos antes, a África do Sul tinha resolvido o problema de “aviões desaparecidos” dos monitores do radar. Em Mariepskop, junto das mon­tanhas do Drakensberg, foi montado um sistema de aviso concebido para alertar sobre “aviões hostis apro­ximando--se da África do Sul”.

O regime do apartheid vangloriou-se disso. O “Star” de Joanesburgo, em Feve­reiro de 1975, escreveu sobre este sistema que “pode detectar a maior parte dos movimentos numa vasta circunferência entre o oeste do Botswana, o norte da Rodésia, o sul de Moçam­bique e o leste do Natal. Calculadores de altitude são posicionados perto e podem calcular a altura de qualquer aeronave detectada pelo scaner. Este material era transmitido por computador ao quartel-general do sis­tema de defesa radar sul-africano, em Devon, que avaliava se a aeronave que se aproximava era amiga ou inimiga.

Em 1982, o sistema sofisticou-se com a aqui­sição do sistema de radar computorizado Plessey AR-3D. A própria empresa Plessey publicitou que o sistema dá “um quadro completo da situação no ar ao pessoal do comando central”.

Um quadro completo, não um quadro parcial, donde um objecto do tama­nho do Tupolev-134 podia desa­parecer miste­riosamente.

Além disso, em Março de 1985, uma nova rede de radar de baixa altitude foi tornada operacional ao longo da fronteira com Moçam­bique. Pik Botha tinha-se vangloriado do novo sistema e as suas palavras podiam encontrar-se na imprensa sul-africana da altura, 19 meses apenas antes do desastre de Mbuzini....

Também em Março de 1985, toda a fronteira do Transvaal ocidental foi de­clarada um “espaço aéreo especialmente restrito” e Malan (ministro de Defesa sul-africano) anunciou que “todas as ajudas tecno­lógicas possíveis estão a ser usadas para garantir a sua eficácia”. Para obter auto­rização para entrar nesta área restrita, os pilotos deviam contactar o quartel-general da força aérea. Mas o Tupolev entrou directa­mente na área restrita e não houve nenhuma ten­tativa para o dissuadir disso.

Em Novembro de 1986, Botha tinha convenien­te­mente esquecido as suas tiradas anteriores sobre as capacidades do radar da África do Sul...

Uma vez saído o relatório factual (da comissão de inquérito tripartida), a coo­peração da África do Sul na investigação do desastre terminou. Pretória tinha feito o mínimo requerido pelas normas da ICAO. Passou então a rejeitar os pedidos de Moçambique para uma investigação do VOR que o avião tinha seguido.

A controversa Comis­são Margo

Em vez disso, os sul-africanos organizaram a sua própria audição pública sobre o acidente, dirigida pelo juiz Cecil Margo, que conseguiu ter êxito em des­viar as críticas ao governo.

A Comissão Margo nem remotamente foi imparcial. De fontes em Pretória Car­doso soube que um dos seus membros era também admi­nistrador da COMAIR, uma companhia aérea usada como frente pelas forças armadas sul-africanas para o reabastecimento da Re­na­mo e da Unita.

Mas, apesar de nem Moçambique nem a URSS estarem representados na Comissão Margo, surgiam de vez em quando per­guntas inconvenientes da parte dos advogados sul-africanos. Foi assim que perguntaram a Pik Botha porquê teria ele feito falsas acusações de que a tri­pulação do Tupolev estava embriagada. Margo inter­veio para impedir mais inter­rogatórios desta natu­reza.

Como se previa, a co­mis­­são de inquérito Margo atirou as culpas para a tripulação soviética e tanto as auto­ridades moçam­bicanas como as soviéticas rejeitaram as conclusões. O relatório Mar­go saiu a 9 de Julho de 1987, mas Armando Guebuza (na altura ministro dos Trans­portes e Comu­nica­ções) reiterou que o trabalho da comissão inter­nacional de inquérito estava longe de ter terminado. “Só se pode chegar a conclu­sões depois de todos os factos terem sido inves­tigados”, disse, “e parti­cularmente este novo ele­mento vital – onde estava este VOR, era uma arma­dilha ou não? Mas os sul-            africanos, na sua maneira arrogante e intransigente do costume, continuaram com o seu próprio inquérito e mandaram-nos o relató­rio”...

Nos finais de Junho de 1987, Magnus Malan de­clarou que não toleraria “a exportação da revolução” não só no sentido de suble­vação violenta, mas, tam­bém, na forma de propa­ganda anti-apartheid. Num artigo de 30 de Junho, Cardoso escreveu: “Esta é a primeira vez que um diri­gente do regime do apar­theid tenta tão aber­tamente impor a jornalistas e políticos nos estados da linha da frente o mesmo nível de censura que impõe aos jornalistas dentro da própria África do Sul”.

A propaganda da SABC e o seguidismo cabritista

A 9 de Julho a SABC celebrava a conclusão do inquérito Margo com um ataque à AIM e a Carlos Cardoso em particular. Éra­mos todos descritos como “agentes soviéticos”.

“Pouco depois do de­sastre, os doutrinadores soviéticos começaram a conceber e efectivar uma intrincada estratégia de desinformação”, clamava a SABC. “Moscovo cooptava a assistência de agentes so­viéticos de influência dentro das agências do governo de Moçambique. Os meios de comunicação de Mo­çambi­que participaram em pleno nesta campanha e serviram para dar ímpeto à operação inteira”.

“Dias antes da morte de Machel, Carlos Cardoso, o director do instrumento de propaganda da Frelimo, AIM, um marxista ortodoxo, es­peculou que a África do Sul ia possivelmente retaliar pela explosão da mina que matou seis soldados sul-africanos. Num artigo, Car­doso decla­rou explicitamente que o Presidente Machel era um alvo provável de uma ten­tativa de assassínio”. Neste ponto a peça da SABC mostrava a fotografia de Cardoso no ecrã.

“Cardoso emergiu mais tarde como figura-chave na estratégia de desinformação soviética”, continuava a SABC. “Na sua capacidade de director da AIM, ele esteve na origem de uma grande percentagem da produção total de desin­formação”...

A isto seguiu-se, dias mais tarde, uma carta formal ao governo enviada por Colin Patterson, chefe da mis­são comercial sul-afri­cana em Maputo, protes­tando contra os artigos de Cardoso. Hunguana mos­trou a carta a Cardoso.

Patterson escreveu: “Con­­­­sidero decepcionante que Moçambique tenha se­guido tão servilmente a linha de Moscovo sobre Mbuzini. O que torna o assunto mais triste é que Moscovo conhece a verdade e tenta defender a sua reputação e posição em África, ao passo que Mo­çambique aparente­mente permite que o empurrem para assumir um ponto de vista totalmente desmentido pela evidência e as con­clusões de peritos mundiais, para promover a sua própria inexplicável campanha de difamação contra a África do Sul”.

Segue-se a ameaça ve­lada: “Deste modo, la­mento dizê-lo, Moçambique  já foi perigosamente longe na via da desconfiança e sus­peição, no que diz res­peito ao povo e governo da África do Sul”.

À distância de 15 anos, as invectivas da SABC e de Patterson sobre a conspi­ração soviética dão vontade de rir. Mas na altura pare­ciam carregadas de amea­ça.

Finalmente, a questão de sucessão. A ideia de que Chissano “golpeou” Mar­celino dos Santos só pode convencer alguém que não estava em Moçambique (Cabrita) ou era jovem demais para recordar o ambiente daquela altura (Nhachote). Na realidade, Chissano era o sucessor evidente. Eu me lembro bem de discussões infor­mais entre jornalistas, anos antes de Mbuzini: ninguém duvidava: Chissano seria o próximo presidente. Assim, a decisão rápida da Fre­limo depois da morte de Samora de eleger Chissano presidente  não tomou ninguém de surpresa (em Maputo pelo menos, em­bora talvez não nas hostes de apartheid).

Falcões de ontem e de hoje

Como Mbuzini contribuiu para a paz

Por Luís Nhachote

O nosso colega media­FAX (edição de 24 de Ou­tubro) noticiou que proe­minentes figuras políticas nacionais afectas ao partido Frelimo puseram em causa o livro do inves­tigador moçam­bicano João Cabrita – “A Morte de Samora Machel”, no tocante à versão do autor sobre a forma como perdeu a vida o fundador da República Popular de Moçambique e também sobre o alegado plano de guerra que visava a invasão da República do Malawi, deposição do presi­dente Banda e instalação de um novo regime no país vizinho.

O veterano e histórico da Frelimo Marcelino dos Santos disse ao mediaFAX que “quem é moçambicano não duvida que Machel foi morto pelo apartheid”.

O conceituado escritor e intelectual Luís Bernardo Honwana, tal como Sérgio Vieira, na sua qualidade de co-fundador do Centro de Documentação Samora Ma­chel, também desmentiu que Samora tivesse morrido numa missão de guerra.

Ambos insistem que o primeiro presidente moçam­bicano morreu no cumpri­mento de uma missão de paz. Minutas de uma reunião realizada no dia 16 de Outu­bro, três dias antes da morte de Samora Machel, na posse do SAVANA, ilustram que este morreu em missão de guerra.

O que diz o livro de Cabrita

O livro de Cabrita, de facto, faz referência e cita documentos sobre um plano militar que terá sido fabricado por Moçambique e pelo Zimbabwe para o derrube do regime do Presidente Kamu­zu Banda, da República do Malawi, tido então como retaguarda da RENAMO-Resistência Nacional Mo­çam­bicana.

Desenvolvendo a sua tese sobre o aproveitamento político do desastre de Mbu­zini, Cabrita trás dados novos afirmando que houve um aproveitamento “genera­lizado”, quer por parte dos Estados da então Linha da Frente e da sua aliada e extinta União Soviética comu­nista, quer da própria África do Sul, quer ainda dos partidos da oposição que se viriam a estabelecer em Moçambique depois de 1992 quando é assinado o Acordo Geral de Paz em Roma.

O autor de “A Morte de Samora Machel” escreve a dado passo: “A própria África do Sul, como que numa tentativa de desviar as aten­ções do seu alegado envol­vimento na morte de Samora Machel, fez uso de um documento da Presi­dência da República moçambicana descoberto entre os des­troços do Tupolev em Mbu­zini, o qual dava conta de um plano concebido pelos Go­ver­nos de Moçambique e do Zimbabwe para se invadir o Malawi e depor o regime de Kamuzu Banda.”

O investigador João Cabrita, que em “A morte de Samora Machel” trouxe ao público peças do inquérito ao acidente de Mbuzini – peças essas de que o nosso governo sempre dispôs, mas manteve sempre, inex­pli­cavelmente, em segredo –, a dada altura  refere que “o documento (da reunião de 16 de Outubro de 1986) deixa transparecer a relu­tância do então presidente zambiano, Kenneth Kaunda, em apoiar o plano (de Samora), cuja fase inicial incluía o encerramento de todas as fronteiras com o Malawi”.

E acrescenta, voltando a citar o documento, que Machel “pretendia asse­gurar, com carácter de urgência, o desdobramento na província da Zambézia de 1500 homens idos de Maputo e Nacala, assim como a transferência de aviões MiG-17 e helicópteros de combate da Beira para aquela província. Aviões MiG-21 seriam transferidos de Maputo para Beira, de onde operariam.”

As minutas de Maputo

O documento a que nos temos estado a referir são as minutas de um encontro entre delegações de alto nível de Moçambique e do Zimbabwe realizado em Maputo a 16 de Outubro de 1986, portanto 3 dias antes do Tupolev de Samora Machel se despenhar em Mbuzini, na África do Sul, a poucos metros da fronteira moçambicana.

O SAVANA conseguiu obter algumas dessas mi­nutas e de uma leitura atenta do documento se pode constatar o ambiente de grande tensão militar então reinante na zona da África Austral. A linguagem utiliza­da nessa reunião é reve­ladora do agudizar do conflito armado em Moçambique e das posições extremadas que o nosso país, assim como o Zimbabwe pareciam estar dispostos a adoptar para se pôr cobro à insta­bilidade político-militar no nosso País.

Dizia Samora Machel na abertura do encontro de 16 de Outubro de 1986, em Maputo: “A atmosfera da nossa região em relação aos bandidos armados está muito elevada. Parece que pela primeira vez sentiram o perigo que representa o banditismo armado na nossa região.”

Em suma, era uma lin­gua­gem de homens de guerra, temperados na guer­ra, dispostos a continuar a fazer a guerra com o fito de  acabar com a guerra. Na sua ordem de ideias, o alcance da paz seria, sem dúvida, o seu objectivo final. Mas o preço em vidas e infra-estruturas teria sido enorme para Moçambique e para a região, mais ainda sem garantias de sucesso, de­preende-se da leitura das minutas de Maputo. A busca da paz com outra estratégia provou-se ser um caminho mais acertado. Hoje todos beneficiamos dela se a lin­guagem belicosa não voltar ao léxico político nacional pela voz de quem parece precisar dela para regressar à ribalta...

Antes do início do en­contro de 16 de Outubro de 1986 (3 dias antes da fata­lidade aeronáutica que pôs termo à vida do primeiro Comandante-em-Chefe das FPLM) que contou com a participação dos ministros de estado da Segurança e da Defesa do Zimbabwe, res­pectivamente Emerson Mu­nangagwa e Ernest Kadan­gure, para além dos co­mandantes do Exército e da Força Aérea de Robert Mugabe, nomeadamente o Ge­ne­ral Rex Nhongo e o Mare­chal Tungamiray, entre ou­tros, o Presidente Samora Machel fez questão de or­denar que o embaixador do Zimbabwe  acreditado em Maputo, senhor Mvundura, abandonasse a sala de reu­niões.

As minutas do encontro citam Samora Machel como tendo dito a-propósito: “Os embaixadores são compli­cados. Quando me reúno com o Primeiro-Ministro estão presentes e quando me reuno com os militares querem também” estar presentes. (NB: Robert Mugabe ainda não era presidente, o PR do Zimbabwe era Canan Bana­na)

Referindo-se ao Malawi, o falecido presidente Machel é citado nas minutas a dizer que “neste momento o que nos interessa é o foco do banditismo armado no Ma­lawi. E, neste momento, a África do Sul está a fazer força, a 80 quilómetros daqui, acusando Moçambique de várias coisas, que é para não atacarmos o centro e eles continuarem a fazer do Ma­lawi a sua base.”

   

O plano de guerra de Sa­mora

Virando-se para o General Rex Nhono, o presidente Machel começou por dizer: “Rex, vamos dar tarefa aos políticos. Primeiro-Ministro (Mário Machungo, de Moçam­bique, hoje PCA do BIM) e Emerson consigam que:

1.  Malawi aceite que as forças de Moçambique atra­ves­sem Zambézia/Tete/Zam­bézia através do seu território [...] assim como dê auto­rização para tropas zimba­bweanas passem de Tete/Zambézia/Tete.

2.  Zimbabwe proponha ao Malawi que utilizemos o porto da Beira... Esta é a parte política e só pode ser feita por gente da segurança e contra-inteligência.

3.  Moçambique e o Zimbabwe descubram nova força no Malawi. Banda está gasto. Não deixemos a África do Sul colocar a direcção no Malawi. Não deixemos os ingleses, os americanos, a RFA escolher líderes para o Malawi.  Os militares sabem como devem fazer as coisas.

4.  Ganhemos o povo inteiro do Malawi. Nas nossas declarações sempre afir­memos que o povo do Malawi é nosso amigo, as auto­ridades é que são más, a sua acção é que prejudica as nossas relações. Ganhemos a maioria. Aqui estamos a seguir a teoria de Mao Tsé Tung: ganhar a maioria, isolar a minoria e aniquilar um por um. Nós podemos também organizar uma frente de libertação do Malawi, equipar e infiltrar no Malawi para liquidar os bandidos lá. Podemos também definir os alvos para essa frente de libertação do Malawi. O melhor combate é transferir a guerra da tua zona para a do inimigo e fazer dela carreira de tiro.”

Kaunda contra a guerra

No prosseguimento da sua alocução na reunião de 16 de Outubro de 1986, o Presidente Samora ordenou que os militares colocassem “todos os meios na Zambézia o mais urgente possível” acrescentando: “Nós fe­chare­mos a fronteira com o Malawi. Sem armas e meios nada podemos fazer. Seria suicí­dio. Se não fazemos isso o Malawi vai continuar a meter bandidos armados. Temos algumas forças especiais para cumprir operações especiais. E temos cerca de 41 MiGs21. A vitória prepara-se. A vitória organiza-se. Exige sangue frio.”

De acordo com  Samora Machel, “o Presidente Ken­neth Kaunda não garantiu fechar a fronteira com o Malawi. Fizeram-lhe a per­gunta e não deu resposta satisfatória.” 

Tanzânia também era alvo

Ainda segundo Machel, “quando fecharmos a fron­teira devemos ter a certeza de que se o Malawi desviar as suas mercadorias para a Tanzânia nós vamos partir as pontes que o ligam à Tan­zânia. Mas terão de ser pontes que levarão 4 a 5 anos a construir. Se desviar a rota através da Zâmbia, não vamos partir as pontes da Zâmbia, mas partiremos as do Malawi que dão saída para a rota Kasangulo/Botswana e entrar para a África do Sul. Se partirmos as pontes que os levam à Tanzânia e à Zâmbia temos o Malawi nas mãos.” 

Virando-se para o vice-ministro da defesa moçam­bicano, Armando Panguene (hoje embaixador nos Esta­dos Unidos da América), e o ministro de estado zimba­bweano para a Defesa, Ka­dan­gure, Samora Machel afirmou:

“Já defini o meu pen­samento. Ponham lá a fun­cionar”.

Ao que Kadangure, de acordo com as minutas, respondeu: “Sim, pode ser feito”.

O antigo presidente mo­çam­bicano informou os seus interlocutores que a 10 de Outubro, isto é, 6 dias antes da reunião de Maputo, ele reunira-se “nesta mesa com moçambicanos, cubanos e soviéticos,” tendo ficado decidido que Sebastião Mar­cos Mabote (então chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Moçambique - FAM-FPLM) “devia seguir imediatamente para a Zam­bézia” a fim de “reconhecer o efectivo dos bandidos arma­dos em cada distrito e pre­parar um campo para receber 1.500 homens que sairão de Maputo e de Nacala.”

Segundo as suas próprias palavras, o presidente Machel queria: “transferir os MIGs21 para a Beira e a partir de lá vão operar. Os Migs17 e helicópteros de combate irão para a Zambézia que é perto do Malawi e de todos os distritos que os bandidos armados ocuparam no nosso país.”

E a finalizar, as minutas citam Machel como tendo dito: “Assim vemos friamente a situação. Esta é a nossa estratégia. O ponto é: como participa o Zimbabwe nisto tudo?”

SAVANA – 04.11.2005

31-10-2005

Malawi alvo de guerra de Samora Machel

MediaFAX está na posse de documentação que indicia tal facto

Maputo- O falecido presidente Samora Machel, tinha o Malawi, como alvo de guerra para derrotar o então MRN (Movimento de Resistência Nacional), então denominado oficialmente por bandidos armados.

De recordar que o Malawi nessa altura era um importante bastião do movimento de Afonso Dhlakama, no seu combate contra o Governo liderado pela Frelimo.

De acordo com alguns documentos recuperados em Mbuzini, local onde despenhou o avião presidencial, cujas cópias estão em poder do mediaFAX, na véspera dos factos, mais concretamente em 16 de Outubro de 1986, Samora reuniu-se com uma delegação zimbabweana em Maputo, para traçar-se a respectiva estratégia.

No encontro em que a delegação zimbabweana era chefiada por E. D. Munangagwa, então ministro da Defesa, Samora traçou uma estratégia que assentava em duas saídas.

A primeira, com o envolvimento do Zimbabwe, consistia em persuadir o Malawi a aceitar que as FPLM (Forças Populares de Libertação de Moçambique) fizessem um desdobramento Zambézia/Tete/Zambézia através do seu território na luta contra os guerrilheiros do MRN, actualmente Renamo.

Segundo Samora só assim o Malawi iria provar não ser inimigo.

“Essa é a maior prova de que ele (Malawi) não é a base do inimigo, prova evidente de que não quer guerra em Moçambique”, disse Samora nesse encontro.

O plano incluía ainda a permissão do trãnsito de militares zimbabweanos pelo Malawi em direcção a Moçambique no seu apoio às FPLM.

Por outro lado, o Malawi deveria participar na protecção das colunas de camiões no corredor, Beira/Chimoio/Tete/Malawi.

“Esta é a parte política, e, só pode ser feita por gente da segurança e contrainteligência”, defendeu Samora na reunião.

A segunda saída que devia ser em paralelo com a outra era derrubar o governo de Kamuzu Banda, então presidente do Malawi e colocar nova liderança.

“Moçambique e Zimbabwe devem descobrir nova força no Malawi. Banda está gasto. Não deixemos a África do Sul colocar a direcção no Malawi. Não deixemos os ingleses, os americanos, a RFA (República Federal da Alemanha) escolher os líderes para o Malawi”.

“Ganhemos o povo inteiro do Malawi todo”. “Ganhemos a maioria”. “Aqui estamos a seguir a teoria de Mão Tsé Tung: ganhar a maioria, isolar a minoria e aniquilar um por um”, argumentava Samora Machel.

No plano defendido por Samora , este advogava que também devia-se “organizar uma frente de libertação do Malawi, equipar e infiltrar no Malawi para liquidar os bandidos lá”.

“O melhor combate é transferir a guerra da tua zona para a do inimigo e fazer dela uma carreira de tiro”.

“No boxe mexemos o inimigo com a mão esquerda, para apanhar uma abertura e dar o golpe final: na boca do estômago (o adversário vai-se dobrar três vezes)”, disse Samora nessa reunião que teve lugar três dias antes da sua morte, um encontro em que Samora fez questão de mandar fora da sala do encontro o embaixador do Zimbabwe em Maputo, H. E. M. Vundura.

(JC).

MEDIA FAX – 31.10.2005

24-10-2005

Samora morreu numa missão de guerra

Mbuzini, 19 anos depois
O desastre de Mbuzini, ocorrido vai para 19 anos, continua na mente de todos os moçambicanos. As opiniões divergem quanto ao que terá realmente acontecido na noite de 19 de Outubro de 1986. Acidente ou sabotagem? Eis a grande questão.
[ZAMBEZE - 10/18/2005]
 

Leia em  Download mbuzini_samora_morreu.doc

21-10-2005

É tempo de dizer a verdade sobre Mbuzini!

Passam 19 anos após a morte trágica do primeiro Presidente de Moçambique, o Marechal Samora Moisés Machel, vítima de um acidente aéreo ainda não esclarecido ocorrido na região de Mbuzini na cordilheira dos Libombos, a noroeste de Maputo.

Vários foram os palpites publicamente lançados sobre as verdadeiras causas da morte de Samora, avultando a versão, ainda não comprovada, do governo moçambicano, segundo a qual, Samora Machel foi assassinado pelo então regime do “Apartheid” da África do Sul.
Essa vaga acusação nunca chegou a ser substanciada em instâncias apropriadas, isto é, Moçambique nunca fundamentou as suas acusações contra o regime do “Apartheid” e nunca se queixou desse regime em nenhum tribunal internacional apropriado. Apenas acusou na imprensa nacional e internacional.
Por seu turno, a União Soviética, proprietária do avião e da tripulação, fez coro às acusações vagas contra o regime do “Apartheid”sem, no entanto, ajudar Moçambique a consubstanciar tais acusações em foros apropriados.

O ponto principal é que existem três versões fundamentais sobre as prováveis causas do acidente fatídico de Mbuzini:

• “O terrorismo de Estado” perpetrado pelo regime do “apartheid”, insistentemente alegado pelo governo de Moçambique;
• “alguém em Moçambique que facilitou tal acto”, como publicamente o declarou Graça Machel, em várias ocasiões;
. ou tudo foi “consequência de erros e negligência da tripulação”, como parece ser a conclusão principal da Comissão internacional de inquérito, que investigou o acidente e publicou o seu relatório.

Depois de longos meses de trabalho da Comissão de Inquérito sobre o acidente, o governo de Moçambique declinou aceitar as suas conclusões recomendando a continuação das investigações, o que, na prática, não tem acontecido, uma vez que o próprio governo de Moçambique pouco ou nada tem feito para que algo de novo viesse à superfície sobre a morte de Samora Machel.
Quanto à senhora Graça Machel, que acusara publicamente “alguém” de Moçambhique de ter facilitado a morte de seu esposo, a mesma Graça Machel veio, mais tarde, declarar que não tinha provas do que dizia.
A questão de possíveis erros técnicos da tripulação na origem do acidente de Mbuzini está, razoavelmente, documentada em relatórios e pareceres da comissão investigadora e dos governos participantes.
O livro de João Cabrita, “A morte de Samora Machel”, lançado esta semana em Maputo, proporciona muito útil informação para se tirar as conclusões sobre o que, realmente, se terá passado na fatídica noite do dia 19 de Outubro de 1986.
Os defensores da teoria de “terrorismo de Estado” sustentam a sua tese, baseando-se num hipotético VOR (Rádio-ajuda à navegação aérea) falso, instalado algures nas montanhas, que teria desviado o Tupolev presidencial da sua rota com destino a Maputo.
“Os que defendem a versão de que o desastre de Mbuzini se tratou de um crime premetidado alegam que teria existido uma rádio-ajuda – o chamado VOR – transmitindo na mesma frequência que a do VOR do aeroporto de Maputo, e que fez com que o Tupolev presidencial se desviasse da sua rota, acabando por provocar a colisão do mesmo”, escreve Cabrita no seu livro, acrescentando que “os argumentos apresentados por Moçambique e pela União Soviética para provar não apenas a existência mas também o recurso a um VOR falso como forma de se provocar o acidente, simplesmente, não convenceram.
Ambos os países, aliás, defenderam pontos de vista de tal modo contraditórios que acabariam por tornar inconsistente a tese do VOR falso.
Sintomático da insustentabilidade dessa tese é o facto de ainda hoje, passados que foram 19 anos desde a data em que ocorreu o desastre, as autoridades moçambicanas continuarem a admitir ser difícil provar a existência do VOR falso”.
Presume o livro de Cabrita que ao insistir na teoria do VOR falso, Moçambique pretendia fazer um aproveitamento político da morte de Samora Machel com um duplo propósito em mente.
Por um lado, utilizar a morte de Samora Machel no âmbito da luta contra o “apartheid”, apresentando o desaparecimento físico como mais um exemplo de agressividade de Pretória em relação aos seus vizinhos.
Por outro lado, ajudar a União Soviética a encontrar uma forma airosa de se desenvencilhar do embaraço de ter que admitir publicamente que, por negligência, uma tripulação sua causara a morte do chefe do Estado de um país aliado.
Ainda os investigadores não haviam concluido a fase da recolha de dados, já o vice-ministro soviético de aviação civil dizia que o acidente de Mbuzini só poderia ter sido consequência de uma das três causas por ele enumeradas, nomeadamente o abate da aeronave por fogo disparado a partir do solo; uma explosão a bordo do avião; ou ainda interferência provocada por aparelhos radiotransmissores situados em território sul-africano. Excluida estava, pois, a hipótese de erro da tripulação”.
O livro de Cabrita sublinha que Moçambique viria a dar o seu aval à teoria soviética sobre o VOR falso, “não obstante o facto de contrariar flagrantemente o parecer emitido por peritos moçambicanos”.
A dado passo, o livro sobre a morte de Samora Machel elucida que “tanto Moçambique como a União Soviética nunca acusaram formalmente a África do Sul de ter utilizado o VOR falso, se bem que, para o consumo público, se alegasse o contrário.
Inexplicavelmente, o governo de Moçambique, apesar de ter rejeitado as conclusões da Comissão de Inquérito, nunca contestou, junto da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO), o teor do respectivo relatório, com a agravante de um jurista moçambicano representar o país no Conselho de Administração daquele organismo das Nações Unidas.
E não obstante o facto de as autoridades moçambicanas publicamente declararem que Samora Machel foi vítima de um crime de terrorismo de Estado, elas nunca recorreram às instâncias jurídicas internacionais para fazerem valer a sua tese, especialmente quando os acusados de presumíveis autores ainda detinham o poder em Pretória e que facilmente poderiam ter sido levados à barra dos tribunais pois representavam um regime que havia atraído contra si a antipatia quase generalizada da comunidade internacional”.
Chegados aqui, ocorre-nos indagar o por quê de o governo moçambicano, sendo sério no que diz sobre a sua convicção em relação aos presumíveis autores da morte de Samora Machel, não fez mais do que falar para demonstrar sua indignação em relação à morte e sua convicção em relação aos presumíveis autores?
Quando o governo de Moçambique afirma que, do lado moçambicano, as investigações sobre a morte de Samora prosseguem o que é que, exactamente, pretende comunicar? Pretende comunicar que o governo ainda está a investigar ou que o governo, de facto, nunca fez o necessário para demonstrar a sua vontade em esclarecer a morte de Samora?
Por que é que a senhora Graça Machel abandonou a sua tese da conspiração interna na morte de Samora? Terá deixado ela de estar convencida de que alguém de dentro tinha interesse em matar Samora ou, pura e simplesmente, abandonou essa tese em troca de sua acomodação no seio da família Frelimo?
Assim, e por ocasião de 19 de Outubro de 2005 exigimos que as autoridades moçambicanas mostrem a sua coerência e seriedade em relação à morte de Samora Machel. Basta de evasivas e de acusações vagas não consubstanciadas em actos jurídicos pertinentes.
É tempo de o governo de Moçambique, por sinal chefiado pelo ainda chefe da Comissão Nacional de Inquérito sobre o Acidente de Mbuzini, Armando Guebuza, encontrar uma forma de explicar ao povo moçambicano quem matou Samora Machel e por que é que o mataram. Trata-se de um imperativo histórico que jamais caduca.
É tempo de ouvirmos a verdade sobre as partes nebulosas da nossa História!

Salomão Moyana - ZAMBEZE - 20.10.2005

20-10-2005

Livro critica falhas da segurança na morte de Samora Machel

Maputo, 19 Out (Lusa) - Os serviços de segurança moçambicanos cometeram diversos erros durante a viagem aérea de Samora Machel, denuncia um livro publicado em Maputo sobre o desastre que vitimou o presidente moçambicano, passam hoje 19 anos.

João M. Cabrita, autor de "A morte de Samora Machel", hoje lançado em Maputo, sobre o desastre aéreo de 1986 que vitimou Machel e mais 33 passageiros e tripulantes do voo presidencial, critica o comportamento do Ministério da Segurança - SNASP, na época dirigido por Sérgio Vieira.

"Terá forçosamente de explicar para a história da nação moçambicana as razões das graves lacunas observadas no sistema de segurança nacional no dia em que ocorreu o desastre", escreve Cabrita, sobre Sérgio Vieira, um dos defensores da tese de que o presidente moçambicano foi vítima de terrorismo de Estado, possivelmente do então regime de "apartheid" sul-africano.

A queda do Tupolev-134A, com tripulação soviética, ocorreu ao princípio da noite de 19 de Outubro de 1986, quando o aparelho regressava a Maputo, vindo da Zâmbia, onde Machel participara numa cimeira com os seus homólogos zambiano, Kenneth Kaunda, angolano, José Eduardo dos Santos, e zairense, Mobutu Sese Seko.

Por razões que continuam a gerar polémica, o aparelho embateu numa montanha na África do Sul, já bastante perto da fronteira com Moçambique, quando deveria estar a aterrar no aeroporto de Maputo.

De acordo com o autor do livro a "secreta" moçambicana falhou ao não garantir que o voo se mantivesse afastado do espaço aéreo sul- africano, "demais a mais estando aquele Ministério na posse de informações de que (a África do Sul) preparava um ataque directo contra Maputo e o derrube do regime de Samora Machel".

Falhas em "todas as estações de radar situadas na região sul de Moçambique", que não informaram do desvio de rota, inexistência de protecção eficaz à estação VOR (Rádio VHF Omnidireccional), na cabeceira da pista principal do aeroporto de Maputo, e o lançamento de operações de busca apenas quatro horas depois da perda de contacto da torre com o aparelho presidencial são outras situações denunciadas por Cabrita.

"Este livro é mais uma tentativa que tenho feito para apresentar uma versão diferente dos acontecimentos daquela que é hoje tida como a única", disse à Agência Lusa João Cabrita, em declarações por telefone a partir da Suazilândia, onde vive.

No livro, o autor denuncia igualmente o comportamento da tripulação soviética que acusa de estar "distraída com questões estranhas ao voo".

"O comandante procurava por uma caneta para anotar o número de cervejas e coca-colas a encomendar do bar da aeronave para a tripulação levar para casa após a aterragem em Maputo (Ó) o co-piloto escutava uma estação de rádio da União Soviética, que transmitia um boletim de notícias, seguido de um programa musical", refere Cabrita sobre o ambiente no +cockpit+, numa altura em que já havia sinais contraditórios sobre a rota seguida.

O lançamento de "A morte de Samora Machel" (edição Nováfrica, Maputo, 2005) realizou-se à margem das poucas iniciativas oficiais que hoje assinalam o 19º aniversário da morte do carismático primeiro presidente de Moçambique.

As cerimónias evocativas, dirigidas por Maria da Luz Guebuza, mulher do actual presidente de Moçambique, Armando Guebuza, decorrem no local do acidente, Mbuzini, nelas participando cerca de 600 pessoas, a maioria jovens do movimento "Continuadores".

Também hoje, o Centro de Documentação Samora Machel, dirigido pela sua viúva, Graça Machel, inicia um programa de comemorações culturais e recreativas que decorrerá durante um ano.

LAS.

15-10-2005

A MORTE DE SAMORA MACHEL (2)

"A Morte de Samora Machel"

© João M. Cabrita 2005

Edições Novafrica - Maputo – Moçambique

Introdução

Cerca de duas décadas após a morte do Presidente Samora Machel, persistem dúvidas quanto às circunstâncias do desastre ocorrido em território sul-africano, envolvendo a aeronave que o transportava. E não é para menos: antes de se ter nomeado a Comissão de Inquérito que investigaria as causas do desastre, já corria célere a versão de que o mesmo resultara de um acto de sabotagem. Posteriormente, os factos apurados pela referida comissão e as conclusões a que chegou viriam as ser considerados, unilateralmente, como tendo sido "cozinhados" pelo então regime da África do Sul de modo a se apresentar a ocorrência como um mero acidente.

Leia em:

Download introduo.doc

Veja:

http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2005/10/a_morte_de_samo.html

Recorde:

http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2004/10/dois_pronunciam.html

14-10-2005

A Morte de Samora Machel

Livro_capa_w200 19 anos após o desastre de Mbuzini persistem dúvidas sobre o que terá realmente acontecido na fatídica noite de 19 de Outubro de 1986 quando uma aeronave do tipo Tupolev-134A, sob os comandos de uma tripulação cedida ao governo de Moçambique pela então União Soviética, embateu contra a região montanhosa dos Libombos, em território sul-africano, causando a morte de Samora Machel e de outras 33 pessoas.

Será que de facto se tratou de um "acto de terrorismo de Estado" como insistentemente alegam as autoridades moçambicanas?

Terá havido alguém em Moçambique que facilitou tal acto, como publicamente o declarou a viúva do primeiro chefe de Estado moçambicano?

Ou foi tudo consequência de erros da tripulação?

Estas e outras questões pertinentes são tratadas em A Morte de Samora Machel. O autor reconstrói com rigor os momentos que antecederam o desastre, e desmistifica tudo quanto de fantasioso se tem propalado a respeito do sucedido há 19 anos, apoiando-se para tal num minucioso relatório da comissão de inquérito que investigou o acidente de Mbuzini, mas que em Moçambique continua a não ser do domínio público.

Para encomendar

http://www.samoramachel.com/encomendar.htm

15-06-2005

Moçambique: Presidente Guebuza empenhado para elucidar morte de Samora

Monumento_samora01 Maputo, Moçambique, 14/06 - O chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, garantiu que o dossier sobre a morte do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Machel, falecido num acidente de aviãção em Outubro de 1986 na África do Sul, "nunca esteve e não está esquecido".
Em entrevista à "Rádio Moçambique", emissora oficial, por ocasião dos 30 anos da independência do país a celebrar-se a 25 de Junho, Guebuza disse que o governo continuará a pressionar até alcançar as respostas sobre a morte de Samora Machel, mas esclareceu que elas não dependem apenas do Executivo, mas também do resultado das investigações.
"O dossier existe. Nunca Moçambique, a nível do governo, o pôs de lado. As respostas é que ainda não estão lá. Vamos continuar a pressionar para que possamos encontrar tais respostas que não dependem totalmente de nós mas sim do resultado das investigações ainda em curso", afirmou.
Guebuza considerou que o alcance da verdade está a ser comprometido pelo facto de se desconhecer como apareceu o sistema de navegação "VOR" que transmitiu sinais, forçando o avião que transportava Samora Machel e sua delegação a desviar da sua rota normal e a se despenhar em Mbuzini (África do Sul).
Um outro empecilho para o esclarecimento do caso é a atitude do então regime sul-africano do "apartheid" que considerou encerradas as investigações para sonegar da verdade, precisou.
"Nós não podemos parar por aí. Temos que continuar a investigar para podermos conseguir levantar as questões relevantes do assunto. Estamos a trabalhar para que isto aconteça. Este dossier nunca foi esquecido. É impossível que seja esquecido", ressaltou Guebuza.
Esta foi a primeira reacção do Presidente moçambicano sobre a morte de Samora Machel desde que assumiu o cargo em Fevereiro último.
Samora Machel morreu em Mbuzini a 19 de Outubro de 1986 com 34 membros da sua comitiva na sequência do despenhamento do avião presidencial quando vinha da Zâmbia, para onde se deslocara em missão de paz para a África Austral.
O local onde Samora Machel morreu foi transformado em monumento em sua memória após o derrube do regime do apartheid na África do Sul.

AngolaPress

04-11-2004

Mbuzini, Steve Biko ou as Desinformações de Sérgio Vieira

Mapavoo
Zambeze – 04 de Novembro de 2004
João M. Cabrita

A recente entrada de Moçambique para membro do Conselho de Administração da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO)1 para além do prestígio que confere ao país, é um acontecimento que se reveste de grande importância para todos os moçambicanos. Sem dúvida, esta constitui uma excelente oportunidade para o governo de Moçambique tirar a limpo, de uma vez por todas, as dúvidas que ainda persistem quanto às circunstâncias do acidente de Mbuzini. Do governo se espera, portanto, que obtenha daquele organismo internacional um pronunciamento inequívoco quanto à idoneidade da comissão de inquérito às causas do acidente, e à legitimidade do relatório por ela elaborado.
Veja o resto deste texto em Download Mbuzini1Nov04.doc

Para melhor entendimento reproduzo também o texto abaixo, publicado no ZAMBEZE, em 19 de Junho de 2003 Download Zambeze01.doc

Nota: O mapa junto foi retirado do livro QUEM MATOU SAMORA MACHEL?, de Álvaro B. Marques